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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quem tem boca vai a Roma, de Rosana Antonio

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"Quem tem boca vai a Roma", costuma-se dizer. Que é como quem diz, quem quer uma determinada coisa, deve ir à luta para consegui-la, e não ficar à espera que ela aconteça por obra do destino.

No caso deste livro, este ditado pode quase ser aplicado à letra, já que todas as histórias falam de alguém que, num determinado momento da sua vida, quiseram deixar os seus países de origem, rumo a Itália, e acabaram por ir para a Roma!

Os motivos que levaram nove personagens diferentes até esta cidade, são os mais variados, mas todos têm um ponto comum: mudar de vida.

Algumas histórias acabam bem. Outras, nem por isso.

Em algumas, Roma acaba por ser apenas um ponto de passagem durante alguns anos, findos os quais o regresso à terra natal, ou a partida para outro destino, se torna inevitável.  

Ao longo deste livro, o leitor ficará a conhecer um pouco das histórias de Raquel, uma brasileira do interior de Minas; Catarina e Manuel, ela oriunda da Guiné Bissau e ele de Portugal; Natali, venezuelana, e Olivier, da Eslováquia; Alice, uma jovem brasileira do Paraná; Sofia; Denise; Ruth, uma colombiana; Edna, de Lençóis; e Rosana, a autora do livro.

E, independentemente do desfecho de cada história, e do possível arrependimento pela decisão tomada, nenhuma destas pessoas seria a mesma, e saberia o que o destino lhes havia guardado, se não tivessem tentado.

Afinal, quem não arrisca e se mantém na sua zona de conforto pode estar mais seguro, mas também nunca saberá o que haveria além daquilo que tem e vive.

 

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Também esta obra mantém a característica de ser bilingue, contendo as histórias contadas em italiano! 

Filhos da Mãe, de Rosana Antonio

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Mais um livro acabadinho de ler - Filhos da Mãe, de Rosana Antonio.

infelizmente,existem muitos "filhos da mãe" por este mundo fora, não só entre portugueses e brasileiros, mas mesmo entre povos de outras nacionalidades e, até mesmo, no mesmo povo. 

Como se costuma dizer, "anda meio mundo a tramar outro meio".

No entanto, é especificamente sobre estes dois povos - português e brasileiro - que a autora se focou, em mais um livro dividido em duas partes.

De um lado, 5 histórias de portugueses que viveram na pele o preconceito do povo brasileiro, a discriminação, as dificuldades de integração e aceitação.

Desde uma situação grave de bullying que vitimou uma jovem estudante portuguesa, a uma cilada armada pelo futuro cunhado a um português, com consequências graves, só para evitar o casamento dele com a irmã, ou ainda a um preconceito de parte a parte, que consegue ser ainda mais forte que a eventual homofobia que os dois apaixonados da história pudessem sofrer, podemos encontrar um pouco de tudo nestas primeiras histórias.

 

 

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Virando o livro ao contrário, encontramos então 5 histórias sobre o preconceito sofrido pelos brasileiros em terras lusas, sobretudo contra as mulheres brasileiras.

É sabido que os homens conseguem, por vezes, ter atitudes machistas para com as mulheres, e que as próprias mulheres, muitas vezes, se tentam tramar umas às outras por inveja ou qualquer outro motivo. Aqui neste livro, podemos ver como isso se aplica também às mulheres brasileiras, que são muitas vezes tratadas como prostitutas ao serviço de qualquer um. 

Desde histórias de terror com taxistas portugueses, a um episódio que levou mesmo a uma acusação por homicídio e pena de prisão, podem encontrar nesta obra um pouco de tudo.

 

Em todas estas histórias existem personagens que se fingem amigas ou que até, num determinado momento, o são, mas que aproveitam a primeira oportunidade para rebaixar e hostilizar, fazer mal, tramar, incriminar e sabe-se lá que mais, simplesmente porque não gostam dos outros devido às suas origens.

São mentalidades nem sempre fáceis de mudar, principalmente, quando essa discriminação lhes foi incutida pelos pais e gerações anteriores, estando já demasiado enraizada.

Aqui em portugal, por exemplo, é muito frequente termos este tipo de atitudes não só contra os brasileiros, mas também com outros povos que nos chegam, como ucranianos, moldavos, africanos e chineses. É também já bem conhecida a aversão dos portugueses pela etnia cigana.

Há uns tempos atrás escrevi um artigo sobre o multiculturalismo em Portugal, que mostra como ainda é difícil para um povo aceitar alguém de fora no seu país - multiculturalismo em Portugal

Este livro é mais uma prova disso.

 

The Girl on The Train - o filme

 

Vai estrear este ano o filme baseado neste thriller de Paula Hawkins, que foi um verdadeiro êxito de vendas!

A estreia está prevista para Outubro, e o filme, realizado por Tate Taylor, conta com interpretações de Rebecca Ferguson, Luke Evans, Justin Theroux, Emily Blunt, Haley Bennett e Égdar Ramírez.

 

 

Ainda dizem que gatos não são filhos

 

Pois, por vezes, são mesmo iguais ou piores ainda!

Sempre a pedir atenção, a fazer disparates, a queixar-se, a lembrar-nos que temos que estar ali à sua disposição.

Ainda hoje a manhã foi agitada. Ora vejam:

 

Vou lavar a loiça, e a Amora começa a pedir colo. Agarra-se às minhas pernas mas desprende-se, bate com o focinho no chão e começa a chorar com dores. Interrompo o que estava a fazer, para lhe pegar e acalmar. Volto a pô-la no chão.

Sobe a Becas para a bancada a querer enfiar-se no lava loiças, e tenho que fazer uma ginástica para impedi-la, sem lhe tocar com as mãos.

Ao mesmo tempo, volta a Amora a reclamar que quer colo, porque vê a Becas lá em cima e ela não consegue subir.

Lavo a loiça à pressa, seco a bancada mesmo a tempo de a Becas ir para lá, e pego na Amora para lhe dar mais uns mimos.

Entretanto, a minha filha já se levantou e fica a tomar conta da Amora. Fui pôr esparguete a fazer. Quando volto à cozinha, vejo a Becas em cima do fogão! A passar mesmo ao lado do bico aceso.

Passado o perigo, desligo o lume e vou tomar banho, que se revela outra tarefa complicada, porque tenho que segurar com uma mão o chuveiro, e com outra impedir a Becas de entrar dentro da banheira, e molhar-se toda.

Não parece mesmo que estou a cuidar de duas crianças pequenas?! Até nos ciúmes e picardias se parecem com elas!

 

Com tudo isto, acho que vou ter que me levantar algumas horas mais cedo,se não me quiser atrasar para o trabalho!

 

À Conversa com os Patinho Feio

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António Justiça, que já tinha feito parte de vários projetos musicais, surgiu em 2013 com a ideia de um novo projeto.

A ele, juntaram-se André Imaginário (guitarra), Rui Valentim (teclas), Filipe Pires (baixo) e João Malaquias (bateria), formando a banda Patinho Feio.

 

 

 

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Com um ano de 2015 pleno de concertos, surge agora o primeiro disco “Para Não Se Estar Calado”, lançado hoje em formato digital.

Patinho Feio são uma banda que vem provar que o rock em português está vivo, de boa saúde, e recomenda-se!

Hoje estão aqui no cantinho para falar sobre o seu projeto, e o álbum de estreia.

 

 

 

 

Patinho Feio, porquê este nome?

Digamos que talvez haja um patinho feio em cada um de nós, em cada pessoa :)

Um pouco à semelhança do imaginário proporcionado pelo conto de Anderson isso foi determinante na escolha do nome.

 

Quais são as vossas referências musicais a nível de rock, tanto em Portugal como a nível internacional?

Todos temos gostos diferentes e variados no que toca a rock e isso acaba por se refletir na nossa música, em Portugal temos como referência uma grande banda os Mão Morta, no geral e a nível internacional Smashing, Queens of the Stone Age…mas aqui alarga-se um pouco o horizonte e cada um de nós terá um leque mais vasto de gostos e referências.

 

2015 foi um ano pleno de concertos. Conseguem destacar algum que vos tenha marcado mais?

Em 2015 um concerto que nos marcou muito foi no Popular de Alvalade, é um espaço onde gostamos muito de tocar, respira-se rock e sempre rodeados de boa gente. Já lá passámos também este ano com a apresentação do disco.

 

Os Patinho Feio cantam apenas “Para Não Se Estar Calado”, ou a vossa motivação vai muito além disso?

Obviamente que muito mais além, o nome do álbum tem uma ligação directa com um tema em particular, o “Porém Onde Se Pode Ouvir “...porém vá-se lá saber, às vezes fala-se para não se estar calado...” é uma vontade de nos fazermos ouvir / exprimir, se não estamos calados não estamos parados é um pouco por aí…tocar o mais possível para levar o Patinho Feio a um maior número de pessoas.

 

Muitas bandas apostam em álbuns totalmente cantados em inglês, sobretudo quando falamos de rock. Porque é que os Patinho Feio optaram pela nossa língua? Consideram que foi uma boa aposta?

É um facto que há muitas bandas a cantar em inglês, mas também parece começar a haver outra tendência e a música em português parece querer reaparecer e até reinventar-se. No nosso caso desde cedo que definimos que seria na nossa língua, nunca quisemos que o Patinho Feio se chamasse “Ugly Duck” se bem que a título de brincadeira costumamos dizer que podíamos ter uma música chamada “bad poetry” ou um “porém” que podia ser “however” :)

 

O vosso álbum de estreia é lançado hoje em formato digital. O que pode o público esperar deste primeiro trabalho, para além de “Poesia Má”, o single de apresentação?

O disco conta com sete temas: mentira, ilusório, porém, espera, poesia má, vicio, resignação.

Digamos que os sete falam de medos, angustias, incoerências, incertezas, amor, etc... Há uma carga emocional que gostamos de transmitir e que cada pessoa sinta um pouquinho daquelas palavras dentro de si mesma.

Quanto à musica, digamos que é um rock honesto e de entrega total, por vezes cru, outras vezes mais rebuscado, faz parte da nossa forma de estar dar tudo o que temos quando tocamos ao vivo.

 

Quais são as expectativas para este álbum de estreia?

Estamos otimistas com a saída do disco, também por isso optámos em conjunto com o digital fazer edição física do disco.

Encaramos o futuro com alguma expectativa, mas sem ilusões e com os pés no chão.

 

Por onde vão andar os Patinho Feio nos próximos meses?

Temos gerido a nossa agenda por nós mesmos o que faz com que os concertos vão aparecendo e não havendo por isso uma agenda muito alargada.

Mas andaremos por aí porque o principal objetivo é continuar a tocar e a fazer música, até “para não se estar calado”.

 

Muito obrigada pela disponibilidade!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também as imagens.