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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Joe - o filme

 

Sexta-feira foi dia de cinema.

Em cima da hora, e sem muito tempo nem muitos cinemas disponíveis, adiámos a visualização de O Céu Existe Mesmo, em troca do filme JOE.

O trailer deixou-me com algumas dúvidas em relação ao filme - sim, parece bom, mas será que o filme inteiro será assim?

As minhas dúvidas confirmaram-se. Nem consigo bem explicar o que sinto em relação ao filme. Não foi mau, é um bom filme, mas também não é daqueles filmes que vemos e achamos espectacular.

Não considero, ao contrário de muitos, uma das melhores (senão a melhor) interpretação de Nicholas Cage.

Nota positiva para o tema escolhido, para a interpretação do jovem Tye Sheridan no papel de Gary, para a amizade que ele cria com Joe, para a camaradagem representada pelos trabalhadores, para alguns momentos cómicos e surreais, e para as cenas finais, que comovem.

Mas se tivesse que atribuir um prémio, seria para Gary Poulter, que desempenhou o papel de Wade (também apelidado de G-Daawg), o pai do personagem de Sheridan, uma figura miserável e desprezível que ao longo do filme passamos a odiar!

Poulter, um sem abrigo descoberto nas ruas de Austin, e escolhido para interpretar um alcoólico violento e sem escrúpulos, faleceu dois meses depois do término das filmagens e nunca viu o produto final. 

Tudo o resto está a mais no filme - lutas de cães desnecessárias, prostituição, uma rivalidade que não acrescenta nada de importante à trama, e personagens que parecem não servir para mais do que "enfeitar".

 

 

Retratos da crise

 

"Escondem-se em becos, nas sombras das esquinas dos prédios, nos bancos de jardim. Tapados por mantas ou apenas por papelões, atravessam a noite e depois, quando o dia clareia, desaguam novamente nas ruas, quase sempre sem destino certo, quase sempre à volta das mesmas ruas, pelos mesmos bairros, com as mesmas roupas. Ser sem-abrigo não é uma fatalidade. Ninguém nasce sem-abrigo. Todos eles já foram felizes em tempos. Já foram pessoas integradas na sociedade, com família, emprego, sonhos e desafios. Já foram crianças e cresceram. Um dia, porém, as coisas começaram a desmoronar..."

 

Até há uns tempos atrás, a sua maioria eram homens e, salvo algumas excepções, provinham das chamadas classes sociais mais pobres.

Hoje, essa tendência está a alterar. Há cada vez mais mulheres e jovens, muitas vezes com qualificações, a entrar neste mundo. E até mesmo aqueles que nunca imaginaram poder algum dia fazer parte do grupo de pessoas em risco de pobreza, vêem-se agora numa nova realidade. 

As classes média e, até mesmo, alta, estão a sofrer as consequências da crise, do aumento do desemprego, dos cortes nos apoios sociais, e a tornar-se nos novos pobres que, quem sabe, poderão vir a constituir os próximos "sem abrigo" do nosso país.

Delinquentes, analfabetos, drogados, ou gente que não quer trabalhar, são um estereótipo ultrapassado. 

E é neste cenário que está a caracterizar, actualmente, o nosso país, que começamos a ver as crianças a faltar à escola. Não para ir brincar, nem namorar, nem divertir. Tão pouco por preguiça ou rebeldia. Faltam, sim, para andar a pedir. 

São crianças cujas famílias perderam os únicos apoios que lhes restavam e, sem dinheiro para transportes ou, até mesmo, para comer, vêm-se obrigadas a mendigar. Testemunhas disso são os próprios professores que, perante as tristes evidências, se vêem sem argumentos para convencer estas crianças a voltarem às escolas. 

E, se estas famílias estão nessas condições, sem dinheiro, não faz sentido as escolas aplicarem multas para os pais cujas crianças faltem às aulas.

É este o retrato da nossa geração, e que, a continuar, não augura um bom futuro para as gerações futuras...

 

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