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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Do baile de gala, ensaios e falta de pares

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Há coisas que não consigo perceber, que não me entram na cabeça e me fazem confusão.

O baile de gala dos finalistas, organizado pela escola, é uma delas.

 

Os directores de turma, querendo mostrar o melhor dos seus meninos, e ter a respectiva turma bem vista, esperam que todos participem no baile e, como tal, nos ensaios de dança, para não fazerem má figura na hora.

 

A questão é: há rapazes e raparigas em igual número, para fazerem par, entre os que querem participar?

Não!

 

O que acontece é que há pares que já estão combinados, e há vários alunos, sobretudo raparigas, sem par.

A minha filha é uma delas.

 

Para poder participar nos ensaios, tivemos que alterar o horário da explicação de matemática, que lhe faz falta para a preparar para o exame que aí vem mas, como a directora de turma fazia questão, e dança é algo que ela gosta, assim fizemos.

 

Ontem, foi o primeiro ensaio.

Treinou a parte individual. A parte que pertence às raparigas. Tal como algumas colegas suas.

Depois, quando chegou o momento de ensaiar com o respectivo par, as que não tinham ficaram sentadas a ver, sem fazer nada.

 

Ora, se as raparigas não têm par, nem lhes arranjam um, como foi dito pela directora de turma, que o faria, o que raios vão elas para lá fazer? 

A minha filha já disse que, se no próximo ensaio continuar sem par, deixa de ir.

 

É de lamentar esta falta de organização relativamente aos alunos que querem participar no baile, e respectiva formação de pares.

Oh não, outra vez os Lusíadas!

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Imaginem os alunos a ler 20 estrofes dos Lusíadas, e a ter que responder a diversas perguntas sobre aquilo que acabaram de ler, sem qualquer explicação ou orientação.

Não dará bom resultado, por certo.

Quando acabam de vir do Auto da Barca do Inferno, que é muito mais cativante, torna-se ainda mais difícil mostrar interesse nesta obra.

 

Eu já não me lembro muito bem do que falei na altura, quando era eu a aluna. Mas sei que, ontem, a olhar para aquelas estrofes que a minha filha tinha que ler, não percebi nada!

Tive que ler várias vezes, para conseguir retirar de lá umas "pingas", apesar de muito espremer.

Claro que, depois de ver a análise daquele excerto, tudo começa a fazer mais sentido.

 

Para mim, Lusíadas tem que ser dado em aula. Tem que ser uma obra analisada e explicada em conjunto por alunos e professores. Não se pode esperar que os alunos cheguem ali e percebam o que está lá escrito, implícito, o que é para reter e perceber, quando nem sequer a linguagem percebem.

 

Penso que, para a maioria dos estudantes, os Lusíadas continuam a ser o pesadelo da escola, na disciplina de português, e nos exames finais!

 

Deixo-vos aqui esta opinião sobre a inclusão do estudo desta obra nas escolas: https://www.publico.pt/2015/02/22/sociedade/opiniao/o-ensino-de-os-lusiadas-1686615

 

O misterioso desaparecimento dos talheres na escola

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Na escola onde a minha filha anda, implementaram agora novas regras no refeitório, nomeadamente, no que diz respeito ao uso dos talheres.

Segundo as novas normas, apenas os alunos que compram as suas refeições na escola têm direito ao uso dos talheres da escola. Quem levar as refeições de casa, tem que levar a sua loiça e respectivos talheres, que a escola deixa de facultar.

 

E isto porquê?

Porque, só no primeiro período, já desapareceram da escola cerca de 300 talheres!

 

E a culpa é de quem?

Tendo em conta esta medida, a escola presume que os "ladrões de talheres" são apenas aqueles que levam a comida de casa, e almoçam na escola, pedindo emprestados os talheres. Não coloca, em momento algum, a hipótese de que quem paga as refeições também pode não estar inocente.

 

Segundo a professora, alguns acabam por ser encontrados pela escola, por vezes no chão, nos caixotes do lixo. Mas a maioria são um caso perdido, e a escola não tem dinheiro para compensar tamanho roubo com a compra de novas centenas de talheres.

 

O uso dos microondas também foi alterado.

Agora, deixa de haver uma funcionária disponível, com a exclusiva missão, na hora de almoço, de aquecer os almoços aos alunos, para terem eles próprios que o fazer, e responsabilizar-se pela sua utilização e eventuais estragos.

Quando nos ligam da escola...

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...a informar que os nossos filhos estão com quase 39 graus de febre, e que talvez seja melhor ir buscá-los.

 

Ontem estava queixosa - doía-lhe a cabeça, o corpo, estava mal disposta. Não tinha febre.

Hoje de manhã, ainda lhe doía a cabeça. Não tinha febre. Tinha apresentação de um trabalho de português. Foi às aulas.

Já tinha decidido que não iria fazer educação física logo à tarde, e preenchido a justificação.

Agora ligam da escola, a dizer-me que está no posto médico, queixosa, e com quase 39 de febre, e que é melhor ir lá buscá-la.

Ela não é de faltar às aulas por qualquer coisa, mas agora terá mesmo que ser.

 

 

Já posso ter um ataque de nervos?!

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Estamos a pouco mais de duas semanas do final do primeiro período.

A minha filha tem ainda, por fazer, cerca de 5 ou 6 testes.

Todos os dias traz TPC's para fazer.

Tem um trabalho de Educação Visual para terminar em casa, porque as aulas não são suficientes.

 

 

Como se tudo isto não chegasse, tem ainda para fazer, em pares/ grupo:

  • um trabalho de português
  • um trabalho de espanhol 
  • um trabalho de inglês 
  • um trabalho de geografia
  • um trabalho de físico-química 
  • um trabalho de matemática 

 

 

Inês, já escolheram o artista espanhol para a entrevista? 

Não.

Inês, já pensaste qual a Lei de Newton que vais escolher? Já viste os links que te enviei?

Ainda não.

Inês, já combinaram entre vocês quando é que se juntam para fazer o trabalho de geografia?

Não.

 

 

É tudo para fazer até ao final do período, enquanto estuda e tenta não deixar nada por fazer, mas sem tempo nem cabeça para tudo ao mesmo tempo. E, pelos vistos, também sem muito interesse e responsabilidade.

 

 

Agora digam-me: ainda é cedo, ou já posso ter um ataque de nervos, já que a minha filha é a calma e relax em pessoa?!

 

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