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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Alguém me arranja um balão?

 

Há dias em que dava imenso jeito ter uma espécie de balão à mão, para que pudesse soprar lá para dentro tudo aquilo que enerva, irrita e me deixa a ponto de "esganar" alguém!

Assim, todos os possíveis disparates que pudessem sair pela minha boca, e as palavras ditas no momento das quais mais tarde me arrependeria, ficariam juntas dentro do balão que, depois de bem atado, poderia lançar ao ar, para bem longe.

Toda a tensão estaria descarregada, voltaria a sentir-me bem, evitava desperdiçar tanto tempo da minha vida a discutir sobre coisas que não fazem sentido, e aproveitaria o pouco tempo que tenho ocupada com o que realmente interessa e me deixa feliz!

Nos últimos tempos...

 

...tem sido assim:

 

qualquer coisa serve para implicar,

qualquer atitude nos irrita,

qualquer palavra nos ofende,

qualquer comentário nos exalta os ânimos,

qualquer observação nos provoca reacções exageradas,

 

e tudo isto nos reduz a muito pouco, e tende a transformar aquilo que sentimos em algo que não expressa, minimamente, a verdade e a realidade dos nossos sentimentos.

 

Existirá alguma vacina para este vírus que nos atacou?

Entrou mesmo em erupção!

 

 E, fez estragos! Tal como a lava, que vai queimando, e transformando em cinza, tudo à sua volta.

Primeiro começaram a sair pedras, gás e cinza. Em seguida, surgiu a lava.

Sabemos que a erupção de um vulcão é imprevisível, e pode causar diversos danos. Esta não foi excepção!

Tinha finalmente chegado o fim-de-semana, íamos voltar a estar juntos e matar saudades. Estávamos ambos a precisar desses momentos.

Mas nem sempre tudo corre como nós desejamos ou como imaginamos.

Este fim-de-semana foi passado entre a organização da papelada para o IRS, compras do mês, roupa e cozinha. É sabido que gosto de ser eu a tratar das coisas lá em casa e, por isso mesmo, não me importo se ele ficar mais algum tempo a dormir, ou se se entreter a ver televisão ou outra coisa qualquer, enquanto eu me despacho.

Naquela tarde, estava eu então a arrumar a cozinha, enquanto a minha filha e ele estavam na sala. Ela queria que ele a visse a pintar, ele queria esticar a perna porque se tinha lesionado na corrida da manhã. Ela implica com ele, ele não está com paciência e vai deitar-se na cama. Ela vai atrás dele e torna a acontecer o mesmo. Às tantas, ela vai para o quarto dela a chorar, porque ele não queria brincar com ela, só queria estar deitado.

E aí deu-se a minha erupção! Disse coisas que não devia, mas naquela altura estava realmente irritada. É que se eu não estivesse na cozinha, eu brincava com ela, mas como não podia, ao menos que estivesse ele ali um bocadinho com ela. Estava cansado e com dores? Também eu!

Também eu estava farta de trabalhar, estava cansada, estava sem paciência.

E ele, que queria tanto aproveitar para estar com ela, dali a pouco ia embora e não brincavam nada.

A verdade é que ele não tem obrigação nenhuma de brincar com ela ou aturá-la porque não é o pai. Mas também é verdade que ele lhe dá mais atenção e brinca mais com ela do que o próprio pai. Daí, talvez, ela lhe exigir mais. Portanto, fui injusta.

Mas saltou-me a tampa porque os dias anteriores não tinham sido fáceis para nenhum de nós, estava farta de trabalhar e não poder descansar como queria, enquanto ele ficou deitado até mais tarde, foi participar numa corrida porque quis, e passou bastante tempo sentadinho no sofá ou entretido a ouvir rádio. E não o critico por isso. Volto a dizer, prefiro assim. Mas pelo menos não me diga que está cansado!

Trabalha de noite? Eu trabalho de dia. Dorme pouco? Eu também durmo. A diferença não é assim tão grande.

É o feitio dele, eu sei. Já o conheço. E provavelmente estava mesmo cansado. Só que ele pode fazer aquilo que eu não posso. Talvez a minha irritação fosse frustração. Também eu queria poder esticar-me só um pouquinho, descansar um bocadinho...

Também eu queria poder não ter responsabilidades nenhumas nem que fosse por breves momentos. Mas não posso, nem quero. Tenho responsabilidades e sei que só quando as cumpro me sinto bem comigo mesma. É um pouco antagónico, mas eu sou assim! 

 

 

 

 

 

 

 

Bullying - Uma Dura Realidade

 

Tenho uma filha! A menina que sempre desejei!

E como qualquer mãe galinha, tenho um desejo enorme de a proteger de tudo e de todos os que a possam magoar, seja de que maneira for.

Claro que só quero o melhor para ela, mas nem sempre protegê-la do mundo, criando uma redoma à sua volta, é a melhor forma de o demonstrar.

Há que deixá-la viver, experimentar, enfrentar as dificuldades e prepará-la para que, sozinha, sem estar na sombra de outros, consiga sobreviver nesta selva em que vivemos – desenvolvendo a sua autonomia, as suas capacidades, o seu poder de luta, aprendendo a se defender, se necessário for, e a resolver os seus problemas.

Com algumas reservas minhas, mas ao mesmo tempo ciente de que seria benéfico para ela, começou a frequentar o Jardim de Infância com 4 anos e hoje, com 7, está no 2º ano, numa escola pública onde, juntamente com ela, se encontram mais de 600 crianças.

Tal como neste vídeo, todos os dias ela se levanta, veste aquela roupa que tão carinhosamente escolhi para ela, toma o pequeno-almoço e vai para a escola.

Pelo que me apercebo, não tem muitas amigas, embora para ela todas as colegas sejam amigas. Até mesmo aquelas que a rebaixam, ou só a querem por perto por interesse.

Mas não me preocupa o facto de ter poucas amigas. Eu também não tive muitas. Na verdade, apenas duas, que me acompanharam durante os vários anos em que estudei.

Preocupa-me sim, que ela venha a ter inimigas! Não por algo que ela tenha feito de mal, até porque para quem pratica o “bullying”, não existe uma motivação aparente e, muitas vezes, quando a há, nem sempre está directamente relacionada com a vítima.

Outras, como foi o meu caso, surgiram na sequência de uma resposta que, provavelmente, aquelas pessoas não esperavam ouvir.

Ia para o 10º ano, tal como uma das minhas amigas que era da mesma turma que eu – éramos “caloiras” e não conhecíamos ninguém naquela escola.

Ao contrário daquelas três raparigas, que frequentavam o 11º ano e já conheciam meio mundo.

Sempre muito tímidas e não gostando de confusões, guerras ou discussões, tivemos um ano bastante complicado, em que a violência psicológica foi presença constante.

Cada vez que as avistávamos, ainda que bem longe, já os nervos davam sinal, e só queríamos que aquele instante que se aproximava passasse depressa.

Desde insultos, a comentários depreciativos, e até mesmo uma vez em que entraram na nossa sala de aula para nos danificarem o material escolar, os sentimentos que mais habitavam dentro de nós eram pavor, medo, ansiedade…

Dia após dia, éramos “empurradas” para aquele ambiente hostil, que muitas vezes nos levava ao desespero, e a pensar em desistir de estudar, só para o pesadelo acabar.

Felizmente, esta violência caracterizada pela prática de actos intencionais e repetidos, neste caso em grupo, foi apenas psicológica. Nunca houve agressões físicas.   

Mas não são poucos os casos em que somos vítimas de vários tipos de práticas, não só físicas (agredir, bater), mas também verbais (gozar, insultar, apelidar), materiais (roubar, destruir pertences ou danificando objectos pessoais), psicológicas (intimidar, ameaçar, perseguir, aterrorizar), e até mesmo, mais recentemente, virtuais!

Praticados em grupo, ou por uma só pessoa, estas situações ocorrem com maior frequência nas escolas, sempre fora da visão dos adultos, e normalmente as vítimas não reagem, nem tão pouco falam sobre as agressões de que foram vítimas.

Os agressores têm, geralmente, personalidades autoritárias, uma absurda necessidade de controlar ou dominar e são, algumas vezes simultaneamente, agressores e vítimas.

Contudo, não é um problema exclusivo das escolas, podendo acontecer em qualquer meio, como no local de trabalho ou entre vizinhos.

E as consequências não se fazem esperar – dor, angústia, irritação, ansiedade, stress, nervosismo e tristeza anormais, podendo, nos casos mais graves, levar à depressão, problemas psíquicos e até mesmo ao suicídio.

É importante não ignorar, não nos convencermos que tudo isto faz parte da vida e que há-de passar, mais cedo ou mais tarde.

Mais grave ainda que ser uma vítima de “bullying”, é vermo-nos sozinhos, é não sabermos a quem recorrer, a quem pedir ajuda, com quem conversar. É vermos as pessoas esconderem a cabeça na areia como avestruzes, ou virarem costas, como se de um perfeito disparate, inventado por alguém que apenas pretende chamar a atenção, se tratasse.

Lembro-me de não querer continuar a estudar, de pensar em desistir. A minha amiga fez apenas o 10º ano e ficou por aí. Já eu, fui “obrigada” pelos meus pais a continuar – passei para o 11º ano, o que significava ter que enfrentar durante um ano inteiro, e completamente sozinha, aquele inferno.

Muito embora o meu pai sempre me tenha dito que a melhor forma de lidar com esse tipo de pessoas é ignorando, não mostrando medo, nessa altura eram as últimas coisas que eu conseguia fazer.

Mas ter o 11º ano ou ter o 9º, ia dar no mesmo. E os meus pais queriam o melhor para mim, queriam que eu estudasse, para no futuro ter melhores oportunidades. Para isso era necessário ter, pelo menos, o 12º ano! Como hoje lhes agradeço essa imposição!

Felizmente, aquele ano passou-se, tal como passou o seguinte (muito melhor porque nessa altura já as ditas raparigas tinham deixado a escola secundária).

Hoje, olhando para trás, quando as vejo casadas e com filhos, penso se de facto teriam consciência daquilo que tanto gostavam de fazer, ou se seria uma rebeldia da adolescência.

Hoje, não procuro detectar uma situação semelhante em cada esquina, mas tento ficar atenta, para que a minha filha não venha a passar pelo mesmo que eu.

Para que, se um dia isso acontecer, eu possa compreendê-la, ajudá-la, e dar-lhe todo o meu apoio, na luta contra esta dura realidade!

 

Há dias assim...

Há momentos em que é preciso respirar fundo...

Contar até 100...

Uma bela noite de sono...

Um chá de tília...

 

E há outros em que nada disso funciona!

 

Hoje sinto-me uma panela de pressão, cuja tampa pode a qualquer momento saltar!

 

Tenho todo o direito de me aborrecer, de estar rabujenta, de estar triste e de explodir, é verdade.

 

Mas depois, tenho também o dever de arrumar a irritação e a neura no baú, dar lugar a pensamentos positivos e viver mais um dia com boas energias!

 

Afinal depois de a água ferver e sair toda para fora, só nos resta voltar a encher a panela, que é como quem diz - depois de o mal estar feito não adianta remoer e repisar o assunto.

 

É preferível empenharmo-nos em voltar a pôr tudo em ordem.

 

Ainda assim, apesar das várias ameaças dos últimos dias, estou decidida a tentar manter a minha tampa equilibrada em cima da panela! 

 

E encarar com optimismo este dia de temporal (que não começou da melhor maneira), em que a chuva e o vento marcam presença. Atirar-me ao trabalho e pensar que mais logo à noite, vou tomar aquele banhinho que sabe tão bem, e deitar-me bem aconchegada na minha caminha, com a sensação de missão cumprida e meta do dia atingida!     

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