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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Porque deixamos que os outros condicionem o nosso comportamento?

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A propósito deste post, e de uma questão que foi abordada num seminário sobre parentalidade positiva, a que assisti há pouco tempo:

 

Porque condicionamos o nosso comportamento em relação aos nossos filhos, na presença ou perante o olhar de terceiros?

Porque nos preocupamos tanto com o que os outros possam pensar ou dizer?

 

No que respeita à minha filha, sempre tentei agir de acordo com aquilo que eu penso ser o melhor, e não segundo o que os outros achariam que deveria fazer. Como eu costumo dizer, da minha filha cuido eu. É muito fácil dar conselhos ou sugestões, quando não se está por dentro das situações, quando se analisa à distância, de fora. É muito fácil criticar a forma como agimos, enquanto pais. E a única coisa que eu respondo é: quando estiverem na mesma situação, voltamos a falar!

 

E sempre tentei não dar importância àquilo que os outros pensam ou possam dizer da forma como educo a minha filha, principalmente aquelas pessoas que se metem só porque sim, sem qualquer verdadeira intenção de ajudar, mas apenas de se meterem na vida dos outros, à falta de vida própria e melhor coisa para fazer.

 

Mas a verdade é que, hoje em dia, somos obrigados a condicionar o nosso comportamento, somos obrigados a pensar duas vezes, porque esses terceiros podem, de facto, prejudicar-nos.

 

E dou-vos um exemplo muito simples: a minha filha, quando era pequena, ficava com a minha mãe. Volta e meia, fazia birras e desafiava-a, e a minha mãe gritava com ela. Soube mais tarde, já não me lembro como, que uma vizinha esteve para fazer queixa da minha mãe, por suspeitar de maus tratos! 

 

Dizia uma mãe, nesse seminário, e eu confirmo, que hoje em dia, os pais preferem fazer a vontade aos filhos, para eles pararem a birra e deixarem de ter cem olhos postos neles, à espera de os ver arrastar a pobre criança, do primeiro grito, ou da primeira palmada, para os recriminar ou denunciar. 

E sei de casos em que essas queixas resultaram em sinalização, e visitas de assistentes sociais (pena que não actuem em situações onde realmente fazia falta).

 

Ninguém nasce ensinado, os filhos não vêem com manual de instruções, os pais não são sábios que detêm toda a arte da educação. Acaba por ser uma constante aprendizagem, em que temos que ir experimentando várias formas, para perceber aquela que mais resulta, para o bem de todos.

 

Sim, já houve momentos em que simplesmente me rendi e fiz as vontades, para não me chatear e não ter um hipermercado inteiro a olhar para nós. E momentos em que não me importei minimamente com os outros, e fiz o que tinha que fazer. E sim,também já houve momentos em que dei umas boas palmadas, em que gritei, em que conversei, em que agi da forma correcta, e em que agi de forma errada. De qualquer forma, acabamos sempre por ser "presos por ter cão e por não ter". 

 

Também já assisti a uma cena em que uma mãe deu umas estaladas à filha num café, e não gostei da atitude dela.

Mas caberá a mim intrometer-me nessas situações, que não me dizem respeito?

 

Caberá a nós intrometer-mo-nos ou interferir na forma como os outros pais educam os seus filhos, por muito que tenhamos vontade e, muitas vezes, razão?

 

Que resposta se dá a isto?

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Não vale a pena arranjar discussões ou debater com pessoas cuja mentalidade está tão vincada, que nunca mudará. Perdemos o nosso tempo, a nossa energia, e ficamos na mesma. Cada um com a sua opinião.

No entanto, chega a um ponto em que, de tanto ouvir disparates, algum dia a nossa faceta de indiferentes, surdos, tolerantes, compreensivos para com a idade das pessoas e forma como foram criadas, é empurrada para o lado, para deixar passar aquela que nos leva a dizer o que realmente pensamos!

 

Ontem, em conversa com uma senhora, queixava-se ela da cadela do vizinho, que ladra todo o dia, e que o dono não a sabe educar. 

Ao que respondi que é a forma como a cadela comunica, é a fala dela.

 

"Ah e tal, eu sei que é a fala dela, mas tudo tem limites. A cadela leva o dia todo a ladrar. Tem que ser educada para não o fazer."

E eu voltei à carga: "Então, isso é a mesma coisa que estar a dizer que as pessoas têm que passar a vida caladas."

"Ai, mas é que uma pessoa chega ao fim do dia com a cabeça em água. Era dar-lhe uma verdascada, sempre que ladra, para a educar."

 

Então e você acha bem bater nos animais? Não é assim que se educa um animal. Sabe porque é que ela ladra? Porque está ali o dia inteiro presa, não a levam a passear, não lhe dão uma festa, não lhe dão atenção, um mimo que seja. E depois, vê os gatos andarem por aí à solta e também quer. Se a tratassem de outra forma, já não ladrava assim. Lá concordou e a mudou de assunto para a cadela que faleceu.

 

"Ah e tal, o dono fartou-se de gastar dinheiro com ela no veterinário"

E lá me saltou a tampa mais uma vez: "Pois, é pena é que tenha gasto tanto dinheiro em veterinário, e tão pouco em amor e atenção. A cadela andava sempre aí sozinha, quase abandonada.

"Ah, mas olha que ele arranjou uma cama para ela, para ela dormir na garagem. Era lá que ela ficava de noite. De dia vinha para a rua porque queria, não estava habituada a ficar presa. E olha que ele até fez uma campa para ela."

 

Pois, claro! Não vale a pena bater na mesma tecla que a música que dali sai é a mesma.

Que resposta vai uma pessoa dar a isto?

Acho que, mais do que os animais, eram as pessoas que deveriam ser educadas! 

 

A lupa de alguém, de Anabela Neves

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Primeiro, conheci o blog.

Mais tarde, a autora!

E, agora, foi a vez de ler o livro, inspirado no dia-a-dia de uma operadora de caixa, e da relação entre estes profissionais, e os clientes que frequentam os hipermercados.

 

De entre as situações abordadas neste livro, destaco as seguintes, que também já me aconteceram:

 

Respeitar o espaço de cada um - não tanto na hora de pagar, no que diz respeito à privacidade para marcar o código multibanco, mas até mesmo na fila, onde cheguei a estar com os clientes de trás com os carrinhos encostados a mim, ou ao meu lado, em vez de esperar na fila. Já chegou a acontecer a cliente de trás começar a "acomodar" melhor as nossas compras, e a tentar fazer quase o trabalho da operadora, para ela própria se despachar. Já cheguei a ter ainda os sacos do lado de cá, enquanto arrumo trocos e talões, e estar já a cliente seguinte em cima de mim, a fazer pressão para desocupar porque agora é a vez dela.

 

Quando a caixa está fechada - já me aconteceu dirigir-me a uma caixa e a operadora avisar-me que ia fechar, e para me dirigir a outra caixa. De seguida, vejo nessa dita caixa, que ia fechar, um outro cliente a ser atendido. Abordei a operadora, que se desculpou com o facto de que eu tinha um carrinho cheio, e aquele cliente tinha poucas compras. Isso para mim não faz sentido. Se é para fechar, fecha para todos. Desta vez, não me calei e foi das poucas que reclamei da funcionária. Nunca mais fui a uma caixa onde ela estivesse.

 

Os cupões de desconto - confesso que não vou muitas vezes ao Continente, mas quando vou, vejo os talões que tenho e, de acordo com aquilo que vou comprar, se algum deles serve. A maioria, por norma, vai para o lixo logo ali. Para a caixa, só levo os que me interessam. Poupa-se tempo e trabalho a ambos - operadora e cliente.

 

Estar ao telemóvel na caixa - confesso que já me aconteceu estar a falar ao mesmo tempo que estou na caixa, e ir colocando os produtos no saco, e tirando dinheiro para pagar ao mesmo tempo. Espero não ter causado, ainda assim, transtorno para os restantes clientes.

 

As prioridades - já me aconteceu estar numa caixa prioritária, no tempo em que as havia, sem me ter apercebido de que o era, com as compras no tapete, e a cliente atrás de mim invocar a prioridade, tendo eu me desviado, para ela passar. Logo atrás, mais um casal com 2 filhos pequenos, e eu a pensar "onde me vim meter, se aparecer aqui uma dúzia de clientes, passam todos à frente". Felizmente, esse casal não quis exercer o seu direito. Se tivesse as compras no cesto, era mais fácil. Mas estar a tirar as compras do tapete para colocar no cesto e ir para outra caixa, também não fazia sentido.

 

Há muitas mais situações com que todos nós, certamente, nos identificamos, mas para isso têm que ler o livro, ou acompanhar a autora em A lupa de alguem

 

Como em tudo o que são trabalhos, em que existe contacto com o público, é necessário uma pessoa mostrar simpatia, disponibilidade, fazer um pouco de ouvinte, conselheira, psicóloga até, mostrar-se prestável. Mas há limites, e os clientes também têm que perceber que, quem ali está atrás da caixa não é um robot, é um ser humano como eles, e só porque está a trabalhar e lhe pagam para o fazer, não tem que aturar tudo ou fazer de criado para todo o serviço, só para manter os clientes satisfeitos.

 

Por outro lado, também há clientes que marcam pela positiva, e que tornam os dias de trabalho mais suportáveis e agradáveis, fazendo a diferença. 

 

Acho que tudo se resume a respeito, tolerância e educação. Se cada um de nós fosse munido de um pouco destes três ingredientes, evitavam-se muitas situações como as relatadas neste livro.

 

Aprender ou desaprender a educação, eis a questão!

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"O Homem não é nada, além daquilo que a educação faz dele."

 

Neste mundo existem pessoas com as mais diversas personalidades e feitios, formas de encarar a vida e lidar com as restantes pessoas que os rodeiam, tanto nas relações familiares, como laborais.

Quem não conhece alguém que é simpático, atencioso, que se preocupa com os funcionários? São poucos, mas existem.

Da mesma forma, também existe o oposto. Pessoas que falam com os seus subordinados como se de fossem animais, com uma total falta de tacto e educação, como se os funcionários tivessem obrigação de saber tudo, e fosse um absurdo estar a incomodá-los com determinadas questões.

Ah e tal "sempre foi assim", "não ligues", "responde à letra", são algumas das recomendações que só quem não está no lugar do funcionário, a lidar directamente com essas pessoas, e correndo risco de ser mandado para a rua por tal comportamento, aconselha para que o funcionário ultrapasse a questão. 

 

Mas, ainda que assim não fosse, e não houvesse risco de despedimento, estaremos então a inverter toda a situação?

Somos nós que temos que ser mal educados e arrogantes, para lidar com os outros, que também o são e já não mudam?

Somos nós que temos que desaprender toda a educação que nos deram, para poder ficar ao nível desses chefes?

Ou serão eles que têm que mudar, e saber falar com as pessoas com outros modos? É que há formas de explicar ou fazer valer os seus pontos de vista, sem maltratar ou gozar com os outros.

Não serão eles que terão de aprender que educação é bonito e recomenda-se, ou produz resultados ou efeitos mais positivos que uma resposta torta?

Afinal, serão os bons a terem que se tornar maus, para viver em sociedade, ou o inverso? É que é só o que falta, neste mundo louco, que está a cada dia mais perdido.

Animais perigosos ou animais potencialmente perigosos?

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Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a existência ou não de animais perigosos. A questão prende-se, mais especificamente, com cães perigosos, mas eu prefiro abranger toda a categoria "animais".

 

Ainda no outro dia falava sobre isso com o meu marido, que me dizia que não existem animais perigosos, e que são as pessoas que os tornam agressivos.

Não concordo totalmente com ele. Existem animais que nasceram para ser livres, e viver nos seus próprios habitats. Que são, pelas suas mães/ pais, preparados para sobreviver nesse habitat, a desenvolver o seu instinto, a caçar as suas presas. Aqui não existe "mão humana". Apenas a própria natureza dos animais. Sendo que a maior parte, quando ataca humanos, é por estes estarem no seu território, por uma questão de instinto, sobrevivência, defesa do seu território, protecção. Ou então, quando os humanos tentam mudar a sua natureza, tentando domesticá-los, trazendos para fora do seu habitat, prendendo-os. Até podem conseguir. E um desses animais a que apelidamos de "selvagens" até pode ser bastante meigo para os humanos, e conviver bem entre eles. Mas o risco está presente. Pode não se manifestar, mas está presente.

 

Assim, no que respeita aos animais em geral, a pergunta que coloco é:

Existem animais perigosos, ou animais de raça/ espécie potencialmente perigosa?

É que um animal de raça/ espécie potencialmente perigosa, quando bem educado e treinado, ou devido à sua própria personalidade, pode ser um animal perfeitamente sociável e meigo.

Por outro lado, um animal aparentemente inofensivo, pode virar, de um momento para o outro, uma fera e atacar, sem sabermos bem porquê.

Mas também o próprio ser humano é assim. Quantas vezes não temos conhecimento de actos bárbaros praticados por pessoas de quem nunca suspeitaríamos, e que considerávamos "boas pessoas". Sim, por vezes o bandido é aquele homem de família exemplar, e não o ladrão da esquina, de quem todos suspeitaríamos. 

 

O que acontece, na maioria das vezes, é que o potencial está lá, seja em que animal/ raça/ espécie for, existindo raças/ espécies com maior potencial que outras, e pode permanecer sempre adormecido, sem se dar por ele, ou ser despoletado pelo próprio instinto, por acicatamento, por factores externos à sua personalidade, pelos que o educam e rodeiam, ou por quem lhes tenta fazer mal.

Será, talvez, aí que a "mão humana" entra: na forma como lida, educa e incita ou mantém adormecido esse potencial. E isso dependerá, muitas vezes, do carácter e personalidade do próprio dono, da forma como ele próprio age, da forma como cumpre ou não as regras de segurança para com os demais.

E o que é certo é que não faltam exemplos de animais potencialmente perigosos, que foram capazes de atitudes que muitos humanos nunca teriam, e que já salvaram muitas vidas humanas. E ainda dizem que os perigosos são eles...

 

 

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