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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

À Conversa com Marta Romero - parte II

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Como prometido, aqui fica a segunda parte da entrevista a Marta Romero!

 

 

 

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As mulheres são mais duras e exigentes consigo próprias, e mais suscetíveis à influência de críticas e comentários depreciativos, do que os homens?

Sim, estadisticamente sim, mas claro também e existem homens mais sensíveis que mulheres.

Penso que a mulher tem mais dificuldades que o homem em criar uma confiança, tal vez por questões socio-culturais. Ou também porque durante muitos anos ao homem não interessa nada que a mulher tivesse confiança.

A confiança verdadeira é uma arma muito poderosa al igual que o amor. Atualmente se fomenta muito o consumismo através da insatisfação, quanto mais insatisfeita uma mulher estiver mais consume.

Por isso e importante criar essa cultura onde amar-nos e aceitar-nos é o princípio de amar aos outros com total liberdade.

 

 


Na sua opinião, a falta de autoestima e dificuldade em aceitar e gostar de si mesmo, com todas as suas diferenças e particularidades, é algo que tem vindo a crescer, à medida que a sociedade e os padrões de beleza que esta impõe, vão evoluindo e se transformando?

Sim vão em aumento exponencial.

A mulher conseguiu coisas maravilhosas desde votar, desde poder ir trabalhar e ter igualdade de salários, ainda hã que trabalhar mas estamos no bom caminho,.. a parte física já quase que temos conseguido, mas a emocional parece que virou ao contrario somos esclavas da beleza, de um padrão de beleza inatingível porque eu nunca vou ser Angelina Joly eu sou a Marta Romero mas é que Angelina Joly nunca será a Marta Romero.

Não somos livre escolha queremos emagrecer por uma questão de beleza e não de saúde por isso existem tantas dietas e nem uma funciona ou funciona pouco! Porque o motivo pelo qual tu queres emagrecer nunca vais alcançar.

Tu já tens beleza, Escutamos que a autoestima bem se perdemos 10 kg ou se comemos vegetais! É isso é uma falsa autoestima que vai cair rapidamente! Antes de perder peso trabalha a autoestima senão vais voltar a recuperar os 10 kg se alguma vez conseguistes os perder.

 

 

 

“Passamos a encontrar defeitos no nosso corpo a partir do momento em que o comparamos (ou comparam) com outro, ou é criticado negativamente pelos outros”. Na sua opinião, esta teoria trata-se de uma verdade, ou um mito?

Se torna uma verdade quando não existe aceitação de nós mesmos.

Sem aceitação o “comparar-nos” se torna maltrato para nós e maltratamos aos outros também. Sem a aceitação de nós próprios a “comparação” nos asfixia. É uma assassina emocional.

Más se tu sabes aceitar-te poderás sempre discernir entre uma crítica construtiva ou uma destrutiva. A comparação e as críticas devemos saber trabalha-las pois são necessárias para o nosso crescimento pessoal.

 

 

 

Considera que estes problemas surgem em idades cada vez mais precoces, nomeadamente, infância e adolescência?

Sim, cada vez mais e depende também do entorno. Agora todo vai muito mais depressa e as “modas da sociedade” exercem muita mais pressão por causa da globalização,… é bom para umas coisas, para outras não tanto se não sabemos gerir.

Na conduta alimentar e na aceitação do corpo existe também um facto genético, pessoas que tem alterado determinados polimorfismos nos seus genes tem mais tendência a desarrolhar um transtornos alimentar ou problemas com a sua perceção na sua própria imagem que outras. Igualmente acontece com a obesidade.

Mas para que se ative este transtorno é preciso um ambiente determinado, se tu vives num medio onde o aspeto físico é muito importante e tens uma predisposição genética então temos maiores possibilidades de padecer um trastorno alimentar.

Se vives num família onde só valoram maioritariamente o externo pois a tuas probabilidades são amplias. Eu intento sempre ter muito sigilo em falar de genética pois é verdade que é um facto importante, más a genética só predispõe mas não é condicionante, o seja não é destino.

Significa que podemos ter mais dificultadas que as outras pessoas mas não significa que não consigamos. Por isso a educação de amar o nosso corpo é muito importante.

 

 


De que forma é que o Body Revolution Movement ajuda a combater a falta de confiança e autoestima, e promover a aceitação do corpo, ensinando cada um de nós a descobrir a nossa própria beleza?

Sim, é um trabalho individual e intransferível.

Cada um tem a sua própria revolução corporal. Só podes fazer tu e tens que estar disposta a isso. Hã que sair da zona de conforto.

Nós fazemos muitas ações, a mais potente o calendário. Mas temos outras: Por exemplo nós trabalhamos muito a relação com o espelho, trabalhamos muito a linguajem positiva: A linguagem que utilizamos é responsável pelos resultados que alcançamos. A utilização de uma determinada linguagem na comunicação para si e para com os outros lhe devolverá uns determinados comportamentos e ações, senão é a apropriada irão provavelmente ao encontro dos resultados que pretende evitar.

Trabalhamos muito o potenciar a capacidade de sentir amor incondicional e verdadeiro sobre o nosso corpo seja ele o que seja. Se somos capazes de isto estamos preparados para levar amor a todos os cantos, a todas as pessoas que nos encontramos…

Trabalhamos também a Sensualidade: A sensualidade é uma forma de estar a vontade com o teu próprio corpo esteja ele dentro dos parâmetros que a sociedade nos dita ou não. A sensualidade não é só sexualidade, a sensualidade abarca todo o teu ser e a sexualidade só um campo.

Somos seres sensuais na hora de comunicar comos outros, na hora de comer, também somos sensuais, na forma como tratamos aos outros. Trabalhamos para Incentivar a Aceitação do nosso corpo sem nenhum temor… não como resignação mas sim como beleza que o corpo emana.

Muita coisas… intentei resumir, mas a Beleza é um campo muito amplio e muitas vezes confuso na sociedade ou mal-entendido.

 

 

 

O que é, para si, a beleza?

Olha gosto sim de esta pergunta!

Para mim, a beleza é um estado do nosso espírito.

A Beleza a devemos procurar sempre no território das emoções, a Beleza nasce de dentro de uma pessoa e envolve todo o teu ser de tal maneira e forma que traspassa para fora sem tu reparar e sem fazer esforço algum.
Hã pessoas que são bonitas más não tem Beleza!
Porque a Beleza precisa de um equilíbrio emocional. Tu tens sempre a tua opinião, porque existem tantos gostos como seres humanos no Planeta. Não hã problema! Unos gostamos mais de uma coisa e outros gostam de outras, isso é normal.

A Beleza é sentir-te bem com as tuas diferenças porque isso é sintoma de bem-estar.

 

 


Apesar de ter como principal objetivo a aceitação do nosso corpo tal como é, faz parte da “política” do movimento o eventual aconselhamento positivo de uma dieta ou cirurgia estética?

Obrigado por esta pergunta Marta!

Sim é algo que as pessoas faz confusão no movimento. O movimento não vai encontra de nenhuma entidade ou conceito de saúde ou contra os avances da ciência.

Ter uma boa alimentação e um exercício adequado para nós deve ser parte da vida das pessoas não uma questão de beleza. Se tens que perder peso seja só uma questão de saúde ou para evitar doenças metabólicas ou cardiovasculares. Mas nunca uma questão de beleza ou estar na moda,… já que a beleza existe em todo corpo.

Tu podes escolher fazer uma cirurgia plástica ou fazer unhas ou depilar, sempre e quando seja de livre eleição e não “pelo que dirão a gente” ou pelas modas.

Mas para ter livre eleição é preciso aceitar-se. E aí é onde entra Body Revolution. Muitas pessoas pensam que aceitar-se é resignação mas é todo o contrário, aceitar-se é o princípio do câmbio positivo, mas não existe mudança se não saímos da zona de conforto. E com tudo esto que Body Revoltuion ajuda e faz uma revolução corporal!

 

 

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Como foi feita a seleção das mulheres que posaram para o Calendário Body Revolution 2018?

Este calendário foi “open”. Eu procurava mulheres com todo tipo de corpos. Fiz varias reuniões onde explicava os benéficos, a causa do movimento, e as possíveis dificultadas, foi muito sincera.

Não é fácil posar nua e logo expor ao mundo. Neste primeiro calendário eu procurava mulheres que estivessem dispostas a ser modelo de confiança para outras mulheres.

Para o ano vai ver um processo e castings diferente e vou fazer uma formação as participantes. Já tenho uma referência e posso melhorar.

 

 

 

A Marta foi uma dessas modelos. De que forma descreveria a experiência desta sessão fotográfica, despida de qualquer adereço e, sobretudo, preconceito?

Foi maravilhosa, mas dura ao mesmo tempo. Porque estás exposta. Aprendi de mi própria e das outras participantes.

Aprendes que a confiança é a atitude que revela a Beleza numa mulher e aprendes que não precisas mudar nada do tu físico para desde este momento ter Beleza, já que a Beleza é do ser interno que se exporta para fora.

Só se ouvia no estúdio: “waohh!! Que diferença quando colocamos o pé a assim ou de uma outra forma.” Ou quando estamos confiantes vês uma luz diferente no olhar na tua colega. E compreendes a verdadeira Beleza do ser humano.

 

 

 

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Quais foram as principais dificuldades que observou, durante a sessão, na interação entre as várias modelos, e na relação das mesmas com o próprio corpo?

A sessão foi uma experiencia única que toda mulher deveria experimentar algum dia.

Ao princípio sentes muito reparo porque estás nua. Muitos Nervos. Más não houve problema nenhum nas sessões já que todas estávamos nuas. E todas estávamos atentas as dicas do fotógrafo e aprendendo umas com as outras.

Vimos que todas tínhamos corpos completamente diferentes, e incluísse eu que não tenho os standards de beleza da sociedade estava lá, mas todas estávamos maravilhosas, pois estávamos trabalhando a nossa atitude, e postura e isso revela a Beleza de cada uma tinha.

Talvez a dificultada maior foi ver as nossas fotos, abrir a imagem e levar com o impacto de ver-te como eres realmente nua.

E a dificuldade é como os outros te vão ver, e o que vão disser de essas fotos onde estás completamente nua. E a dificuldade maior é como vou ficar num calendário eu a pé de outras mulheres se ela vai estar melhor ou pior que do que eu...

Isso é o que realmente notei como dificuldade a ultrapassar não em si a sessão. A sessão só eram risadas e alegria. Um convívio maravilhoso de uma reunião de mulheres que umas se conheciam e outras não.

 

 

 


O calendário foi lançado no dia 29 de Outubro, na Ericeira, localidade onde o movimento está sedeado. Faz parte dos objetivos levar este movimento a todo o país, através de palestras/ conferências?

Não hã limites! Até o infinito e mais além! Por tudo Portugal e até fora. Eu vou falar até a saciedade! Até aborrecer com o tema!

Eu sonho com um futuro próximo onde o meu movimento já não faz sentido, sim,… sonho com que se fale: “ te lembras faz unos anos atras era preciso este tipo de movimentos mas agora já não,… a mulher se sente Bela, se sente bem”.

Sonho com que a cultura de amar o teu corpo se insine nas escolas aos nossos filhos. Um lugar onde as mulheres vivemos em paz com nós próprias.

 

 

 

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Muito obrigada, Marta!


Obrigado ti Marta! Por estas maravilhosas perguntas, fico grata por querer saber do movimento!

Intentei resumir, e peço desculpas pelo meu português que é ainda muita mistura com espanhol! Já não sei se é defeito ou virtude!!

 

 

Mais informações:

https://www.facebook.com/amarmeucorpo/

http://www.bodyrevolutions.net/body-revolution

info@bodyrevolutions.net

 

 

Primeira parte da entrevista AQUI

 

 

A Luz Entre Oceanos

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Tinha a ideia de já ter visto o trailer deste filme há uns meses atrás e, quando soube que ia dar da televisão, pedi ao meu marido para gravar.

No sábado começámos a ver. O meu marido achou o início muito aborrecido, e queria escolher outro. Eu insisti que era o tal que já queríamos ver, embora no começo não conseguisse perceber a ligação.

Durante todo o filme, ele foi ficando mais entusiasmado e, à medida que a história se desenrolava, ia vivendo emoções diferentes.

Por norma, quando são temas fortes, que dão uma boa discussão, eu costumo sempre comentar e dar a minha opinião. Por isso, volta e meia o meu marido perguntava-me "achas bem?", ou "o que é que tens a comentar sobre isto?", ao que eu lhe respondia que, no final, falaria sobre o assunto.

 

Por vezes, é difícil emitir uma opinião, quando compreendemos perfeitamente os lados opostos da questão, e não nos cabe a nós fazer julgamentos, sobre o que foi certo ou errado.

"A Luz Entre Oceanos", ao contrário de outros filmes ou séries, não me levou a falar o que quer que fosse no momento.

 

Porque é tão fácil compreender o desespero a que uma mulher pode chegar, quando vê morrer filho atrás de filho, sem conseguir realizar o seu sonho de ser mãe e, de repente, como uma dádiva, um bebé surge naquela ilha isolada, como se estivesse destinada a ser criada por ela. Como se fosse uma compensação, por todo o sofrimento.

Se é errado? Sim, é. O mais correcto era comunicar a morte do pai do bebé, e informar que tinha sido encontrada com ele uma bebé que estava bem. Até porque poderia haver uma mãe, algures, desesperada, à procura da sua filha, sem saber se ela estava viva ou morta.

Mas, e se não houvesse outra mãe? E se colocassem a bebé num orfanato? Não estaria ela melhor ali com Isabel?

 

Teria sido uma boa decisão, e tudo correria bem, não fosse o facto de Tom, marido de Isabel, ter descoberto a mãe de Lucy, nome que colocaram à bebé, saber que a mesma a julgava morta, tal como ao seu marido, e ver o sofrimento que isso lhe estava a causar.

Tom sempre foi contra a ideia de ficarem com a bebé. Só o fez pelo amor a Isabel. Agora, o peso volta a atacar-lhe a consciência, e ele vai deixar pistas que levam à descoberta da verdade.

 

Se ele fez o mais correcto, embora um pouco tarde? Sim.

Coloco-me no lugar da mãe que perdeu a filha, sem saber que até já esteve frente a frente com ela, que já falou com ela, e que ela é, na prática, filha de outra pessoa.

Eu gostaria de saber a verdade, sim.

 

Mas, no lugar da Isabel, perdoaria o meu marido por me tirar a "filha" que eu criei durante 5 anos? Por me tirar aquilo que eu mais queria, e não podia ter?

Seria capaz de pôr tudo isso de parte, e assumir a minha responsabilidade, não deixando que ele pagasse por um crime que eu própria o tinha levado a cometer, e que ele fazia questão de assumir sozinho?

 

Voltando ao lugar de Hanna, mãe verdadeira de Lucy, a mesma, por intermédio das autoridades, que retiraram a menina dos braços da mãe de criação, tentou recuperar o tempo perdido, impedindo-a de estar ou sequer ver a mãe que ela reconhecia como tal. 

Como se recupera o amor de uma filha, de alguém que não nos reconhece, de alguém que só sabe que foi criada por uma mulher que ela vê como sua mãe, e que dela foi arrancada sem dó nem piedade?

Talvez a Hanna devesse ter ido com mais calma, e feito essa aproximação aos poucos. Mas é legítimo criticá-la? É legítimo condená-la por não querer que a mulher, que a impediu de estar com a filha durante anos, agora a veja sequer?

 

No meio de tudo isto, quem mais sofre, como sempre, são as crianças. Neste caso, foi a Lucy. Lucy Grace. Por conta da separação, quase perdeu a vida. Mais tarde, acabou por aceitar a sua família verdadeira, ficando anos e anos sem ver os "pais" que a criaram, que foram obrigados a cortar qualquer laço com ela.

 

Depois de pagarem pelos seus crimes, Isabel e Tom, continuaram juntos. Mas Isabel acabou por morrer. E Tom, voltou a ser o homem solitário que conhecemos no início.

No entanto, os laços não se quebram irremediavelmente, como algumas pessoas gostariam. E, no final, Lucy Grace vai visitar os pais que cuidaram dela nos primeiros anos de vida, agradecendo-lhes por tudo o que fizeram por ela e lhe ensinaram, sem ressentimentos, sem mágoas, sem culpas.

 

Porque perdoar é tão mais fácil do que viver uma vida a guardar rancor...

 

 

 

 

 

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