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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Um fim de semana para esquecer

The Day I Closed a Ring Road & A Multi Storey Car Park - Laura's Lovely  Blog ♥

 

Começou logo bem, na sexta-feira à noite.

A ideia era aquecer antes de ir dormir

Roupa no aquecedor ou banho quente?

Banho quente. Que se tornou banho morno, quase frio.

Ainda saí da banheira para aumentar o esquentador, mas não resultou, e saí de lá com mais frio do que aquele que já tinha antes de entrar.

Com o marido, que entretanto chegou do trabalho, o mesmo.

Ou o gás estava congelado, ou a acabar.

 

Sábado, dia de compras do mês.

Acordei cedo. Apanhei fila no Lidl, tendo que esperar numa zona ventosa e fria, num dia já de si frio.

No Intermarché entrei sem problemas. Mas muita gente, e muitos encontrões. Muitas filas que evitei, pegando em produtos embalados para ser mais rápido.

O stress de sempre a tirar compras do carrinho, arrumar nos sacos, voltar a pôr no carrinho.

Uma dor de cabeça, do tempo que andei com a máscara, e da confusão.

 

Andei à procura de um termoventilador lá dentro. Não vi.

Só depois das compras pagas, e com um carrinho cheio, percebi que estavam cá fora. 

Além de estar perto da hora de confinamento, não me apeteceu voltar às caixas.

 

Chamei um táxi.

Os de sempre não deviam estar a trabalhar. Mandaram um colega. 

Sempre que mandam um colega é mais caro.

Uma viagem que costuma custar 4,50 a 5 euros, ficou em 5,80 euros. Não sei se são preços de ano novo.

 

Depois de tudo despachado em casa, e ainda com do de cabeça, sentei-me na sala, com as duas gatas ao colo. Parecia uma mãe de gémeos. Nem televisão, nem livros, nada.

 

À noite, chega a minha filha. Diz que passou o dia cheia de tosse. 

Querem ver que somos duas covideiras?!

 

Domingo chega e a minha dor de cabeça não passa. Tenho o nariz ferido de tanto pingar com o frio, e limpar.

A filha já não tem tosse.

Poupei o dinheiro do termoventilador porque o meu pai tinha um em casa que não usa, e deu-me.

Pouco passava das 21h, e o pensamento era deitar cedo e dormir bem para ver se a dor de cabeça passava.

Estava a lavar a loiça. 

Tinha o termoventilador e outro aquecedor ligados. O quadro dispara.

Desligo os aparelhos e um dos disjuntores não liga, fazendo disparar o geral.

Não temos luz.

Os telemóveis estavam todos com a bateria no mínimo.

 

Liguei para a EDP. 

Tempo de espera superior a 5 minutos. Que se converteram em mais de uma hora à espera para atenderem a chamada.

A minha filha enviou mensagem ao meu marido. Ele tentou ligar. Atenderam-lhe logo. Disseram-lhe que já falavam comigo. Nunca ligaram.

Entretanto, ao fim de mais de uma hora de nervos, a ver a bateria a descarregar, e a ouvir milhentas vezes a mesma mensagem, lá me atenderam. Voltei a fazer o que já tinha feito, sem sucesso.

Disseram que iam enviar uma equipa num prazo de até 4 horas.

Contas feitas, por volta das 2.30 da manhã.

 

No tempo livre, acabei por perceber que era a tomada do quarto da minha filha que tinha queimado, juntamente com a extensão.

Andei a desarredar móveis, para que os homens conseguissem passar.

A fazer o possível sem luz. A tentar poupar a pouca percentagem de bateria que restava. A tentar não adormecer, com a minha filha e as duas bichanas na cama, na escuridão, com várias mantas por cima.

 

3 da manhã, e ainda ninguém tinha aparecido.

Envio sms ao marido para ele tentar saber se ainda iam, ou se estava acordada em vão.

Disseram-lhe para me avisar para esperar até às 4.

Entretanto lá me ligam. Dizem que estão ao portão.

Vou até à rua. Não me dizem nada. Só os vejo de volta dos contadores que estão na rua, que até nem são meus!

Lá lhes digo que o meu contador está dentro de casa.

Um deles entra. Olha para o contador como eu, que sou leiga e não faço a mínima ideia de para que servem aqueles disjuntores e ligações. Ele diz que temos corrente nas tomadas. Ligo o frigorífico, e confirmo.

Mas não há luz.

Volto a mencionar-lhe a questão da tomada, que já tinha dito ao início. Lá se resolve a ir ver. 

E pronto, tomada fora, fios isolados e fez-se luz!

Agora é chamar o electricista, para tratar da tomada.

 

Nisto, deitei-me às 4 da manhã, para acordar às 06.20.

Mas não é que a dor de cabeça passou!

Novo confinamento geral: alguma (muita) coisa não está a resultar

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Estamos em Janeiro de 2021.

Desde que a pandemia atingiu Portugal, passaram-se 10 meses.

Na altura, em Março, com o confinamento geral para poupar o Serviço Nacional de Saúde, ficámos quase todos em casa.

Tudo era novo, e nem tudo funcionou da melhor forma.

Mas ficou a promessa de que, a vir a ser necessário, dali em diante estaríamos melhor preparados.

 

Não estamos!

Se possível, andamos ainda mais "às aranhas" do que antes.

O governo não teve tempo, nem meios, para reforçar os hospitais para as 2ª e terceira vagas que já sabiam, de antemão, que aí vinham?

O governo não teve tempo de fazer as devidas condições chegarem a todos os alunos para a eventualidade do ensino à distância ter que ser retomado?

Teve.

Mas não o fez.

Onde andam os hospitais de campanha, que estavam a postos nessa altura? Onde andam os médicos que iam contratar?

Onde andam os computadores e meios informáticos para os alunos que não os têm?

 

Porque, à semelhança do que previam, há um ano atrás, de que o vírus nem deveria cá chegar, acharam que a 2ª vaga, prevista para o Outono, só chegaria mais perto do Inverno. E que a 3ª vaga só viria quando? Para o Carnaval?

O que se vê, é que, ao contrário das réplicas que se seguem ao sismo principal, que são mais fracas, cada vaga da pandemia que enfrentamos é pior que a anterior.

A Covid-19 é uma inimiga que tem estado sempre vários passos à nossa frente, e não há forma de ultrapassá-la, quando nem perto dela conseguimos chegar.

 

Nos outros países não será diferente. 

As medidas têm sido semelhantes. Talvez mais apertadas que as nossas.

Mas os números portugueses estão a chegar perto dos de outros países e, com sorte, ainda os passamos.

 

Agora, aquilo que não podia voltar a acontecer, vai mesmo acontecer: novo confinamento geral!

Com excepções, claro!

Pagam os mesmos de sempre. Perdem os mesmos de sempre. Ganham os mesmos de sempre.

Porque duvido que seja num cabeleireiro, num restaurante, numa pequena loja de vestuário, ou outros do género, que surgem estes números assustores de infectados.

Acredito mais nos convívivio familiares, nos ajuntamentos (alguns provocados pelas próprias medidas), nas pessoas que vejo muitas vezes em pequenos grupos, na conversa na rua, sem máscara e sem distanciamento.

 

As escolas? Essas não fecham! Claro que não!

Porque aí é o sítio mais seguro para se estar.

Que é como quem diz: "não estamos preparados para retomar o ensino à distância porque nada mudou desde o desenrascanso do ano passado e continuaria a haver desigualdades", e "não há dinheiro para pagar aos pais que fiquem com os filhos em casa".

Por isso, bora lá mandar as crianças para a escola, onde até têm aulas com portas e janelas abertas, com o frio que está como há muito não se via no país e que pode agravar os sintomas de eventuais infectados, ou provocar outras doenças tão ou mais graves que a Covid-19.

Bora lá mandar as crianças apanhar transportes, onde até nem se juntam os alunos nas paragens.

Ou então, vão os pais levá-los, quebrando o confinamento para esse efeito.

Ah e tal, os jovens mesmo infectados apresentam sintomas leves. Certo. Mas transmitem. E se apanharem, vão transmitir aos pais, que estão em confinamento. Os que estão. Porque se forem filhos de pais que não são abrangidos pelo confinamento, lá vão os pais para o trabalho ajudar a transmitir por mais umas quantas pessoas.

 

Fechar as escolas não é um cenário de sonho, e definitivamente não é a melhor forma de ensino.

Mas, então, que tal testar os jovens, auxiliares e professores antes do início das aulas?

Que tal testar periodicamente para tentar contar as cadeias que aí surgem?

Primeiro, se um aluno estivesse infectado, ia a turma toda para casa. Depois, já não. Ia só o infectado. Agora, parece que já vai tudo outra vez.

 

E as eleições?!

Nem pensar em adiá-las!

Nesse dia há liberdade para todos. Para votar, claro!

E aproveitar para rever os familiares e amigos, e trocar dois dedos de conversa com conhecidos.

Por conta das eleições, até os idosos nos lares terão direito a visitas. Não dos familiares, que não vêem há meses, mas de equipas especialmente enviadas para recolher os votos.

 

Mas atenção, os portugueses também são responsáveis.

Porque não se faz pão sem farinha, nem omeleta sem ovos e, por muito que tudo o resto funcione, de nada adiantará se continuarmos a achar que só acontece aos outros, que é tudo uma invenção, e não cumprirmos com regras e medidas básicas, que não deveria ser preciso nenhum governo impôr.

 

Avizinham-se tempos duros pela frente...

Para quem achava que 2021 não poderia ser pior que 2020, começamos com "dois pés esquerdos".

 

Imagem: radiovaledominho