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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Vida de mãe de estudante!

Uma das coisas que a professora da minha filha perguntou aos pais, na primeira reunião do 1º ano, com direito a votação, foi se concordávamos que os nossos filhos levassem trabalhos de casa ou se éramos contra.

Por maioria, com a promessa de que seriam apenas os necessários e sem sobrecarregar as crianças, ficou decidido que seriam brindados com os amigos TPC's!

Com uma ou outra excepção, quase todos os dias a Inês trazia fichas para fazer. E de todas as vezes que isso acontecia, poucas eram as ocasiões em que ela as fazia em casa dos avós. Normalmente, saía da escola, ia passear com o avô para não deixar a avó com os cabelos em pé, e esperava que a mãe chegasse a casa já perto das 20h, para então se dedicar à sua tarefa.

Já para não falar que, nos períodos de férias, a professora dava uma folga ao seu papel de "má da fita", e transferia-o para os pais - ficávamos nós encarregues de lhes dar trabalhos.

Assim se passou o primeiro ano, comigo sempre em cima da minha filha, a tentar que ela desse o melhor e fizesse o melhor que conseguia, a lutar para que ela nas férias de verão não se esquecesse do que tinha aprendido até aí...

E cá estamos as duas no 2º ano, de regresso aos queridos trabalhos de casa que cada vez demoram mais tempo a ser feitos...Depois de acordar de manhã uma hora mais cedo do que o ano passado, e de passar o dia todo na escola, é mais que normal que no pouco tempo que tem livre até eu a ir buscar, aproveite para brincar. E é ainda mais natural que às 20h a vontade dela seja jantar, e estarmos um bocadinho juntas, sem o stress dos trabalhos para fazer, antes de se render ao sono e adormecer. A verdade é que se a ela lhe falta vontade, aplicação e empenho, a mim confesso que muitas vezes me falta a paciência para estar sempre a repetir "Inês, faz os trabalhos!", "Inês, despacha-te", "Inês, toma atenção ao que estás a fazer!".

E assim se transforma um fim de dia que até poderia terminar de forma agradável, num verdadeiro tormento para as duas.

Como diz o psicólogo Pedro Caldeira "as crianças devem ter tempo para si – para brincar e fazer o que bem entenderem quando estão fora do ambiente escolar".

E eu acrescento, também os pais deveriam ter tempo para estar com os filhos, brincar e conversar sobre outras coisas, depois de um dia esgotante de trabalho e das muitas tarefas domésticas que todos os dias nos esperam em casa.

Ser estudante não é fácil...mas ser mãe de estudante também não!

 

 

Promoção de Fim de Semana!

Na compra da "vaca", oferecemos-lhe os palitos!

                   

 

A Sr.ª D. Vaca que me desculpe, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça, quando me deparei com a oferta que vinha junto à embalagem de queijo "La Vache qui Rit" light - palitos crocantes de pão para mergulhar no queijo creme, snack mais conhecido por Pik&Croq.

 

Já a formiga tem catarro

 

Hoje em dia é tudo "muito à frente"!

Ou terei sido eu a ficar para trás?

É que há determinadas modernices que ainda me custam a digerir e aceitar.

No Domingo, depois de a minha filha se despir para tomar banho, deparei-me com o seu último retoque de beleza - as unhas dos pés pintadas!

Não é que eu não goste de ver mulheres de unhas pintadas, até penso que lhes fica muito bem.

Mas uma coisa é preocuparmo-nos com essas vaidades na adolescência. Nessa altura até eu aderi à moda das unhas pintadas de preto, e dos tradicionais produtos de maquilhagem - batom, rímel, sombras e blush.

O que me surpreende, é que cada vez mais, as crianças queiram parecer mulheres. E cada vez mais cedo!

Aos 5 anos, era ver a minha filha agarrada aos kits de pinturas que se vêem à venda para crianças. Para o Jardim de Infância, já levava as unhas das mãos pintadas de rosa forte ou vermelho, porque dizia ela "as cores clarinhas não se notam tanto". Nos lábios, passava o batom não sei quantas vezes por dia, e perguntava sempre "Oh mãe, vê lá se ainda tenho batom!".

Ora, ela é ainda e apenas uma criança. Não deveria ela preocupar-se com outras coisas típicas dessa fase da nossa vida?

É certo que ela é bonita, e está a desenvolver-se bem depressa. Mais uns aninhos e já está uma mulher. Uma mulher que certamente não irá precisar de recorrer a truques de beleza, embora na medida certa sejam bem vindos.  

Mas isto das modernices não se fica por aqui - poucos dias depois de ter iniciado o ano lectivo, chegou a casa e deu-me um papel para a mão. Adivinhem o que era - nada mais nada menos que o número de telemóvel da mãe do "namorado", para eu ligar a combinar o encontro do casalinho na semana seguinte! "Namorado" esse que anda com duas ou três ao mesmo tempo!

Embora, por um lado, não dê grande importância a estes episódios, por outro não posso deixar de ficar preocupada.

Há uma distância cada vez mais ténue entre o mundo infantil e o adulto - as crianças devem brincar, pular, saltar.

Em vez disso, vêem-se crianças que parecem querer saltar essa etapa fundamental da vida delas, e tornar-se precocemente adultas, imitando os pais, os seus ídolos, a moda...da roupa ao calçado, do penteado à maquilhagem. Até mesmo os seus comportamentos.

Só há um pequenino pormenor, é que se tornam adultas por fora mas por dentro dentro continuam a ser crianças - ou seja, são adultas para o que lhes interessa e convém, mas quando chega o momento de ter atitudes em conformidade, aí voltam à infância.

Então que o sejam em todos os sentidos e que o aproveitem, porque há-de chegar o tempo em que irão desejar voltar atrás, e não podem mais!

 

 

 

 

 

 

  

Um dia chega a nossa vez

Apesar da dura realidade que enfrentamos, e das más notícias que nos chegam todos os dias ao ouvido, não podemos desmoralizar, deixarmo-nos vencer pelo negativismo e desistir.

Eu sei que não é fácil ver os dias, os meses, e por vezes até mesmo os anos a passarem, sem que tenhamos conseguido encontrar um trabalho.

Aos meus quinze anos, na idade em que me apetecia comprar uma infinidade de coisas e não podia, porque os meus pais não tinham dinheiro para os meus devaneios, meti na cabeça que queria deixar de estudar e ir trabalhar! Como se com essa idade, alguém me desse trabalho!

Claro que os meus pais não foram na conversa, e foi aí que mostrei pela primeira vez a minha rebeldia de adolescente. Lembro-me de ter chorado "baba e ranho", de ter pronunciado uns quantos disparates e palavras nada bonitas de se ouvir contra os meus pais - literalmente, fiz birra!

Escusado será dizer que de nada me serviu, porque fui obrigada a terminar o 12º ano.

Como hoje os compreendo! Os pais sabem sempre (ou quase sempre) o que é melhor para os filhos, e aqui estavam totalmente certos.

Eu tinha que estudar, tinha que pelo menos completar o 12º ano, porque isso ser-me-ia útil mais tarde, quando me propusesse a entrar no mercado de trabalho.

E assim foi - com 18 aninhos e uma média de 17, tive direito ao valioso (ou nem por isso) certificado de habilitações. Inscrevi-me no Centro de Emprego da minha zona e esperei que a sorte me batesse à porta, já que não havia ninguém a precisar de empregada nos arredores.

Era muitas vezes chamada pelo Centro de Emprego para ir a entrevistas. Além de ter que me deslocar à sede, a mais de 40 quilómetros, quando lá chegava percebia que para uma única vaga, concorriam uns 20 candidatos!

O mais engraçado é que, chegados aos respectivos locais, éramos informados que já não precisavam de ninguém! Outros então, nem sabiam porque nos tinham mandado lá!

Quantas vezes me perguntei para que servia afinal o Centro de Emprego? Quantas vezes tem afixados anúncios de empregos, quando há tantas pessoas à espera de serem chamadas sem sucesso?

Outra coisa que me fazia imensa confusão e me revoltava, era em todos os anúncios de emprego pedirem experiência. Ora, se nunca me dessem a oportunidade de trabalhar pela primeira vez, como poderia algum dia ter experiência?

Durante um ano, estive 15 dias numa fábrica de estofos para carros, em que a minha função consistia em desenhar os moldes nas peles e cortar. Mas era óbvio que naquela pequena empresa familiar, não havia lugar para estranhos, e tanto a mim como à minha cunhada, trataram de nos pôr a andar, além de ter sido difícil receber o pagamento desses poucos dias.

Também experimentei um dia como armazenista, ao fim do qual não me conseguia mexer de tão dorida que estava de arrumar caixotes! Igualmente por um dia, fui empregada de balcão numa pastelaria. Mas nada disso me satisfazia, e esperei por algo que realmente gostasse.

Numa das minhas deslocações a uma perfumaria, em vésperas de Natal, enviada pelo meu querido Centro de Emprego, fiquei a saber que o anúncio já tinha passado da validade. Mas como havia bastante movimento, ainda me propuseram ficar lá o resto do dia, a fazer embrulhos e laçarotes! Pelo menos ganhei qualquer coisita e ainda me deram umas amostras de perfume!

Foi então que o Instituto do Emprego e Formação Profissional me convocou para tirar um Curso de Práticas Administrativas, remunerado, com a duração de ano e meio. Fiz testes psicotécnicos, entrevistas e exames médicos de selecção, e consegui entrar.

Tínhamos várias disciplinas como a Informática, Inglês, Direito, Práticas Administrativas ou Contabilidade. Em Contabilidade aconteceu uma coisa muito engraçada - fizemos um teste e a formadora deu-me 20! O  meu primeiro 20! Só que os superiores cairam-lhe em cima e pressionaram-na a baixar a nota porque segundo eles "dar um 20 a um formando é o mesmo que dizer que ele sabe tanto como a formadora"!

Mas adiante, ao fim de um ano de curso teórico, veio a fase do estágio. Por ironia do destino, fui eu que elaborei uma lista com várias possíveis empresas para cada um de nós, e por sorteio, calhou-me logo a que não oferecia perspectivas de emprego no futuro.

Foi uma grande frustração andar mais de um mês a arquivar facturas e recibos, para me entreter, sem poder pôr em prática nada do que aprendi, e sabendo que terminado o estágio, voltava à estaca zero, ao contrário de alguns colegas meus, que ficaram nas empresas que lhes couberam. Mais um diploma para arrumar na gaveta.

E mais um ano em que me valeu as repetidas inscrições nos tempos livres da Câmara Municipal, já que a minha candidatura ao concurso público não deu frutos (já sabiam de antemão quem lá iam pôr dentro). Um mês na secção de Contencioso e outro na secção de Contabilidade, 3 horas por dia. Depois 2 meses de pausa (não podiam ser seguidos). Os seguintes foram passados entre a secção de Recursos Humanos e a Biblioteca, onde adorei estar! A terceira temporada começou na Biblioteca e terminou antecipadamente no Museu. Por intermédio da minha tia, que conhecia o pai do rapaz que ia abrir uma loja de animais, ou seja, com uma "cunha" consegui ficar com o cargo de empregada na dita loja.

Estava super contente porque finalmente ia trabalhar a sério. Tive formação durante uma tarde sobre os vários produtos para peixinhos, sobre aquários e outras coisas mais.

Mas como se costuma dizer, ou não aparece nada, ou aparece tudo, e nessa mesma tarde recebi um telefonema de um advogado que precisava de uma secretária, a perguntar se estava interessada.

Ainda um pouco admirada, porque não me lembrava de ter enviado o meu curriculum para esse advogado, fui à entrevista. Afinal tinha sido a advogada onde o meu patrão tinha estagiado, que lhe deu o meu contacto (eu tinha lá deixado o meu curriculum uns meses antes).

Expliquei-lhe que tinha outro trabalho em vista mas que, se me oferecesse as mesmas condições, aceitava.

E aqui continuo eu, há já 11 anos! E sem "cunhas"! Foi o melhor que fiz porque a dita loja de animais, nem 3 meses sobreviveu, tal como todos os animais que lá se encontravam!

Por isso, pensamento positivo e esgotem todas as possibilidades, por mais remotas que possam parecer, porque um dia chegará a vossa vez!

 

 

 

 

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