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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Para lá da ribalta - o filme

 

 

 

 

 

 

 

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Noni Jean é filha de mãe solteira. O seu pai não quis saber de nenhuma delas, a família não deu o apoio que seria de esperar e, quando Noni nasceu, passaram a estar por sua conta.

Quem vemos no início do filme é uma mãe desesperada, que parece querer o melhor para a filha. Noni irá participar num concurso de talentos no dia seguinte, e Macy precisa de ajuda para "domar" o cabelo da filha, para que ela cause boa impressão.

 

 

 

 

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Noni era apenas uma criança, que gostava de cantar, gostava de música, e tinha uma bonita voz. E ficou felicíssima com o 2º lugar alcançado no concurso, e com o seu primeiro prémio. Tudo poderia ter ficado por aqui. Mas não...

Macy queria mais para a sua filha. Macy não se contentou com o 2º lugar alcançado pela filha, e obrigou-a a deitar fora o prémio, e a lutar para ser uma vencedora.

 

 

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E é assim que, anos mais tarde, vemos uma Noni Jean completamente diferente, na entrega do seu primeiro prémio Billboard, pelo tema que partilhou com o mundialmente conhecido Kid Culprit (interpretado por Machine Gun Kelly).

Noni poderia ser uma Beyoncé, uma Rihanna, uma Miley Cyrus, ou tantas outras cantoras da actualidade, que aliam a beleza, muitas vezes "postiça", a uma boa voz, e a uma equipa por detrás, que diz o que deve e não deve fazer, o que deve e não deve vestir, o que deve e não deve cantar.

 

 

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É esta Noni Jean que existe na actualidade - a filha que a mãe "vendeu" e obrigou a "prostituir", pelo sucesso, pela fama, e pelo dinheiro.

Não sei se é o que se passa em muitos dos casos reais que conhecemos, e que levaram ao suicídio de grandes artistas, sem que encontrássemos uma explicação para tal. Mas foi o que levou Noni a tentar suicidar-se - uma tentativa de fuga à "prisão" que é a sua vida.

Nada em Noni é real - as roupas ousadas são uma questão de imagem, o namoro com Kid é marketing e aliança para sucesso, as músicas que canta não lhe dizem abolutamente nada, mas são aquelas que dão dinheiro e prémios. Tudo são aparências.

A própria tentativa de suicídio teve que ser camuflada, mascarada de deslize por ter bebido demais, por conta da comemoração pelo prémio recebido. E a polícia vê-se "obrigada" a corroborar a história, para não estragar a pintura. 

 

 

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A única pessoa que percebeu que Noni precisava de ajuda, foi o polícia que a salvou. Foi também o único a ver o que havia por baixo daquela imagem fabricada, da bonequinha sexy que todos os homens deveriam desejar.

Mas isso não chega. Noni terá que perceber por ela própria aquilo que quer, e decidir se quer libertar-se da mãe/agente e daquilo que espera dela, de uma vez por todas, fazendo a sua própria música, e tomando as rédeas da sua carreira, ou continuar naquele mundo em que é preciso vender o corpo para ser alguém.

 

 

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Será que ainda resta alguma coisa da Noni Jean que era em criança?

Quem é a Noni, para além das extensões, unhas postiças, e roupas vulgares e diminutas?

Será que a sua voz ainda vale por si, e mais que tudo o resto?

Poderá ela ainda ser um exemplo para todas as adolescentes, sendo ela própria?

Ou acabará engolida pelo mundo que a mãe lhe mostrou desde cedo, até ao dia em que a tentativa se converta em suicídio consumado, e a mãe perceba , então, que há muito a sua filha precisava de ajuda, de uma mãe que a defendesse e ajudasse, e não uma agente que a atirasse aos lobos?

 

Um filme que pode até ser exagerado ou meramente fictício, mas que eu acredito que mostra uma situação bem real, e que explica muita coisa... 

 

O tendencionismo dos programas de TV

 

A propósito do programa Masterchef Júnior, li na capa de uma revista que a família do concorrente Gonçalo está revoltada com o programa.

Não admira! Depois de terem passado aquelas imagens das atitudes do filho para milhões de pessoas verem, é normal que não tenham gostado até porque, neste momento, estão todas as armas apontadas para o miúdo, as críticas não se fizeram esperar, e ele está a ficar conhecido pelas piores razões.

A primeira coisa que me veio à mente, quando li estas palavras, foi "não deveria antes estar revoltada com as atitudes do próprio filho?".

 

Mas a questão, se bem aprofundada, vai muito além de uma atitude egoísta e baixa de um miúdo.

 

 

A verdade é que a televisão "vende-nos" aquilo que ela própria quer, e lhes convém, independentemente de tudo o resto.

Li no blog no Manuel Luís Goucha que, para se gravar um episódio, são precisas cerca de 12 horas, distribuídas pelo fim de semana. Depois, existe alguém que faz uma selecção, edição de imagens e compacta o que acha mais relevante, para transmitir numa hora e meia de programa.

 

Ora, no primeiro programa, propositadamente ou não, deram destaque ao Pedro Jorge, que desde logo conquistou o carinho da maioria dos telespectadores que assistiram à estreia. E, mesmo sem saber se chegará à final, tornaram-no uma pequena estrela.

Já no segundo programa, mais uma vez, não sei se propositadamente ou não, resolveram dar a conhecer o(s) vilão(ões), a competição desleal entre concorrentes, e centrar todos os holofotes no Gonçalo mostrando, continuamente, cenas onde o mesmo não agiu da melhor forma com os colegas, e mostrou uma faceta que não abona nada a seu favor.

 

 

 

Agora pergunto eu: Porquê? Para quê? Qual era o objectivo? Pôr toda a gente a criticá-lo, a persegui-lo, a discriminá-lo, a insultá-lo? Quem sabe até, a ameaçá-lo?

É que se, ao menos, essa exibição tivesse vindo acompanhada de uma conversa dos chef's com o rapaz sobre a sua atitude, de uma penalização pelo seu comportamento a título de exemplo de que não vale tudo numa competição que se quer saudável...Mas não. Ou, pelo menos, não passaram essa ideia.

Então, não teria sido preferível evitar que essas imagens chegassem até nós? E resolver a questão fora do grande ecrã?

Terão os responsáveis pelo programa alguma noção das consequências que a exibição destas imagens pode trazer à vida da criança em causa e da sua família?

É certo que as crianças, quando aceitam participar neste tipo de programas, sabem que se estão a expôr, para o bem e para o mal, e aceitam todos os termos do contrato. E os pais, se concordaram com a participação, também estão cientes do que ela implica.

Também é certo que a primeira pessoa a evitar que isto acontecesse deveria ser o próprio concorrente, sabendo que estava a ser filmado e que as imagens poderiam chegar a mais gente.

 

Mas, haveria mesmo necessidade de fazê-lo desta forma? Ou foi pura estratégia para prender os telespectadores ao programa, primeiro através da imagem do engraçadinho e bom rapaz que a todos faz rir, e agora através da imagem do vilão sem escrúpulos?

Não será, esta forma de agir, uma forma de discriminação e bullying? Não haverá um certo tendenciosismo nestes programas de televisão?

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