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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Existe idade certa para começar a namorar?

 

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A primeira paixão na primária, o primeiro amor no ciclo, e até o primeiro beijo, aos 10/11 anos, quem não conhece alguém que o teve/ fez?

São coisas perfeitamente normais, que começam a acontecer no final da infância e início da adolescência embora, há uns anos atrás, com uma certa “inocência” que hoje já quase não existe.

Actualmente, cada vez mais os jovens tendem a apressar todas as fases da sua vida.

Querem antecipar tudo, ser adultos mais cedo, começar a ter certos direitos mais cedo e, claro está, começar a namorar mais cedo.

 

Mas, afinal, existe uma idade certa para se começar a namorar?

 

Em que é que nós, adultos, nos baseamos para estipular uma idade concreta, em que permitiremos aos nossos filhos namorar?

 

Na idade com que nós próprios o pudemos fazer?

Aos 18 anos, porque é quando atingem a maioridade?

Quando terminarem os estudos, para não atrapalhar?

 

Ou outro qualquer critério, que nos pareça razoável?

 

Dizem os entendidos que namorar implica maturidade, e que deverá ser esta a chave para o início de um namoro.

 

Por norma, as meninas tendem a alcançá-la mais cedo que os rapazes. Mas, será que uma adolescente de 13/14 anos já tem maturidade suficiente para saber o que é namorar, e o que isso implica?

E os rapazes? Quando saber se eles estão preparados para esse passo?

 

O que se vê, cada vez mais, entre os jovens, é namoros que acontecem virtualmente e que, tão depressa como começam, acabam, porque entretanto se fartaram da conversa e descobriram alguém mais interessante nas redes sociais.

Depois, há aqueles “namoros” a que não se pode bem chamar disso, que começam a surgir no ciclo, e que envolvem uns encontros às escondidas na parte menos movimentada da escola, nos intervalos ou na hora de almoço.

Ou ainda aqueles que começam aos 9/10 anos, em que serem "namorados" ou "conhecidos" vai quase dar ao mesmo!

Há quem ainda não tenha maturidade para namorar, mas queira aventurar-se no desconhecido, e experimentar iniciar-se na actividade sexual, porque os(as) amigos(a)s o fazem, e não querem ficar para trás.

 

Enquanto acontece com os outros, nem nos preocupamos muito com isso. Mas, e se de repente, forem os nossos filhos nessa situação?

Como devem reagir os pais ao ver que a sua filha de 14 anos está apaixonada e quer namorar tão cedo?  

Como devem reagir os pais, quando um filho de 16/17 anos chega a casa com a namorada?

 

Será mesmo verdade que o amor não escolhe idades, e que não devemos proibir estes "namoros", porque essa proibição pode ter o efeito contrário?

Será que devemos permitir, dentro de certas limitações, esse namoro que surge, na nossa opinião, precocemente, ou nem por isso?

 

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Se eu fosse uma máquina...

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Por vezes, gostava de ser uma máquina...

 

Uma máquina nunca se cansa. Apenas fica sem bateria, ou com as pilhas gastas. E, aí,simplesmente não funciona, nem trabalha, até que a ponham à carga, ou lhe troquem as pilhas. Quando isso acontece, volta ao activo como se nunca tivesse parado.

 

Uma máquina nunca se engana. Se dá erro, é porque quem com ela trabalha fez algo de errado. Afinal, as máquinas têm sempre razão! Ou então tem mesmo algum problema, e substitui-se a peça avariada. Pode-se também desligar e voltar a ligar, para ver se resulta. Ou fazer-lhe uma limpeza, refrescar...Se não tiver solução possível, descarta-se, recicla-se.

 

Uma máquina não sente nada. É criada para um determinado propósito, e é o que faz toda a vida - faz aquilo para que foi programada. Não se entristece, não se chateia, não se cansa, não se enerva, não se debate, não se revolta...Não sente absolutamente nada.

 

As máquinas têm uma "vida" mais monótona, repetitiva mas, sem dúvida, com muito menos preocupações.

São criadas para facilitar a vida dos humanos, mas cada vez mais substituem os próprios humanos. Para combater isso, temos que provar a nossa própria utilidade, e tornar o argumento da cooperação convincente. 

Por outro lado, se já temos que agir, no nosso dia-a-dia, como se fossemos verdadeiras máquinas, porque não sermos verdadeiramente, máquinas? 

 

Tudo aquilo que os humanos têm de diferente e especial, em relação às máquinas, é precisamente aquilo que nos coloca a cada minuto que passa, em desvantagem relativamente a elas.

Será mesmo uma questão de tempo, até elas nos vencerem por completo? Até deixarmos de ser necessários neste mundo? Não sei...

 

Sei que, por vezes, não me importava de ser uma máquina...

Mas, logo em seguida, fico grata por ainda continuar humana, num mundo cada vez mais mecanizado, com todas as desvantagens que isso me possa trazer...

Segundo dia sem a Tica

 

Na noite em que partiste, sonhei que te pegava ao colo, que estavas bem, e que repetia ao teu dono que tinha sido tudo um sonho, que estavas ali, que era real. E, no sonho, dava para perceber que era a minha imaginação a pregar-me uma partida...

Esta noite não sonhei contigo. Simplesmente, dormi, esgotada, depois do primeiro dia de sofrimento sem ti. O teu dono chegou e chorámos juntos. Ele viu-te, em sonhos. Eu, apenas uma imagem de ti, a dormir como uma bolinha de pelo. Não consegui mais ficar na cama. Estava-se a formar um grande aperto no meu peito, e tive que me levantar, sair do quarto e deixar o teu dono descansar.

Vim aqui para o quarto da tua mana Inês, e doeu muito estar aqui sentada nesta cadeira e não estares ao meu colo durante horas, agarradinha a mim, como sempre fazias. Ao mesmo tempo que ia passando os exercícios para ela, ia olhando para as tuas fotografias.

Obriguei-me a comer qualquer coisa. O pão de leite foi sendo comido com lágrimas salgadas à mistura, e estava difícil passar pela garganta, tal era o nó que me apertava a mesma.

A casa está mais fria sem ti, sentimo-nos frios aqui em casa. Eras tu que a aquecias, que lhe davas vida, que a alegravas.

Continuam a chegar palavras de solidariedade para connosco. Sabias que o nosso amigo Mimo, da Mula, também partiu da mesma forma inesperada que tu? Talvez até o tenhas já encontrado por aí.

Não tive ainda coragem de tirar as tuas tacinhas do sítio onde sempre estão. A tua comida continua intacta. A taça da água no mesmo sítio do costume - onde tu costumavas ir "snifar" água da torneira!

O teu dono acordou. Estivemos a conversar e percebemos que habitam no nosso pensamento sentimentos confusos e contraditórios.

Sinto imensa falta de abraçar um gato, de estar com um gato ao colo, de ter contacto com um gato. Mas queria que fosses tu. Só que tu já não estás cá. E é muito cedo. Trazer outro animal cá para casa era estar a substituir-te, ainda mal partiste. Era estar a trair a tua memória. Não quero isso. És tu que eu quero.

E não seria justo para o animal que viesse, esperar que ele agisse como tu, que já estavas connosco há quase 4 anos. As comparações seriam inevitáveis, a decepção podia vir a acontecer. Mas está aqui um vazio tão grande, e há tantos gatinhos a precisar de amor...É complicado, contraditório, estamos a pensar de cabeça quente e perdida, e sem saber para onde nos virarmos.

Fui à cozinha, e dei por mim a remexer a tua caixa, para ver se ainda haveria areia suja para tirar. Não havia. Levámos os teus últimos cocós para o lixo.

Fomos almoçar fora, e tentámos mudar de assunto mas, inadvertidamente, voltávamos sempre a ti e, às tantas, em pleno restaurante, quase me desmanchei. E não aguentei ao ver a tua foto no telemóvel do dono.

Nas compras, evitámos passar ao pé dos corredores dos animais, mas foi difícil não pensar que já não irias estar à nossa espera, quando chegássemos.

Depois de o teu dono ir trabalhar, ganhei coragem, e fui dedicar-me às tarefas domésticas que tinham ficado por fazer. Peguei na tua mantinha, dobrei-a e guardei-a no nosso roupeiro, onde tu gostavas de te esconder! Ainda tem o teu cheirinho. Isso deu-me um novo alento. Guardei-a ali para te sentir mais perto de nós, para te sentires perto de nós.

O problema é que continuo a alternar entre esses momentos mais esperançosos, e a angústia de não te ter mais aqui.

Vem aí mais uma noite. Só te peço que me dês algum sinal de que estás bem, que continues aqui comigo, que não me deixes...

 

 

Primeiro dia sem a Tica

 

26 de Fevereiro de 2016

 

Quero desde já pedir-vos desculpa pela quantidade de posts que tenho escrito e sei que ainda vou escrever, sobre a Tica.

Não quero fazer do blog um muro das lamentações, até porque nada a irá trazer de volta. Mas escrever, e deitar tudo cá para fora é uma das formas de me ajudar a superar a sua perda.

Sabem quando uma pessoa leva uma pancada, ou se magoa, e na altura acha que até não dói assim tanto, mas passadas umas horas arrefece, e as dores tornam-se insuportáveis?

A noite em que a Tica morreu foi como essa pancada. O primeiro dia sem a Tica está a ser complicado, e as dores começam a fazer-se sentir.

Levantei-me de manhã, como nos restantes dias, para ir trabalhar. Não tenho a Tica na entrada, em cima da máquina de secar, para o pequeno-almoço vegetariano.

Vou desembaciar a janela da sala, e só depois me lembro que a Tica não vai para a janela. Choro sem parar, porque preciso. Porque dali a pouco tenho que acordar a minha filha, e nessa altura preciso de estar calma. Mentalizo-me que a melhor forma é não pensar em nada. Respirar fundo, e abstrair os pensamentos temporariamente.

Volto a chorar enquanto conversamos com o veterinário, e ele nos explica o que, provavelmente, terá acontecido. Volto a recompôr-me, para entrar no trabalho.

Por lá, as lágrimas vão caindo esporadicamente, e às tantas já nem sequer estou a ver bem o que está escrito no monitor do computador. 

A meio da manhã, aproveito um momento mais calmo para ligar aos meus pais e dar a notícia.

Ao almoço, tudo parece melhor, vou buscar a minha filha à escola, e vamos almoçar. Mas, assim que chego perto de casa, olho para a janela onde a Tica estava sempre, à nossa espera, e vou-me abaixo.

Volto para casa dos meus pais e decido não voltar à minha, na hora de almoço. Preparo-me para a tarde de trabalho, que volta a ter altos e baixos. Mas há clientes e telefonemas para atender, e tenho que me abstrair.

À noite, saio do trabalho, e as lágrimas voltam a cair. Misturam-se com a chuva que cai, e quase nem me importo se me estou a molhar ou não. E também não quero saber se estou na rua a chorar que nem uma perdida. Faço-o, porque quando chegar a casa tenho que estar calma.

Passo pelos meus pais para ir buscar a minha filha, e vamos para casa. Por momentos, ainda tenho a preocupação de fechar a porta depressa, para a Tica não fugir. Só depois percebo que isso não vai acontecer. 

Inconscientemente, tento ver se ela estará a dormir na nossa cama, ou na sua mantinha na sala. Mas sei que não a vou encontrar.

Jantamos, e enquanto a minha filha não vai com o pai, ficamos na sala a ver TV. Num canto do sofá, olho para o monte de roupa que tinha secado ontem, e lembro-me de como a Tica gostava de se deitar em cima dela. Nunca mais irá fazê-lo.

Quando a minha filha se vai embora, tenho mais uma recaída. Tudo se mantém na mesma. Até o saco com a areia suja de chichi e o cocó, que ficou por despejar. A caixa que não vai mais utilizar. A taça da comida, a da água, o vaso das ervas em cima da máquina...

Vou para a sala escrever. E penso que, se estivesse entre nós, já estaria enroscada no meu colo, a dormir. Também isso não voltará a acontecer.

O meu marido, a trabalhar mas preocupado por eu estar sozinha, liga-me, e choramos os dois ao telefone, com saudades da nossa "minguinhas".

Tenho que me deitar e tentar dormir. Desta vez, a Tica não irá para cima de mim, nem pedir-me para ir lá para dentro da cama para dormir enroscada a mim, na conchinha.

Está a ser muito duro. Mais do que com a Fofinha.

Só queria que, de alguma forma, ela me desse um sinal...de que está bem, de que gostou de estar connosco, de que foi feliz, de que não sofreu quando morreu, de que apenas saiu para não morrer à nossa frente...

Tenho uma vontade enorme de voltar a enchê-la de beijinhos, porque todos os beijinhos do mundo ainda seriam poucos. Tenho vontade de tê-la novamente ao colo, e cantar-lhe a sua música. Sinto necessidade de abraçá-la, de a cobrir de mimos, nem que fosse uma última vez.

Ando às voltas na cama...de tanto chorar, hei de ficar esgotada, e adormecer...

Amanhã, espera-me outro dia. A vida continua, mesmo que eu queira ficar parada no tempo. Hei de sobreviver, com algumas rugas a mais, e os olhos um pouco mais inchados que hoje... 

Hoje...

 

...cai a chuva com força, assim como as lágrimas que vão sendo derramadas pelos meus olhos;

...o céu vestiu-se de cinzento, assim como eu me vesti de negro;

...o dia está triste, assim como o meu coração;

...o vento sopra zangado, assim como eu grito de revolta.

 

Hoje, a natureza mostra a sua solidariedade para connosco e, acima de tudo, para com a Tica, neste momento tão triste, em que nos despedimos dela, e ela se despede para sempre desta vida.

Virá o dia em que o sol voltará a surgir por entre as nuvens, em que o tempo irá amainar e o dia voltará a brilhar. Nesse dia, estará ela na sua nova vida, a lançar a sua luz sobre todos nós, e a dizer-nos que está tudo bem, que ela está bem, e também eu devo ficar bem...

Mas ainda é hoje...

 

 

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