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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"O Abraço"

Foto de Teatro da Trindade.

 

O que une Esmeralda Pereira, Ana Isabel Sousa e Maria Carolina Sousa n' O Abraço?

No fundo, o amor!

 

O amor pelas artes, pelo teatro, pela música, pela dança, o amor entre mãe e filhas, e o amor entre irmãs.

 

Claudio Hochman pegou em histórias reais desta mãe e das suas filhas, e levou-as para o palco, numa peça que aborda as relações familiares, os problemas, as dificuldades de comunicação, a falta de tempo, as frustrações que se vão acumulando sem que, apesar disso, o amor deixe de estar presente ou existir.

 

Em "O Abraço", vamos conhecendo fisica e psicologicamente cada uma das personagens, um pouco do seu passado, e o que as levou até àquele momento. Como as próprias afirmam, muito do que o público ali vê é pura ficção, embora a base seja inspirada nas suas vidas reais.

Esta peça de teatro não terá sido uma forma de terapia familiar, mas acabou por contribuir para exteriorizar os problemas, e ultrapassá-los. No fundo, uma família comum, com quem é fácil identificar-mo-nos, sobretudo quem tem filhos. Eu revi-me em algumas cenas daquela mãe, e consegui uns vislumbres da minha filha na Maria. Aliás, ontem estive a ver uma entrevista com as protagonistas da peça, e achei a Esmeralda fisicamente muito parecida comigo!

 

 

 

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A determinada altura, a Ana pergunta à mãe qual das filhas é a sua preferida. A mãe responde que não faz qualquer distinção, mas Ana insiste, afirmando que todos os pais têm um filho preferido.

Será mesmo verdade?

Sendo mãe de uma filha única, não saberei responder a esta pergunta. No entanto, acredito que não seja uma questão de preferência, de gostar mais de um filho do que de outro, mas talvez de afinidades.

Numa analogia que pode parecer um pouco estranha, a Ana e a Maria são como a Becas e a Amora, as nossas gatas: a independente que, no fundo, também gosta de mimos e atenção, e a amorosa e querida por natureza, com quem é fácil criar logo uma empatia.

 

A Ana é a filha mais velha, já passou por muitas coisas, em algumas das quais a mãe, por falta de tempo porque a vida assim não o permitiu, não esteve presente ou não conseguiu ajudar como queria. E isso foi-se acumulando no interior, e afastando-a, criando um certo atrito entre as duas. 

Como carapaça, a Ana veste a pele de despreocupada, de indiferente, de uma pessoa que não liga para os abraços e beijinhos (talvez para não se entregar demasiado e voltar a sofrer), de pessoa directa e sem papas na língua, fria, um pouco arrogante. Mas, no fundo, precisa tanto ou mais de um abraço que a Maria.

 

A Maria é a filha mais nova, e tem uma boa relação com a mãe. É aquela filha com quem não tem que se preocupar, porque não dá problemas. A mais ligada à mãe, muito amiga, que tenta fazer de mediadora entre a irmã e a mãe, para ver se se entendem de vez. Com a irmã, também existe uma grande cumplicidade, mas se tiver que a chamar à razão, também o faz.

 

Uma coisa é certa: problemas à parte, que todas as famílias os têm, é bem visível a admiração e orgulho que sentem umas pelas outras.

Só falta mesmo, o tão esperado abraço!

 

 

Deixo-vos aqui a entrevista às atrizes:

 

 

 

Do cinema do fim de semana #2 - Moonlight

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Muito se falou na altura sobre este filme, que nunca tive grande curiosidade em ver. No entanto, como tinha lá gravado na box, lá me decidi.

É um filme que se foca no preconceito contra os homossexuais, e na máscara que, muitas vezes, é preciso colocar para se ser aceite na sociedade.

É também um filme que se baseia no paradoxo de algumas personagens, nomeadamente, a mãe de Chiron, e Juan, uma espécie de protector.

A mãe porque, ao mesmo tempo que parece preocupar-se com o filho, por outro, ignora-o e age como se ele fosse um empecilho na sua vida de drogada e promíscua.

Juan, um homem duro que vive do tráfico de drogas, drogas essas que, através de intermediários, é aquela que é vendida à mãe de Chiron e a transforma na mãe que ele odeia, é o mesmo Juan que tenta proteger e proporcionar momentos de paz, tranquilidade e harmonia quase familiar, que faltam a Chiron, em casa.

E Chiron é um miúdo que foge dos colegas que lhe querem bater, por o considerarem diferente, e suspeitarem que ele é homossexual, quando nem ele próprio o sabe.

Um miúdo que, mais tarde, vai descobrindo a sua sexualidade mas sofre uma desilusão quando Kevin, de quem gosta e que, supostamente, sente o mesmo por ele, é forçado a bater-lhe, para ficar bem perante os colegas, e não suspeitarem dele próprio.

E é nesta fase que Chiron, finalmente, se revolta e toma uma atitude, que o irá levar para o reformatório e, posteriormente, à vida que escolherá na idade adulta, onde voltamos a vê-lo.

Tal como Juan, Chiron passa droga, e é desse dinheiro, e da imagem de durão que vive agora, não deixando ninguém, a não ser, talvez, Teresa, ver o seu verdadeiro interior.

Entre as cenas que mais comovem, encontramos uma mãe a pedir perdão por tudo aquilo que não foi capaz de fazer pelo filho quando ele mais precisava, verdadeiramente arrependida, e empenhada em se manter fora da vida que levava, e evitar que o filho siga um caminho de que se possa vir a arrepender.

É um filme que se vê, mas não o considero assim tão bom e merecedor do Óscar de Melhor Filme que arrecadou no ano passado.

 

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