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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mais uma vez ninguém fez nada

 

Não sei como ainda me surpreendo com a falta de meios, e de vontade, das entidades locais para fazer algo por um animal ferido. 

Já tinha tido, no ano passado, a experiência da gaivota. Hoje, foi com um gato atropelado.

Ia eu a caminho do trabalho, tinha estado a fazer festinhas à gata que costumo encontrar pelo caminho, e não me apercebi de nada. Um pouco mais acima, encontro um gato atropelado no meio da estrada. Ainda estava vivo.

Uma senhora que vinha de carro, de uma travessa perpendicular, e que trabalha ali na rua, também parou para socorrer o animal. Tirou uma toalha que tinha no carro e embrulhou o gato, retirando-o da estrada, antes que algum outro carro passasse por cima e o matasse de vez.

Liguei para o Hospital veterinário, que me disse que o poderíamos levar para lá, mas que tínhamos que assumir a responsabilidade pelo mesmo e custos inerentes. Deram-nos o contacto da GNR (SEPNA), entidade mais competente para a resolução do caso.

Esta, por sua vez, dá o contacto da protecção civil, que normalmente faz recolha de animais. Ligo, e começam imediatamente com desculpas:

 

 

"Ah e tal, vamos ver se conseguimos mandar aí alguém, porque hoje os serviços da Câmara estão fechados, vai ser difícil, não temos pessoal disponível e blá blá blá.".

Pergunto eu: "Mas fazem a recolha para tratar o animal, certo?"

"Mas o gato está vivo?"

Respondo-lhe que sim.

"Ah, nós não recolhemos animais vivos. Nesses casos, não podemos fazer nada."

 

E assim ficámos nós, sem saber a quem mais recorrer, divididas entre deixar o animal ali sozinho entregue à sua sorte, e levá-lo ao veterinário, à nossa conta. O gato deve ter dono, aparenta estar bem tratado. Mas não fazemos ideia de quem seja.

Como já estava atrasada para o trabalho, e não podia fazer muito já que estava a pé, e a outra senhora de carro, deixei-lhe o meu contacto e disse-lhe que, caso entendesse levá-lo a um veterinário, para me dizer, que dividíamos a despesa.

Custou-me vir embora  e deixá-lo ali. Mas espero que tudo se tenha resolvido pelo melhor. Agora resta-me esperar por notícias da tal senhora.

É incrível como, mais uma vez, empurraram as pessoas de um lado para o outro, de um serviço para outro, sem que nenhum tenha capacidade para resolver uma situação destas.

Cada vez mais valorizo as associações e particulares que prontamente ajudam estes animais feridos porque, se dependessem de serviços públicos, morriam!

É triste... 

 

Números preocupantes e assustadores

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68845 acidentes rodoviários

 

20447 feridos ligeiros

 

1212 feridos graves

 

277 mortos

 

Entre 1 de janeiro e 31 de julho.

 

Será mesmo seguro andar na estrada?

Será que, apesar de todas as campanhas, medidas e operações policiais, a irresponsabilidade prevalece sobre o bom senso?

Sou um perigo na estrada!

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E nem sequer conduzo! 

Mas prego uns valentes sustos ao meu marido, que vai ao volante!

A culpa é das rotundas, e dos outros condutores. O meu marido bem diz "mas achas que eles são parvos de se meterem?" ou "achas que eles querem bater?".  

Eu não acho, tenho a certeza! Cada vez há mais malucos na estrada, que não têm amor à vida, nem ao dinheiro, nem aos seus carros. Que acham que podem tudo e que os outros só têm que esperar.

E, cada vez que estamos a chegar a um cruzamento, ou rotunda, e vejo um carro ultrapassar a minha linha imaginária do aceitável, lá digo eu ao meu marido "olha aí, olha aí"! O problema é que o digo de uma forma que o assusta, e também isso pode provocar aquilo que era suposto evitar.  

É complicado porque, desta forma, também eu constituo um perigo.

Mas não consigo ultrapassar o medo que ganhei depois do acidente do ano passado. Viajar de carro deixou de ser algo perfeitamente banal, para se tornar algo a temer. Entrar num carro para uma viagem, ainda que de meros minutos, é prender a respiração e aguentar, até poder sair do carro e soltá-la!

 

Estratégias para andar de carro

 

Nunca pensei que, algum dia, teria que encontrar algumas estratégias para conseguir andar de carro de forma minimamente descontraída.

Mas é isso que eu tenho feito.

Desde que comecei a andar de carro (sempre ao lado do condutor ou atrás) e até agora, nunca me preocupei com nada. Era algo perfeitamente normal e natural.

Depois do acidente, cada vez que vamos a algum lado de carro, sinto que vou entrar num campo de batalha - a estrada - da qual não sei se sairei ilesa ou não.

Estou sempre atenta, a olhar para todos os lados, a ver se alguma bala é disparada, e de que lado virá. E o pior é que, mesmo que não venha, às vezes parece que isso vai acontecer. Pura ilusão de óptica mas, ainda assim, assusta.

Por isso, uma das minhas estratégias é levar o GPS na mão - enquanto estou entretida a ver a rota, onde temos que virar e quantos quilómetros faltam, não olho para a estrada.  A outra é, sempre que um carro vai ao nosso lado, ou a chegar-se para o nosso lado (normalmente em auto estradas), olhar em frente, para não me assustar com a tal ilusão óptica. 

Umas vezes resulta, outras nem por isso. Porque, por mais que tente, e que em determinados momentos vá distraída, a apreciar a paisagem ou a música, há sempre outros em que o meu subconsciente me impele a olhar para a estrada.

Podia fazer como quem viaja de avião: tomar alguma coisa para dormir e só acordar à chegada ao destino. Mas, e se acontecesse alguma coisa enquanto eu dormia, e eu nem desse por nada? Não, quero estar de olhos bem abertos, para o bem ou para o mal.

E é a única forma de superar o medo, e esta paranoia que me anda a dominar. Até porque o perigo pode estar em qualquer lado e em qualquer lugar. É verdade!

Mas foi na estrada que eu me deparei com ele...

 

Ainda sinto medo...

 

Hoje vamos voltar a tentar o mesmo destino que teríamos feito no dia do acidente.

Não posso dizer que fiquei muito traumatizada, ou talvez esteja mais do que perceba.

Já voltei a andar de carro. E tento ser confiante.

Mas assusta-me andar na estrada. 

Assustam-me os cruzamentos, as rotundas, os carros que se metem à parva, os que parece que se vão atravessar no nosso caminho, os que vêm na faixa contrária e parece que nos vão bater...

Este fim de semana a minha filha foi andar nos carrinhos de choque das crianças. Só havia dois carros na pista: o dela e o de um rapaz mais pequenino. Cada vez que o carro dela chocava com o outro, ou contra a pista, o meu coração saltava. Felizmente foi só uma volta, porque não aguentava mais.

Muitas vezes penso - desta vez escapámos. Da próxima não teremos a mesma sorte.

Mas não posso ficar em casa a pensar que se sair vou morrer. 

Tenho medo, sim. Mas não posso deixar que ele me domine. E é por isso que vamos hoje até Tróia. Com algum receio, mas também com confiança que tudo vai correr bem e com a esperança de que, com o tempo, o medo irá passar...

 

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