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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Ainda haverá espaço para a criatividade no futuro?

 

Ao longo dos tempos, temo-nos vindo a transformar cada vez mais em robots, em pessoas mecanizadas com com instruções claras de como funcionar, deixando pouco espaço a algo que fuja dessa rotina programada.

E, como é óbvio, isso tem as suas repercussões e consequências nefastas, a curto, médio e longo prazo, não só a nível físico como a nível mental e emocional.

Em vez de nos sentirmos leves, felizes e de bem com a vida, sentimo-nos como se carregássemos um peso enorme às costas, tristes, abatidos, conformados.

Os dias e a nossa vida deixam de ser coloridos, passando a vivê-los em tons de cinzento.

O tempo passa por nós,e nem damos por ele passar. Até ao dia em que olhamos para a monotonia em que a nossa vida se tornou.

Deixamos morrer os sonhos, a imaginação, a criatividade...No novo mundo, não há muito espaço para isso. 

Iremos mesmo permitir que isso aconteça?

Será que vamos a tempo de inverter este quadro, ou será algo inevitável?

 

 

Esta curta-metragem mostra um pouco do que está a acontecer às nossas crianças, e aos adultos.

Os autores, Daniel Martínez Lara e Rafa Cano Méndez mostram, em cerca de 7 minutos, o que acontece à nossa vida quando a criatividade é afundada pela rotina diária.

O vídeo incide também sobre a paternidade, e a importância de deixar as crianças fazerem as suas próprias viagens.
 
 

Concordam com esta visão?

 

 

 

Desamores, de Manuel Soares Traquina

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Amizades que se vão perdendo com o passar dos anos

 

Casamentos por conveniência, negócios e estatuto

 

"Arranjinhos" entre pais que teimam em escolher o melhor partido para as filhas

 

Paixões arrebatadoras por alguém que já é comprometido

 

Amores não correspondidos

 

Ciúmes exagerados ou total indiferença entre casais

 

 

Soa-vos familiar? 

Tudo isto está presente nesta obra de Manuel Soares Traquina. 

Desamores traz aos seus leitores 6 pequenas histórias, umas com finais mais felizes, outras nem tanto.

 

O ser humano é complexo, e consegue transpôr essa complexidade para as suas relações, sejam elas de que espécie forem.

 

 

Pelo que tenho vindo a observar nos últimos tempos, tenho tendência a desconfiar de amizades repentinas em que, de um momento para o outro, duas pessoas se tornam melhores amigas, para dali a dois dias nem se falarem. No entanto, até mesmo em amizades mais consolidadas isto pode vir a acontecer. Por muito que essas pessoas queiram manter os laços criados na infância ou na adolescência, a vida e muitas das decisões que vão sendo tomadas já na fase adulta, acabam por deitar por terra essa intenção. E o afastamento é inevitável. Por vezes, o contacto é mesmo cortado de vez, restando a resignação e a saudade de bons tempos que passaram, e já não voltam.

 

 

Também os casamentos por conveniência, e os "arranjinhos" perduram ao longo de gerações, seja por questões financeiras, títulos, negócios em conjunto, estatuto ou, simplesmente para afastar uma terceira pessoa, que não consideram digna dos filhos. Para que serve tudo isto?

Para manter as aparências que, salvo raras excepções, não passam disso, de aparências. De uma fachada para esconder o verdadeiro carácter, a verdadeira natureza dos intervenientes, e todo um mundo que apesar do dinheiro, consegue ser mais pobre que aquele onde vivem os que não o têm.

De que serve um bonito e influente casal na fotografia se, na intimidade, não passam de estranhos? De que serve alguém endinheirado, se lhe falta carácter?

O preço a pagar por estes erros é muito alto. E, depois, será tarde demais para arrependimentos.

 

 

E as aventuras? O que dizer das aventuras?

Por vezes os casais passam por fases complicadas, que podem levar a que um dos membros, ou ambos, se deixem levar pelas circunstâncias. No entanto, outros haverá que não precisam de "desculpas", e que fazem dessas aventuras o seu modo de vida. Mas seria bom avisarem o parceiro de aventura, até para que não haja surpresas e desilusões, que tudo o que viverem não passará disso mesmo - uma aventura com os dias contados.   

 

 

O ciúme é outro inimigo das relações. E existem mesmo pessoas que ultrapassam os limites, transformando o ciúme em obsessão, sentimento de posse. Mesmo não sendo um casal feliz, não admitem sequer a hipótese do divórcio. E resolvem tratar do assunto da pior forma "se não és meu/ minha, não serás de mais ninguém".

Valerá a pena? O que ganham com isso? Terão prazer na infelicidade dos outros, e na sua própria?

 

 

No extremo oposto, temos as relações em que a rotina se instalou de tal forma, que o casal passa a ser uma dupla de estranhos a viver juntos. Por vezes, nem eles próprios percebem no que se transformou essa relação. Os gestos de amor e carinho tendem a desaparecer, e a sua ausência torna-se algo tão habitual que nem se estranha. A chama há muito se apagou, mas eles continuam a viver como sempre porque, aparentemente, nem deram pela falta desse calor.  

 

 

Haverá, no meio de todos estes sentimentos e relações complicadas que se criam e alimentam, alguém que, de facto, consiga perceber que vale a pena sair da sua zona de conforto, e lutar pela felicidade, pela amizade, pelo amor?

 

Ou viveremos nós numa época de "Desamores"? Descubram-no, neste livro de Manuel Soares Traquina, e tirem as vossas próprias conclusões!

 

 

Sinopse

"A minha Luísa tinha casado.

Não esperou por mim.

Tinha casado com outro. Era de outro. Senti-me abandonado, viúvo, morto.

O que senti foi que a sua mão ficou de repente inerte e o seu olhar parado, fixado em mim, um olhar muito ansioso. Chamei-a, não reagiu. Tentei levantar-me para chamar a enfermeira, mas nesse momento tive a sensação de que flutuava; o chão sumira-se e toda a realidade se esfumava.

Então, vi-me de mão dada com a minha Luísa a flutuar, sem destino, por entre as nuvens.

O tipo, de quem se divorciara recentemente, era uma besta. Infernizara-lhe a vida e chegou a bater-lhe, conforme confessara à Patrícia. Deixara-o, mas ele continuava a pedir-lhe que regressasse. E a parva a confessar que ainda gostava dele. Um dia ainda a via no jornal, vítima de um caso trágico de violência doméstica."

 

 

 

Andar de autocarro

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Já aqui referi noutros textos que gosto de andar nos autocarros da Mafrense, talvez porque tenha sido habituada desde pequena.

Gosto da rotina de irmos até à paragem apanhar o autocarro para a praia, e ver quem entra nas várias paragens. E, à vinda, da caminhada até ao terminal, e do regresso dos veraneantes a casa, depois de uma tarde de praia. 

Já não se vêem, como antigamente, os avós a entrar com os netos, munidos com chapéu de sol. Para dizer a verdade, quem mais vimos no autocarro nestes dias foram adolescentes, talvez pela promoção do mês de Agosto, de meio bilhete para todos até aos 18 anos.

Também vimos muitos turistas que vinham visitar a Ericeira, alguns para ficar, carregados de malas. 

Num desses dias, e porque este autocarro não transporta só pessoas para a praia, dei por mim a pensar como deve ser mau algumas pessoas apanharem-no para ir trabalhar, e ver ali tanta gente de férias, a aproveitar o bom tempo, enquanto elas não têm a mesma sorte.

Ao longo destes dias, apanhámos passageiros regulares, e outros que não voltámos a ver. E motoristas diferentes todos os dias, uns mais atenciosos que outros, mais apressados ou mais conscientes, alguns conhecidos e outros nem tanto, e um distraído!

Desta vez, o totó foi ele!

Estávamos sentadas e a minha filha, como estava do lado de fora, tocou à campainha. Apareceu lá à frente a indicação parar, pelo que estávamos descansadas. Ficámos as duas de pé, o autocarro abrandou não sei porquê (achava eu que era para parar e sairmos), e continua a andar. Diz-me a minha filha "oh mãe, ele não parou".

Lá grito eu do fundo, a dizer que tinha tocado para ele parar, mas penso que não ouviu. Já estava a ir ter com o motorista, quando alguém também lá atrás grita "oh chefe". Ainda assim, como já lá estava à frente, voltei a dizer ao homem que era para parar na paragem que ele tinha ignorado.

Resultado: parou, com grande sacrifício, sem dizer "ai" nem "ui", uns quantos metros à frente, depois de uma curva!

 

E ainda digo que não faço exercício!

 

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Ora vamos lá ver:

 

 - todos os dias faço cerca de uma hora de caminhada, entre idas e vindas casa/ escola/ trabalho

 - todos os dias subo e desço escadas, várias vezes ao dia

 - quando já estou atrasada, a caminhada dá lugar à corrida

 - aos fins de semana, faço pesos, com os sacos de compras que trago desde o hipermercado até casa

 - em dias de limpeza, subo e desço cadeiras ou escadotes várias vezes

 

Bem feitas as contas, até pratico bastante exercício! Ginásios para quê!?

This is how I feel...

 

O início de ano lectivo é sempre, para mim, uma mistura de emoções. 

Embora não seja eu a estudante, sofro mais de stress pré e pós começo de aulas que a minha filha.

Mas, nos outros anos, quando volto a entrar na rotina, vejo que tudo corre bem, e que os meus receios eram infundados, volta a tranquilidade que dura até ao final das próximas férias de verão.

Pois este ano ainda não consegui encontrar essa tranquilidade. Os receios não me abandonaram. Não entrei na rotina, porque ainda não há uma. Em casa o ambiente está estranho, até a nossa gata anda estranha.

Com horários diferentes todos os dias, e a vir almoçar a casa, é difícil conseguir acompanhamento para ela a todas as horas, mas tenho tentado.

Sinto-me mais segura se ela for acompanhada do que sozinha. De manhã, tenho sido eu a levá-la à escola, e ao almoço, quando dá, vou buscá-la. E tenho a certeza que ela se sente melhor assim também.

Estou a fazer por ela aquilo que gostava que tivessem feito comigo quando estive na mesma situação. Não que os meus pais não quisessem o melhor para mim, mas naquela altura era normal irmos sozinhos e desenrascar-mo-nos. E não havia a insegurança e as modernices que há hoje.

Sei que estaria mais à vontade se ela almoçasse na escola, já para não falar que ela na escola come tudo e em casa arma-se em esquisita, e é uma preocupação estar sempre a pensar e fazer refeições diferentes e que lhe agradem, mas ainda não há cacifos e não faz sentido levar os livros e material para um dia inteiro, e andar com tudo a reboque durante horas.

Mas ir buscá-la e levá-la nos primeiros horários da manhã e na minha hora de almoço, implica passar menos tempo em casa, e o que passo, é a correr. E a nossa Tica já se apercebeu disso. Anda melancólica, isola-se, prefere passar os dias e as noites em cima da caixa no corredor e espera que alguém se lembre de brincar um bocadinho com ela. E, mesmo assim, não brinca tanto.

Já a minha filha, diz que estes primeiros dias correram bem. Mas tem andado sem apetite. O lanche da manhã, tem comido à tarde, o lanche da tarde passa a jantar, ou então janta só, sem ter lanchado.

E nos primeiros dias, cheguei eu a casa ansiosa para que ela me contasse as novidades, para lhe dar o meu apoio, incentivá-la e dar-lhe mimos, mas só conseguiu que me chateasse com ela. Depois, lá acalma e faz o que lhe digo, e aí corre tudo bem.

À noite, antes de me deitar, tenho ficado por uns instantes no quarto dela, até ela estar quase a adormecer. Sabe-lhe bem a ela, e a mim!

Por outro lado, sinto-me impotente e frustrada quando vejo que, na mudança para o 5º ano, lhe "tiraram" as melhores amigas. Sei que ela tem que se habituar a isso, e que agora pode fazer novas amizades com as actuais colegas mas, até lá, oiço coisas que não me agradam, como ter ficado as duas horas em que não teve matemática e compareceu apenas com uma professora de substituição, a olhar para o horário e a fazer tempo, porque as colegas da turma do 4º ano que ficaram nesta turma já tinham formado um grupo (excluindo-a), os rapazes estavam a fazer outras brincadeiras que não lhe interessavam, e os outros não podiam fazer muito barulho.

Como mãe, custa-me. Faz-me lembrar a mim própria, que passava quase o tempo todo isolada, ou só com uma amiga ou outra, quando elas se lembravam de mim, ou quando eu andava com elas para não estar sozinha. 

E como vou incentivar a minha filha a criar amizades e a não se isolar quando eu, que deveria ser o exemplo, não o fiz e ainda hoje nem sempre sou capaz de o fazer? 

Ao menos o pai dela não tem que se preocupar com nada disto, está mais longe, só está com ela pouco mais que um dia por semana, não vai a reuniões, não foi à apresentação, e acho que tanto lhe faz se a filha tem um 3 um 4 ou uma negativa. Ela fica com a parte boa, eu com o trabalho duro.

Ainda assim, apesar de todas estas emoções, preocupações e angústias, sinto-me feliz, porque estou presente em cada etapa da vida dela, e porque tento dar o meu melhor para a ajudar a ser feliz!

 

 

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