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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O meu rosto em cem palavras

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A Maria desafiou-me.

Eu aceitei o desafio.

E o resultado foi este.

 

Rosto, outrora mais redondo, hoje mais estreito e longo.
Olhos grandes, para melhor ver aquilo que me rodeia, o que é digno de ser visto, e o que não deverei voltar a ver. De cor castanho-esverdeado, ou verde-acastanhado.
Pele clara, outrora de adolescente, cheia de borbulhas. Hoje, restam as marcas das alegrias, das tristezas, das preocupações, das vivências, dos sorrisos, traduzidas em finas linhas a que apelidam de rugas de expressão.
Nariz e boca banais. Sobrancelhas cada vez mais finas, pestanas longas.
Cabelo ruivo, outrora escuro, e que volta agora a clarear, com reflexos brancos fruto da idade.
Sou eu…

For Life: viver num mundo movido por interesses e alimentado pelo poder

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Vivemos num mundo movido, maioritariamente, por interesses, e nem sempre interesses colectivos mas, muitas vezes, individuais.

E para eles contribui, quase sempre, o poder daqueles que os podem satisfazer, concretizar, levar a cabo. Ou para os travar, aniquilar, impedir.

Se uns têm a sorte de o poder estar do seu lado, outros, têm-no constantemente contra si. Sobretudo, se os interesses de uns, chocam com os de outros. Quando não podem coexistir.

Quando assim é, por muito que tentemos quebrar esse ciclo, mudar o rumo dos acontecimentos, inverter as situações, torna-se complicado.

É difícil vencer qualquer batalha que seja e, quando achamos que, por uma vez que seja, a vitória nos coube, logo a vida se encarrega de mostrar que não ganhámos coisa nenhuma.

 

For Life conta a história de um homem condenado injustamente, por um crime que não cometeu, a prisão perpétua. Porque não quis assinar nenhum acordo, em que se desse como culpado, sabendo que era inocente.

Obstinação? Ingenuidade? Coragem? Quem sabe…

Foi usado como “bode expiatório”, como “exemplo” de justiça, com fins e interesses políticos de uns, e pessoais, de outros. Não é que tivessem, particularmente, algo em concreto contra a sua pessoa, mas era preciso arranjar um culpado, e ele estava mesmo ali a jeito.

Ao longo dos anos em que esteve preso, Aaron Wallace viu a mulher trocá-lo pelo seu melhor amigo e a filha engravidar. Ainda assim, manteve o seu foco em formar-se em direito e ir ajudando os seus colegas de prisão, com o objectivo final de pedir um novo julgamento para si mesmo e provar a sua inocência, derrubando o responsável por tê-lo colocado lá dentro, e recuperando a família.

 

Sabemos que a vida na prisão não é fácil. Grupos rivais, rixas e, lá está, mais uma vez, interesses, podem ser um factor a favor, ou contra. Nem sempre a imparcialidade é bem vista, ou aceite. Algumas vezes, se não estamos do lado de alguém, então é porque estamos contra.

Depois, há todo um sistema paralelo, em que nem os guardas e os directores não gostam de se meter, ou interferir.

Os que se atrevem, angariam inimizades, e há sempre quem aguarde, na plateia, o momento em que cometam erros, em que caiam, em que fracassem, em que as circunstâncias os derrubem. Nem que seja preciso dar um empurrãozinho.

 

De qualquer forma, contra tudo e todos, umas vezes com sucesso, outras nem tanto, Wallace vai superando os desafios, as contrariedades, levantando-se depois das rasteiras que, volta e meia, o atiram ao chão, e seguindo rumo ao objectivo.

Para isso, conta com a ajuda de alguns colegas da prisão, da mulher, que ainda o ama, da filha, que quer ver o pai fora da cadeia, da directora da prisão, e de um antigo promotor público, agora seu mentor jurídico e amigo.

No entanto, há quem não tenha interesse em que Aaron consiga alcançar aquilo a que se propôs, e se empenhe ao máximo para mantê-lo para sempre atrás das grades. De cada vez que Aaron acende um fósforo, logo alguém se encarrega de apagá-lo.

Ainda assim, ele consegue mesmo acender a fogueira!

Só que, lá está. Nem tudo corre como queremos e, agora, Aaron terá de escolher entre manter a fogueira acesa, correndo o risco de queimar todos aqueles que ama, ou apagá-la ele mesmo, perdendo tudo aquilo pelo qual lutou, e resignando-se ao que sempre recusou.

O poder, por mais voltas que se dê, uma vez contra nós, sempre contra nós.

 

 

 

Ser diferente...

Ser diferente é não ser anormal - Há Lobo no Cais

 

As pessoas não estão habituadas ao que é diferente.

Estranham. Desconfiam. Receiam.

Mas também têm curiosidade.

E, com o tempo, tendem a seguir posições totalmente opostas ao que é diferente, e aos que são diferentes.

Ou se aproximam, na ânsia de satisfazer a curiosidade. E acham piada, tal como a tudo o que é novo, ou novidade.

Ou rejeitam. Desprezam. Ostracizam. Discriminam.

Podes tentar, de todas as formas, agradar. Tentar que te aceitem.

 

No entanto, a forma como te vêem não depende daquilo que faças, ou que digas.

Depende da cabeça, da mentalidade e da vontade de quem te vê.

 

Podes ter a sorte de, realmente, te aceitarem como és. De aceitarem a diferença.

Mas, na maioria das vezes, apenas toleram. Usam quando dá jeito, quando é conveniente.

Ou, então, nunca chegam a aceitar.

Porque o que é diferente, incomoda. É visto como uma ameaça. Uma ofensa.

Algo que não encaixa. Que não pode coexistir no mesmo meio, no mesmo espaço.

E que nunca será bem visto, nem aceite, pelos demais.

 

E, sabes que mais?

Não importa!

Não tens que ser igual. Não tens que ser o que os outros esperam de ti.

Se és diferente, tira partido dessa diferença. Usa-a a teu favor.

Esquece quem não tem a capacidade de perceber o que está a perder.

Quem não compreende que a diferença enriquece, acrescenta, complementa.

Não tira nada de ninguém.

 

É bom ser diferente.

Ainda que essa diferença incomode muita gente.

Gente que, no fundo, também gostaria de ser diferente.

Mas não se atreve. Não tem coragem de sê-lo.

 

 

Inspirado na série "Anne With an E".

 

El Cuaderno de Sara, na Netflix

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Uma advogada viaja até ao Congo para tentar descobrir a irmã, que todos julgavam morta, e trazê-la de volta a casa.

Esta sua missão poder-se-ia interpretar como um gesto de amor. 

Mas é também uma forma de Laura se desafiar a si mesma, e tentar provar, ao mesmo tempo, que é tão merecedora do amor do pai quanto a irmã e, por outro, que Sara é uma filha que não se importa minimamente com o pai, e prefere deixá-lo, para ajudar os outros.

Ainda assim, Laura ama a sua irmã. E, sendo quase tão corajosa quanto ela, arriscará a própria vida, para a encontrar.

 

O que ela não esperava, era ter que lidar com tudo o que vê e acontece à sua volta. 

As guerrilhas pela exploração das minas de coltan.

Rebeldes que raptam crianças para se tornarem soldados, muitas vezes, obrigando-os a matar os próprios pais. 

Meninas e mulheres violadas.

Muito sangue, pobreza, miséria.

A vida sempre por um fio.

 

E, no entanto, consegue também encontrar pessoas que ainda ali permanecem, para ajudar quem a qualquer momento possa precisar delas para acolher, proteger, orientar.

Ainda que se perceba que a esperança de um mundo melhor é inútil, e que nada irá mudar, o sentido de missão e dever ainda existe, e pode fazer a diferença, nem que seja para uma minoria, e por um curto período de tempo.

Pessoas que, mesmo quando quase tudo lhes é tirado, ainda conseguem ser bondosas, gentis.

 

Depois, há os que conseguem escapar, e não voltam, tentando recomeçar as suas vidas longe dali. E os que voltam, para se vingarem das pessoas que os transformaram para sempre naquilo que nunca quiseram ser, mas a isso foram obrigados. 

 

Nesta sua viagem, em que esteve algumas vezes em perigo, e quase desistiu de procurar a irmã, por achar que não aguentava mais, Laura chega, finalmente, perto da sua irmã.

Mas nem tudo é como ela imaginava.

Talvez Laura tenha ido e arriscado a sua vida, em vão. Por alguém que nunca quis sair dali. Ou que não pode sair dali.

Ou, talvez, Sara consiga mostrar a Laura o quão importante é estar ali, e abrir os olhos de todos para uma realidade tão distinta daquela a que as pessoas estão habituadas, e com a qual se poderão, agora, ver confrontados.

E para isso, contribuirá o caderno de Sara, onde o bom e o mau estão retratados.

 

Este é um filme sem o desejado final feliz, mas que me fez pensar que, por muito melhor que a minha vida pudesse ser, ao ver tudo o que se passa neste mundo em que vivemos, as atrocidades, as loucuras, as guerras, as disputas pelo poder, as mortes de tantos inocentes, as barbaridades cometidas, as violações dos direitos, a fome, a miséria, o abandono, a falta de condições mínimas, e por aí fora, só posso sentir-me uma pessoa privilegiada, por ter a vida que tenho, a família, o trabalho, e as condições que tenho, no país e localidade em que vivo!

Pessoas que gostam muito de falar mas não têm interesse em ouvir

A ADMIRÁVEL BELEZA DO "SABER OUVIR OS OUTROS" ~ O Texto no ...

 

Muitas vezes, as pessoas que se queixam que ninguém as ouve, são as mesmas que não mostram o mínimo interesse em ouvir os outros.

Diz o ditado que "temos duas orelhas e uma só boca, para falarmos menos, e ouvirmos mais". 

Por isso, não nos custará dar-lhes bom uso, e ouvir quando alguém precisa de um ouvinte, mais do que de um falante.

Mas, e se passarmos o tempo todo a ouvir, sem que os outros nos dêem espaço para, também nós, falarmos?

Será que vamos continuar a ouvir da mesma forma? Será a nossa atenção e disponibilidade a mesma?

 

Há pessoas que têm uma imensa necessidade de falar e, quando não existe a disponibilidade ou receptividade da outra parte que estas esperariam, muitas vezes queixam-se de que não têm quem as oiça. 

Mas será que essas mesmas pessoas já pararam para pensar que podem também não o estar a fazer com os outros?

Já pensaram se, também elas, mostram interesse em ouvir o que os outros têm a dizer, ou só estão focadas em falar?

 

E quando digo mostrar interesse, é mesmo verdadeiro interesse. Não é fazer aquelas duas ou três perguntas da praxe, que perguntam só por perguntar, e para que não digam que não querem saber para, logo em seguida, voltarem ao ataque, como se o que a outra pessoa disse fosse irrelevante, entrando por um ouvido e saindo por outro, quando comparado com o que têm a dizer.

Um pouco ao género "toma lá 5 minutos para não te queixares, mas o resto da hora é para mim, que o que eu tenho a dizer é mais importante"!

 

Pois...

Talvez, se fizessem essa pergunta a si mesmas " se estão a ouvir os outros na mesma medida em que querem ser ouvidas", falassem menos, e ouvissem mais também. 

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