Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando miúdos pequenos têm que se desenrascar sozinhos

Imagem relacionada

 

Antigamente, era habitual irmos para a escola sozinhos, muitas vezes a pé, fizesse chuva ou sol. Não havia pai nem mãe para nos levar ou buscar.

Se recuarmos ainda mais, ao tempo dos nossos pais, era normal ainda antes de irem para a escola, fazer algum recado, ir buscar o leite ou o pão, ou algo do género.

 

Actualmente, e eu sou um bom exemplo disso, desde que a minha filha entrou para o Jardim de Infância que, sempre que posso, vou levá-la e buscá-la, seja a pé ou de carro. E, quando nem eu nem o meu marido podíamos, ia o avô.

Quando ela foi para o ciclo, teve mais liberdade, mas continuo a fazê-lo, se os horários derem para isso.

A primeira vez que quis ir visitar a antiga professora à escola primária, deixei, mas com indicações para ter muito cuidado com as passadeiras, os carros, e para ligar à saída e à chegada.

Ainda hoje, não deixo a minha filha andar muito na rua sozinha.

 

E é por isso que olho para alguns miúdos pequenos, muito mais novos que a minha filha, a irem sozinhos para a escola, com uma mistura de admiração mas, ao mesmo tempo, receio pelo que lhes possa acontecer, e alguma pena, por não terem ninguém que os acompanhe.

Há uns tempos, quando ia com a minha filha, precisamente para deixá-la na escola e seguir para o trabalho, vi um rapaz pequenino, com uma mochila que tinha quase o mesmo tamanho que ele às costas. Ia sozinho. Mal conseguia andar. Achei graça ao miúdo. Ele, propositadamente ou não, acabou por ir ao nosso lado, e estive quase para lhe perguntar se queria ajuda, se queria que lhe levasse a mochila. Mas depois, achei melhor estar quieta, não fosse o miúdo assustar-se, afinal, eu era uma estranha.

 

Hoje, estava a ir para o trabalho, e o miúdo ia à minha frente. O meu pai também ia mais à frente, e o miúdo perguntou-lhe se vinha algum carro, para poder passar. Depois, agradeceu. Não é para todos. A maior parte, até mais velhos, não diria nada.

De repente, o miúdo vira-se para trás e vê-me. Faz uma festa, a rir e a dizer olá, como se já nos conhecessemos há muito tempo e eu fiquei naquela "é comigo?!".

Disse-lhe olá, e ele esperou por mim, para ir para cima comigo. Anda na primária, no 2º ano. Diz que está habituado a ir sozinho, e que a mãe não pode, porque está a tomar conta da irmã mais nova. Conversámos um bocadinho, enquanto caminhávamos.

Quando páro para colocar comida aos gatos, ele fica ali comigo mas depois, preocupado,pergunta-me as horas e diz que tem que ir andando, para não chegar atrasado. E lá foi ele, a correr, porque o caminho até à escola ainda é longo. Se tivesse mais tempo, tinha ido com ele até meio do caminho.

 

Sim, o miúdo é pequeno, mas teve que aprender a desenrascar-se sozinho. Estará mais preparado que muitos mais velhos. Mas, ainda assim, sinto que ele não se importava de ter companhia, e que se sentiria mais seguro se alguém estivesse com ele.

Simpatizei mesmo com o miúdo, apesar de não ter jeitinho nenhum com crianças. Espero reencontrá-lo um dia destes novamente.

Como é que uma mãe se prepara...

Imagem relacionada

 

...para uma possível retenção escolar de um filho?

 

Quando os nossos filhos vão para a escola, e começam a tirar boas notas, ficamos felizes da vida, achando que está tudo encaminhado, e vai sempre correr tudo bem.

Nessa altura, só nos preocupa o facto de uma ou outra nota baixar um pouco em relação ao habitual, mas temos esperança que tenha sido uma vez sem exemplo.

 

Quando a responsabilidade começa a ser maior, e o número de disciplinas também, aumenta o receio de que as coisas possam mudar. Mas, quando chega o primeiro teste com nota negativa, é sempre um choque! Porque não estamos habituadas a isso, estamos acostumadas às boas notas, e apanha-nos totalmente desprevenidas.

 

Passado o choque inicial, o impacto provocado pelos próximos testes negativos causa menos estragos. Até porque vão alternando com positivas, e os professores são generosos e até dão boas notas no final.

 

Entrei neste ano lectivo da minha filha, com a noção de que seria um ano difícil, e que ela poderia não estar preparada para algumas disciplinas, nomeadamente, História. Iniciámos, cientes de que a possibilidade de vir a ter negativa a esta disciplina poderia ser real. 

A verdade, por muito que nos custe, e apesar de ser este o "trabalho" deles, é que as crianças não têm obrigação de ser boas a tudo. Há disciplinas para as quais terão mais aptidão que outras, e isso não é caso para desespero. E uma negativa não impede a passagem de ano.

Claro que também entrámos com o espírito - vamos lá dar tudo o que temos, e conseguir o melhor possível. Assim, depois de umas notas bem melhores que no ano anterior, nos primeiros testes, surge a primeira negativa - a História, como já esperávamos. Não custou tanto, porque já era algo para o qual estava preparada.

E, aí, surge a segunda negativa, a Físico-Química. Mais uma bofetada, mas vamos lá encher-mo-nos de positivismo, para contrariar e dar a volta a estes resultados.

 

Até que chega a avaliação intercalar e...três negativas - aquela a que ela tem-se safado sempre, e que eu não condeno, porque também para mim era sempre o meu calcanhar de Aquiles - Educação Física.

De um momento para o outro, percebemos que um filho está em risco de retenção. Claro que ainda estamos no primeiro período, que ainda foram só os primeiros testes e tudo pode mudar, e que os professores não iriam, provavelmente, reter um aluno assim, sem ponderar onde poderiam puxar uns cordelinhos.

Mas eu não gosto do incerto.

 

Tentámos perceber em qual destas disciplinas haveria mais hipóteses de recuperar. A História, dificilmente. Educação Física, tendo em conta o professor deste ano, idem. Se até aos rapazes que sempre tiveram boas notas, foi parco na avaliação. Resta-nos a Físico-Química. E tentar não baixar nas restantes, o que também já começa a ser complicado de gerir.

Os próprios professores já avisaram que eles podem contar com cada vez mais dificuldades, e que os testes não serão mais fáceis, pelo contrário. 

 

Os segundos testes já estão aí, e já houve baixas, embora dentro da positiva, que me deixaram em alerta máximo.

É estranho, porque a minha filha não é daquelas crianças que segue o modelo da estabilidade, dentro do que é pedido. Ora tira grandes notas, ora tira notas fraquíssimas. É capaz de tirar 80/90 a determinadas disciplinas, e 20/30 a outras! Anda sempre em picos, em altos e baixos, o que só prova, mais uma vez, que não é uma questão de dificuldade geral, é falta de aptidão, motivação ou interesse, por algumas das disciplinas que lhe são impostas.

 

Sim, é só o primeiro período. Mas dou por mim, consciente ou inconscientemente, a preparar-me para uma possível retenção escolar. E de que forma é que isso me afecta? De que forma é que encaro essa possibilidade?

E, mais importante, em que é que isso a afectará?

 

Vai perder os colegas que seguirem em frente, e começar de novo no que respeita a integração numa nova turma.

Vai perder um ano de estudos, mas há tanta gente que os perde em determinadas fases da vida - seja em anos sabáticos, a fazer disciplinas que ficaram para trás, à procura de emprego. 

Vai ouvir tudo de novo, e talvez consiga perceber melhor e adquirir os conhecimentos que faltaram no ano anterior. É para isso que serve, afinal, a retenção, e não para andar lá mais um ano a passear, como muitos fazem.

 

Se isto significa que estou resignada? Nem por isso. Nem quero, porque senão daqui a pouco dou por mim a achar normal duas ou três retenções!

Continuo a insistir com ela para que dê o máximo que consiga, para que safar-se, nem que seja com duas negativas mas, de preferência, sem elas.

Mas que já vi essa hipótese mais remota, não posso negar...

 

Documento Comprovativo do Programa Nacional de Vacinação

Resultado de imagem para plano nacional de vacinação

 

Todos os anos há novidades no que respeita à renovação da matrícula e, este ano, calhou, por conta do surto de sarampo, ter que requerer no Centro de Saúde um documento comprovativo do programa Nacional de Vacinação actualizado, até à data, o qual não pode ser substituído pelo Boletim de Vacinas.

 

Será que a informação que vem num e noutro não é a mesma? Ou, simplesmente, não sabem ler um boletim, e assim fica mais fácil com uma declaração do centro de saúde? 

 

E, no fim, para que serve tudo isso se, de qualquer forma, as vacinas não são obrigatórias?

De que lhes vai servir essa informação?

Será que esperam, com a exigência deste documento, coagir, de alguma forma, os pais a vacinarem os filhos, com receio da não renovação da matrícula dos seus filhos, ou que venham a ser discriminados pela falta de vacinas?

Ou será que as escolas vão mesmo usar essa informação para diferenciar os alunos vacinados e não vacinados? Ou, eventualmente, responsabilizar estes últimos, ou os pais, pelo que possa acontecer na escola, relacionado com vacinas, ou falta delas?

 

É que se não se vão servir dessa informação para nada, e tendo em conta a não obrigatoriedade das vacinas, não percebo a necessidade de fazer os pais perder tempo com estas burocracias.

A mim já me valeu duas idas ao centro de saúde, uma falta ao trabalho para acompanhar a minha filha à primeira dose da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), que me disseram que estava em atraso (embora esteja anotado no boletim que poderia levar entre os 10 e os 13 inclusive), e sabe-se lá o que ainda virá. 

 

Foi nisto que resultou o surto de sarampo dos últimos meses. 

De repente, todos se lembraram de vir para aqui

Resultado de imagem para igreja de santo andré mafra

 

Moro na zona velha da vila de Mafra, onde o sossego ainda é uma realidade. 

Pelo caminho, temos um parque infantil, onde cheguei a ir muitas vezes com a minha filha, ficando mais tarde abandonado às moscas. Só iam para lá meia dúzia de gatos pingados, a maioria sem idade sequer para lá andar. Muitos pais deixaram de lavar os filhos porque o parque servia também de casa-de-banho para alguns cães.

 

Já na Igreja de Santo André, quando por lá víamos alguém, pensávamos logo "boa coisa não é". Suspeitávamos de drogados, delinquentes e afins. Uma vez por outra lá vinham alguns jovens até ao palco onde costumam fazer as festas, mas quase sempre figuras de aspecto duvidoso.

 

Ainda assim, sendo raro, era um sossego passar ali naquelas ruas, numa zona quase esquecida e abandonada, que nada tem de interessante para ver.

 

No entanto, nestes últimos tempos, não sei se devido ao facto de a Universidade de Valores se situar nesta zona, e ter dado uma nova vida ao Palácio dos Marqueses, parece que esta parte da vila virou moda!

Todos os dias vejo malta do ciclo no parque, a andar de baloiço! Até as colegas da minha filha já ganharam esse gosto.

E na igreja, vejo frequentemente vários grupos, rapazes e raparigas, ora a apreciar a vista, ora a namorar ou até a jogar à bola.

A isso se deve também o facto de ficar relativamente perto da escola, e de aproveitarem os furos e horas sem aulas para dar uma voltinha.

 

Mas que é estranho, é!

E eu preferia os tempos em que tudo era mais calminho :) 

  • Blogs Portugal

  • BP