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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Ready or Not - O Ritual

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O filme tinha uma boa premissa:

Uma família louca, com uma estranha tradição de integrar os novos membros da família através de uma sessão de jogos de tabuleiro, e com uma crença vincada de que, se não cumprirem o ritual, morrerão.

 

Grace é a noiva, que de um modo subtil é aconselhada a não levar avante o casamento. No entanto, achando que é uma daquelas coisas que todos dizem aos noivos no dia do casamento, ignora, e casa-se com o herdeiro milionário da família.

Como manda a tradição, Grace é obrigada a participar, saindo-lhe a pior de todas as cartas. Agora, ela terá que jogar às escondidas, contra toda a família.

 

Os Le Domas têm até ao nascer do dia seguinte, para a matar, evitando a maldição que poderá cair sobre eles.

Grace, por sua vez, terá até ao nascer do dia para escapar com vida a todos os membros da família, ou morrerá.

 

 

A expectativa:

Ao longo do filme, assistimos a dois irmãos com atitudes distintas.

Alex, o noivo, que agora tenta ajudar a amada a escapar à tradição da família, afastou-se dessa mesma família porque não queria fazer parte destes jogos doentios e mortais, embora compreenda porque o fazem.

Já Daniel, cumpre a sua missão, embora não concordando e, sempre que possível, deixando para os outros os actos que ele não tem por que cometer, enquanto houver quem o faça por ele. 

São várias as vezes em que achamos que Daniel vai ceder, e ajudar a cunhada Grace. Será que ele vai mesmo fazê-lo, ou os laços de sangue, e a vontade de salvar a sua própria pele falará mais alto?

E Alex, conseguirá ele resistir à sua verdadeira natureza, ao legado que a família lhe está a transmitir?

 

 

A surpresa:

Grace dá luta do início ao fim, mas é apenas uma, contra todos.

Ainda assim, o filme reserva-nos duas surpresas, uma positiva e outra negativa. 

É a prova de que nem tudo o que parece, é.

 

 

A desilusão:

Quando se chega ao fim, o final é tão absurdo que acaba por ridicularizar e descredibilizar todo o filme.

E ficamos a pensar: "uau, que treta de filme"! 

Se era para acontecer o que aconteceu, mais valia fazê-lo com garra, com realidade, com luta, não com uma fantasia ultrapassada.

Tall Girl - o filme

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A maioria de nós temos tem algo de que não gosta em si mesmo.

Por vezes, são características insignificantes, que os outros quase não dão por elas.

Outras, são mais difíceis de ignorar, porque estão à vista, e não há como escondê-las ou disfarçá-las, como o ser alto, baixo, gordo, magro…

E são essas as que mais dores de cabeça dão, a quem as tem, não só pelos seus próprios complexos em relação à sua condição, como também pelos comentários depreciativos e bullying que vão sofrendo por parte de terceiros.

 

 

Tall Girl conta a história de uma rapariga alta. Não uma adolescente alta, mas demasiado alta para os padrões a que a sociedade está habituada. Ou para os mais baixos que com ela convivem!

 

Apenas dois dos seus amigos a tratam como igual, e a vêem pelo que ela realmente é. Tal como a sua irmã mais velha.

Os próprios pais (mais o pai, do que a mãe), mostram tanta preocupação pela condição da filha que, com a vontade e desejo de querer o melhor para ela e fazê-la sentir-se melhor, e fazê-los sentir-se melhor também, acabam por piorar ainda mais a situação, salientando a diferença, em vez de minimizá-la.

 

E se, a uma adolescente que já tem a autoestima em baixo, juntarmos pais super protectores, colegas de escola que fazem questão de mandar bocas, fazer piadas, e rebaixá-la, e um jovem sueco, por quem ela está apaixonada, mas que se quer tornar o ídolo da escola e namorar com a sua rival, temos o quadro perfeito para Jodi se esconder ainda mais dentro da sua concha, fazer coisas que não deve, e pôr em risco a amizade com aqueles que lhe querem bem.

Por vezes, é nos pequenos detalhes, nos quais não estamos focados, que conseguimos perceber quem realmente gosta de nós, ou quem nem sequer nos conhece de verdade.

 

 

Só Jodi poderá decidir se quer continuar a fugir, ou a aceitar e enfrentar a realidade, com segurança, confiança e liberdade para ser quem é, sem se preocupar com os preconceitos dos outros.

Até porque nunca sabemos se, do outro lado, apesar de tudo indicar o contrário, não estarão igualmente pessoas insatisfeitas consigo próprias.

Será que vai conseguir?

 

 

Por outro lado, os outros só irão olhar para nós com outros olhos quando, também nós, olharmos para nós mesmos com outro olhar.

Rapto sem Vilania, de Nelson Leal

 

Existem raptos sem vilania?!

Há raptores que sequestrem alguém com boas intenções?

Pode um rapto ser desculpado ou perdoado mediante determinadas circunstâncias? Existirão atenuantes? Haverá justificação suficiente para tal acto?

Não!

 

 

Num final de dia como outro qualquer, depois de Carla ter ido buscar a sua filha Jacinta à escola, e estarem as duas a caminho do McDonald's mais próximo, alguém lhes bate no carro.

Esta manobra mais não foi, que uma distracção, uma forma de as fazer sair do carro e levar a cabo o rapto de ambas.

O objectivo? Pedir dinheiro pelo resgate, ao marido de Carla e pai de Jacinta, um homem rico e poderoso. 

Mas porquê esta família?

Há um diário, pertencente à mãe de um dos raptores e mentor do plano, que irá esclarecer de onde este e João se conhecem, e qual a relação que os une.

 

 

Percebemos que João Carlos é um homem sem escrúpulos, mas chegará ao ponto de abandonar a sua mulher à sua sorte, não pagando qualquer resgate por ela?

Chegará ele ao ponto de afirmar, a meio deste pesadelo, que quer o divórcio, e reconstruir a sua vida ao lado da amante, fazendo a mulher passar por cúmplice do rapto?

 

 

O que faz uma mulher quando, no momento em que poderia ser libertada, se vê rejeitada pelo próprio marido? Não que ela gostasse muito dele, de qualquer forma. Irá Carla, ao estilo Mónica de la Casa de Papel, aliar-se ao inimigo?!

E a sua filha, como se sentirá ela, no meio de toda esta confusão?

 

 

Aquilo que mexeu mais comigo, tal como penso que mexe com qualquer mãe, é o facto de terem raptado uma criança.

No entanto, ao longo da história, vamos percebendo que ela foi a personagem a quem menos importância foi dada, relegando-a para segundo plano, como se tivesse sido apenas uma estadia não programada em casa de uns estranhos.

Já Carla, a mãe e mulher traída, ganha protagonismo à medida que a acção avança. Confesso que não gostei da atitude dela, de deixar a filha entregue ao pai e à amante, enquanto tentava resolver os seus problemas, e ajudar quem, na opinião dela, seria mais merecedor.

 

 

João Carlos pode ser um crápula, menino mimado, habituado a ter tudo o que quer, e a mandar em tudo e todos. Mas Carla também não é nenhuma santa ou puritana. Ela própria não sente amor pelo marido. Talvez nunca tenha sentido. Ainda assim, não se importou de casar com ele, pelo estatuto que lhe conferia. E de continuar com ele, mesmo sabendo da existência da amante.

 

 

A conclusão a que chego, depois de ler esta história é que, se há umas décadas atrás, era extremamente normal haver casamentos arranjados entre famílias, por questões de estatuto, títulos, conveniências, riqueza, ou tradição, na sua maioria, organizados pelos pais, contra a vontade e desejo dos filhos, hoje em dia, continua a haver casamentos por conveniência, mas por autoria e vontade dos próprios intervenientes!

O que será pior?

 

 

Rapto Sem Vilania é um livro que aborda a miséria de vida de uns, contrapondo à riqueza de outros, os negócios obscuros que se vão fazendo por aí, e que tornam os ricos ainda mais ricos, e os pobres ainda mais pobres, a vingança por uma vida que poderia ter sido muito diferente, e que foi roubada, o oportunismo e, até, o preço pelo qual cada um está disposto a vender-se, quando lhe é mais conveniente. 

 

 

 

Sinopse

“(Ela) refastelou-se num canto do sofá e cruzou as pernas, deixando adivinhar umas coxas curvilíneas e firmes. Com o cotovelo assente no antebraço esquerdo, fixou o olhar nos pequenos quadros abstratos de Júlio Pomar, Artur Bual e Cruzeiro Seixas.

- Quanto vais pagar pela Carla?

- Não sei… vou tentar negociar… talvez um milhão…

Ela pareceu sorrir, num esgar irónico e apontou vagamente o dedo para um quadro de Cruzeiro Seixas.

- Quanto deste por esta merda toda?

- Não sei… mais de um milhão, talvez.

- Então valem mais do que ela.”

 

 

Autor: Nelson Leal

Data de publicação: Julho de 2019

Número de páginas: 332

ISBN: 978-989-52-6242-7

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT

 

 

 

A Princesa do Índico, de Pedro Inocêncio

 

Tudo acontece por uma razão.

Na vida de Bahira, aconteceu Pedro. E vice-versa.

A razão?

Só mais tarde se viria a descobrir...

 

 

Pedro é filho de um dos homens mais poderosos e ricos de Portugal.

Ainda assim, tolheu o seu próprio caminho, contra tudo aquilo que o seu pai tinha planeado para si, tentando conquistar aquilo que ambiciona pelo seu próprio mérito e esforço, mantendo no anonimato a sua filiação.

Formou-se em jornalismo e, no dia em que tinha a sua grande oportunidade, foi apanhado no meio do caos de um atentado terrorista.

 

 

Bahira é uma jovem nativa das Maldivas. 

Uma mulher como outra qualquer, sonhadora, que vê a sua vida transformar-se de um momento para o outro quando é obrigada a trabalhar como escrava numa empresa da ilha, juntamente com os seus irmãos.

Até ao dia em que outra reviravolta lhe muda o ruma da sua história, e a coloca na Assembleia da República, o local do atentado, tornando-se uma das principais suspeitas.

 

 

Pedro é um homem justo, correcto, humano, mas nada o prepararia para uma realidade que, muitas vezes, é ocultada à maioria daqueles a observam de longe, com muitos filtros pelo meio, e com uma imagem distorcida que lhes é atirada para os olhos.

Ainda que saiba que os ricos e poderosos tudo podem, tudo escondem, tudo abafam, e que o seu dinheiro serve, muitas vezes, para comprar o silêncio, para subornar, para enredar, ou para decidir a vida dos outros consoante os seus caprichos, é difícil compreender quando isso acontece pela mão da própria família.

Será contra tudo e contra todos, incluindo o seu pai, por um mundo mais justo e igualitário, pela defesa dos direitos humanos dos que mais precisam, que Pedro se irá insurgir e lutar.

 

 

Já do lado de Bahira, há segredos por desvendar que a levarão a ter que lidar com uma grande revolução, com aquilo que foi, que é, e no que se poderá vir a tornar, quando a verdade vier à tona.

Irmã de Abdul, membro do Estado Islâmico, e de Nasim, até que ponto estará ela envolvida no atentado que colocou Pedro, o seu namorado, e a ela própria, em risco de não sair dali com vida?

 

 

Mais do que o romance, o que mais me chamou a atenção neste livro são mesmo as questões com as quais nos deparamos no dia a dia.

A forma como os nossos preconceitos nos levam, de imediato, a suspeitar dos muçulmanos que encontramos no nosso caminho (e outras raças igualmente) e a culpá-los dos males que aconteceram, condenando-os ainda antes de se apurar a verdade.

A forma como, muitas vezes, nos fingimos de cegos, surdos e mudos, para não termos problemas, para não nos chatearmos, porque são coisas que não nos dizem directamente respeito, ou evitamos envolver-nos pelas consequências que daí poderão advir. E, mais do que a inação, que acaba por se traduzir em consentimento passivo, por vezes contribuímos mesmo de forma activa para muitas das problemáticas sociais que existem por aí.

A forma como, na generalidade, tratam as pessoas com desdenho ou indiferença, de forma mais agressiva ou até abusadora enquanto desconhecem a sua identidade, e tudo muda a partir do momento em que percebem que estão a lidar com alguém com poder.   

A forma como se compram e vendem pessoas, como se de um objecto ou mera mercadoria se tratassem.

A forma como, em pleno século XXI, ainda se acredita que a escravidão é o melhor método para garantir produtividade, rentabilidade, e lucro acrescido.

A forma como a ambição desmedida pode transformar as pessoas em verdadeiros monstros, sem dó nem piedade.

A forma como o fanatismo e a sede de vingança podem transformar as pessoas em armas mortíferas, que não medem as consequências dos seus actos terroristas e suicidas.

 

Um livro que aconselho, sem dúvida!

 

 

 

Sinopse

"Um atentado bombista à Assembleia da República, em Portugal, desperta o país para a realidade do terrorismo em grande escala! Ávidas de encontrarem culpados, as autoridades mundiais apontam as suas baterias para três irmãos muçulmanos: Bahira, Abdul e Nasim. Como pode este crime estar relacionado com o amor vivido entre Pedro Tomás da Costa, herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo, e Bahira Kadeen, uma bela muçulmana, que trabalha em regime de escravidão, numa das fábricas da família Da Costa?

Quando o magnata António Tomás da Costa decide investir nas Maldivas, convida o seu filho para o acompanhar. António construiu a sua colossal fortuna através do êxito planetário de uma bebida energética chamada Su-Cola. Mas, a sua extraordinária visão empresarial é camuflada por uma implacável falta de caráter e crueldade impiedosa para com os seus trabalhadores. Pedro jamais poderia suspeitar que aquela viagem iria mudar a sua vida e inspirar uma Revolução!

O amor improvável entre Pedro e Bahira será a centelha de luz e inspiração vulcânica para uma mudança que se impõe no mundo!

A Princesa do Índico é um extraordinário romance, que embalará o leitor entre o quadro idílico de um oceano prateado e a imagem incómoda da escravidão em massa..."

 

A Princesa do Índico

Autor: Pedro Inocêncio

Data de publicação: Agosto de 2019

Número de páginas: 660

ISBN: 978-989-52-6263-2

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT

 

 

Finalmente vi "Assim Nasce Uma Estrela"!

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E não achei o filme nada de especial.

 

 

Uma estrela é um corpo celeste que tem luz própria, que se pode manter viva (sem explodir) por trilhões de anos. No entanto, morrerá um dia, após gastar o seu combustível...

 

 

Também assim são as "estrelas" que surgem neste mundo, nas mais variadas áreas como, neste caso, na música.

Tal como Ally, podem nascer de forma inesperada, surpreendente, avassaladora. Podem ter os seus anos de estrelato, glória, fama, sucesso. Se tiverem bem acompanhadas, apoiadas, e com a cabeça no lugar, podem perdurar no tempo.

Caso contrário, depressa estas "estrelas" queimam todo o seu combustível, começam a decair, e morrem, literal ou metaforicamente.

 

 

Ally é o exemplo de que, muitas vezes, é no talento que está a chave para se ser notado por alguém mas, para que possa ser uma "verdadeira estrela", a pessoa é "obrigada" a perder a sua essência, a mascarar-se, a criar uma personagem, a mudar, a tornar-se num produto que vende. Por vezes, isso acontece de forma subtil. Outras, de tal forma vincado que acaba por funcionar contra a pessoa, uma vez que não foi por aquilo que as pessoas gostaram dela.

 

 

Jack, por sua vez, é o exemplo do que a fama, a pressão, a concorrência, a falta de inspiração ou até, problemas de saúde, podem fazer a uma estrela, que se passa a refugiar no álcool e nas drogas, para se aguentar, no palco, e na vida. 

E nem o amor poderá ser suficiente para impedir que o pior aconteça, quando a pessoa que amam representa aquilo que um dia foram, e não voltarão jamais a ser. Quando um deles está a ascender, enquanto o outro está em queda livre.

Quando a vontade de deixar a pessoa que amam, livre, é mais forte que a mão que tenta segurar o outro, para impedi-lo de cair.

 

 

À excepção das músicas, que fazem valer a pena ver o filme, e da oportunidade de ver a Lady Gaga como actriz, sem aquele aspecto a que estamos habituados, diria até, em algumas cenas "de cara lavada", mostrando-nos o quanto ser natural pode torná-la mais bonita (tem uns olhos lindos), a história em si é mais uma, igual a tantas outras que já vimos em filmes e, até, na vida real. 

 

 

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