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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Tempestade

 

"Depois da tempestade, vem a bonança." - costumam dizer. E depois da bonança? Nova tempestade...

 

Depois de a tempestade parar, as nuvens negras se dissiparem e o sol voltar a brilhar, renasce a esperança!

Esperança de que o sol tenha vindo para ficar, e que o mau tempo seja esquecido.

Mas, subitamente, o sol desaparece, as nuvens voltam ainda mais negras e o temporal abate-se de novo, com maior intensidade. A esperança desvanece-se...

A vida é, muitas vezes, injusta connosco. E nós somos, muitas vezes, injustos com os outros. Quando entramos numa relação, entramos para o bem e para o mal. Se assumimos um compromisso, baseado em amizade, respeito, cumplicidade e amor, assumimo-lo para os bons e para os maus momentos. Mas se, a cada contrariedade, se puser em causa a relação, então começa a ser difícil acreditar nela. Se, a cada momento mais complicado da qual ninguém tem culpa, nos atiram as culpas para cima, é difícil não nos sentirmos injustiçados. Se, em vez de haver apoio e compreensão, há acusações, é difícil não ficar triste. Se a pessoa que está ao nosso lado não se sente bem na relação nem está feliz, e começa a procurar compensar nos amigos e fora de casa, aquilo que lhe falta, é impossível não sentir frustração.

 

Claro que eu já sou conhecida pelo meu pessimismo, mas por vezes é impossível mandá-lo embora.

Chego a casa, e estou dividida entre ajudar a minha filha para a ficha de Língua Portuguesa do dia seguinte, o jantar dela, enxugar e arrumar loiça, quando o meu marido me chama. Ainda lá vou rapidamente tirar-lhe uma dúvida, e volto para a cozinha. Começo a comer um iogurte, em pé, enquanto continuo as tarefas. Em seguida, volta a chamar-me. Digo-lhe que não posso, que depois vou. Ele insiste. Peço-lhe que espere um bocadinho. Um bocadinho que se tornou bem grande, mas caramba, eu estava ocupada e com uma coisa mais importante que criar ou gerir um blog. Ficou aborrecido porque, na opinião dele, o ignorei, o desprezei, porque não lhe dei atenção. Mas se era assim tão importante e não podia esperar (não era o caso), por que raio não se levantou do sofá e foi ter comigo? E se não era urgente, podia ter esperado até eu me sentar no sofá.

Não lhe dou a atenção que ele precisa? É verdade, nem sempre posso. Mas por essa ordem de ideias a minha filha tinha muitos mais motivos para reclamar comigo, afinal, na maior parte dos dias, só consigo fazê-lo por breves instantes, quando tenho tempo para o fazer. E até a Tica, que farta-se de miar porque quer que eu me sente para vir para o colo, porque quer brincar, porque quer mimos...E eu? Tenho dias em que nem sei o qe é comer calmamente sentada à mesa.

Se fico triste com isso? É óbvio que sim! Todos nós precisamos de atenção, mimos, carinho. Somos humanos (embora muitas vezes tenhamos que ser máquinas) e temos sentimentos. E compreendo perfeitamente que ele fique aborrecido com esta falta de tempo, tal como eu fico. Mas esta é a nossa vida - com momentos em que temos tempo, e outros que nem por isso. Se nos vamos chatear um com o outro cada vez que não pudermos ter atenção, então a nossa relação vai ser feita de discussões, em vez de apoio e compreensão. E isso não fará bem a nenhum de nós...

 

 

 

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