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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Onde é que eu ando com a cabeça?

 

Ontem peguei no copo que a minha filha tinha no quarto, para o levar para a cozinha.

Quando vou lavar a loiça, não encontro o copo. Procuro no quarto, na sala, até na casa de banho, e nada de copo. Começo a lavar a loiça, e lembro-me de ir ver na entrada. Nada. Lavo o resto da loiça, e penso em ir ao corredor. Lá estava ele!

Devo ter parado lá quando tinha o copo na mão, a caminho da cozinha, para fazer qualquer coisa, pousei-o no móvel e nunca mais me lembrei dele!

 

Hoje, saio do trabalho e reparo que está a chover. peço à minha filha, que estava na avó, se me podia ir apanhar a roupa que tinha estendida. Ela leva a chave da avó.

Chego a casa da minha mãe, almoço, e diz-me ela: "não te esqueças de trazer as chaves para cima".

Vou a casa, levo as minhas chaves, da minha casa, e as da minha mãe, que eu tenho. Chegada lá, coloco-as todas juntas, para não me esquecer de as trazer.

Pego no computador para trazer, depois de o enfiar dentro de um saco, pego no guarda-chuva, despeço-me das gatas e venho-me embora.

Quando estou a meio caminho, lembro-me das chaves! Bonito serviço - ficaram todas na minha casa! Estou fechada na rua, e vou ter que esperar que o meu marido chegue do trabalho, para entrar em casa!

 

Como se não bastasse a minha maluquice, a minha mãe ainda ajuda à festa: "mas eu tenho aqui uma chave suplente, aqui de casa."

"Pois, mas eu preciso é da minha casa.", respondo eu, ao que ela afirma que tem umas chaves iguais àquelas que eu levei.

Espero que ela procure, e dá-me então a chave para a mão. 

"Mas esta chave é daqui de cima!, digo eu.

"Então, e não consegues abrir a porta lá de baixo com ela?", afirma a minha mãe!

Só depois é que percebeu o que estava a dizer!

 

A vida é um jogo

 

Com uma casa de partida, uma meta ou casa de chegada, e todo um percurso a fazer pelo meio, para lá chegar.

Neste jogo, lançamos os dados. Por vezes, eles levam-nos a avançar vários passos. Outras vezes, obrigam-nos a recuar, a retroceder alguns passos ou, simplesmente, a não nos movermos. Nem sempre avançar é bom. Pode-nos levar a casas que gostaríamos de evitar. Nem sempre recuar é mau. Podemos ir parar a uma casa que até nos traga vantagens.

Cada uma das casas à qual os dados lançados nos levam, nos trazem desafios, objetivos a alcançar, perguntas às quais temos que responder. Algumas casas trazem coisas boas, pequenos incentivos, bónus, alegrias, a oportunidade de avançar mais um pouco neste jogo. Outras, nem tanto. São casas que não nos levam a lado nenhum, sem utilidade mas que, ainda assim, fazem parte do jogo.

Como todos os jogos, também a vida é um risco.

Mas, ao contrário de um jogo comum, que jogamos ou não consoante a nossa vontade, neste jogo da vida não pedimos para entrar. Ainda assim, fomos colocados no tabuleiro a partir do momento em que nascemos, e "obrigados" a jogá-lo, a correr esse risco. 

Ao contrário de um jogo comum, a maior parte de nós não tem pressa de chegar à meta, à fatídica casa de chegada, na qual iremos abandonar de vez o jogo, e esta vida que nos foi dada.

Queremos,sim, aproveitar aquilo que as diversas casas, que lhe precedem, nos têm para dar. Embora nem sempre o consigamos fazer como deveríamos. É que, mesmo avançando devagarinho, estamos a avançar, e as casas pelas quais passámos, ou não, vão ficando para trás, sem que possamos, muito provavelmente,lá retornar. E não nos esqueçamos que, a qualquer momento, e sem contarmos com isso, podemos ser eliminados do jogo.

A vida é um jogo, e este jogo é também feito de apostas. Algumas, serão apostas ganhas. Outras, poderemos eventualmente, perder. Mas só saberemos o resultado da aposta, depois de a fazer.

Só saberemos aquilo que nos espera, e onde nos levará este jogo, se nos mantivermos activos, em movimento, se continuarmos a lançar os dados, a fazer apostas, a utilizar os botões que temos ao nosso dispôr, a percorrer o tabuleiro onde fomos colocados como peões mas, ao mesmo tempo, como jogadores. 

Só conseguiremos aproveitar ao máximo este jogo, se soubermos aprender com as más jogadas, celebrar os pequenos avanços e conquistas, tirar partido das casas mais vantajosas onde os dados nos levem, e contornar aquelas que mais nos prejudicam.

Podemos não ter pedido para jogar este jogo da vida, mas a verdade é que estamos dentro dele.

E valerá a pena passar todo o percurso do jogo sem arriscar, sem o viver, sem tomar as rédeas do mesmo nas nossas mãos? Valerá a pena ficar parado, a ver os outros jogadores passar por nós, ou à espera que alguém lance os dados por nós, avance por nós, viva por nós?

Valerá a pena desperdiçar todas as ferramentas que nos foram fornecidas para nos ajudar nesta caminhada, e esperar que o destino se encarregue de nos empurrar de uma casa para a outra, quando não era nessas casas que queríamos estar?

A vida é um jogo, sim. E já que estamos nele, vamos jogá-lo como sabemos e podemos, e deixar a nossa marca enquanto nele nos mantivermos, sem receios!

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