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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia!

 

Há já alguns dias que andava a receber chamadas de um número que não conheço mas, assim que eu atendia, desligavam, ou a chamada caía.

Hoje ao almoço, tornei a receber uma chamada e atendi, mesmo com pressa para ir buscar a minha filha à escola, e chapéu de chuva aberto. Era um operador da MEO.

Queria propôr-me um novo tarifário, mais adequado às minhas necessidades e gastos habituais, tendo em conta uma análise aprofundada que teriam feito previamente à minha situação.

Neste momento, tenho o tarifário Link sem mensalidade, mas com carregamento obrigatório. Carrego com 10 euros de 20 em 20 dias, mas nem sempre gasto esse valor, porque a maior parte dos números para os quais ligo são gratuitos.

A MEO quer oferecer-me uma promoção especial, que não se encontra no site pelos valores oferecidos telefonicamente: o tarifário pós-pago Unlimited L Light, com uma mensalidade de apenas 10,99 por mês, e chamadas e sms grátis para todas as redes nacionais!

 

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Ou seja, tenho como vantagens:

- pagar apenas mais 1 euro, e o pagamento passar a ser mensal, em vez dos 20 dias actuais

- como é mensalidade, não acumula, mas não pagando chamadas nem sms para 96, 91, 93 ou rede fixa, não preciso de saldo no cartão

- o período de fidelização não me afecta, porque há anos que estou nesta operadora, e não pretendo mudar

- é certo que esta promoção só é válida durante 24 meses e que, nessa altura, se não me apresentarem outra proposta vantajosa, terei que mudar de tarifário mas, até lá, estarei a usufruir de uma grande promoção

- como tenho ainda saldo pertencente a este tarifário, vão descontá-lo nas primeiras facturas, pelo que vou ficar alguns meses sem pagar qualquer mensalidade 

- existem ainda outras ofertas inerentes a este tarifário, mas que não se aplicam no meu caso, porque o meu telemóvel é do mais básico que há.

 

Assim sendo, se esta proposta é tão vantajosa e me parece perfeita e de aproveitar, porque é que sinto que me está a escapar alguma coisa?

Porque é que tenho a sensação que, apesar de todas as perguntas e esclarecimentos do momento, há qualquer coisa por detrás desta oferta que posso não estar a ver?

Porque é que acho que, depois de aderir a este tarifário, me irei arrepender?

 

A verdade é que, quando a esmola é grande, o pobre desconfia. E eu estou hesitante em enviar a mensagem com o código para confirmação do serviço.

Alguém por aí foi contemplado com uma promoção semelhante? Já tiveram a experiência de usufruir deste tarifário? Será que estou a ver rasteiras onde não existem, ou esta pode mesmo ser uma publicidade enganosa?

A primeira visita a uma associação de animais

 

Nunca tinha entrado numa associação de protecção a animais, mas tinha uma ideia completamente diferente daquilo com que me deparei.

Estava à espera de encontrar uma responsável, que nos faria uma visita guiada pelas instalações, e nos mostraria os diferentes animais para adopção, contando um pouco da história de cada um deles, explicando como era, em termos de comportamento, cada um deles, e incentivando-nos a interagir com os mesmos.

Estava à espera de encontrar os animais numa espécie de "jaulas" grandes (não sei exactamente qual o termo certo), com espaço, como se fosse uma pequena casinha, dentro da casa grande.

Nada me preparou para o cenário que me surgiu pela frente.

Depois de alguns telefonemas para tentar encontrar a dita associação, lá demos com o edifício - uma casa de habitação, como outra qualquer, já com alguma idade.

Tocámos à campainha. Apesar de ainda há 2 minutos atrás termos dito que ali estávamos, perguntaram quem era.

Abriram-nos a porta, e tivemos que ficar encolhidos num quadrado minúsculo, para que a senhora pudesse fechar a porta da rua, e abrir então a outra, que nos dava acesso ao interior da habitação.

Assim que entramos, deparámo-nos com uma típica habitação, adaptada a gatil. Os gatos circulavam, de uma forma geral, livremente pela casa. Já havia lá outras famílias, também a visitar os bichanos com vista a adoção.

A senhora com quem tínhamos falado ao telefone, mostrou-nos então a gatinha que íamos ver. Estava dentro de uma espécie de gaiola, ainda que com uma abertura que dava para entrar e sair à vontade.

Disseram-nos para ficar à vontade.

Mas, acreditem, o que eu me senti ali menos foi "à vontade". Se não fizessemos perguntas, ninguém dizia nada. Uma das responsáveis, estava agarrada a uma das gatinhas (por sinal a mais mansa, mas que devido a uma grave operação ainda não pode ser adoptada), como se temesse que alguém lhe tocasse ou fizesse mal.

Mal nos podíamos mexer. Tentei pegar na gatinha que fomos ver, e assustou-se. Não queria colo. Aceitou algumas festinhas com pouca vontade. E não era nada parecida com a imagem que tínhamos visto. Tentámo-nos aproximar de outra, fugiu sem dar hipótese.

Depois, outra coisa que nos causou alguma impressão, foi o facto que todas as mais novas estarem com uma grande área lateral sem pelo. A responsável disse-nos que era da esterilização.

A Tica foi esterilizada e não a deixaram assim. O único sítio onde lhe raparam um pouco de pelo, e onde tinha o corte, era na barriga. Mas parece que é uma nova técnica, segundo disseram.

Estivemos lá 10 minutos, se tanto, não houve qualquer ligação especial aos animais, o ambiente era estranho e acabámos por sair dali.

Quando chegámos à rua, sentimo-nos aliviados! Como se nos tivesse saído um peso de cima.

É verdade que estas pessoas fazem o melhor que podem para salvar, e encontrar um lar para estes bichanos abandonados, e fazem-nos dentro das suas possibilidades e condições. Também é verdade que os gatos andam por ali à vontade, e parecem bem tratados. Mas pergunto-me se não seria mais saudável, ou viável, optar por famílias de acolhimento temporário. 

Depois desta primeira visita, e experiência (que precisávamos mesmo de fazer), ficámos com duas certezas:

- a primeira, de que tão depressa não queremos entrar noutras associações;

- a segunda, de que ainda não estava na hora de adoptar outra gatinha!

 

 

 

Porque nunca hei de participar num trail

 

Ultimamente tem vindo a ganhar bastantes adeptos, e parece que se tornou mesmo uma moda, paralelamente à corrida de estrada.

O meu marido, que costuma participar em algumas corridas, há muito desejava experimentar correr um trail.

E sobre isso, tenho uma opinião muito própria, que pode ser completamente absurda tendo em conta que se trata de uma competição, mas que para mim faz todo o sentido:

- o trail deveria ser algo para se participar em grupo (duplas ou equipas maiores), em que uns se ajudam aos outros e mantêm-se unidos, a ultrapassar os obstáculos e a derrubar barreiras, até à meta;

- o principal objectivo deveria ser a experiência, um momento diferente passado com amigos, um desafio a superar mas sem a preocupação ou pressão da vitória, ou de uma boa classificação;

- apesar de se escolher, propositadamente, terrenos acidentados, de difícil acesso e que exigem uma excelente forma física, e as condições serem totalmente diferentes de uma estrada de betão, ainda assim deveria haver mais segurança e mais meios à disposição dos participantes;

- quem quiser experimentar um trail, deve treinar antes para isso, e não se aventurar sem qualquer preparação;

- pode ser péssimo para quem, como eu, não tem o mínimo sentido de orientação, ainda mais se os meios disponíveis para orientação forem escassos ou nulos; 

- deveria haver alguém ligado à organização em pontos estratégicos do percurso;

- deveria ser fornecido aos participantes um contacto de emergência para o caso de alguma eventualidade;

 

É por tudo isto, que nunca hei de participar num trail! Além, claro, da minha pouca vontade de correr. 

Porque para mim não faz qualquer sentido ir cada um por si, preocupado com uma medalha ou prémio, e arriscar-se a ficar pelo caminho, sem qualquer recurso à disposição. 

Até pode ser um perfeito disparate o que estou para aqui a dizer, mas a mim não me apanham a subir montanhas, nem a atravessar rios, nem qualquer outra actividade radical ligada ao trail!

 

Ensinar - será esse o único papel de um professor?

 

As aulas começaram há poucos dias e a escola passa, novamente, a ser o local onde as crianças e jovens estudantes estarão a maior parte do seu tempo.

Para alguns, o regresso às aulas significa subir mais um degrau rumo ao seu futuro, rever velhas amizades, fazer novos amigos, voltar à rotina do cumprimento de horários, do estudo, dos exames, de todo um ritual do qual só se desprendem em tempo de férias.

Para outros, a escola pode ser encarada como um refúgio, que permite a muitos jovens afastarem-se, ainda que apenas por algumas horas, do meio em que vivem, das míseras condições, de conflitos familiares, podendo também ser a única possibilidade de, pelo menos, uma refeição decente.

No entanto, para muitas crianças e jovens, pode significar algo mais negativo. Dificuldades de adaptação, solidão, desigualdades sociais, e até mesmo episódios de violência e/ou bullying.

Em qualquer destes dois últimos casos, cabe, não só, mas, principalmente, aos diversos profissionais dos estabelecimentos de ensino, detetar os sinais que indiquem a existência de problemas, seja de que ordem forem, e agir em conformidade.

E, neste processo, o papel do professor é fundamental. Desengane-se quem pensa que a única função do professor é ensinar a matéria. Um professor é, ou deveria ser, muito mais que isso!

Acima de tudo, o professor deve ser alguém em quem as crianças ou jovens possam confiar, e a melhor forma de ganhar essa confiança é mostrando-se atento, disponível, amigo.

Sendo aquele que passa mais tempo com as crianças ou jovens, deve observar o seu comportamento, tentar detetar possíveis problemas ou dificuldades e, em conjunto com os restantes responsáveis, encontrar a melhor solução para os eliminar ou, pelo menos, atenuar.

Não são raros os casos de bullying, físico ou psicológico, que acontecem muitas vezes à vista de todos, sem que ninguém faça nada para o impedir, fingindo não ver, ou sequer admitir, que isso existe!

Não são raros os casos de vítimas de violência infantil e/ou abusos sexuais que passam despercebidas, se os professores não estiverem atentos a pequenos sinais ou comportamentos.

São frequentes os casos de crianças que nem sempre têm condições financeiras ou psicológicas que lhes permitam frequentar a escola nas mesmas circunstâncias que os demais.

Cada criança é única, diferente de todas as outras, com a sua própria história, personalidade, família e condições financeiras, físicas e psicológicas mas, ainda assim, não deixa de ser igual a todas as outras, com direito às mesmas oportunidades, à mesma dedicação e atenção, e à mesma segurança.

Como tal, a escola, em primeiro lugar, enquanto instituição, e os professores, em seguida, como profissionais de educação, bem como os restantes funcionários auxiliares de ação educativa, devem proporcionar o bem-estar e o desenvolvimento das crianças e jovens em clima de segurança afetiva e física dentro da instituição.

Mas, se for o caso, devem também averiguar junto das famílias desses jovens a existência de dificuldades ou problemas, colaborar com estas famílias na partilha de cuidados e responsabilidades no processo educativo e desenvolvimento pessoal dos jovens e, se necessário for, denunciar às entidades competentes possíveis situações de risco.

Afinal, quando um professor vai além do simples papel de ensinar, pode estar a mudar completamente o destino de uma criança ou jovem!

 

Texto escrito para a edição de Outubro da Blogazine

A discriminação já chegou aos gatos

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Num dos perfis que costumo visitar no facebook, deparei-me com este comentário, que acompanha umas fotografias de gatos a comer restos de comida que as pessoas deram para os alimentar:

 

"Enquanto existirem pessoas com a mentalidade destas, que colocam comida na via pública para os gatos, haverá sempre uma enorme colónia de gatos “vira latas” nas ruas de Mafra.

Até quando?"

Digam-me que eu não li bem o que aqui está escrito, porque não consigo acreditar que alguém tenha dito algo assim, sobre quem não tem culpa de ter vindo ao mundo e estar abandonado à sua sorte.

Não sei que a pessoa em causa estava a utilizar os gatos para acusar as pessoas, ou as pessoas para acusar os gatos mas, seja como for, foi um comentário triste e desnecessário.

Eu diria que, enquanto existirem pessoas com a mentalidade desta, que criticam aqueles que, não tendo nada a ver com o assunto, ainda assim exercem a sua bondade para com estes animais abandonados dando-lhes comida para que não morram à fome, continuará a haver discriminação, e gatos abandonados e maltratados nas ruas de Mafra.

Que alertem as pessoas que, ao alimentar estes gatos, tentem colocar a comida em recipientes para evitar que a comida fique espalhada pela rua, é uma coisa.

Que incentivem as pessoas a pegar num destes gatos, e ajudá-lo dando-lhe um tecto e melhores condições de vida, para que não corra perigos desnecessários na rua e se evite a procriação, é uma coisa.

Mas apelidar os pobres gatos de "vira latas", só porque não têm a sorte de ter tido uma família que os tratasse bem e lhes desse amor e carinho, é descer muito baixo. O que é que esses gatos têm a menos que aqueles que comem comidinha gourmet, que dormem refastelados numa cama quentinha, cujos donos os levam constantemente ao veterinário, e que são tratados como verdadeiros príncipes? A única coisa que têm a menos, é a oportunidade de uma vida melhor. Tal como acontece com as pessoas. Com os ricos e pobres. Mais nada.

Por isso, em vez de vir para as redes sociais criticar e dizer mal dos gatos de rua de Mafra, ocupem o vosso precioso tempo a lutar contra o abandono, os maus tratos, a discriminação, em medidas de protecção destes animais, e na busca de soluções válidas para o problema!

 

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