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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Quem Ama Não Esquece, de André Sousa

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“Nem sempre as prioridades que escolhemos para a nossa vida são as melhores, mas nem sempre ela nos permite escolher. Somos empurrados pela vida a tomar decisões que não queremos. Somos reféns do nosso trabalho, das nossas escolhas falhadas, das nossas obrigações impostas por terceiros sem que tenhamos uma palavra a dizer, das nossas rotinas que nos esmagam a criatividade e o impulso, dos nossos passados marcados por desilusões, ou por aqueles medos que nos minam por dentro e tantas vezes nos impedem de mudar.”

 

 

Um romance sem grandes surpresas, em que Santiago percebe, a partir do momento em que Beatriz o deixa para seguir os seus sonhos, que a ama e não pode viver sem ela, e que tudo aquilo que sempre colocou à frente da relação, não tem agora a mínima importância.

E, de um momento para o outro, como nunca antes fez, decide ir atrás de quem ama e recomeçar a sua vida.

Já sabemos que só damos valor ao que tínhamos depois de o perdermos e que, muitas vezes, é preciso levarmos uns “abanões” para acordar, e dar uma volta à nossa vida.

No caso de Santiago, e de muitas pessoas, quando já se perdeu tudo, não se perde mais nada em mudar e tentar recuperar, de uma forma ou de outra. Mas, se ele não tivesse ficado desempregado, será que agiria da mesma forma? Teria a mesma coragem?

 

O livro começa por contar como Santiago toma as rédeas da sua vida, e decide recuperar o tempo e o amor perdido,esperando que não seja tarde de mais, mas toda a história, desde as próprias frases introdutórias de cada parte, à história em si, está cheia de "frases feitas" e mais que batidas sobre o amor, de tal forma que torna tudo um pouco maçador, artificial, sem um sentimento profundo muito próprio.

 

Chegado a Bissau, onde se encontra Beatriz, a dúvida sobre a forma como ela reagirá à sua presença, e se o quererá por perto, aumenta. Terá ela refeito a sua vida. Teria ela, realmente, colocado um ponto final na relação quando partiu?

Todas as respostas chegam logo de seguida, sem grandes surpresas, num desenrolar também já mais que visto, que só na recta final conseguiu deixar de ser enfadonho.

 

No meio desta história, haveria uma, para mim, bem mais interessante, para contar, que seria a do sem abrigo António, que um dia tinha tudo para ter uma vida feliz, e no outro perdeu tudo o que tinha conquistado, incluindo a mulher e a sua filha, que só volta a reencontrar muitos anos mais tarde, sem no entanto se mostrar, por vergonha daquilo em que se tornou, e da vida que agora leva.

Nessa história, sim, se aplica perfeitamente o título do livro "Quem Ama Não Esquece"!

  

 

 

Manchester By The Sea

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Fui só eu que não achei este filme nada de especial?

Depois de tanto ouvir falar dele, e como estava a dar na televisão, pedi ao meu marido para gravar.

Vi-o mais tarde, a andar uns bons momentos para a frente, tal a seca que estava a apanhar com o filme.

 

Cenas mais chocantes: aquela em que percebemos o que se passou, e que destruiu a vida de Lee, e aquela em que Patrick tem um ataque em frente ao congelador.

O mais irritante e, ao mesmo tempo, hilariante: aquela espécie de "bloqueio, ausência, apatia" de Lee, que parece "acordar" sempre uns minutos depois dos acontecimentos.

O mais divertido: a relação dupla de Patrick com as colegas.

 

O filme trata de situações trágicas, como a perda dos filhos por algo que consideramos culpa nossa, a morte precoce de um pai devido a doença, uma mãe alcoólica, a tentativa de sobrevivência após a tragédia, o enfrentar dos fantasmas do passado, perante um presente que não se desejou. 

 

Tinha tudo para ser um filme que marca, que toca, que mexe com o público. 

A mim, não conseguiu, infelizmente, nem chegar perto. 

Eu Queria Usar Calças, de Lara Cardella

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Este livro conta a história de Annetta, uma miúda que sempre quis usar calças, numa época em que asmeninas e mulheres só estavam autorizadas a usar saia, estando as calças guardadas para o sexo masculino, ou para aquelas raparigas que ousavam desafiar a sociedade

 

No início, Annetta queria tornar-se freira, convencida de que as freiras usariam calças por baixo do hábito mas, quando essa teoria caiu por terra, desistiu.

Ainda pensou tornar-se rapaz, imitando em tudo o seu primo, até que percebeu que havia algo que diferenciava rapazes e raparigas, pelo que também essa ideia foi colocada de parte.

Só restava uma última hipótese. Quando formulou o seu pedido à mãe esta respondeu-lhe "os homens e as putas* é que usam calças". E foi uma dessas mulheres que Annetta tentou ser.

 

Até ao dia em que um tio a apanhou aos beijos com o namorado, e a levou ao pai, que lhe deu uma valente tareia. Sem conseguirem esquecer a vergonha, acabam por enviá-la uns dias para casa de uma tia, onde vai descobrir terríveis segredos, e perceber que nem tudo é o que parece.

 

Anos mais tarde, Annetta está casada. Os tempos são outros, e as regras não são tão rígidas.

No entanto, Annetta nunca usou calças.

Quando questionada pela tia sobre o que a levou a casar-se, Annetta responde:

 

"Posso mudar uma cabeça, todas não!"

 

Um livro que fala de violência infantil, pedofilia, da vida em meios pequenos onde todos se conhecem, de direitos, de mentalidades, da mudança, de sonhos proibidos e desfeitos.

 

 

 

*mulheres que, pelo modo de vestir e atitudes, possa ser considerada libertina

 

À Conversa com José Manuel Macedo

 

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José Manuel Macedo nasceu em 1953, nas Cortes do Meio, no concelho da Covilhã.
Embora desde jovem gostasse de escrever, só publicou o seu primeiro livro, o romance “VIDAS CRUZADAS”, em 2014.


Em 2015 participou com um poema na Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho” Volume VI, organizada pela Chiado Editora, com três poemas na Coletânea Poética “Namorar é Preciso” Volume 5, organizada por Maria Melo, e com dois poemas na “XIX Antologia de Poesia” da Associação Portuguesa de Poetas.


Já nos anos de 2016 e 2017, para além da participação em diversas Antologias de Poesia, colaborou ainda no “Volume I do Mosto à Palavra”, uma coletânea de Prosa e Poesia, sobre o tema viagens no Alentejo, organizada pela Chiado Editora.

 

Este ano lança o romance "Uma Paixão Inesperada". Fiquem a conhecê-lo melhor nesta entrevista:

 

 

 

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Quem é o José Manuel Macedo?

JMM – Nasci em 1953, numa aldeia encravada na serra da estrela, bem perto da Covilhã. Sempre bem inserido na natureza, vivi a minha infância em ambiente rural, conhecendo bem as atividades relacionadas com a agricultura.

Fiz os primeiros anos de escolaridade em Castelo Novo, e quatro anos depois, já a trabalhar de forma oficial, frequentei em aulas noturnas a Escola Comercial e Industrial Campos Melo na Covilhã.

Marido, pai e avô, foi na área comercial que sempre trabalhei, até me reformar antecipadamente em 2011.

 

 

Como surgiu a sua paixão pela escrita?

JMM – O gosto pela escrita nasceu logo que na escola primária iniciei o conhecimento das letras e das palavras. Recordo que as redações que a professora me pedia para fazer, eram sempre classificadas por ela, de muito bom, e eu era o que se chama o “menino barra”, pois atribuíam-me a tarefa de revisar os trabalhos dos outros meninos.

Lia muito. Lia todos os livros que apanhava, e naquele tempo, não havia muitos. Uma biblioteca itinerante passava uma vez por mês pela aldeia e onde podia escolher alguns livros que levava para casa.

Quando adolescente e já depois jovem adulto, a poesia surgiu para equilibrar as tensões emocionais, resultantes do despertar da paixão. Nessa altura, comecei a escrever num caderno as primeiras páginas de uma história de amor, que muitos anos mais tarde viria a transformar-se num belo romance.

 

 

Embora esse gosto por escrever tenha surgido cedo na sua vida, só em 2014 publicou o seu primeiro romance “Vidas Cruzadas”. O que o levou a esperar tanto tempo, ou a perceber que aquele momento era o certo?

JMM – Tinha uma atividade profissional muito intensa e territorialmente distante, e enquanto estive no ativo, não tinha tempo para dedicar a isso. Foi só quando deixei de exercer a minha atividade, que rebusquei nas gavetas e encontrei o caderno com quarenta páginas manuscritas, e me despertou para dar continuidade àquela história, dando origem ao meu primeiro romance “Vidas Cruzadas”.

 

 

Para além da prosa, o José também se dedica à poesia, tendo participado em várias antologias e coletâneas. É mais fácil criar um poema ou uma história?

JMM – É muito fácil escrever um poema a partir de um simples pensamento. Se diariamente produzisse um poema, poderia num ano publicar dois ou três livros. Uma história romanceada é algo em que há a necessidade de desenvolver os temas com alguma profundidade, e a investigação dos mesmos é necessária e normalmente demorada. Depois, uma boa história tem tanto de simples como de complexo. É preciso tempo para criar toda a teia onde os personagens se movem, vivendo as suas angústias e alegrias, com uma trama rigorosa e muito bem elaborada, para entusiasmar o leitor.

 

 

Que temas costuma abordar nos poemas que escreve?

JMM – O tema principal é o amor, revelado em descrições metafóricas baseadas na natureza, no universo, na beleza das cores e das flores, nos sons e acordes musicais. Raramente a política e questões sociais, entram na minha poesia. A mulher é a principal musa inspiradora dos devaneios a que as palavras me conduzem.

 

 

 

 

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“Uma Paixão Inesperada”, editado em março, é o seu segundo romance, inspirado em factos reais. Considera que o facto de escrever sobre algo que se passa na vida, e no dia-a-dia, de muitas pessoas, é uma forma de as ajudar e, ao mesmo tempo, denunciar e expor essa realidade?

JMM – A minha experiência de vida, nos seus aspetos sociais, familiares e de relacionamento humano, levam-me a debruçar sobre sentimentos de paixão, cobardia, ganancia, vaidade, orgulho. Uma paixão inesperada é uma história de amor. No entanto, o amor é algo tão mal vivido e compreendido por tanta gente, que muitas vezes o mesmo se transforma em ódio.

Escrever sobre temas tão preocupantes nos dias que correm, provoca o alerta para essas realidades e sugere as soluções que só se encontram na amizade, na humildade, generosidade, e principalmente no amor.

 

 

Quais são as suas maiores fontes de inspiração?

JMM - Inspiro-me na vida e nos seus aspetos comportamentais, analisando o conflito em todas as vertentes da relação humana, com temas sempre atuais de violência doméstica, chantagem, violação, e depois intercalando nas soluções a amizade, a tolerância e o amor. No entanto, a paixão entre um homem e uma mulher é a minha fonte privilegiada de inspiração.

 

 

 

 

O José acredita em coincidências? E no destino?

JMM – Sim, em coincidências, acredito. No destino, não! Só poeticamente uso o destino com o objetivo de apontar o futuro incerto, porque dá jeito culpá-lo das injustiças e maldades dos homens! O universo e os próprios elementos da natureza, na sua ação natural, entram em convulsão e causam sofrimento e dor.

O destino não é mais do que o fim das coisas finitas, resultante das várias coincidências que nos vão acontecendo. Se pudéssemos viajar no tempo, veríamos à frente de nós o que provoca o descarrilamento da carruagem onde viaja a nossa vida.

 

 

Muitas vezes, os acontecimentos do passado podem condicionar a vida presente das pessoas, o que acabou por acontecer com o personagem Eduardo. No entanto, a atitude dele para com Isabel, é diferente. Na sua opinião, existem marcas que ficam para sempre vincadas nas pessoas, ou que até podem desvanecer-se quando têm ao seu lado as pessoas certas?

JMM – As pessoas são marcadas pelos acontecimentos, e mais vincadamente, pelos negativos e dolorosos. Criam então defesas, para se auto protegerem de novas situações que lhe possam causar sofrimento.

A Isabel surgiu perante os olhos de Eduardo, como alguém puro, numa atitude preocupada com a sua honestidade, movida apenas pelo impulso de procurar ajuda no ombro de alguém que a acarinhasse. O Eduardo, despertou para o amor pela paixão que sentiu ao ver Isabel,

Esse sentimento percebido pelo coração de Eduardo, fez desvanecer o trauma que o acompanhava, e rapidamente esqueceu as marcas do passado ao ver ali a mulher que procurava.

 

 

Que feedback tem recebido por parte dos leitores, relativamente a “Uma Paixão Inesperada”? Há leitores que se identificam, de alguma forma, com as personagens?

JMM – Ainda recebi poucas opiniões acerca do livro, porque só o lancei no dia 9 de junho. Em pré lançamento foi lido por uma jornalista da RCB-Radio Cova da Beira, que na altura em que me entrevistou se pronunciou sobre a história que leu, a qual, disse, a impressionou positivamente, ao ponto de ter lido todo o romance, num só dia. “Foi impossível parar”, disse ela on-line. Certamente que para a leitura despertar tanto interesse no leitor, é porque a forma como a trama se desenrola é tão intensa que não dá mesmo para parar.

O amor, a violência doméstica e as contrafações de arte, são temas sempre fortes e onde os leitores, em maior ou menor escala, se reveem e vivem aqueles acontecimentos através dos personagens desta fabulosa história.

 

 

Para quando uma nova obra de José Manuel Macedo?

JMM – Tenho um projeto em fase adiantada, que espero vir a apresentá-lo ao publico no decorrer do próximo ano. Não se trata de um romance, mas da junção de vários estilos literários: a poesia, a crónica, o conto, e eventualmente ensaio, em modelo informal sobre temas diversos que me preocupam. Poderá ainda conter algum material autobiográfico.

Será um livro de fácil leitura, com os temas intercalados, para permitir uma leitura diferenciada e de rápida conclusão em qualquer ambiente. Uma escrita leve, com temas agradáveis, para ser lida como quem passeia por um parque de diversões e é atraído pelas várias ofertas de lazer.

 

 

Muito obrigada!

 

 

Imagens Jose Manuel Macedo

Blogue do autor: http://palavrascomsom.blogs.sapo.pt/

 

 

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Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Editora, que estabeleceu a ponte entre o autor e este cantinho.

 

Nunca digas "nunca"

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É incrível a facilidade com que, muitas vezes, expressamos de forma tão rápida, e sem direito a discussão, as nossas convicções e posturas, sobre determinadas situações que ocorreram a outras pessoas.

“Eu não…”, “Eu nunca…”, “Comigo nunca…”, “A mim não…”, “um filho meu nunca…”.

 

Depois, vemo-nos a passar exactamente pelas mesmas situações e, não raras vezes, com a mesma facilidade com que antes manifestámos essas convicções, vemo-las, nesse instante, a cair por terra!

Porque, como eu sempre digo, é muito fácil falar quando estamos de fora. Mais difícil é quando estamos dentro.

 

Mas esse abandono das convicções anteriormente manifestadas não significa que tenhamos estado errados antes, ou que estejamos a errar agora.

É com a vida, e com as experiências, que aprendemos, e é essa aprendizagem que nos leva a reflectir melhor, e a optar por uma postura diferente perante as situações.

Na vida, nem tudo é preto ou branco. Há uma infinidade de cores. Não existe apenas o sim e o não, ou é ou não é. Existem outras opções. E é, muitas vezes, nesse meio termo, que encontramos o equilíbrio!

 

Cabe-nos a nós agir com alguma flexibilidade e adaptação ao mundo em que vivemos, e à era em que estamos por cá. Sem deixar de lado a responsabilidade, os nossos valores, e tudo aquilo em que acreditamos, pondo-nos no lugar dos outros e seguindo o nosso coração, saberemos exactamente como devemos agir, e podemos ter a certeza que, resultando ou não, essa será a melhor forma de ter a certeza de que estamos no bom caminho, e não nos devemos condenar por agir dessa forma.

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