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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Chegou ao fim a terceira temporada de Quantico...

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...e soube a pouco!

13 episódios cheios de adrenalina, reviravoltas, descobertas, acção e surpresas, nem sempre boas.

Duas personagens novas entraram, para logo as fazerem sair a meio. Se foi um "mal necessário", ou apenas falta de relevãncia para a continuação da história, não sei.

Mas não dei pela sua falta, e a restante equipa seguiu em frente, até se centrar, nos últimos episódios, num único inimigo, aparentemente invencível, cheio de recursos, e sempre com uma cartada pronta, e um trunfo na manga.

"A Arte da Guerra" foi o livro em que este inimigo se inspirou para escapar sempre, e exercer os seus planos e vinganças.

É nessas jogadas que vamos ser levados até algumas personagens da temporada anterior, que nos vamos deparar com tráfico humano, com a morte daqueles que  são mais queridos a cada um dos membros da equipa.

 

No penúltimo episódio, quando pensamos que já nada pode acontecer, é lançada a última cartada, que nos leva de volta ao primeiro episódio desta temporada.

E ao início de tudo.

O final desta temporada deixa em aberto novas oportunidades, e novos recomeços, numa vida que, provavelmente, continuará a ser a mesma, com os riscos que implica, a combater os criminosos, como agentes do FBI.

 

Os momentos finais do episódio 13 são também dedicados ao amor.

Shelby diz a Alex que deve parar de fugir do amor, porque o amor é o melhor que se pode ter na vida.

Conseguirá Alex fazê-lo? Conseguirá Alex entregar-se ao amor, apesar do perigo que isso possa trazer àqueles que ama?

 

Quem acompanha a série sabe que Alex e Ryan sempre se amaram, até Alex desaparecer durante 3 anos, e tudo mudar.

Ryan casou com Shelby e, apesar de algumas dúvidas, parece que o amor deles é verdadeiro e recíproco, e que Alex pertence ao passado.

Por outro lado, Alex, após ter deixado Andrea para o proteger, parece estar a desenvolver uma relação com Mike. Mas... e se Andrea e Isabella voltarem a surgir na sua vida?

 

Confesso que, já que não irá haver uma quarta temporada, que dê continuidade ao que acabamos de ver, esperava o "final feliz", que não aconteceu.

Não gosto das coisas em aberto, suspensas. Não gosto do facto de "passarem a bola" ao espectador, para depreender o que aconteceu a seguir.

 

Para quem ainda não viu, posso apenas dizer que termina com um casal a iniciar uma relação, um dos membros da equipa numa cama de hospital depois de quase ter sido espancado até à morte, e uma personagem fundamental, que pode fazer a diferença na vida de outras duas, e ajudar a superar as perdas sofridas até ali.

E uma equipa, ou o que resta dela, unida até ao fim, pelo dever, e pela amizade.

 

Apesar do formato diferente desta terceira temporada, e de as audiências fracas não justificarem uma quarta temporada, gostei muito, e vou sentir falta de acompanhar, todas as semanas, a vida destes agentes formados em Quantico!

 

Os médicos podem/ devem mentir aos pacientes?

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Deve um paciente saber a verdade sobre a sua situação clínica, ainda que esse paciente seja apenas uma criança?

É legítimo os familiares de um paciente, pedirem a um médico que omita/ minta a esse mesmo paciente?

Quanto de altruísmo ou de egoísmo está presente nesse pedido?

 

Por vezes, tentamos proteger tanto, que não percebemos que aqueles que queremos proteger não vivem dentro de uma bolha, que não são parvos e sabem pensar por si, e perceber quando nos dizem a verdade ou nos mentem.

Por vezes, as nossas acções visam aquilo que achamos que é o melhor para os outros mas, no fundo, é aquilo que é o melhor para nós próprios.

 

"Ah e tal, não vai aguentar!", "Vai ser pior saber", "Se não souber, não sofre.".

 

Mas, quem somos nós para dizer o que os outros querem, o que vão pensar ou como vão reagir, decidindo por eles em algo que diz, acima de tudo, respeito a eles?

 

Coloco-me no lugar do paciente e, por mais que me custasse, iria querer sempre que me dissessem a verdade, nua e crua, do que fingirem que estava tudo bem, quando tudo e todos à minha volta agiam em sentido contrário às palavras, denunciando-os. 

Até porque o facto de omitirem só leva a que seja mais fácil, para eles próprios, lidar com o sofrimento deles. Se não virem o sofrimento dos outros, não sofrem ainda mais.

Estando eu doente, não tenho o direito de saber? Correndo riscos, não tenho o direito de ser informada? Estando com os dias contados, e a vida por um fio, não tenho direito a fazer a minha própria despedida, à minha maneira?

É eticamente correcto os médicos, a pedido de alguém ou por sua própria autoria, ocultarem a real situação clínica do paciente?

E quando transpomos isto para uma criança? Mudará alguma coisa? Ou continuará a ter os mesmos direitos?

 

Colocando-me no lugar de familiar, nomeadamente, mãe, quereria eu que a minha filha soubesse a verdade? Estaria ela preparada para isso? Saberia eu própria lidar com essa verdade, e com os eventuais estragos que ela pudesse fazer à minha filha? Ou pediria ao médico que lhe mentisse, tal como eu, para que ela continue a ter uma vida normal, sendo que nunca o será?

Lá está, mais uma vez, percebo que, não querendo que a verdade seja dita, estaria a aliviar-lhe os últimos momentos da sua vida mas, sobretudo, a aliviar-me a mim, enquanto mãe, de lidar com as frustrações, negações, conformismo, depressão da minha filha, a somar às minhas. Nesse sentido, é altruísmo para com a minha filha, ou egoísmo da minha parte?

 

Conseguiria eu levar a farsa até ao fim, sem me denunciar? É pouco provável e, como já referi, as crianças não são parvas. Acho que, em qualquer caso optaria, por mais difícil que fosse, pela verdade.

 

E enquanto médica? Posso eu mentir a um paciente, seja ele qual for, sobre o seu estado de saúde? Que os pais não tenham coragem, ou queiram esconder/ proteger, é com eles. Mas como profissional de saúde, como devo agir?

Com uma verdade esmagadora, ou com uma mentira piedosa?

 

Cada um tem que cometer os seus próprios erros...

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...pois só assim irá, também ele, aprender com os mesmos.

 

Muitas vezes damos por nós a aconselhar os outros, sobretudo aqueles que amamos, ou nos são próximos, a agir de determinada forma, ou a evitar certas coisas, comentários ou gestos, porque consideramos que serão um erro a evitar. Algumas vezes, dizemo-lo por intuição, por sexto sentido, ou sem qualquer motivo em concreto. Outras, porque nós mesmos o fizemos, e percebemos o erro que cometemos. Daí não querer que os outros caiam nesses mesmos erros. Daí querermos que eles ajam de forma diferente daquela que nós agimos como se, dessa forma, estivessemos a viver de novo a nossa vida, sem os erros que dela fazem parte, a corrigir os nosso próprios erros.

No entanto, por mais que queiramos proteger ou mudar o rumo daqueles que gostamos, não adianta tentar que eles não cometam erros. Porquê?

Porque nunca saberão que são erros, se não os fizerem. Para eles, vai ser sempre algo a experimentar, e algo de que estão certos ser o melhor, até que a vida lhes mostre o contrário. Por isso, só vão perceber que erraram, quando cometerem esses erros! Faz parte da vida.

 

A nós, resta-nos vê-los viver a vida, lutar da forma que acham melhor, mesmo que não seja a mais acertada, aconselhar mas sem impôr, estando presentes na hora em que tudo der certo mas, sobretudo, no momento em que eles perceberem que acabaram de cometer um erro.

 

Afinal, só não erra que não faz nada, e é com os erros que cometemos ao longo da vida que ganhamos ferramentas para enfrentar o futuro. 

E, muitas vezes, só descobrimos o melhor, depois de experimentar o pior.

Sobre a incoerência

 

Uma das coisas com que me vou deparando cada vez mais nesta vida, é com a incoerência. Principalmente, de algumas pessoas.

 

- Pessoas que se afirmam crentes e católicas, que não perdem uma missa, e depois, cá fora, na sua vida quotidiana, agem de forma totalmente contrária aquilo que era suposto;

 

- Pessoas que enchem o peito para se gabar de serem isto e aquilo, de serem diferentes dos outros, mas depois mostram gestos que as contradizem;

 

- Pessoas que criticam os demais por porem questões pessoais e interesses acima de uma causa mais nobre, mas depois fazem exactamente o mesmo que aqueles que criticaram;

 

- Pessoas que dizem gostar muito isto ou daquilo, que querem fazer de uma actividade a sua vida, mas quando surge o momento propício para colocar em prática, têm atitudes que em nada condizem com essa paixão tão grande que afirmam sentir;

 

E isto são apenas alguns exemplos. Poderia dar muitos mais.

 

Em contrapartida, do outro lado da balança, e porque ainda há gente coerente neste mundo, encontro muitas pessoas que preferem as acções às palavras. Que não precisam de falar muito para fazer valer os seus princípios. Que não precisam de apregoar aos quatro ventos o que fazem ou irão fazer, porque os seus gestos falam por si!

Como lidar com uma birra da filha em pleno centro comercial

 

Quando fui ao El Corte Inglés, deparei-me com uma cena pela qual eu própria muitas vezes passei, quando a minha filha era mais pequena, mas que me deixou incomodada pela forma como a mãe a tentou resolver.

Tínhamos acabado de chegar à cafetaria, para lanchar. Sentámo-nos, e oiço uma senhora ao nosso lado a reclamar porque uma menina com os seus 3/4 anos estava a gritar à tanto tempo, e a mãe não fazia nada. De facto, a menina estava a chorar desalmadamente, com uma birra enorme.

Ora, não é fácil para uma mãe estar num local público, com os seus filhos a fazerem birra para todos ouvirem, e saber que tem todos os olhos postos em si. Se ignora, é porque não faz nada, se lhe ralha, é porque devia falar de outra maneira, se lhe dá uma palmada, é porque é agressiva. 

E quanto mais a filha berra, e as pessoas se incomodam, mais a mãe se enerva e pior pode ser o resultado. Foi o caso. A mãe levanta-se da sua cadeira, pega na filha por um braço e, confiante porque ficava tapada com o armário, coloca a menina à força numa cadeira ou banco, não percebi bem, e tapa-lhe a boca com a mão para ninguém a ouvir.

Logo em seguida, talvez tenha caído em si, e largou a miúda que, passado uns minutos, acabou por se calar. E foi a família toda embora, como se nada tivesse acontecido.