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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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Control Z, na Netflix

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Control Z, ao contrário do que o nome poderia sugerir, é uma série em que quase todos, se não todos, os seus protagonistas, se começam a descontrolar logo no início, e torna-se difícil colocar um travão nesse descontrolo gerado, não só pela própria personalidade, e pelo seu passado, como pela ameaça de ver os seus segredos revelados, ou desejo de vingança, por parte daqueles que já foram vítimas de um hacker, que os expôs.

 

Da série, o que se poderá concluir é que vivemos numa época em que a geração Z, os adolescentes e mesmo alguns adultos da actualidade, não são, de forma alguma, aquilo que desejaríamos, ou esperaríamos, para que se anteveja um futuro promissor.

São jovens desequilibrados, com muito preconceito, com muita repressão transformada em ataques gratuitos a quem representa aquilo com que, no fundo, também se identificam, mas que não é bem visto e, por isso abominam.

São jovens problemáticos, que vivem de aparências, no mundo de fachada e fingimento, de comportamentos irresponsáveis e inconsequentes.

Jovens a quem lhes falta coragem, maturidade, honestidade.

 

Acredito que existam muitos jovens assim. Mas também acredito que poderiam ter mostrado o outro lado da juventude, oposto a este, que também é real.

 

Sofia é uma jovem extrememente observadora, com grande dificuldade (ou pouco interesse) em fazer amigos na escola para onde foi estudar.

Uma escola onde há de tudo um pouco, incluindo um director que não tem qualquer habilidade ou competência para lidar com os jovens, nem resolver os problemas destes.

 

Javier é um jovem que chega à escola, onde não conhece ninguém, e logo se aproxima de Sofia. Percebe-se que houve algo que se passou e sobre o qual ele não se sente confortável mas, verdade seja dita, ali naquela escola, toda a gente tem segredos. Uns mais obscuros que outros, e que podem provocar mais estragos, se forem revelados. 

 

E é isso que um hacker se propõe fazer. 

Para tal, ele começa por comunicar com alguns dos jovens, numa espécie de jogo ou chantagem em que, para não verem o seu segredo revelado, têm que trair os seus colegas ou amigos.

Com as primeiras vítimas, e segredos colocados a nu, os ânimos exaltam-se, desfazem-se amizades, e o desejo de vingança aumenta.

Ninguém está a salvo, e há que descobrir o hacker, antes que ele chegue a mais alguém.

 

Sofia irá tentar desvendar o mistério mas será, também ela, uma das ameaçadas. Conseguirá ela travar o hacker? E qual será o real objectivo deste jogo doentio, com consequências que vão muito além da vida escolar e até familiar e que, em último caso, poderão mesmo conduzir à morte?

 

 

Conheça o elenco e os personagens de Control Z | Universo Estendido

 

Para mim, a personagem mais bem conseguida desta série, e também aquela que proporciona as cenas mais angustiantes e revoltantes, é Luis, uma vítima de bullying e homofobia que, ao se assumir como hacker, vai agravar ainda mais a sua situação no ambiente escolar, e fora dele.

Aqueles que sempre o perseguiam, só porque sim, têm agora um bom motivo para lhe dar uma lição. Só que, mais uma vez, as coisas descontrolam-se.

E se, em algumas situações, lhe valeu a ajuda de Sofia, e de Javier, para impedir o pior, essa ajuda pode agora não lhe valer.

 

Será preciso um choque, para estes jovens perceberem a gravidade da questão? Para pararem? Para mudarem?

Ou continuará a cobardia a fazer parte dos seus comportamentos?

Uma coisa é certa: nesta série, todos parecem cometer crimes, mas saírem impunes, como se nada se tivesse passado.

E, assim sendo, até onde está cada um deles disposto a ir, para esconder o seu segredo e, o hacker, para não deixar nenhum por revelar?

À boleia da (má) fama dos outros

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Por cada participante ou concorrente de um reality show, concurso, ou experiência social, ou até mesmo um qualquer convidado de um programa de televisão, surgem sempre aqueles "amigos", que gostam de apanhar boleia da situação.

 

Por cada pessoa que se atreve a conquistar o seu momento de fama, aparece logo quem também queira usufruir da fama dos outros, quem tenha sempre algo para dizer, quem se queira fazer notar, à custa dos outros.

 

A forma como o fazem, tanto pode ser pela positiva, como pela negativa.

Ou têm sempre algo de bom para dizer, que são melhores amigos, que conhecem melhor que ninguém. E defendem essas pessoas.

Ou, pelo contrário, falam para descredibilizar, para negar, para denegrir a imagem dos outros.

 

Enquanto andam ali no "lavar da roupa suja", no desvendar dos segredos mais secretos, ou no desfile dos maiores elogios, já a comunicação social lhes prestou a atenção que desejavam. 

Em alguns casos, acabam mesmo por conseguir mais fama, que aquela que alcançaram as pessoas de quem falam. 

 

Se a tartaruga conseguiu passar a lebre, também nós conseguiremos!

História Infantil A Lebre e a Tartaruga

 

Já te aconteceu parecer que correste como nunca e, mesmo assim, não ficaste bem classificado?

Parecer que tinhas feito o teu melhor trabalho de sempre e, no fim, foi apenas considerado “bom”?

Parecer que deste o teu melhor, mas esse melhor foi inferior ao que se esperava?

Que, escolhas o atalho que escolheres, há sempre alguém que te passa à frente?

Que qualquer que seja a ideia que tenhas, há sempre uma melhor que a tua?

Ou que até era a mesma, mas alguém pensou nela primeiro?

 

Por vezes, temos a sensação de que, façamos o que fizermos, nunca chegamos onde queremos chegar.

Que, por mais que nos esforcemos, esse esforço cai sempre em “saco roto”, nunca é suficiente, nunca é recompensado.

Que há sempre alguém mais à frente, que chega primeiro, que ocupa o lugar que queríamos para nós.

 

Eu sei que pode ser frustrante. Até, de certa forma, injusto.

Mas, se calhar, o objectivo nunca foi chegar à meta, por si só, em primeiro lugar, mas sim disfrutar de todo o caminho.

Se calhar, mais importante que alcançar o objectivo, é tudo aquilo que fazemos, aprendemos, em que nos empenhamos, para lá chegar.

Se calhar, a nossa meta nem sequer é aquela que imaginámos na nossa mente.

Ou, também pode acontecer, estarmos a tentar alcançar as metas erradas, e ainda não percebemos que, as que nos cabem, não estão ao fundo desse caminho que insistimos em percorrer.

Talvez tenhamos, algumas vezes, que mudar a direcção.

 

E, quem sabe, deixar de pensar e valorizar tanto naquilo que os outros conseguem, para nos focarmos mais naquilo que nós conseguimos, e valorizar os nossos feitos.

A desresponsabilização dos professores no ensino à distância

 

Porto Editora e Leya com acesso gratuito a plataformas de ensino à ...

 

Neste terceiro período, aquilo a que tenho vindo a assistir, no que respeita às aulas à distância e aos modelos de ensino adaptados pelos professores, traduz-se, em grande parte das disciplinas, em desresponsabilização.

Os professores livraram-se, convenientemente, de explicar a matéria, para deixar o estudo e aprendizagem da mesma por conta dos alunos.

São enviados powerpoints, vídeos, até aulas da telescola da RTP Madeira, e planos de estudo com as páginas do manual a ler, e os exercícios para fazer.

Depois, em caso de dúvidas, podem-nas retirar com os professores.

Apesar de haver aulas síncronas, estas servem, muitas vezes, para transmitir informações, esclarecer dúvidas, ou indicar mais trabalhos para fazer. Poucas vezes são uma aula minimamente normal.

 

Não é, de todo, a melhor forma de ensino e aprendizagem.

Mas é preciso que estudem, e que fique o essencial na cabeça. Não há tempo a perder, é preciso terminar os conteúdos deste ano até porque, no próximo ano, vão avançar para a matéria desse mesmo ano, e esta será considerada dada e concluída.

 

Acho que querem tanto ajudar os alunos (será que é isso que querem mesmo?), não dando o ano por perdido, e sem intenções de prolongar as aulas por mais uns meses, alterando todo o calendário escolar, que estão a acabar por prejudicar muitos deles.

Está a ser exigido, aos professores, que leccionem os conteúdos previstos num ano de ensino normal, o que os leva a ter que cumprir programas e, sob pressão, despejar a matéria em cima dos alunos, e trabalhos exagerados que nunca fariam numa situação normal.

Os alunos são “obrigados” a perceber as coisas por si mesmos, e pressionados a mostrar trabalho todos os dias.

Acredito que, desde que começou o ensino à distância, nem sequer resta tempo para os alunos relaxarem, terem momentos de pausa, estar com a família sem pensar em estudos.

A minha filha, antes com duas tardes e uma manhã livre, passa agora os dias entre aulas e trabalhos, incluindo fins de semana e feriados, em verdadeiras maratonas.

 

As dores de cabeça passaram a ser uma constante, porque um dia inteiro à volta do pc, manuais e exercícios, não dá saúde a ninguém.

 

E para quê?

Para no final do ano se limitarem a dar as mesmas notas que tiveram no segundo período?

Para, no próximo ano, perceberem que não estão minimamente preparados para avançar, porque ficou muito para trás, para explicar?

 

Por mais autonomia que possam ter, ou métodos de estudo, por algum motivo existem aulas presenciais. Se não, toda a gente estudava em casa e deixava de haver escolas abertas.

Por algum motivo são precisos professores, para ensinar.

Somos apenas um número

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Um número que dá jeito ter à mão, quando tem utilidade e serve os interesses de quem dele precisa, mas também, noutras ocasiões, um número a mais, que se pode facilmente dispensar. 

 

Um número que, num dia, faz a diferença, e contribui para um resultado extremamente positivo. Um número que faz todo o sentido manter, um número importante. E, no entanto, noutro dia, apesar de tudo, um número do qual é necessário abdicar. Porque não é indispensável à equação. Porque a conta faz-se na mesma, sem ele.

 

Por muito que, em determinados momentos, nos convençam, e nos convençamos, do nosso valor, visível quando tudo corre bem, a verdade é que seremos apenas um número, quando as situações assim o exigirem.

 

E o meu sobrinho, até aqui sempre elogiado pelo bom trabalho desempenhado, que a determinado momento esteve em vias se ser promovido, foi agora informado de que o seu contrato não irá ser renovado.

Não é que não seja bom no que faz. 

Simplesmente, revonar o contrato significaria tornar-se efectivo na empresa.

E, neste momento, com o sector parado, sem grandes perspectivas de que a receita venha a aumentar significativamente, a ordem é para trabalhar com o que é mais difícil dispensar, e dispensar todos aqueles que podem, enquanto podem.

 

É a Covid-19, a fazer a primeira "vítima" na família e a mostrar, como se nos pudessemos esquecer que, no fundo, somos apenas um número.

E, no entanto, somos tão mais que isso...