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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

De repente, todos se lembraram de vir para aqui

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Moro na zona velha da vila de Mafra, onde o sossego ainda é uma realidade. 

Pelo caminho, temos um parque infantil, onde cheguei a ir muitas vezes com a minha filha, ficando mais tarde abandonado às moscas. Só iam para lá meia dúzia de gatos pingados, a maioria sem idade sequer para lá andar. Muitos pais deixaram de lavar os filhos porque o parque servia também de casa-de-banho para alguns cães.

 

Já na Igreja de Santo André, quando por lá víamos alguém, pensávamos logo "boa coisa não é". Suspeitávamos de drogados, delinquentes e afins. Uma vez por outra lá vinham alguns jovens até ao palco onde costumam fazer as festas, mas quase sempre figuras de aspecto duvidoso.

 

Ainda assim, sendo raro, era um sossego passar ali naquelas ruas, numa zona quase esquecida e abandonada, que nada tem de interessante para ver.

 

No entanto, nestes últimos tempos, não sei se devido ao facto de a Universidade de Valores se situar nesta zona, e ter dado uma nova vida ao Palácio dos Marqueses, parece que esta parte da vila virou moda!

Todos os dias vejo malta do ciclo no parque, a andar de baloiço! Até as colegas da minha filha já ganharam esse gosto.

E na igreja, vejo frequentemente vários grupos, rapazes e raparigas, ora a apreciar a vista, ora a namorar ou até a jogar à bola.

A isso se deve também o facto de ficar relativamente perto da escola, e de aproveitarem os furos e horas sem aulas para dar uma voltinha.

 

Mas que é estranho, é!

E eu preferia os tempos em que tudo era mais calminho :) 

Sobre as infelizes de declarações do arcebispo Jozef Michalik...

...acerca dos padres pedófilos da Polónia!

Porque será que determinadas pessoas tentam sempre sugerir que as vítimas dos mais variados crimes são sempre culpadas pelo que lhes aconteceu?

Se alguém é assaltado, a culpa é da vítima, porque tinha algo que os ladrões queriam!

Se alguém é atropelado, a culpa é sua, porque não viu o carro, porque não esperou, porque estava onde não devia!

Se uma mulher é violada, a culpa é dela. Deve ter tido algum comportamento que motivou o violador a fazê-lo!

Se o país está em crise, a culpa é do seu povo, que não se esforça para o pôr a andar para a frente!

Por isso já não me espanta que o arcebispo Jozef Michalik, líder do Episcopado na Polónia, ao comentar as revelações sobre padres pedófilos no seu país, tenha sugerido que as crianças eram parcialmente responsáveis pelos abusos sexuais sofridos por padres.

É óbvio que as crianças, na sua inocência e busca de atenção, afecto e carinho, seduzem os pobres padres e lhes pedem para cometer tais actos de carácter sexual. E os pobres padres, coitados, no cumprimento da sua missão de ajudar o próximo, ou porque antes de serem padres são homens e a carne é fraca, satisfazem assim tão nobre e inocente vontade.

É um perfeito absurdo! Mas é este o mundo em que vivemos. Aqueles em que é suposto nós confiarmos e que supostamente nos deveriam proteger de alguma forma (membros da igreja, polícia, instituições, família, amigos, etc.), são aqueles que cometem, muitas vezes, os piores crimes.

O arcebispo terá mais tarde pedido desculpa, e dado o dito pelo não dito, mas ninguém esquecerá, tão cedo, as suas infelizes declarações.

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