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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

#SemDramas, de Inês Marques

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O que faz parte do mundo dos adolescentes?

Escola - professores porreiros e outros que querem ver pelas costas, o stress das notas, os colegas com quem simpatizam, os que ignoram e os outros pelos quais são ignorados.

Amigos - sejam rapazes ou raparigas, há-os bons e maus, traidores, cuscos, os que só nos querem tramar, ou que nos apoiam nos piores momentos, os que mentem e os que são sinceros. Os que são amigos até as conveniências os tornarem inimigos, e os que permanecem.

Rapazes - aqueles que acham giros, convencidos, mulherengos, ou os atadinhos, cromos, crânios da turma. Os desportistas, com belos músculos, ou os lingrinhas. Os atrevidos e os românticos. Os parvos, e os que já têm outra maturidade. Os que são estúpidos por natureza, e os que se fingem bonzinhos, mas acabam por ser iguais ou piores. 

Família - aquela que nunca os compreende, que tem sempre lições de moral para dar, que sabe sempre o que é melhor para os filhos, que está sempre pronta a aplicar os merecidos castigos pelas asneiras que os filhos fazem, que não sabe o que há-de dizer ou fazer, para ajudar quando os filhos mais precisam. E onde se incluem, obviamente, as típicas discussões e rivalidades entre irmãos, seja em idades próximas ou com grande diferença de anos entre eles.

 

Quais são as grandes pressões a que estão sujeitos?

Namorar, ou melhor, curtir, andar com alguém - porque é tão importante que os adolescentes tenham, obrigatoriamente, que gostar de alguém ou ter uma relação amorosa? Porque é que os que não pertencem a esse grupo são tão ostracizados pelos restantes colegas, postos de parte, considerados insignificantes ou fora de moda? E porque é que, quem ainda não tem uma relação, quando todos os seus amigos já, se vê na "obrigação" de fazer o mesmo, e sente uma enorme pressão para passar para o lado dos comprometidos?

Porque isso fará com que os aceitem de volta no grupo. Porque já terão os mesmos temas de conversa e evitam-se aquelas frases que magoam do género "tu não sabes o que é" ou "não podes imaginar porque nunca tiveste ninguém". 

 

Ter notas razoáveis na escola - para que os pais se continuem a preocupar com a vidinha deles, e não centrem as suas atenções no que de errado se estará a passar com os filhos. E conciliar o estudo com as saídas com amigos e/ou namorados, sem restrições ou castigos. Afinal,se se portarem bem e tudo correr dentro dos parametros que os pais definiram, todos ficam satisfeitos.

 

Satisfazer os desejos pessoais dos pais, no que respeita ao futuro profissional - os pais tendem a querer que os filhos sigam aquilo que eles seguiram,ou que queriam ter seguido e não conseguiram, ou aquilo que os outros filhos ou familiares também seguiram, e que acham que é o melhor, sem ponderar por um minuto que seja os próprios desejos dos filhos. E estes, por pura vontade de contrariar, ou porque já tinham outra ideia definida, tendem sempre a escolher tudo menos aquilo que os pais projectaram.

 

Quais são os principais dramas da adolescência?

Ninguém me compreende

A minha amiga é uma cabra/ O meu amigo é um traidor

Ele(a) não gosta de mim

Não o(a) quero perder

Fui trocado(a) por outro(a)

Ninguém repara em mim

Não sou bonito(a)

Os meus pais não me dão liberdade

Preciso de espaço

 

Como viver a adolescência #semdramas?

Os dramas fazem parte da adolescência! Mas aprendemos a viver com eles, e a ultrapassá-los! E mais tarde, havemos de nos rir das parvoíces que fizemos, dissemos e pensámos! 

 

 

De tudo isto - amizades, paixões, ciúmes, intrigas, problemas familiares e escolares, e muitos dramas - fala este livro de Inês Marques.

Consigo identificar muitos adolescentes nesta obra, contudo, penso que a autora, não sei se baseada em factos reais ou se por mera imaginação, acabou por exagerar um pouco em alguns acontecimentos, o que penso que não seria necessário, e acaba por extrapolar um pouco o quotidiano habitual da maioria dos adolescentes.

De qualquer forma, é um bom livro para quem quiser entrar no mundo da adolescência, para compreender melhor o que vivem os seus filhos nesta fase.

 

Sinopse:

"Sou uma adolescente. Como tu, provavelmente. Os meus avós nem se lembram do meu nome, a minha irmã trocou-me por meia dúzia de pincéis e passo os dias a lidar com dramas amorosos que nem sequer são meus. Não passo da rapariga com os seus All Stars velhos que se encosta a um canto da escola com o seu croissant matinal e deseja diariamente por dois segundos estar na pele das raparigas cujos nomes toda a gente sabe. Ele? Vai haver momentos em que vou pensar tanto no nome dele que já nem sequer vai fazer sentido dentro da minha cabeça. Eu? Nunca poderia imaginar que dali a 2 meses, o nome não seria o único detalhe sobre mim que todos ficariam a saber."

 

Autor: Inês Marques

Data de publicação: Dezembro de 2017

Número de páginas: 586

ISBN: 978-989-52-1234-7

Colecção: Viagens na Ficção

Género: Ficção

Idioma: Pt

 

Com o apoio de:

 

 

 

 

 

 

Não Me Deixes Só, de Margarida Freitas

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Não é irónico que, numa época em que as mulheres alcançaram a maior liberdade que poderiam ter, ou alguma vez sonhar, existam cada vez mais sentimentos de dependência, carência, e medo de ficar sozinhas?

Não é irónico que, sendo livres de tomar as suas próprias decisões, como nunca antes foram, e de tomar as rédeas da sua vida, como nunca antes lhes foi permitido, existam mulheres que depositam esse poder nas mãos de um homem por sentirem que, sem ele, nada serão ou conseguirão fazer?

E o mais grave é que a dependência chega a um ponto, em que as mulheres se anulam, em que se rebaixam, em que se deixam pisar, em que suportam tudo e ainda acham que é o que merecem. Pior, a sua mente leva-as a crer que gostam e precisam de tudo aquilo. Que tudo é preferível, do que ficar sozinhas, e enfrentar a vida e o mundo por sua própria conta.

E, mesmo quando encontram algo melhor no seu caminho, acabam por deitar fora, porque sentem falta daquilo a que estavam habituadas, mesmo sabendo que lhes faz mal.

Por carência, por obsessão, por dependência, por medo, por impotência, estas mulheres humilham-se, implorando por algo que, num único momento de lucidez, afastaram da sua vida porque lhes fazia mal.

 

Porque traímos?

Por amor? Por paixão? Por desejo? Por necessidade? Por carência? Por instinto? Por afirmação de poder? Para chamar a atenção? Para esquecer os problemas, ou arranjar mais problemas? Pela aventura?

Uma traição ocorre sempre porque a relação entre o casal não está bem? Ou isso é apenas uma desculpa que encontramos, para justificar o que não tem justificação?

O que nos leva a desejar que nos perdoem uma traição, quando nós próprios não conseguimos perdoar as traições dos outros?

 

O amor torna-nos irracionais? Ou deveria tornar-nos mais sensatos? O amor gera confiança, ou aumenta a desconfiança entre o casal? O amor leva-nos a cometer os actos mais irreflectidos, tanto para o bem como para o mal?

Devem os nossos erros ser desvalorizados e, até, perdoados, em nome do amor? Ou é por esse mesmo amor que esses erros ganham proporções avassaladoras, tornando-os imperdoáveis?  

 

De tudo isto nos fala “Não Me Deixes Só”, de Margarida Freitas, um livro que começa por ser um exercício que a psicóloga recomenda à personagem Margarida Sequeira, de forma a ajudá-la a exorcizar de vez o passado, e a conseguir viver mais feliz no presente, sem receios e sem culpas.

Através desse exercício, ficamos a saber o que levou Margarida a procurar ajuda, e como foi a sua vida até ali. A partir de determinado momento, a história deixa de ser um mero exercício, para se transformar numa espécie de diário, em que acompanhamos a fase mais actual da vida da Margarida, com o homem com quem refez a sua vida, no Brasil, e todas as dificuldades e problemas que a sua relação enfrentou.

Confesso que, a certa altura, comecei a achar a Margarida uma autêntica idiota, que não dava valor ao que tinha, uma mulher embirrante, que não consegue estar bem e tem que arranjar motivos para se chatear e acabar com as relações, instável, imprevisível, impulsiva, orgulhosa. Mas houve momentos em que lhe dei razão, e comportamentos por parte dos seus companheiros, incluindo o mais recente, que também não foram os melhores.

Ainda assim, era como assistir a um extintor a querer apagar o fogo, sempre que ele se acendia mas que, às tantas, de tantas vezes que era utilizado, ficava vazio e juntava-se à chama, para tornar ainda maior e incontrolável o incêndio.

 

Finalmente, quando tudo faria prever um final feliz, e a tão desejada estabilidade emocional e uma família perfeita, a vida encarrega-se de mostrar o quanto pode ser injusta, castigar-nos quando já achávamos que tínhamos as contas acertadas, e trocar as voltas aos nossos desejos, atirando-nos, sem dó nem piedade, para o abismo.

 

Haverá ainda forças, depois de tudo, para recuperar de tamanho estrago? Ou nada mais resta, a que nos agarrarmos, e mais vale deixar-nos levar, ou antecipar o inevitável?

 

Sinopse:

"Saí do quarto, fiquei agitada na sala com o meu choro sufocante, custava-me respirar. Mesmo com o meu grande amor a uma parede de distância, sentia-me só, tão inútil. Os meus pensamentos paralisaram no segundo momento mais doloroso da minha vida, parecia estar a sentir tudo novamente, cada segundo de dor, de desespero. A angústia, a ansiedade, o medo, a pressão… Corri para a casa-de-banho. Vomitei... Tinha o meu corpo a reagir às lembranças."

 

 

Autor: Margarida Freitas

Data de publicação: Novembro de 2017

Número de páginas: 250

ISBN: 978-989-52-0322-2

Colecção: Viagens na Ficção

Género: Ficção

Idioma: Pt

 

Com o apoio de:

Doçura no Teu Olhar, de Luisa da Silva Diniz

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Mais do que uma história de amor, eu diria que esta é, acima de tudo, uma história de amizade!

Uma amizade verdadeira, como já raramente se vê, nos dias de hoje, entre um grupo de quatro mulheres e três rapazes que, desde o romance anterior, se entevê que passem a quatro também. 

Amigos desde os tempos de estudantes, sempre se apoiaram e defenderam uns aos outros. Se um deles está a cair, os outros estão lá para segurar e, se não conseguirem evitar a queda, para ajudar a levantar e recuperar. Se um deles está feliz, todos celebram essa felicidade, de forma genuína, sem invejas.

 

No que respeita ao romance, desta vez, após dois dos amigos do grupo - Rita e João - terem casado, na história anterior, o amor bate à porta de Sara e Miguel.

Ele decide que não vai perder mais tempo, e avança na conquista da sua amiga. Ela, não quer deitar tudo a perder - uma amizade valiosa que dura há anos - por causa de uma relação que, se resultar, a fará muito feliz mas, se não der certo, a deixará ainda pior do que está, sem poder voltar a estar naquele grupo, e contar com um amigo como Miguel.

Confesso que, por momentos, pensei "oh não, espero que a história não seja só baseada neste impasse".

Mas a autora não me desiludiu, e deu uma oportunidade a este amor, o que me deixou mais aliviada.

 

Assim, a história concentrou-se em algo que acontece cada vez mais, nos tempos que correm - a violência física e psicológica nas relações, e as marcas profundas que ficam em quem sofreu esse tipo de violência. A pessoa pode recuperar o sentido da vida, esperar que as marcas se desvaneçam e ter o apoio de todos à sua volta. Mas há cicatrizes, sobretudo psicológicas, que ficam apenas adormecidas e, perante determinadas situações, vêm à tona novamente.

Se com uma pessoa estável, já pode fazer estragos, com uma pessoa fragilizada e à beira de um esgotamento, tomam proporções avassaladoras que, só com ajuda, podem ser minimizadas.

Esse papel caberá a cada um dos amigos de Sara e, acima de tudo, a Miguel, que terá que lidar com o ex namorado da sua amada e com as marcas que ele deixou nela, ao mesmo tempo que tenta ajudar Sara, num grave problema pelo qual ela está a passar a nível profissional - um desvio de dinheiro da empresa da qual ela é sócia e responsável pela contabilidade.

 

Sara esconde de todos este problema, achando que é responsabilidade sua e que conseguirá resolver tudo, sem preocupar as amigas e sócias. Com essa atitude, acaba por ter menos tempo para a relação, e viver sob stress permanente, passando a maior parte do tempo a tentar perceber o erro. 

Será que ela vai, realmente, conseguir aguentar o barco sozinha? E quando as amigas souberem, qual será a reação destas, ao saber que lhes foi escondido um problema grave que dizia respeito a todas?

Conseguirão descobrir quem desviou o dinheiro, e por que razão? Ou terá sido mesmo um erro de Sara?

E Miguel, poderá ele restituir a Sara a estabilidade emocional que ela precisa, para que volte a ser a Sara que ele sempre conheceu, e por quem se apaixonou?

 

As respostas estão neste romance, de Luisa da Silva Diniz, à vossa espera!

 

 

Sinopse

Sara Perdigão é a Directora Financeira da MOVE, a empresa de moda que mantém com as suas amigas de infância. Aparentemente, o trabalho e os amigos são o que basta para a fazer feliz, mas nem tudo é o que parece. Miguel Andrade é o Director Financeiro da StarCom, empresa da qual é sócio juntamente com os seus amigos, que conhece desde os tempos da universidade. O que ambos têm em comum? A profissão e a amizade que dura desde que João Santos, amigo de Sara e Miguel, os apresentou, há vários anos atrás. No entanto, Miguel quer muito mais do que a amizade de Sara e, por isso, ao longo dos anos tem tentado conquistá-la com o seu charme e sorriso arrebatador, mas ela foge-lhe sem que ele entenda porquê.

Será Miguel capaz de quebrar essa resistência de Sara e conquistá-la? E o que acontecerá quando o passado recente dela voltar para a atormentar? No meio desta luta de Miguel para a ter para si, um problema grave ocorre na MOVE e tudo o que Sara e as amigas construíram pode perder-se. Quem a poderá salvar de todos os seus fantasmas e problemas? Será que a resposta para os seus problemas sempre esteve ali debaixo do seu nariz? Mais uma história recheada de sentimentos profundos e verdadeiros que nos mostra o poder do Amor.

 

 

 

 

 

 

Do Outro Lado, de Maria Oliveira

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Quem está do outro lado? O que está do outro lado? O que nos espera, do outro lado?

Quem trabalha, sobretudo em contacto directo com outras pessoas, sabe que, na teoria, uma das regras fundamentais é separar a vida pessoal, da vida profissional. Na prática, nem sempre é possível.

 

É verdade que, independemente dos problemas que nos afectem a nível pessoal, não podemos deixar que os mesmos interfiram no nosso trabalho, e prejudiquem a forma como nos relacionamos com aqueles que nos procuram a nível profissional.

Mas, acima de tudo, somos humanos. Há situações que não conseguimos, de todo, camuflar, esconder, empurrar para debaixo do tapete até nos ser permitido tirá-las de lá. Por outro lado, é difícil não nos envolvermos nas situações profissionais que encontramos pela frente, agindo unica e exclusivamente como profissionais, desligando-nos delas no fim do turno.

 

Se é verdade que existe, do outro lado do profissional, um ser humano com as suas qualidades e defeitos, forças e fraquezas, momentos altos e baixos, também é verdade que, do outro lado do cliente/ paciente, existe alguém que precisa de ajuda, e cuja vida pode estar nas nossas mãos.

 

 

Não podemos, simplesmente, descarregar neles as nossas frustrações, nem tão pouco agir de forma mecanizada e estritamente profissional, quando, aquilo que dissermos, fizer a diferença entre a fé e a descrença, entre a desilusão e a esperança, entre a morte e a vida. E isso, quer queiramos, quer não, mexe connosco. É impossível ficarmos indiferentes.

 

Helena é uma médica psiquiatra que tenta ajudar os seus pacientes o melhor que pode mas sente, muitas vezes, que falhou, que poderia ter feito mais, agido de outra forma. Existem muitas vitórias, sim, e são de valorizar. Mas as derrotas...essas marcam-na mais, sobretudo naquele momento, em que se encontra emocionalmente fragilizada.

 

Porque, do outro lado da Helena, profissional, está uma mulher cujo marido e pai das suas duas filhas, desapareceu sem deixar rasto há cerca de dois anos, deixando-a sem saber o que pensar, sem saber o que aconteceu, e com muitos problemas para resolver.

 

Do outro lado, está uma Helena que se apoia no ex namorado de há muitos anos, que nunca deixou de amar, e que agora quer reconquistá-la, surpreendendo-a até com uma proposta de trabalho e negócios, que deixa as suas filhas como herdeiras de metade dos seus bens, o que a leva a crer que ele estará doente, ou até a morrer.

 

Do outro lado desta Helena, de marido desaparecido, e mãe galinha das suas duas filhas, está uma mulher que escondeu um segredo por 20 anos, e que lhe poderá custar tudo o que ainda lhe resta: o amor das filhas, e o amor de Luis.

 

É com tudo isto que Helena terá que lidar, do outro lado da sua vida. Com as descobertas em relação ao marido, com o revelar do seu segredo e as consequências que daí advêm, com a verdade, por mais terrível que ela seja.

E com quem está do outro lado da sua secretária, paciente ou familiar, que a procura em busca de uma solução, absolvição, consentimento, uma luz ao fundo do túnel, uma orientação, ou uma desculpa.

 

O que acontece quando uma médica psiquiatra acha que está a enlouquecer, no seu limite, e a precisar de ajuda médica ou baixa? Como pode ela salvar a vida de alguém, quando o seu próprio mundo está a ruir, e ela não sabe o que fazer com os seus próprios problemas? 

Com que moral poderá ela acusar o seu marido de ser uma fraude, e de ter enganado todos, ao longo dos anos que estiveram juntos, quando ela própria fez o mesmo, toda a sua vida?

 

Eu confesso, compreendo o lado da Helena, tal como compreendo o lado do Luís. Mas, como ela própria diz, o que está feito, está feito, é passado e ela não pode mudar. E ele, ou aceita, ou não, e deixa-a seguir o seu caminho. Porque estar com alguém que nos atira a cada instante, à cara, os erros que cometemos, não é vida, nem tão pouco amor. É rancor, é ressentimento, é não conseguir esquecer e seguir em frente, nem permitir que os outros o façam.

Fugir é sempre mais fácil do que enfrentar o que nos afecta mas, por vezes, é necessário. Muitas vezes, tomamos determinadas decisões achando que é o melhor para todos, mesmo que na realidade não seja. E por muito que não tenhamos como adivinhar o que, quem está do outro lado, pensa ou como irá reagir, a verdade é que o fazemos, e agimos muitas vezes com base em pensamentos que são apenas nossos, não dessas pessoas.

Resta-nos admitir os erros, pedir perdão, e esperar que um dia compreendam o nosso lado...

 

Um livro a não perder, de uma autora que já me conquistou com a sua escrita!

 

 

Sinopse

"Do outro lado da bata branca, do outro lado da secretária, do outro lado do clinico, está um ser humano como eu, como tu. Um ser humano para nos servir, que tem uma vida, uma história própria e que muitas vezes é mais sofrida e dolorosa do que a nossa. 

Batemos-lhe à porta, pedimos-lhe socorro.

Alguma vez pensamos, que ele também poderá estar a sofrer, e a ele quem o socorre?

“…

- Helena Vasconcelos de Andrade?

- Sim, e o senhor é quem? – Pergunto.

- Inspetor Pedro Pina, polícia judiciária. – Responde-me.

- Policia Judiciária?

…”

Com esta visita inesperada, Helena, vê a sua vida desmoronar.Médica psiquiátrica, mãe, mulher e amante apaixonada, perde o controlo da sua vida e a ética profissional.No dia em que um doente ameaça abandonar uma consulta a meio, atinge o seu limite e pede ao colega que a dispense, pedindo atestado. Descobrir que partilhou a cama, durante 20 anos com um desconhecido, não seria tão grave, secom a sua ausência, o passado, que queria deixar eternamente adormecido,não se fosse revelando a cada dia.

Afinal quem enganou quem? –

- Não penses assim. A vida às vezes é tão cruel que não conseguimos discernir qual a lição que está iminente.

- Perder um filho, não tem nenhum ensinamento, porque não há a possibilidade de emenda.

Uma história de amor, mistura perfeita entre ficção e realidade, diálogos reais transcritos letra por letra, e personagens também reais e algumas, infelizmente, já não estão connosco …"

 

Autor: Maria Oliveira

Data de publicação: Novembro de 2017

Número de páginas: 378

ISBN: 978-989-52-1060-2

Colecção: Viagens na Ficção

Género: Ficção

Idioma: Pt

 

 

 

À Conversa com C. Gonçalves

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C. Gonçalves é o pseudónimo desta contadora de histórias, apaixonada pela vida, pelos sonhos, pelas emoções e pelo amor, nascida em 1972, no Barreiro, onde vive desde sempre.


Os livros e a música sempre ocuparam um lugar de destaque na sua vida, ambos associados à expressão dos sentimentos e das emoções, como um bem essencial à sua vida, e dos quais não se consegue separar.
Publica, desde 2015, na sua página de Facebook, as frases soltas e os pensamentos que guardou para si ao longo do tempo.


Tem dois contos publicados; O café da minha vida (2016) e O tempo, faz de nós o que quer (2017), através da iniciativa Um livro num dia, da Chiado Editora.
Para além do Impossível é o seu primeiro Romance.

 

C. Gonçalves é a convidada de hoje a quem agradeço, desde já, pela disponibilidade para participar nesta rubrica. Fiquem a conhecê-la melhor, numa entrevista que me deu imenso prazer fazer!

 

 

 

 

Quem é a C. Gonçalves?

A C. Gonçalves é uma sonhadora que quer contar as suas histórias a quem as quiser ler.

 

 

C. Gonçalves é o pseudónimo com que se apresenta. O que a levou a adotar um pseudónimo, em detrimento na sua verdadeira identidade?

Para mim, sempre foi difícil mostrar aos outros, aquilo que escrevia. Revelar aqueles sentimentos que saíam de mim, no fundo, seria como expor um pouco da minha alma.

Quando decidi divulgar aquilo que escrevia e criei a minha página de autor no Facebook, apresentei-me com o meu “nome do meio”, porque acredito que é no meu âmago que ela reside.

Foi interessante perceber que os seguidores gostavam daquilo que eu escrevia, mesmo sem saber quem eu era.

 

 

Os livros sempre ocuparam um lugar de destaque na sua vida. Em que momento é que deixou de ser apenas leitora, e passou a escrever o que lhe ia no pensamento?

Comecei a escrever as primeiras coisas por volta de 1996. A ideia de um dia escrever um livro, vinha sendo acalentada há algum tempo.

 

 

“O café da minha vida” (2016) e “O tempo, faz de nós o que quer” (2017) são dois contos da sua autoria, publicados através da iniciativa Um livro num dia, da Chiado Editora. Como foi essa experiência?

Foi uma experiência muito interessante e gratificante, que me deu a oportunidade de ver algo escrito por mim, publicado num suporte físico. Percebi também que é mais difícil escrever um conto, do que um romance.

 

 

 

 

 

“Para além do Impossível” é o seu primeiro romance. Como é que surgiu esta história?

Esta história surgiu de vivências e experiências que se vão cruzando, de uma forma ou de outra, na minha vida. A história vai nascendo e vai-se desencadeando na minha mente, criando as cenas uma atrás da outra.

 

 

A música é outra das suas paixões e, neste livro, é visível, havendo uma espécie de banda sonora que acompanha a história de Sara e Santiago, do início ao fim. Como é que estas duas vertentes se foram conjugando? Foi através de uma determinada música que imaginou a cena, ou foi ao construir as cenas, que foram surgindo as músicas?

A música é sem dúvida uma das minhas paixões e porque acredito que, para cada momento da nossa vida, há uma música, fiz uma banda sonora para esta história.

Há sempre uma música que transmite uma emoção, um sentimento, seja ele de felicidade ou de tristeza.

As músicas surgiam na minha mente quando ia construindo as cenas e foram-se complementando como um todo.

 

 

Na sua opinião, o que leva a sociedade a aceitar de forma tão natural um amor em que o homem é mais velho, e de forma tão preconceituosa, quando se depara com o inverso?

A sociedade tende a rejeitar aquilo, que de algum modo, é diferente dos padrões que se foram estabelecendo.

Sempre foi aceite que o homem possa ser mais velho, mais bem remunerado, mais bem-sucedido.

E se de repente, fosse tudo ao contrário; ela é que é mais velha, tem uma posição financeira mais confortável; como seria?

 

 

Partindo da personagem Sara considera que, muitas vezes, os maiores entraves à felicidade de uma pessoa, são aqueles que existem apenas na sua mente?

Por vezes a nossa mente, é a nossa maior inimiga e aquela que mais nos julga. Mas temos que ter em conta sempre, os entraves que por vezes teimam em surgir no caminho.

 

 

Serão esses entraves, que nós próprios nos colocamos, por vezes, mais difíceis de derrubar?

Também, mas nem sempre. É preciso aceitar, por vezes, que as coisas são como têm que ser e por mais que tentemos, não nos é possível fugir. Isto é válido quer para derrubar quer para criar esses mesmos entraves.

 

 

 

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Outra das questões a ultrapassar na relação entre Sara e Santiago era o facto de trabalharem juntos, e de ela ser sua chefe. Trabalho e amor podem mesmo coexistir num mesmo espaço?

Essa é uma questão sempre sensível e que nem sempre funciona da melhor forma.

Parte-se do princípio que não é possível separar as questões pessoais das profissionais.

Mas quando há um motivo maior, vale a pena tentar conciliar as duas coisas.

 

 

Ao longo da história, a personagem Sara foi afirmando várias vezes “não posso sentir falta de algo que nunca tive/ experimentei”. Identifica-se com este pensamento?

Sem dúvida que sim. Se estamos confortáveis com o que temos, será porque não sentimos falta de nada? Se não experienciámos, como nos pode fazer falta?

 

 

É mais fácil aconselhar estando de fora, do que seguir os nossos próprios conselhos, quando somos nós a passar pelas situações?

Claramente que sim. Quando estamos de fora da situação, conseguimos obter um distanciamento que nos permite uma imagem mais lúcida do problema.

 

 

Uma vida sem um grande amor, é uma vida, de certa forma, mais vazia ou incompleta?

O amor tem muitas faces e completa-nos de diversas maneiras e com diversas intensidades. Certamente que sem o amor, nos sentiríamos todos mais incompletos.

 

 

 

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No amor, não há impossíveis?

Tenho como filosofia de vida, acreditar que não há impossíveis e que só podemos desistir quando já tentámos demasiadas vezes.

 

 

Que feedback tem recebido por parte do público, relativamente a este romance?

O feedback tem sido muito positivo e quem já teve oportunidade de ler este romance, não só gostou da história como, em alguns casos, se identificaram com algumas das personagens.

 

 

Pondera pulicar um segundo romance, explorando a história da Ana, amiga da Sara, mulher separada com dois filhos a seu cargo, e com pouca esperança de refazer a sua vida amorosa?

Quem nos diz que esse livro não está já escrito à espera da sua hora de ser publicado?

 

 

Muito obrigada!

E que este romance a leve "para além do impossível" no que à escrita diz respeito!

 

 

*Esta conversa teve o apoio da  Chiado Editora, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.

 

 

 

Imagens: C. Gonçalves

 

 

 

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