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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Ideia luminosa...

...ou talvez não!

 

Estava eu aqui a pensar se não seria interessante criar uma revista online ou uma publicação semelhante, talvez quinzenal ou mensal, com colaboração exclusiva de bloggers, que incluisse artigos diversos sobre temas como Saúde, Nutrição, Educação, Culinária, Moda, Beleza, sugestões de música e cinema, entrevistas, etc. 

Por exemplo, um blogger que está na área do jornalismo poderia fazer entrevistas com alguém que achasse interessante. Um blogger que está na área da educação poderia falar-nos sobre esse tema. Um estudante, da sua perspectiva como tal. Um blog de culinária poderia dar a sua contribuição com uma receita, e por aí fora... 

Seria a revista da blogosfera!

Alguém interessado?

Até nos animais...

 

...se nota a mudança dos tempos e a entrada precoce na puberdade!

Se, antes, a idade média para as gatas terem o primeiro cio, rondava os 6/8 meses, agora, começam cada vez mais cedo.

A nossa gata, com pouco mais de 4 meses (a não ser que me tenham enganado), já anda doida!

Factores e comportamentos de risco

 

 

Não costumo passar muito tempo em frente à televisão. Normalmente, para ver algum programa que me agrade, vou saltitando entre a cozinha e a sala, e apanhando o básico.

Mas nessa noite, estava sentada com a nossa Tica ao colo, e comecei a procurar entre uma infinidade de canais, algum que me agradasse. Parei no canal Odisseia, onde estava a passar um documentário sobre o Camboja, mais precisamente, sobre a pobreza, a educação e a pedofilia e ciberpedofilia.

Embora nos últimos tempos tenha havido um maior desenvolvimento e crescimento económico, devido a um maior investimento, há ainda muita pobreza neste país do sudueste asiático. Essa pobreza que faz com que, muitas vezes, se "vendam" crianças e o seu corpo a qualquer preço.

No Camboja, também a educação não é para todos. Os professores vêem-se obrigados a pedir dinheiro aos alunos pelos seus serviços, uma vez que o ordenado pago pelo estado é muito baixo. Logo, crianças mais pobres não têm possibilidades para tal, e vêem-lhes vetado o direito à educação. 

Por outro lado, assisti a testemunhos de vítimas de abuso sexual, agora institucionalizadas, que estão, de tal forma, traumatizadas e fragilizadas, que se limitam a ir passando os dias, sem qualquer esperança, plano ou projecto para a sua vida.

Ontem, ao espreitar as manchetes dos jornais, detenho-me na do Correio da Manhã, que noticiava o disparo de casos de bebés abandonados em Portugal. Foram detectados casos de abandono em Portimão e em Cascais. Já no Porto, existem pelo menos 12 situações de mães que não têm capacidade para exercer a função parental.

No Hospital Amadora-Sintra duplicaram os casos de bebés rejeitados pelas mães, por motivos de carências económicas. Essas crianças foram encaminhadas para instituições de acolhimento.

Em Sintra, na Praia das Maçãs, uma menina de apenas 3 dias foi entregue pelos pais a uma advogada, encontrando-se, neste momento, internada no hospital de Cascais. Posteriormente, será desenvolvida uma medida de acolhimento institucional, havendo já uma acção de promoção e protecção da menor no Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Sintra. 

Muitas vezes, pode-se atribuir este abandono a imaturidade ou inexperiência dos pais, bem como a baixa competência para assumir a responsabilidade parental. Mas, por norma, predominam os factores sócio-económicos. 

De facto, a situação de crise que o país actualmente atravessa é propícia ao aumento do número de crianças em risco, não só pelas dificuldades económicas dos pais, como também pelo clima de instabilidade que provoca, bem como o aumento de pais com depressão.

Verifica-se também que, nas classes mais desfavorecidas e em meios mais pobres, há uma tendência para recorrer à violência como forma de resolução dos problemas, prevalecendo os maus tratos às crianças.

Por outro lado, factores como a falta de trabalho, o emprego precário ou a dependência de outrem, podem levar a comportamentos de risco.

A intervenção

 

Os pais, representantes legais ou quem tenha a guarda da criança/ jovem devem ser os primeiros a proporcionar a essas crianças/ jovens cuidados básicos e condições essenciais ao seu desenvolvimento pessoal e social, bem como assegurar que os mesmos tenham acesso à educação e formação, e zelar pelo seu bem-estar e segurança.

Quando isso não acontece verificando-se, pelo contrário, que estão a colocar as crianças/ jovens em risco, há que intervir, no sentido de salvaguardar os direitos e a protecção dos mesmos.

Essa intervenção implica o recurso a profissionais especializados em diferentes áreas, num trabalho conjunto, e deve ser feita, preferencialmente, com o consentimento e colaboração dos pais, representantes legais, quem tenha a guarda da criança, ou dos próprios jovens, procedendo-se, nesses casos, a uma intervenção informal.

Se houver oposição, ou impossibilidade de actuar de forma adequada para remover o perigo, a situação deve ser participada à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo ou aos tribunais, que decidirão, após avaliação, que medidas tomar. 

A institucionalização e a comunidade

 

Uma criança/ jovem que chega a uma instituição já se sente, à partida, excluída ou marginalizada, relativamente a outras crianças. É um ser fragilizado, com baixa auto-estima, dependente, sem planos para o futuro ou um projecto de vida.

É, por isso, necessário um trabalho árduo mas, acredito, muito gratificante para quem o faz, no sentido de garantir e proporcionar, não só os cuidados básicos de alojamento, alimentação, higiene, saúde e educação, mas também o reforço da auto-estima com a valorização dos aspectos positivos, bem como o desenvolvimento de uma autonomização gradual.

Além da promoção do contacto e envolvimento da família durante a institucionalização, é através da interacção e utilização de vários recursos da comunidade que se criam oportunidades para estas crianças/ jovens socializarem e conviverem, construindo, por exemplo, relações interpessoais fora da instituição.

Embora inicialmente estes estabelecimentos se localizassem, estrategicamente, na periferia dos núcleos urbanos, afastando as crianças/ jovens tanto da família de origem como da comunidade, dificultando a reinserção, hoje em dia há uma maior abertura e interacção com a comunidade local. 

As instituições podem também preparar os jovens para a sua independência, apoiando-os, de diversas formas, no processo de saída e eventual retorno à sua casa ou na sua inserção no mundo laboral.

Embora haja uma imagem depreciativa do acolhimento institucional, alimentada quer pelos utentes quer pelos próprios profissionais que lá trabalham, e haja provavelmente discriminação das crianças/ jovens que passaram por este processo, a verdade é que há igualmente testemunhos bastante positivos de quem lá esteve, e agora se sente realizado e feliz por ter tido o apoio (a todos os níveis) que encontrou nestas estruturas e que, de outra forma, nunca teria tido. 

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