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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O outro lado

 

“Todos, à minha volta, andam preocupados, cansados, stressados…todos, em meu redor, estão sem paciência, irritados, chateados…todos eles, alternam entre a tristeza e a alegria momentânea…todos me pedem o melhor de mim, todos querem o melhor para mim…compreendo isso…

Mas alguém sabe como eu me sinto? Já alguém se colocou no meu lugar? Já algum de vocês tentou imaginar o que vai dentro de mim?

Não sou a aluna nem a filha perfeita, mas de uma maneira geral, gosto da escola, da minha professora e dos meus colegas. Até daqueles que me chateiam, por vezes, a cabeça!

A grande maioria das vezes, custa-me levantar cedo para ir à escola. Algumas, não me apetece mesmo ir. É tão bom ter uns dias de férias para brincar e me divertir, para ver televisão ou simplesmente ficar em casa com a mãe!

Mas gosto de aprender, gosto das minhas actividades de inglês, gosto de brincar com as minhas amigas e dançar no recreio, ao som das mais variadas músicas!

Agora, assim de repente, tudo isso me foi tirado…Há mais de um mês que me vejo privada das brincadeiras, do convívio, da dança, da aprendizagem, de todas aquelas pessoas que faziam, igualmente, parte do meu dia-a-dia.

Todos os meus colegas estão lá, seguindo as suas vidas, e eu…eu, estou aqui fechada em casa, sozinha…não no verdadeiro sentido da palavra, mas é como me sinto…sinto que fiquei cá atrás, quando todos avançaram…sinto-me vazia…

Passar uns dias no hospital, embora não tenha sido mau, também não se pode considerar uma estadia de férias de verão num hotel. Andar de casa para o hospital, e do hospital para casa, não é propriamente o meu passeio favorito.

A minha mãe…eu sei que ela está a fazer um grande esforço para conciliar o trabalho dela, e ainda me ensinar, em casa, aquilo que os meus colegas estão a aprender na escola durante todo este tempo. Sei que ela não quer que eu saia prejudicada desta situação e que, por isso mesmo, é exigente comigo.

Mas eu também sou humana! Também tenho sentimentos! Também tenho o direito de me sentir triste, frustrada, desanimada, fragilizada…Também tenho o direito de gritar para todos que me deixem em paz e parem de fazer exigências…E também tenho o direito de chorar….Talvez assim me compreendam…talvez assim parem, e consigam olhar para o outro lado…o meu lado!”

A Experiência

“A experiência é como uma lanterna dependurada nas costas – apenas ilumina o caminho já percorrido”

CONFÚCIO

 

                       

 

Lembro-me de uma história que li uma vez, sobre duas moscas que caíram num copo de água. Uma delas, lutou desesperada para conseguir sair de lá mas, ao fim de pouco tempo, estava de tal forma cansada que acabou por não ter mais forças e afogou-se. A outra, mais ponderada, conseguiu com calma chegar até ao rebordo do copo e voou, salvando-se da morte certa. Uns tempos mais tarde, essa mesma mosca volta a cair num copo, desta feita mais alto. Uma outra, que observava a cena, tentou ajudá-la, sugerindo-lhe que se servisse da palhinha para subir. Mas a mosca, baseando-se na sua experiência adquirida da aventura anterior, resolveu agir como dessa vez, ignorando o conselho da sua amiga. E assim, acabou por ter um triste destino.

É certo que todos nós aprendemos alguma coisa com a experiência que, ao longo da nossa vida, vamos adquirindo. Mas isso não significa que estejamos totalmente preparados para o futuro, imunes ao que ele nos reserva, ou que tenhamos aprendido a lição completa.

À medida que vamos vivendo percebemos que, no caminho já percorrido, tivemos acções que se revelaram acertadas, cometemos erros que agora poderemos saber evitar, e adquirimos conhecimentos que até então não possuíamos.

Mas a vida é uma experiência contínua, uma aprendizagem permanente, e nem sempre aquilo que já sabemos pode ser aplicado no caminho que temos pela frente, e nas situações que se apresentem daí em diante.  

Por vezes, a vida troca-nos as voltas e, quando assim é, de nada vale a experiência adquirida perante uma visão completamente nova aos nossos olhos.

Aquilo que passámos ontem, e sabemos hoje, pode não ser suficiente nem apropriado para enfrentar o nosso amanhã!  

Por isso, é importante guardar essa experiência já adquirida como uma mais-valia, mas não permitir que ela nos limite ou impeça de agir de uma forma diferente num futuro ainda por desbravar!

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