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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A verdade compensa sempre?

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No outro dia estivemos a ver um filme "A Força da Verdade", em que um neuropatologista forense descobre o que está por detrás da morte dos jogadores de futebol americano - uma doença cerebral degenerativa provocada por constantes lesões na cabeça, em campo.

O problema é que essa é uma verdade que não convém a ninguém ser descoberta, e muito menos exposta, colocando em causa o desporto mais amado pelos americanos, e que move milhões.

Ainda assim, o Dr. Bennet Omalu está disposto a ir até ao fim, e às últimas consequências, para evitar que mais mortes venham a acontecer. Só que isso implica chocar de frente com os maiores interessados, e com gente poderosa capaz de tudo, para o silenciar.

Assim como este caso, existem muitas outras verdades que convém a determinados grupos, pessoas e entidades manter escondidas a todo o custo.

No caso do Dr. Bennet, ele perdeu o trabalho, perdeu o filho, e foi obrigado a mudar de cidade, sob pena de ser expatriado de novo para a Nigéria. Para outros, a verdade tem um preço mais elevado.

 

E foi aí que surgiu a minha questão: até que ponto vale a pena, até que ponto compensa trazer à luz a verdade? 

Até que ponto estamos dispostos a ir, em nome da verdade?

Até que ponto a verdade vale mais que a própria vida, ou a daqueles que nos são próximos?

Até que ponto conseguirão os mais fracos, ganhar uma batalha contra os poderosos?

 

Penso que, por vezes, é preferível ficar com a verdade só para nós. Por vezes, há batalhas nas quais não valerá a pena entrar. Que faremos nós com uma verdade que não interessa a mais ninguém, que dali a dois dias será esquecida, que nos tira tudo aquilo que temos?

O que faremos com essa verdade, quando não nos sobrar mais nada?  

Há Horas do Diabo, de Abílio Cardoso Bandeira

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Há horas que desejavamos que durassem para sempre, que não nos importaríamos de passar por elas novamente, que deixam saudades. E, depois, há as outras, que mais valia nunca terem chegado nem acontecido. Há horas do diabo, que podem mudar para sempre o rumo da história...

 

Neste livro, Abílio Cardoso Bandeira centra a sua história na aldeia de Sobral da Beira, e nos seus habitantes, tanto nos que por lá vão ficando, como os que partiram e voltaram, e tornaram a partir, ou ficam de vez, e naqueles que nunca mais voltarão.

Ora, num meio pequeno, todos se conhecem, todos se entreajudam, todos sabem da vida e dos segredos de todos. Ou quase!

Porque, por muito que conheçamos as pessoas que nos rodeiam, podemos muitas vezes ser surpreendidos com acções, gestos e até segredos que nunca imaginaríamos. E serão esses que iremos descobrir à medida que a história se vai desenrolando.

 

Quem é o desenterrador de cadáveres que ataca, não só os falecidos de outras regiões, como os da própria aldeia?

O que aconteceu a Afonso, que depois de ter vendido todo o património da família desapareceu, juntamente com o dinheiro da venda?

Quem é que todos os meses envia parte desse mesmo dinheiro para Laura, a viúva?

Que missão tem o misterioso Jorge Calçudo a cumprir em Sobral da Beira, e de que forma será determinante para a descoberta de muitos dos segredos destes habitantes?

 

Em "Há Horas do Diabo" temos também uma história de amor, ao estilo Romeu e Julieta, nas personagens de Gonçalo e Ana. No entanto, o autor, de forma inteligente, não foi por aí, dando mais relevância a outros acontecimentos e mistérios.

 

A trama é apresentada de forma simples, recriando até a linguagem característica daquele tempo e daquelas gentes. E o mesmo se aplica às personagens, quase todas com alcunhas e histórias associadas aos seus nomes, quase todas com algum grau de parentesco umas com as outras, e com personalidades para todos os gostos, que dá vontade de divagar sobre elas.

 

E, como não poderia deixar de ser, a cena que mais me comoveu tinha que ter um animal! Neste caso, um cão - o Fúria! Uma cena bastante rápida, e sem grande relevância para muitos, mas para mim, serviu para me irritar e comover em seguida. 

 

 

Poderia ficar por aqui, mas não queria deixar de falar sobre algumas das personagens da história, e das reflexões que as mesmas originaram.

 

Enquanto uns lutam por uma oportunidade que nunca chega, outros desperdiçam todas aquelas que lhes vão parar às mãos…

Rita e Carlinhos partiram jovens da terra que os viu nascer. Ela, para Lisboa, em busca de um trabalho que lhe garantisse um futuro melhor, que nunca teria ali, junto com o seu pai, naquela aldeia. Ele, para Coimbra, para se formar em advocacia.

Quando os encontramos, de volta a Sobral da Beira, seja em férias ou indefinidamente, percebemos que nenhum deles cumpriu o objetivo. Ambos têm algo a esconder, ambos mentem, ambos enganam os pais.

 

 

Aqueles que mais pecados apontam ao próximo, acusando-os de não respeitar Deus e a igreja, são os que mais pecam na vida, com gestos que vão, precisamente, contra tudo aquilo que são os mandamentos de Deus…

Como dizia, por vezes, a minha mãe “andam por aí a bater com a mão no peito, não faltam a uma missa e depois, mal saem pela porta da igreja, não fazem mais mal porque não podem. Gente falsa e hipócrita.”

Nesta história, a hipocrisia está representada pela personagem da Ana Viúva, uma beata que não perde uma oportunidade de prejudicar os outros, criar intrigas, meter-se na vida dos restantes habitantes, alegando sempre a defesa da moral e dos bons costumes.

Hipocrisia e falsidade há em qualquer lado, e cada vez mais, mas nos meios mais pequenos, é mais notória. Deveria chegar o dia em que estas cobras provassem o seu próprio veneno. Talvez isso as fizesse mudar...ou talvez não! Já nasce com elas, é mais forte que elas.

 

 

"Quem tudo quer tudo perde! E o pior cego, é aquele que não quer ver!"

Dois ditados bem populares que se poderiam bem aplicar ao Sr. Teixeira da farmácia!

 

 

Os padres também são seres humanos

E o padre Carlos não é excepção. São poucos os padres como ele, pessoas que se preocupam, de facto, com o próximo, que tentam ajudar dentro das suas possibilidades, que não se deixam levar pelos desvarios de beatas ofendidas. Ele não é um santo, é um padre que, nessa condição, está ao serviço de Deus, e age de acordo com o que seria de esperar dele, assim como de qualquer um de nós. Um padre que, como todos nós, é humano. E, por isso mesmo, também erra, também comete pecados e se penitencia por eles.

 

 

Quanto às restantes personagens, cada leitor fará as suas próprias reflexões quando ler esta história, que eu recomendo vivamente!

 

 

Sinopse

"Se um homem que nunca tinha entrado numa igreja não se tivesse confessado; se outro não tivesse dado um pontapé num cão e se outro ainda não tivesse feito uma promessa… provavelmente, esta história teria sido muito diferente.

Durante o verão de 1970 numa aldeia dos arredores de Viseu, uma série de histórias de amor cruzam-se com uma outra história de amor proibido.
Numa terra em que o sacristão passa pessoas para França; um homem desapareceu inexplicavelmente; um padre sofre as dores do mundo e um misterioso filho da terra regressa para iniciar uma estranha construção.
Ao mesmo tempo que no cemitério local enigmáticos desenterramentos vão prosseguindo sem que alguém encontre uma explicação."

 

 

Achei uma nota de 5 euros

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Eu, a carochinha de serviço, habituada a encontrar na rua moedas de 1 e 2 cêntimos, esporadicamente uma moedita de 10 ou 20 cêntimos, e uma única vez uma moeda de 50 cêntimos, mais habituada a perder notas sem saber bem como, do que a encontrá-las, achei uma nota de 5 euros!

 

Li no outro dia, que encontrar moedas na rua pode ser um sinal, uma forma de aqueles que já partiram comunicarem com quem cá está.

Curiosamente, encontrei a nota no dia 25, um ano após a morte da Tica. Coincidência?

Suponho que sim. Até porque era um nota, e não uma moeda!

Mas o que quer que signifique, a verdade é que deu jeito. 

A melhor música do Festival da Canção

Foto de RTP - Festival da Canção.

 

Para mim, é esta!

A única que tem tudo para chegar mais além. Presença em palco, estilo, bailarinos, música que fica logo no ouvido, inovadora porque é cantada em inglês.

E esteve quase para nem sequer chegar à final!

 

Depois do fiasco da primeira semifinal, estávamos todos na expectativa de ver a segunda semifinal, e o que ela nos traria. Foi melhor que a primeira, sem dúvida. 

Mas continuo sem compreender como é que, num programa em que falam tanto de inovação, continuam com os olhos postos no passado, a valorizar o saudosismo, a teimar em levar lá fora uma música cantada em português, a bater na mesma tecla e no mesmo estilo de música, que já vimos que não nos leva a lado nenhum.

 

Como bem sabemos, por razões que em muito ultrapassam a qualidade das músicas, mensagens e voz dos intérpretes, Portugal nunca será, provavelmente, um vencedor do Festival Eurovisão da Canção. Por isso, porque não levar algo inovador e, sim, cantado em inglês, como já têm vindo a fazer muitos outros países participantes? 

 

 

Porque é que o júri insiste em fórmulas perdedoras?

Como é que o júri dá uns míseros 4 pontos a esta música, e 10 pontos à canção da Lena d'Água?

Por favor! É por estas e por outras que nunca chegaremos a lado nenhum.

 

Felizmente, o público teve bom senso, e conseguiu reverter o painel das classificações, colocando o tema composto por João Pedro Coimbra e interpretado pelo Pedro Gonçalves entre as 4 selecionadas para a final, a par com duas das minhas favoritas - a da Celina da Piedade, e a do Jorge Benvinda. 

Só a Lena d'Água está a ocupar um lugar que não merecia, de todo, por culpa do juri.

 

O que vale é que, na final, o público é o único a ter direito de voto. Por isso, vamos lá votar na música do Pedro "Don't Walk Away"!

 

 

De entre as restantes, destaco, embora não para um festival, a música do João Só, que é totalmente a cara dele! E ficou muito bonita na voz da Helena Kendall. 

 

 

Imagem RTP - Festival da Canção

 

 

Um ano sem a nossa Tica

Tica

 

 

Primeiro dia sem a Tica

Segundo dia sem a Tica

Terceiro dia sem a Tica

Um mês sem a Tica

Cinco meses sem a Tica

 

E faz hoje um ano que a Tica partiu...

Como disse, há uns dias atrás, à Mula, este dia nunca fará parte do passado. É um dia que nunca esquecemos. Uma dor e saudade que nunca passa. E há dias em que volta a doer tanto como naquele em que tudo aconteceu.

 

O susto de não a ver em casa...

Os nervos de ir procurá-la antes que fosse tarde...

A aflição de vê-la caída no chão, inerte...

O pânico de não saber o que fazer, e o veterinário nunca mais atender...

O choque ao perceber que não havia nada a fazer, e que ela não estava mais no mundo dos vivos...

 

Depois, veio a minha própria inércia e falta de reacção. Como me arrependo de ter deixado o veterinário levá-la naquela noite...

 

"Já não há nada que possam fazer por ela. Está morta. É apenas um cadáver. Vai começar a cheirar mal. Se não têm onde enterrá-la, será melhor levá-la já, para cremar."

 

E nós, parvos, deixámos que a levassem...E nunca nos despedimos dela como queríamos. Mas estávamos ainda tão incrédulos, que nem conseguimos raciocinar.

Hoje, temos duas meninas  - a Becas e a Amora - por quem já estamos rendidos. E muitas vezes, têm gestos e acções tão parecidas com a Tica que me vejo a dizer "estás armada em Tica!?". No outro dia, ao olhar para uma fotografia da Amora, sem me aperceber no início de quem era, dei por mim a pensar que era a Tica, e só então percebi que, por vezes, até fisicamente há semelhanças.

 

 

Tica 227.jpg

 

Há dias em que o tempo passa a correr que nem me dá tempo para pensar.

Outros, em que tenho que me focar naquilo que é necessário naquele momento.

E outros em que me lembro das coisas boas que vivi contigo.

Mas há dias em voltam à memória todas as imagens daquele dia fatídico, volta toda a saudade dos momentos passados contigo, toda a frustração de teres partido sem aviso, quando ainda tinhas tanto para viver...

Volta toda a culpa por aquilo que devia ter feito por ti, e não fiz, crente de que eras a gata mais feliz e saudável do mundo, que nada te afectaria, e só morrerias velhinha. 

Volta toda a revolta, por te terem arrancado de mim, por não te terem permitido viver uma vida ainda mais feliz ao nosso lado, por muitos anos.

Tínhamos uma relação especial, tu e eu...E, embora ame as tuas afilhadas, não é a mesma coisa.

 

Tica 18

Tu eras a minha castanhinha linda! E sabes que no outro dia encontrei o teu ratinho velhinho? Lembrei-me logo de ti. Um sinal, quando se aproximava esta data que não deveria ter existido há um ano.

 

 

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Esta imagem é a que tenho sempre no computador, como fundo. Nunca mudei.

 

 

Tica 321.jpg 

As tuas fotografias continuam espalhadas pela casa, para te termos mais perto de nós.

 

 

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E tu, continuas a ter o teu lugar, único e especial, dentro do meu coração...

Espero que, onde quer que estejas, também não te esqueças de mim, de nós... 

 

 

 

 

 

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