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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Como as novas tecnologias nos (des)preparam para a vida

É impressionante como nos habituamos tão facilmente às novas tecnologias, e como é tão mais difícil, depois, voltarmos aos métodos antigos.

Para mim, por exemplo, o microondas é uma das melhores e mais úteis invenções dos últimos tempos! Não há um dia em que não o utilize, a não ser quando falta a electricidade, ou se avaria. É nessa altura que a minha vida se complica. Uma coisa tão simples como aquecer o leite ao pequeno almoço - encher uma tigela com leite e aquecer no microondas durante 2 minutos para ficar na temperatura certa - torna-se uma aventura quando feito no fogão. Não sei que quantidade de leite dá para duas tigelas e, ou desligo antes do tempo e continua frio, ou aqueço demais e ferve, e depois já não o bebo!

No outro dia, a minha máquina de lavar roupa deixou de a torcer. E agora? Agora, é torcê-la à mão! Não seca tão depressa mas não é o fim do mundo. Antigamente, quando era mais nova, cheguei a ajudar a minha mãe a lavar roupa à mão, e torcê-la.

Abrir uma torneira e ter água quentinha à mão é uma maravilha. Um esquentador e água canalizada dão imenso jeito e já não sei viver sem ambos. Mas a verdade é que, noutros tempos, também se tomava banho. A diferença era que tínhamos que aquecer primeiro a água, em grandes panelas, e depois colocá-la num recipiente qualquer, e ir deitando sobre o corpo. 

Antigamente, tínhamos que saber escrever à mão correctamente. Hoje, teclamos, são-nos indicados os erros e a devida correcção, e escolhemos o tipo de letra que mais nos agradar. Antigamente, fazíamos os cálculos à mão, ou de cabeça. Hoje, corremos para a calculadora mais próxima. E desaprendemos a fazer contas!

Tenho a sensação que todas estas, e outras, tecnologias nos despreparam para a vida, no sentido em que nos acomodamos de tal forma a elas que é difícil desenrascarmo-nos quando elas falham. Ainda assim, estou grata por elas existirem, e fazerem parte do meu dia a dia!  

Os animais são extraordinários!

 

Pouco depois das 6 horas da manhã, toca o despertador. Desligo-o e fico na cama só mais uns minutinhos.

Mas a Tica não me deixa adormecer. Assim que vê que eu não me levanto, vai ter comigo e começa a dar com a sua pata na minha cara, até eu sair da cama!

Ontem à noite, estava eu a despachar-me, e à minha filha, para nos deitarmos, quando perguntei onde andaria a Tica. Estava na minha mesa de cabeceira, à espera que eu me deitasse, para ela se deitar também ao meu lado!

No sábado, como andámos em pinturas e arrumações, reclamou o dia todo por falta de atenção e mimos. No domingo, assim que me viu sentada, deitou-se logo ao meu colo e só saiu porque eu tive que me levantar.

Quando quer brincadeira, reclama connosco para chamar a atenção, até irmos atrás dela! Quando quer ir à rua ou que lhe abra a porta dos quartos ou da sala para ir à janela, mia e faz-nos ir atrás dela, para que saibamos o que ela quer.

No outro dia, talvez por causa do frio, conseguiu deitar-se ao meu lado de uma maneira que ficou com parte do corpo tapada com o edredão. Quando acordei e a vi, abriu os olhos, espreguiçou-se na minha direcção e enroscou-se ainda mais! 

Dizem que os gatos são animais independentes mas, tal como as pessoas, também lhes sabe bem ser um pouco dependentes do conforto, atenção, mimos e amor que os donos têm para lhes dar (os que têm essa sorte, claro)!

E a nossa Tica é fantástica!

Para lá do gradeamento

 

Todas as manhãs vou levar a minha filha à escola. Todas as manhãs, dezenas de outros pais fazem o mesmo.

Mas, para lá da rotina já instalada e diariamente praticada, da correria, da confusão, do trânsito, outro hábito se criou.

Se, nos dias não escolares, a zona está deserta, nos dias de aulas, o gradeamento da escola fica totalmente ocupado pelos pais e mães.

Talvez pelo desejo de observar durante mais alguns instantes as suas crias, para se certificarem que estas ficam bem, que nada lhes acontece, que não fazem disparates, ou por qualquer outro motivo que só a eles diz respeito.

Também eu, logo depois de a minha filha passar o portão, fico a observá-la. E confesso que fico muito mais descansada se ela encontra as colegas da sala ou as amigas. Já aconteceu ela chegar lá, andar à procura das colegas, não encontrar ninguém, e não saber muito bem onde ficar ou o que fazer enquanto não aparecia ninguém.

Nessas alturas, fica mais complicado, para nós cá fora, qual visitantes do Zoo a observar os animais enjaulados lá dentro, pelo gradeamento (é assim que eu me sinto), sairmos dali para ir às nossas vidas, sem um aperto no coração.

E quantas vezes penso “quem me dera que, só hoje, ela não tivesse que vir para a escola, e eu para o trabalho, e tivéssemos o dia só para nós”!

Mas enfim, a vida é mesmo assim, e temos que deixá-los vivê-la, e aprender com ela.

E, afinal, eles provavelmente até estão bem, e nós é que nos preocupamos sem necessidade. Mas isso é um defeito de pais, muito difícil de corrigir! 

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