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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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A magia que o dinheiro consegue fazer!

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Tal como vos tinha dito, no serviço público de saúde, o meu pai, que neste momento tem uma catarata em estado muito avançado, só teria cirurgia marcada lá para finais de 2018 ou início de 2019.

 

Ontem foi a uma consulta, no serviço privado. Disseram-lhe que tem de ser operado com urgência. Hoje fez análises. Amanhã, exames. Dia 11 consulta com a anestesista e, dia 12, será submetido a cirurgia. 

 

Isto sim, é rapidez!

Uma rapidez que lhe vai custar cerca de 2500 euros!

Mas, ao menos, que pague para ficar bem servido, e volte a ver bem.

À Conversa com Cátia Araújo

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Já aqui vos falei do livro infantil "Elias e o Medalhão Perdido".

Hoje, deixo-vos com a entrevista à autora do mesmo - Cátia Araújo!

 

 

 

 

 

Quem é a Cátia Araújo?

A Cátia é apenas uma miúda crescida, que sentiu a necessidade de partilhar com os outros o mundo de fantasia que a habita.

 

 

Como é que surgiu a sua paixão pela escrita?

Sempre senti um enorme apelo para expressar o que sentia, por vezes das formas mais inusitadas, como quando era pequena e fazia birras fenomenais! Lá fui crescendo, e substituindo as birras pelo desenho. Adorava ver as formas e os traços crescerem numa folha de papel branquinha, enquanto o resto do mundo desaparecia à minha volta. Mas, de facto, nunca tive muito jeito para desenhar e como a minha necessidade de expressão era tão grande, acabei por enveredar pela escrita, como forma de desabafo. O Elias surgiu numa fase da minha vida em que precisava de me alhear da realidade e de tornar tudo à minha volta mais leve e mágico.

 

 

A forma como viveu a sua infância, desenvolveu esse gosto pela escrita, e pela fantasia?

Ainda sou da geração em que não existiam muitos brinquedos e tínhamos de usar o que havia, criando a partir daí uma realidade alternativa. O facto de ter brincado muito na rua com outras crianças terá ajudado a acentuar este lado mais fantasista pois tudo servia para criarmos uma história, objetos ou personagens diferentes. Na rua onde a minha avó vivia muitas vezes existiam castelos para escalarmos ou jornadas perigosas para superarmos, dragões escondidos atrás de árvores ou poções mágicas para fazer com plantas.

Quando era criança contavam-me histórias e eu também lia muito, o que me permitia viajar para outros locais e viver aventuras magníficas. Acho que isso ajudou a integrar esta vertente que, mais tarde, veio a ser desbloqueada e partilhada.

 

 

De que forma vê os avós do seu tempo, e os avós da atualidade, na forma como convivem com os netos e lhes passam valores e saberes, estimulando a imaginação?

Acho que são gerações bastante distintas, mas sempre pautadas pelo amor e aconchego. Penso que, quando era criança, os avós tinham maior disponibilidade para criarem e estarem com os netos e, portanto, essa transmissão de conhecimentos, de valores, era muito fácil e fluída.

Os saberes, as tradições, as histórias e os mitos, já vinham de gerações anteriores e eram transmitidos, sobretudo, de modo oral e quando (apenas) se ouve, sem imagem associada, isso estimula a imaginação e dá espaço e terreno para criar algo novo.

Atualmente acho que as características e a falta de tempo das sociedades modernas, em que andamos todos a correr e os avós trabalham até mais tarde, não estimulam tanto essa veia criativa. Não é preciso imaginar, criar, desenvolver… é mais fácil meter um miúdo a jogar playstation do que lhe contar uma história.

Mas por outro lado os avós da atual geração têm acesso a uma série de recursos que nas gerações anteriores não existia, ou não estava tão explorada, existindo uma transmissão de informação mais rápida.

 

 

A Cátia afirma que tem “a ambição de poder inspirar crianças, jovens e adultos a sonharem e (re)viverem aventuras fantásticas”. As suas histórias são a forma que encontrou de o fazer?

Honestamente espero que sejam um meio de chegar às pessoas que deixaram de sonhar, e que guardaram num cofre bem fechado a sua criança interior, porque acham que “é parvo” ou “infantil” ou “têm outras responsabilidades”.

Somos e seremos sempre crianças, a questão é se a deixamos viver em pleno ou não. Há quanto tempo não fazemos caretas com amigos, ou saltamos numa poça de água? Há quanto tempo não pregamos uma partida ou nos imaginamos super-heróis?

Por isso este livro não tem só como destinatário as crianças, mas também os pais delas, porque está escrito de uma forma divertida, com uma pitada de ironia e sarcasmo que apenas os mais velhos irão compreender e com a qual se irão identificar. Estabelece-se, assim, uma ponte para este imaginário infantil e a vida diária que qualquer adulto tem.

 

 

 

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Em que se inspirou para escrever “Elias e o Medalhão Perdido”?

Sempre adorei mundos mágicos, florestas e seres fantásticos, por isso o Elias acabou por surgir de forma muito natural uma vez que já faz parte do meu universo desde criança. O facto de ser uma adepta confessa da Serra de Sintra e de todo o misticismo que a envolve, com aquela aura especial e única, terá também ajudado nos contornos e contexto espacial da história. As personagens, as suas características e as expressões que lhes estão associadas foram sendo criadas a partir do meu quotidiano, do que ia ouvindo na rua, nos pequenos detalhes que ia observando nos transportes públicos, nas dinâmicas familiares e com amigos, o que acabou por humanizar muito as personagens: umas são distraídas, outras vaidosas, outras arrogantes e por aí fora. Facilmente qualquer pessoa se revê neste livro.

 

 

Este livro é o primeiro de várias aventuras que o Gnomo Elias ainda irá viver?

Este será o primeiro de várias aventuras que o Elias irá viver juntamente com os seus amigos. Aliás, o segundo livro já está em andamento.

 

 

Escrever livros infantis é a linha que quer seguir na escrita, ou ambiciona chegar a outro tipo de público – juvenil ou mesmo adulto?

Neste momento pretendo expandir o universo do Elias, com novas aventuras, locais e personagens. Sinto que o Elias chegou até mim por algum motivo e compete-me dar-lhe voz e expressão. Enquanto assim for faz-me sentido continuar nesta linha, mas no momento em que nos deixe de fazer sentido continuarmos juntos, poderemos seguir caminhos diferentes.

 

 

A Cátia é licenciada em Ciências da Educação. Na sua opinião, é uma área que complementa, de alguma forma, a escrita, e vice-versa?

Acho que ajuda sobretudo a ter uma visão mais ampla, mais alargada, a sair “do quadrado” e a ver a realidade com outros olhos.

 

 

Considera que, a nível da educação, a criatividade e a imaginação das crianças tendem a ser estimuladas ou reprimidas?

Ainda temos uma educação muito restritiva e castradora, onde as crianças são pouco estimuladas para criarem e desenvolverem novas formas de expressão.

Tudo tem de seguir uma determinada ordem e formato, é tudo muito baseado na repetição e memorização de conteúdos e não tanto na exploração ou no imaginário infantil.

Aos poucos começa a sentir-se uma maior abertura nesta vertente, com novas formas de atuar e pensar, mas ainda temos um longo caminho para percorrer.

 

 

Que feedback tem recebido por parte dos leitores, relativamente a este livro que lançou em janeiro deste ano?

Até agora o feedback tem sido bastante bom! As pessoas gostam da história que tem uma tónica divertida e das personagens, onde acabam por se rever de alguma forma.

 

 

Para quando uma próxima obra?

Este primeiro volume ainda terá de chegar a mais crianças e a mais pais, de modo a que o Elias e os amigos se possam dar ainda mais a conhecer! De qualquer forma o segundo volume já está em andamento!

 

 

Que mensagem gostaria de deixar às crianças deste mundo?

Que não tenham pressa de crescer! Que todos os dias façam festinhas a dragões ou uma nova poção com o que encontrarem, de preferência com a ajuda dos vossos pais!

 

 

Muito obrigada, Cátia!

 

 

*Esta conversa teve o apoio da Chiado Editora, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.

A magia por detrás de um presente...

...que se perdeu no tempo.

 

 

Hoje senti...

Senti aquele cheirinho, do qual quase não me lembrava. Aquele cheiro a papel de embrulho, que há mais de 20 anos utilizavam para embrulhar os presentes.

Não um papel qualquer, que se pode cortar e levar para casa, retirado do hipermercado, nem tão pouco aqueles rolos que hoje encontramos em qualquer superfície comercial. Não aquele papel fraquinho, que se rasga ao mínimo descuido, mas um grosso e resistente, que se tentava poupar ao máximo.

Veio-me à memória as vezes em que eu ia, com a minha mãe, à mercearia da vila, e a dona da loja embrulhava uma prenda que tivessemos comprado, com um papel cheio de bonecos, se fosse para criança, ou com outro mais sóbrio, se fosse para adulto. Tinha o mesmo cheiro que senti hoje!

Até mesmo os laços eram mais bonitos, elaborados com mais dedicação, e não feitos à pressão e sem qualquer pingo de originalidade.

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Antigamente, havia toda uma magia por detrás de um presente.

Desde o momento em que o recebíamos, até descobrirmos o que ele escondia. Tentávamos desembrulhar com o máximo cuidado, para não rasgar o papel, que depois guardávamos como se de um tesouro se tratasse.

Cada presente era um mistério que ansiávamos desvendar. Lembro-me bem, por exemplo, de ver os presentes de Natal debaixo da árvore, e tentar adivinhar o que estaria lá dentro. Seria algo que tinha pedido? Que eu iria gostar? Ou seria uma decepção? E, quantas vezes, não íamos tentar espreitar, às escondidas dos pais, o que lá estava, tentando abrir com cuidado numa das pontas, e voltar a colocar a fita-cola no sítio, para ninguém perceber o que tínhamos feito.

Passado o Natal, só voltávamos a ver presentes por ocasião do aniversário, o que constituía outro momento mágico e solene!

 

 

Hoje em dia, oferecemos e recebemos presentes em qualquer altura do ano. Muitas vezes, os mesmos são comprados por obrigação, só porque é suposto. São comprados à pressa, sem nos preocuparmos sequer se é algo que irão gostar, ou que dará jeito. São uma forma de exibição do dinheiro e poder que se tem.

Hoje em dia, na maior parte das vezes, já sabemos o que nos vão oferecer, e aqueles a quem oferecemos já sabem o que vão receber. Os nossos filhos são os primeiros a pedir isto e aquilo. Muitas vezes, recebem antes do tempo.

Hoje em dia, por ser mais prático, compramos saquinhos para colocar as prendas dentro, aproveitamos um qualquer papel que temos lá por casa, ou utilizamos os ditos rolos, comprados para ter em casa, para quando der jeito. 

Os presenteados já não dão importância ao simples acto de dar ou receber um presente, e tudo o que ele envolve. Toda essa magia se perdeu...  

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