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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Manhã calma em Mafra

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Hoje está uma manhã calma, em Mafra.

Calma, e suave. Leve.

 

Está vento, mas não aquele vendaval dos últimos dias.

O céu está num tom azul clarinho, com algumas nuvens esbatidas aqui e ali.

Vêem-se muitos pássaros no céu, a voar de uma lado para o outro, em alegre dança.

 

Mafra está tranquila, a adivinhar o feriado que aí vem, e fazer esquecer que hoje ainda é dia de trabalho. E de aulas.

Olho à minha volta, e faz-me lembrar aquelas vilas dos desenhos animados, dos filmes ou dos livros.

Uma vila familiar. Com poucos habitantes.

 

Onde o dia ainda está a começar a despertar, e não teve início a azáfama das horas seguintes.

E onde não se vê aquele comboio de carros que circula, lentamente, pela estrada, em hora de ponta matinal.

 

Olho à minha volta, e sinto uma boa energia.

Um pressentimento de que será um bom dia. 

E que nada, nem ninguém, o irá estragar, venha o que vier.

Mas, de preferência, que não venha!

 

Vidas de Papel, na Netflix

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Vidas de Papel...

Umas, mais resistentes.

Outras, mais frágeis.

Tal como papel.

 

Papel que se rasga, sem querer.

Que se desfaz, se não se tiver cuidado.

Tal como a vida.

 

Vidas de Papel...

Que são arrastadas, pelas circunstâncias, para longe. 

Que são roubadas, levadas para outras paragens.

Tal como o papel.

 

Papel que encerra histórias, memórias, vivências, segredos.

Papel que se guarda. Ou que se deita fora, como se nada valesse.

Papel que ora se amachuca, ora se tenta endireitar.

Tal como a vida.

 

Poderiam ser "Vidas de Papel", porque os protagonistas ganham a sua vida a apanhar papel e cartão.

Mas é muito mais do que isso!

 

Mehmet vive num bairro degradado de Istambul, onde é o responsável por uma espécie de trabalho de recolha e reciclagem de lixo, nomeadamente, papel. 

É assim que ele dá trabalho a muitas crianças e adolescentes sem abrigo. Mas também os vai ajudando de outras formas.

Mehmet é um ser humano com um grande coração, mas com um rim em falência e, se não for transplantado brevemente, poderá morrer.

 

Certo dia, aparece-lhe, dentro de um dos sacos da apanha de papel, um menino de 8 anos, Ali. Ali surge como uma criança traumatizada, vítima de violência, assustada com tudo e todos mas que, aos poucos, vai confiando em Mehmet.

E Mehmet afeiçoa-se, de tal forma, a Ali, que será capaz de dar a vida por ele.

Porque também ele sabe o que Ali está a viver.

Porque também ele já foi uma criança de rua, abandonada, violentada.

 

O filme vai alternando entre momentos cómicos, divertidos e alegres, e outros mais tristes, mais violentos, mais revoltantes.

E é, apenas, quando chegamos ao fim, que percebemos tudo o que acabámos de ver.

Que percebemos o quão frágil a vida de um ser humano pode ser, e o quanto ela se pode esvair, tal como aquela fotografia, que lhe caiu da mão, e foi levada pela água da chuva, até não mais existir...