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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

À Conversa com os MAGANA

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Os convidados de hoje da rubrica "À Conversa com..." são os irmãos Romano-Batista!

Naturais de alcácer do Sal, o Nuno, na voz e bateria, e o Jaime, na voz e guitarra, formam os MAGANA, e lançaram, a 12 de Maio, o seu primeiro álbum, intitulado "Na Terra do Sr. Zangão".

Para nos falar um pouco mais sobre eles, e este primeiro trabalho, os MAGANA aceitaram o convite para uma entrevista, que vos deixo aqui:

 

 

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Quem são os Magana?

Os Magana são um projecto criado por dois irmãos do rock’n’roll que decidiram fazer umas músicas que agradassem a pessoas dos 7 aos 77, misturando um pouco de todos os estilos musicais, com umas letras cómicas e que retratassem o quotidiano de forma engraçada. Tudo isto aliado a uma atitude rockeira e bem-disposta.

 

 

Em que momento é que decidiram formar a banda?

Nós estamos sempre em estúdio, seja a ensaiar, gravar, ou criar. Foi numa dessas sessões que, de forma espontânea, surgiram umas músicas que nos fizeram rir, e pensámos que teríamos de escrever umas letras a condizer e, posteriormente, gravá-las. Inicialmente, achámos que isto nem teria potencial para ser editado, que seriam só mais umas músicas que ficariam na gaveta, mas rapidamente mudámos de opinião quando começámos a receber o feedback das pessoas que ouviam, e decidimos arranjar um nome para o projecto e formar a banda.

 

 

A música esteve sempre na vossa vida?

Não nos conseguimos lembrar de um único dia das nossas vidas em que a música não estivesse presente.

O nosso pai é músico profissional e nós fomos criados entre baterias, guitarras e pianos. Estivemos sempre em contacto permanente com a música, fosse em ensaios ou espectáculos. Lembramo-nos perfeitamente de adormecer em sofás de bares enquanto o nosso pai tocava. Por isso, era uma questão de tempo até começarmos a fazer música pelas nossas mãos.

 

 

De que forma é que a vossa relação de irmãos interfere, ou facilita, o trabalho enquanto banda?

Como todos os irmãos que se prezem, temos as nossas discussões feias, mas rapidamente ultrapassamos essas desavenças. Temos muita facilidade em trabalhar juntos, primeiramente porque sempre foi assim e não sabemos fazê-lo de outra forma, e depois porque já trabalhámos imenso com todo o género de músicos, e sinceramente, assim é a melhor maneira de trabalharmos, damo-nos muito bem e somos extremamente apegados um ao outro. Chegamos sempre a um consenso que agrade a ambos.

 

 

Em 2016 participaram no programa “The Voice Portugal”. Como foi essa experiência?

Sim, é verdade. Quando decidimos concorrer ao programa, íamos sem expectativas nenhumas. Decidimos participar porque, caso as coisas corressem bem, sabíamos à partida que esse tipo de programas dão uma grande visibilidade a quem passa por lá, e isso seria bom para nós e para os nossos projectos.

Foi uma experiência agradável, fizemos bons amigos lá dentro e estabelecemos contactos importantes no meio da indústria, que de outra forma seria mais difícil. Mas muito sinceramente, e fugindo um pouco ao politicamente correcto, continuamos com a mesma opinião em relação a este tipo de programas que tínhamos antes de lá entrarmos.

Ao nível da arte propriamente dita, este tipo de programas não acrescenta nada, ali dá-se importância a tudo menos ao que, supostamente, interessa mais, a música.

Aqueles que vão para lá a pensar que lá por estarem no “The Voice”, têm a carreira garantida, estão muito enganados. Basta olhar para outros concorrentes de edições passadas, onde estão eles?

Ou já tens as tuas músicas feitas, ou então, não esperes que vá aparecer alguém que queira pegar em ti, porque isso não vai acontecer.

O nosso conselho é que, mesmo passando por lá, façam as vossas músicas e trabalhem muito em busca do lugar ao sol. Toquem, mostrem as vossas músicas às pessoas, porque elas sim é que interessam. O público é o único júri que realmente importa.

 

 

O público ainda vos identifica como participantes desse programa, ou não costuma fazer essa associação?

Ainda há um ou outro que tem melhor memória e que nos identifica, mas é a minoria, estes programas dão-nos fama descartável, e por um lado ainda bem que assim é.

Não é muito bom para quem quer fazer carreira na música ficar associado a este tipo de concursos. Ao inicio, quando passámos pelo programa, toda a gente nos reconhecia na rua, agora já são muito poucos.

Quando calha em conversa, lá temos de explicar que “fomos aqueles dois irmãos que tocavam bateria e guitarra”, e as pessoas aí dizem: “aaaahh, já me lembro de vocês”.

Só assim associam-nos ao programa.

 

 

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“Na Terra do Sr. Zangão” é o primeiro álbum dos Magana. Que música se ouve “Na Terra do Sr. Zangão”, e que o público poderá descobrir no álbum?

Tentámos fazer um disco que reunisse um pouco de todas as nossas influências musicais, por isso, neste álbum o público pode ouvir pop, rock, folk, bossa-nova, fado, que é o caso do primeiro single, Estória do Zé, uma espécie de fado misturado com música tradicional. Esperamos que as pessoas gostem. Até agora está a ter uma boa aceitação.

 

 

O single de apresentação intitula-se “Estória do Zé”. A história do Nuno e do Jaime também poderia dar uma música?

Sim, claro, toda a gente tem uma história para contar, por isso, toda a história individual daria uma música. Este é um disco onde se contam histórias. Todas as letras foram baseadas em pessoas que conhecemos ou personalidades estereotipadas.

Hoje em dia já não é preciso escrever acerca de temas rebuscados como o amor ou a paz no mundo, pode-se escrever acerca do gajo que come na tasca e usa fio de ouro ao peito, ou das idas à praia na infância com as sandálias do peixe-aranha e as sandes de carne assada cheias de banha!

 

 

Pegando em outros temas do álbum, de que forma completariam as frases ou responderiam às questões:

Ser “Popstar” é…ser fútil, desinformado, e desinteressante.

“Está na Hora” de…relativizarmos os problemas e começarmos a dar-nos todos bem como seres humanos que somos.

Como foi a “Infância nos 80’s”? Extremamente feliz e produtiva. Hoje em dia a infância já não é como foi nos 80’s. É óbvio que tem coisas melhores e outras piores, mas estamos gratos de poder ter vivido a nossa infância nos 80’s.

O vosso “Canto de Luxúria” é… Nem queiram saber! Isso fica na nossa intimidade. Seriamos acusados de promíscuos!

 

 

Como é ser músico em Portugal?

Ser músico no nosso país é daquelas profissões que não são consideradas profissões, é mais vista como um hobby do que outra coisa.

Por este motivo, não é das profissões mais fáceis de se levar. Não existe um sindicato para defender os interesses da classe, e os próprios músicos são culpados pela situação que se encontram, os músicos não são unidos e não se valorizam, não que sejam todos assim, mas uma grande maioria são.

Mesmo assim, ainda é possível viver só da música, é claro que não tens uma vida desafogada, a não ser que sejas um artista de topo, mas mesmo assim vai dando para viver.

Temos vários amigos nossos que se despediram dos seus trabalhos ditos normais, para se dedicarem a 100% à música, mas a maioria continua com empregos paralelos e conciliam com a música.

Nós ainda não demos esse passo, mas esperamos dar em breve, afinal de contas, o objectivo é viver a fazer aquilo que realmente se gosta de fazer.

 

 

Quais são os objetivos dos Magana para este ano de 2017, e a longo prazo?

Lançámos o nosso disco o mês passado pela Farol Música, e estamos gratos de terem acreditado em nós. Era um objectivo importante que andávamos a perseguir há algum tempo.

O próximo passo será conseguir agenciamento, ainda não conseguimos e sabemos que sem um bom agente não consegues mostrar-te em muitos sítios.

Precisamos de chegar às massas através da televisão e das rádios, e isso é um caminho difícil. Temos plena consciência que é um caminho longo e lento e que aos poucos lá chegaremos, estamos a trabalhar nesse sentido.

 

 

Já têm algumas atuações ao vivo agendadas?

Ainda não temos actuações marcadas mas sabemos que vão começar a aparecer. As coisas estão a acontecer devagar mas estão a acontecer.

Sabemos que se chegarmos às massas os espectáculos vão aparecer. Tu não podes vender um espectáculo de uma banda que não conheces, e mesmo que o vendesses não irias ter grande afluência de público.

Uma coisa que temos de bom é que já temos muitos anos disto e sabemos muito bem como funciona o meio, só não podemos é perder a esperança e a vontade de trabalhar. Com calma e persistência tudo se faz. A banda tem de ter divulgação para poder tocar, até porque não é fácil fazer espectáculos pequenos com este projecto, como bares. São dez músicos em palco!

 

Muito obrigada pela disponilidade!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também as imagens.

The Corrs - mais uma banda fantástica!

 

Hoje trago-vos mais uma das minhas bandas preferidas, os The Corrs!

Uma banda irlandesa de pop rock e folk rock formada por 4 irmãos da família Corr - Sharon, Andrea, Caroline e Jim, nascidos em Dundalk, e filhos dos músicos Gerry e Jean Corr. 

Com Andrea como vocalista e a tocar flauta irlandesa, Sharon como segunda voz e a tocar violino, Caroline como segunda voz e a tocar bateria, piano e bodhrán (instrumento de percussão irlandês), e Jim como segunda voz, e a tocar piano, guitarra e acordeão, os The Corrs tornaram-se mais conhecidos nos finais dos anos 90, e já ultrapassaram os 60 milhões de álbuns vendidos pelo mundo!

 

 

Talvez as músicas mais conhecida dos The Corrs sejam Only When I Sleep ou What Can I Do, ambas do álbum Talk on Corners, de 1997.

Mas destaco algumas das minhas preferidas - umas que fizeram mais sucesso, e outras mais desconhecidas:

 

Intimacy - adoro esta música! Do álbum Talk on Corners, de 1997.

Breathless - do álbum In Blue, de 2000.

Runaway - do álbum Forgiven, Not Forgotten, de 1995.

No Good For Me - do álbum Talk on Corners, de 1997.

At Your Side - do álbum The Corrs Unplugged, de 1999.

One Night - do álbum In Blue, de 2000.

Irresistible - do álbum In Blue, de 2000.

Radio - do álbum The Corrs Unplugged, de 1999.

Queen of Hollywood - do álbum Talk on Corners, de 1997.

Hopelessly Addicted - do álbum Talk on Corners, de 1997.

 

Grande Mulher

 

Comprado e Lido!

Se valeu a pena? Sim!

Aquilo que mais me desagrada no livro, e não é dos maiores que tenho lido, é a autora estar constantemente a repetir as mesmas coisas. 

Ainda que seja uma forma de reforçar a ideia, e porque na vida real este tipo de acontecimentos também se repete constantemente, não era necessário, e torna a leitura um pouco cansativa.

Fora isso, foi bem conseguido. Não é um livro que fala, exclusivamente, sobre distúrbios alimentares ou como esse facto prejudica a saúde, nem a história de uma luta contra esse problema, embora ele esteja presente e seja um dos factores.

É, antes de mais, uma história sobre pais que não nasceram para ser pais.

Pais que discriminam os filhos, dando todo o seu amor a uma, esquecendo a outra.

Pais que acham que estão a agir bem, mas não sabem o mal que fazem.

Pais cujos ideais estão errados, ultrapassados, obsoletos.

Pais que vivem preocupados com as aparências, com dinheiro, com sucesso, mas esquecem o principal na realação entre pais e filhos.

Victória foi a primeira a vir ao mundo. Eles queriam um rapaz, mas veio uma menina, que em nada se parecia com eles. O nome foi escolhido em homenagem à rainha Victória. Não por considerarem a filha a "rainha" das suas vidas, mas porque era feia e matulona.

E foi com estes adjectivos, brincadeiras parvas do pai, e rejeição, que Victória cresceu.

Quando ela tinha sete anos, um acidente trouxe outra menina - Grace! Esta sim, era uma verdadeira princesa, linda e graciosa, e digna de ser amada! Como disseram os pais, "Victória foi a fornada experimental".

A partir daqui, Victória e Grace vão ser criadas pelos mesmos pais mas como se tivessem tido, toda a vida, pais diferentes.

Um facto curioso é Victória nunca ter tido ciúmes, nem inveja, nem raiva da irmã. Eu não sei se seria tão generosa embora, de facto, a irmã não tenha culpa de nada. Mas a verdade é que sempre foram unidas, e Victória sempre foi quase uma mãe para ela.

Victória escolhe cedo o seu próprio destino, destino esse que passa por se afastar cada vez mais dos pais, embora eles continuem a exercer uma influência negativa na sua autoestima. É essa influência, e a baixa autoestima, que vão fazer Victória enveredar por dietas que não resultam, aumentos e perdas de peso, altos e baixos constantes na sua vida, tanto a nível físco como emocional.

E, se no caso de Victória, a falta de amor, compreensão e apoio por parte dos pais não foi benéfica, o seu excesso em relação a Grace também não. A partir de uma certa altura, Victória e Grace vão chocar.

Mas cada uma tem que viver a sua vida, e Victória terá que deixar Grace aprender com as cabeçadas que der.

É a história de uma grande mulher que, aos poucos, e com a ajuda de quem realmente gosta dela e a quer ver bem e feliz, vai ultrapassar o estigma que, toda a vida, a regeu: que não encaixa em lado nenhum, que a sua inteligência não lhe serve para nada, que nunca há-de ser ninguém, que é uma matulona que ninguém deseja, de que não é alguém digno de ser amado.

 

Dois irmãos, duas histórias

 

Quando perderam a mãe, eram apenas duas crianças!

Duas crianças que, daí em diante, foram criadas pelo pai, e pelas tias.

Nessa altura viviam em plena região alentejana, divididos entre Barrancos e Moura.

Levavam uma vida dura, no campo, privados de muitas coisas essenciais...

E assim cresceram até que, um dia, os dois irmãos vieram para Lisboa.

Pode-se dizer que são muito parecidos, em termos de feitios, e quanto mais velhos mais parecidos ficam!

Mas sempre houve uma diferença que os fez, mesmo tão perto um do outro, seguir rumos e estilos de vida tão diferentes - a ambição!

O meu tio é daquelas pessoas que não se contenta com o que tem, se sabe que pode ter mais. E foi nesse sentido que, com a ajuda da minha tia, sempre lutaram, trabalhando sábados, domingos e feriados, sem folgas, quase sem descanso, para poderem atingir o objectivo a que se tinham proposto.

Primeiro por conta de outros e, mais tarde, por conta própria, passavam os dias no café restaurante Primavera, de manhã até madrugada.

Quando as minhas primas já podiam, ajudavam os pais a servir às mesas e ao balcão, e tudo o mais que fosse preciso, já que um dia viriam a usufruir das regalias proporcionadas por todo aquele esforço.

Raramente as vi passear, aproveitar a infância e a adolescência, divertir-se como qualquer rapariga da idade delas.

O meu tio, além do restaurante, que entretanto trespassou, abrindo depois um café (que entretanto também alugou porque já estava na altura de deixar de trabalhar e gozar os rendimentos), construiu a casa onde hoje mora.

Construiu também outras moradias - umas que ainda tem para alugar, outras que vendeu. E comprou terrenos, que deu às filhas para que elas próprias pudessem construir as suas casas.

Hoje, têm uma boa vida. Não lhes contei o dinheiro, mas sei que estão bem e têm o seu futuro assegurado. Embora o meu tio se esteja sempre a queixar (sem motivo), dinheiro é algo que não lhe falta.

Já o meu pai, nunca sonhou muito alto, nunca foi ambicioso!

Mesmo tendo oportunidade para melhorar, continuou satisfeito no seu emprego como carpinteiro, a ganhar o básico. O lema dele sempre foi "para hoje tenho, amanhã logo se vê"!

Passadas algumas dificuldades em que teve, por exemplo, que vender a própria aliança de casamento para ter dinheiro, ou quando ficou sem trabalho, aos 50 anos, e todos lhe batiam com a porta porque já era demasiado velho para trabalhar (e nessa altura foi o meu tio que o ajudou), conseguiu finalmente um trabalho, numa fábrica, onde esteve até se reformar.

Mas, apesar de nunca ter ambicionado uma vida melhor, sempre fez tudo para que não faltasse nada lá em casa.

Tanto eu como o meu irmão, sempre tivemos o essencial.

Acima de tudo, muito amor e muitas aventuras com o meu pai! 

Foi ele que me levou a conhecer o Jardim Zoológico e a Feira Popular!

Foi com ele que fui a primeira vez ao circo!

Era com ele que eu ia para o campo fazer piqueniques e apanhar pinhas!

Era com ele que eu ia todos os anos no mês de Agosto para a praia!

Muitos dos poemas e textos que ele escrevia, eram sobre mim, ou para mim!

Hoje, o meu pai não tem carro, vive numa casa alugada, tem uma reforma que lhe proporciona uma vida um pouco melhor do que quando trabalhava. E ainda consegue ajudar os filhos sempre que é necessário, com o pouco que tem.

Para ele basta-lhe. E é feliz assim!

Se poderia ter sido de outra maneira? Até poderia ter sido...mas não seria a mesma coisa!

 

 

 

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