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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando as pessoas não têm opinião própria

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Hoje em dia, quase toda a gente tem uma opinião a dar, qualquer que seja o assunto.

Umas mais informadas ou fundamentadas que outras, é certo. Mas as pessoas gostam de mostrar o seu ponto de vista e, se em muitos casos, nem sequer lhes é pedido, ou não serve para nada, noutros, as opiniões são bem vindas.

Não vem mal ao mundo em partilhar e trocar opiniões, e até pode ser enriquecedor, ou gerar boas conversas e debates.

Mas, para isso, é preciso que as pessoas apresentem aquela que é, de facto, a sua opinião.

 

E o que se vê, por vezes, é que as pessoas nem sempre têm opinião e, como tal, vão atrás das opiniões alheias, consoante a sua conveniência. Hoje, até são da mesma opinião que fulano x mas, amanhã, se for preciso, já são da opinião de fulano y que, por acaso, até é contrária à do x!

Ou, pior, mudam de opinião sem qualquer critério, só porque sim. Porque é melhor ir atrás da maioria. Ou porque é mais cool ser do contra.

 

São opiniões que, na prática, não valem nada porque, na verdade, as pessoas que as pronunciam não têm sequer uma opinião formada.

Já em relação àqueles que, realmente, mostram a sua opinião, esta acaba por gerar, muitas vezes, em vez de discussões saudáveis, verdadeiros pesadelos para quem as pronuncia.

Porque quem está do lado de lá, nem sempre está preparado para ouvir opiniões contrárias à sua. E, a única forma de evitar dissabores, é manter-se calado, ou concordar com os outros.

 

Por isso, para quem está no lugar do ouvinte diria que há que respeitar todas as opiniões, ainda que contrárias à sua. Se fosse para todos pensarmos da mesma forma, e termos o mesmo ponto de vista, tinham-nos feito robots, e programavam-nos para tal.

Para quem está no lugar de opinante, que dê a sua opinião, se de facto tiver alguma, ou mantenha-se calado, se não a tiver, em vez de estar a roubar as dos outros. 

 

 

Depressão Bárbara: em tão pouco tempo, já fez tanto estrago

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Ainda estava eu na cama, de madrugada, e já se ouvia o vento lá fora.

D. Bárbara a caminho, e os pagens à frente a anunciar a chegada.

Mas o céu estava relativamente limpo e, não custava tentar. Por isso, estendi algumas peças de roupa mais pequenas, deixando o resto para secar mais tarde na máquina.

Se não chovesse até ao almoço, já ficava com aquela enxuta, e poupava na eletricidade.

 

A meio da manhã, vejo o tempo a ficar escuro. 

D. Bárbara deve ter apanhado a via rápida, a autoestrada, ou um qualquer atalho, e estava a chegar mais cedo que o previsto.

Ia enviar mensagem para a minha filha me apanhar a roupa mas, no telemóvel, tinha uma outra, do meu marido, a avisar que o estendal tinha caído, mas que a roupa estava sã e salva, em casa.

Bendito pai que foi despejar o lixo, viu o estendal caído e, com a ajuda da vizinha, me apanhou tudo.

Ou quase tudo...

Quando cheguei a casa, deparei-me com os elásticos do cabelo, o casaco da minha filha e um pano da loiça espalhados pelo chão. E lá foram para lavar de novo.

 

Antes disso, pelo caminho, tive a imensa sorte de um autocarro passar ao meu lado, e me dar um banho!

 

Já em casa, andava a minha filha de espanador e esfregona na mão, porque a chuva tinha entrado no quarto dela e o chão estava todo alagado.

Mas como estava na hora de ir para as aulas, e a chuva não parava, achei por bem chamar um táxi para a levar à escola. Não convém apanhar molhas e ficar doente em casa. Logo agora que está em semanas de testes.

Só que, não havia táxis!

O que eu costumo chamar, não estava por cá, nem o pai. E avisou-me logo que já várias pessoas tinham tentado ligar para a praça de táxis, e ninguém atendia, porque andava tudo a fazer serviços.

Boa! E agora?

Lá andei a pesquisar e liguei para um número de telemóvel que me desenrascou. Menos uma preocupação.

 

Com a casa de volta a uma relativa ordem, pus-me a caminho do trabalho. Nestes dias, costumo ir por uma rua em que tenho prédios com telheiro, onde dá para proteger um pouco mais mas, hoje, com a Depressão Bárbara ao comando, posso dizer que, em 41 anos, nem isso me valeu, e apanhei a maior molha de sempre.

Até ver...

Porque dizem que o pior ainda está por vir amanhã!

 

Alguém que invente aí a aplicação "Stayaway Bárbara", e a mande embora depressa?

É que, em tão pouco tempo, já fez muitos estragos na minha vidinha.

Juro que, se algum dia vier a ter outra filha, Bárbara é daqueles nomes que estão automaticamente fora de questão!

 

 

 

Enola Holmes, na Netflix

Enola Holmes (2020) | Crítica - Vamos Falar de Cinema!

 

Gostei do filme.

Gostei da interacção da protagonista com o público.

Gostei de conhecer mais sobre a família da personagem Sherlock Holmes, nomeadamente, um irmão chamado Mycroft, e uma irmã, Enola, cujo nome ao contrário pode ler-se "Alone".

 

Confesso que este Sherlock está fora da imagem que sempre tive em mente, para esta personagem. Já Mycroft, é dispensável. É o típico nobre preocupado com a opinião pública, frio, calculista.

Quanto a Enola, tem tudo para ser uma dama, se assim o quiser, mas também uma mulher que luta, que tem os seus próprios ideais, inteligente, desenrascada.

Logo no início, não gostei do jovem Tewkesbury. Pareceu-me um palerma convencido. Mas, ao longo da história, ele vai mostrar que é melhor que isso e que, também ele, quer seguir o seu próprio caminho, desafiando a família.

Enola, por sua vez, fica sozinha quando a sua mãe desaparece misteriosamente. Sendo os irmãos bem mais velhos, saíram de casa quando ela era pequena, e Enola sempre viveu e foi educada e preparada para a vida, pela mãe.

Agora, vê-se forçada a ir para uma escola aprender regras de etiqueta para se tornar uma dama já que, aos olhos do irmão Mycroft, ela parece uma selvagem indomável.

Conseguirá ela escapar, e traçar o seu próprio destino?

 

E Tewkesbury, porque correrá ele perigo de vida? Qual a sua importância na história, e porque se cruzou o seu caminho, com o de Enola?

 

O filme entretém, prende, passa rápido, e queríamos que continuasse, para saber mais sobre como seguiriam as vidas deles, se haveria romance, se haveria mais aventuras com Enola e Tewkesbury, e como seria a futura relação de Enola com a mãe e com os irmãos.

Covid-19: Outubro, e o retrocesso no combate à pandemia

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A 18 de Março de 2020 foi decretado “estado de emergência” em Portugal. Nessa fase, início dos efeitos da pandemia no nosso país, o número de novos casos por dia era baixo – 194.

Desde então, o máximo de novos casos atingido foi em Abril (1516), valor só ultrapassado agora no mês de Outubro.

 

De uma forma geral, Outubro marca pelo aumento de novos casos, aumento dos internamentos, um aumento de óbitos por comparação com meses imediatamente anteriores.

Seis meses depois, encontramo-nos em “situação de calamidade”, por onde já andámos há uns meses atrás.

Iremos assistir a um retrocesso, a todos os “estados” ou “situações” em que já estivemos, mas no sentido inverso?

 

É consensual que não suportaríamos um novo confinamento, com as consequências que o mesmo acarreta, e que já antes, apesar dos apoios, causaram danos em muitas famílias.

Por isso, há que encarar a pandemia de frente.

 

Como já tenho dito, acredito que, mais cedo ou mais tarde, todos nós seremos contagiados, e lidaremos com o vírus.

A minha dúvida, no meio disto tudo, é se o vírus perdeu força, se se manifesta de forma menos grave, e se causa menos mortes, à medida que o tempo avança, ou se, entretanto, quem de direito está mais perto de conhecer o vírus, e lidar com ele, do que no início da pandemia, garantindo que, aconteça o que acontecer, nada será como teria sido nessa altura, se não houvesse confinamento.

Ou, pelo contrário, sabe-se tão pouco como no início, e qualquer cenário ou desfecho é uma incógnita.

 

É que, se virmos bem, logo no início (março), o governo quase nos colocou numa redoma, num bunker de onde poucos podiam sair, ou onde poucos podiam entrar. Ele foi estado de emergência, confinamento, uma mão cheia de medidas, para conter e dispersar o avanço da pandemia que, como vimos, resultou na altura. E, por isso, lentamente, foi-se abrindo uma porta, uma janela, até quase escancararmos a casa toda.

 

Agora, dizem que é impensável voltar ao bunker. Temos que fazer a vida normal. E se formos contagiados, paciência. Portanto, tudo aquilo que tentaram evitar, até ao verão, pode vir agora a dobrar, ou triplicar, pondo em causa todo o esforço, todas as dificuldades, todas as consequências sofridas.

De que serviram, então, os meses de clausura? Terão valido a pena? Ou terão sido em vão?

Fizeram sentido?

 

A pessoa que perdeu parte do rendimento, a que perdeu o seu negócio, a que perdeu o seu trabalho, a que quase perdeu a sua sanidade mental, a que perdeu em grande parte, a sua liberdade, para se proteger, pode agora vir a ser infectada, com o mesmo vírus do qual andou a fugir durante meses a fio.

Os alunos e professores, que durante meses tiveram que ir para casa, e se adaptar a uma nova forma de aprendizagem/ ensino, podem agora vir a ser infectados, porque fechar as escolas novamente está fora de questão.

 

O Serviço Nacional de Saúde, e os hospitais, que na altura não se queriam entupir e asfixiar, com um elevado número de casos, podem ver esse receio concretizado agora, em que, ao regresso à normalidade, se junta a época das constipações e gripes que, por si só, já costumam encher os serviços. Sem contar com todas as outras doenças que também precisam de ser tratadas e não se podem mais ignorar, fingir que não existem, ou que fizeram uma pausa temporária para deixar “brilhar” a Covid-19.

Faz sentido?

 

Para o governo, a solução para combater neste momento, a propagação do vírus e o aumento de casos, está no uso da máscara e numa aplicação. Num regresso à situação de calamidade, baseada em multas, e receita para o governo. Um governo, ele próprio, muito duvidoso a cumprir as regras e medidas que quer impor aos outros, ao género “façam aquilo que eu digo, mas não aquilo que eu faço”, com muito pouca credibilidade, que muda o discurso consoante lhe apetece.

Faz sentido?

 

O que é certo, é que há formas de tentar prevenir e evitar, que dependem de nós, e que nem sempre cumprimos.

Há comportamentos que cabem a nós pôr em prática, e que ainda tendemos a descuidar.

Mas existem outras tantas condicionantes, factores e situações que nos transcendem, e que contribuem para a evolução, positiva ou negativa, da pandemia, sem que possamos fazer o que quer que seja.

 

Porque, se nos mandam para a frente de combate, sabemos que tanto podemos sair ilesos, como feridos ou mortos. Que, apesar das armas que temos, estas podem não ser suficientes, ou eficazes, e deixar-nos desprotegidos. Que, enquanto nos defendemos de um lado, podem atacar-nos pelo outro.

E, ainda que evitemos ao máximo estar na linha de fogo, podemos sempre levar com uma bala perdida.

 

Por isso, ou o governo nos coloca de volta no bunker, ou nos dá ferramentas melhores, e exequíveis, de defesa, ou nos deixa enfrentar o inimigo, com as armas que temos, limitando-se a esperar pelos sobreviventes.

 

Se virmos bem, ainda não estamos naquilo a que chamam “o novo normal”. Aí, só estaremos quando a guerra acabar, e começarmos a reconstruir aquilo que sobrou, com aqueles que ficaram.