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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Um mês sem a Tica

Hoje, sexta-feira santa, relembramos a crucificação de Jesus e a sua morte.

Hoje, dia 25 de Março, faz um mês que a Tica nos deixou...

 

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Foi aqui, por baixo desta janela, que a encontrei sem vida. Foi há um mês, e ainda me custa aceitar que não a terei de volta.

Que não a irei encontrar escondida debaixo da cama, enfiada dentro de alguma caixa à qual, entretanto, já conseguiu tirar a tampa.

Que não irá tentar tirar-nos mais garrafas das mãos, ou tentar beber água da torneira enquanto enchemos a garrafa, fazendo com que metade da água fosse para fora!

Já não tenho aquela vontade de me despachar e sentar-me no sofá, à noite, a ver a telenovela enquanto a Tica dormia no meu colo.

Já não se põe em cima da tábua de passar a ferro só para me contrariar, nem se deita lá a apanhar banhos de sol, como tantas vezes o fez.

Temos estado a juntar todas as suas coisas, mas de vez em quando lá aparece um ou outro brinquedo que andava por lá escondido.

Ainda penso muitas vezes se tudo poderia ter sido diferente. Tento atribuir aos últimos acontecimentos, que antecederam a sua morte, possíveis sinais de que algo não estava bem, e que possamos ter ignorado:

  • o facto de andar a perder muito pelo
  • o facto de andar a miar mais e andar um pouco estranha
  • o facto de, volta e meia, vomitar
  • o facto de andar ainda mais carente e apática
  • o facto de eu andar a sonhar com ela várias vezes
  • o episódio com a orelha no fim de semana anterior, que parecia que não estava normal e que isso a incomodava, mas que passado uns minutos passou

 

Por outro lado, ela continuava a comer bem, a brincar, a correr pela casa, e não parecia nada um animal doente ou com problemas. 

Penso nas mil e uma doenças que ela poderia ter, nos cuidados e visitas adicionais ao veterinário que deveríamos ter feito e não fizemos.

Mas, depois, vem aquela voz dizer "Marta, ela teve morte súbita, não estava doente, aconteceu".

 

 

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Aqui, no local onde a encontrei, estão hoje os dois vasos com ervas que semeámos, e que ela nunca chegou a comer. A Tica partiu de rompante. As ervas, vão murchando e envelhecendo aos poucos.

Faz hoje um mês, e possivelmente terá sido cremada esta semana, ou sê-lo-á na próxima.

Quem me dera que, à semelhança de Jesus, que resuscitou no Domingo de Páscoa, também a Tica voltasse para nós.

E pensar que há um ano estava a cozer-lhe um lombinho de pescada para celebrar a época. Mal sabia eu que seria a última Páscoa juntas... 

Hoje, devo sentir-me feliz porque temos duas meninas, afilhadas da Tica, para cuidar. Mas sinto-me triste pela Tica.

Ainda no outro dia estava a entrar em casa e ouvi miar dentro de casa, como ela costumava fazer. Involuntariamente, dei por mim a responder "é só um momento, Tiquinha", para só então me aperceber que não era a Tica, mas a Becas.

Como diz a veterinária que nos atendeu na última consulta "os bons são sempre os primeiros a partir"! Nada mais certo.

Foi assim com a Tica, foi assim com o Mimo (da Mula), terá sido assim com muitos outros animais, e será assim com a Amora. É também assim com as pessoas.

Será que é por já terem cumprido a sua missão neste mundo? Por serem tão bons e generosos que merecem partir para um sítio melhor?

Seria bom acreditar nisso, mas o meu cepticismo não me permite encarar essa possibilidade.

Um mês sem ti, minha Tica, e ainda dói muito...

 

Saudades dos beijinhos que te dava neste pelo fofinho, das turrinhas com que nos cumprimentávamos, de ter fazer cócegas na barriguita, dos teus dedinhos rosa e pretos, da tua cauda a fazer-me cócegas nos braços, do teu despertar com festinhas, das tuas saudações depois de um dia fora de casa, de ficar simplesmente a admirar-te, a apreciar a tua bondade e simplicidade.

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Que esta seja uma Páscoa ainda mais santa para ti, Tica, onde quer que estejas!

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