Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Festas de pijama

 

A minha filha já foi, por duas ou três vezes, convidada para festas de pijama em casa de colegas da escola. Não a deixei ir.

Porque ainda é muito nova e tem muito tempo pela frente para dormir fora de casa, porque as colegas moram longe e não tenho como levá-la nem buscá-la (a não ser que o marido esteja de folga), porque não conheço bem os pais das colegas e tenho receio, enfim, são algumas das "desculpas" que lhe dou, e a mim mesma, para não a autorizar a ir às festas.

Na semana passada, recebeu um novo convite, desta vez da menina que conheceu na praia neste verão. E, sorte a minha, calhava na noite que ela ia passar com o pai. Não precisei de uma desculpa.

Mas se assim não fosse, mais uma vez os meus receios falariam mais alto. Se nunca a deixei ir a uma festa de pijama com colegas da escola com quem convive há cerca de 4 anos, e cujos pais, ainda que muito mal, conheço, como poderia deixar a minha filha passar a noite em casa de pessoas que vi meia dúzia de vezes na praia? Ainda por cima, a mãe da menina é escocesa e, inconscientemente, veio-me à memória o desaparecimento da Maddie. E junto a isso, as notícias que todos os dias nos chegam, de crianças abusadas por vizinhos, por amigos da família, por pessoas que nunca pensaríamos.

Claro que o perigo pode estar em qualquer lado, e não posso, simplesmente, fechar a minha filha numa redoma para que não lhe aconteça nada de mal.

Por isso, resolvemos fazer uma visita à menina no passado fim-de-semana. Só lá estava a mãe. O pai trabalha até tarde. Depois de conversarmos um bocadinho, deixámos a Inês lá durante cerca de uma hora, para brincarem as duas. Correu bem e a Inês gostou. E eu fiquei um bocadinho menos receosa, e a ponderar dar uma resposta positiva da próxima vez que a convidarem.

Os sentimentos têm peso e medida?

 

"Quando se gosta de alguém não há desculpas. Quando se gosta de alguém, não há nada mais importante do que essa outra pessoa. Não há mensagem que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estávamos a passar num sítio sem rede, porque a amiga não nos deu o recado, porque não estavámos em casa. Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram e não respondemos só no final do dia, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos." 

 

 

Como saber se alguém gosta de nós? E como medi-lo?

Será que isso é possível?

Quando se gosta de alguém, não há desculpas, é verdade. Mas também é verdade que não precisamos delas, porque pode e há, por vezes, factos reais que podem, em determinados momentos, limitar ou impedir as nossas acções.

É mais que natural que haja mensagens por abrir, porque no momento em que foram enviadas não as vimos. Podíamos nem estar ao pé do telemóvel, podia estar sem som, podíamos estar ocupados com outras coisas. Podemos até ter ficado mesmo sem bateria (normalmente isso acontece sempre quando mais precisamos). E, além disso, a nossa vida não se resume a um telemóvel.

E quem diz ao telemóvel, diz ao telefone ou à campainha. Porque, simplesmente, não somos obrigados a estar em casa, ou a estar em alerta, sempre à espera que alguma coisa aconteça, que alguém precise de nós, que alguém nos chame. Se o fizéssemos, não estaríamos a levar uma vida normal.

Quando gostamos de alguém, essas pessoas são realmente muito importantes para nós, mas será que não deverá haver nada mais importante que elas?

Tenho uma filha, tenho os meus pais, o meu irmão, os meus sobrinhos, o meu namorado...amo-os a todos, e são as pessoas mais importantes da minha vida. Mas, ainda assim, não posso viver a minha vida, única e exclusivamente, em função deles.

Quando queremos, e podemos, estar juntos, não existem desculpas. Nem precisamos delas!

Durante a semana, só estou com a minha filha de manhã e à noite, ora a prepará-la para ir para a escola, ora a prepará-la para ir para a cama. Será isso uma desculpa? Não, é uma realidade! Mas posso estar com ela com maior qualidade ao fim de semana e, por isso, faço-o.

O meu namorado trabalha de noite, eu de dia. Durante a semana muito difícilmente nos podemos ver. Como moramos longe, fica dispendioso andar de um lado para o outro. Será isso uma desculpa? Não, é a realidade! Mas quando temos um fim de semana e condições financeiras, estamos juntos!

O meu pai precisava de falar comigo, ligou-me, mas eu só vi a chamada perdida mais tarde, quando peguei no telemóvel. Será mais uma desculpa? Claro que não, se tivesse dado por isso, atendia!

Uma amiga pergunta-me se me posso encontrar com ela num determinado dia, mas eu já tinha outra coisa combinada. Será que estou a utilizar esse facto como desculpa? Penso que não, é um facto! Resta-me decidir racionalmente se não haverá problema em desmarcar o que estava programado, em virtude da necessidade da minha amiga.

Ainda assim, penso que, acima de tudo, não podemos atender a todas as solicitações que nos chegam, anulando-nos a nós próprios.

É com enorme prazer, satisfação, amor, carinho e dedicação que, quando realmente gostamos das pessoas, tentamos sempre estar lá para eles quando mais precisam. Mas convém que estejamos cá, também, para nós! 

Quanto à forma como demonstramos aquilo que sentimos, cada pessoa tem a sua maneira de o fazer. Muitas vezes não é aquela que gostaríamos, nem tão pouco aquela que nós usamos. Mas será que, quando se gosta, mesmo mostrando-o de diferentes formas, não o estamos a mostrar na mesma?

Perante uma determinada realidade, situação, facto, adversidade ou acontecimento, podem haver diversas reacções. 

É como se nos apresentassem uma meta, à qual podemos chegar por diferentes caminhos - uns escolhem o mais longo, outros o mais curto, uns escolhem o mais direito, outros o que tem mais curvas, mas no fim, todos lá chegam!

O amor é assim! A amizade é assim! Qualquer sentimento é assim! Mas, quando é verdadeiro, conseguimos transmiti-lo, e as pessoas sentem-no!

Quem nos conhece bem, sabe a forma própria que temos de demonstrar aquilo que sentimos. Conhece bem o valor dos nossos sentimentos!

E não terá motivos para duvidar deles!