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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O peso excessivo das mochilas

 

Todos os anos, quando se aproxima o início do ano lectivo e a compra das mochilas, se fazem as mesmas recomendações:

 

- o peso da mochila não deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança

- devem utilizar-se as duas alças da mochila (que devem ser acolchoadas), uma para cada ombro, ou então mochilas de rodinhas

- a criança deve pousar a mochila nos intervalos

- as crianças não devem levar mais do que aquilo que precisam

 

Mas, de que é que adiantam todas estas recomendações se, na prática, não são possíveis de concretizar?

A minha filha foi agora para o 5º ano. 

Na escola onde ela anda, há cacifos, mas ainda não estão disponíveis porque têm que ser desocupados pelos anteriores proprietários, por isso, por enquanto, é como se não houvesse.

Se tiver 3 aulas num dos períodos, significa que terá que levar 3 cadernos, 3 manuais aos quais se acrescentam outros 3 livros de exercícios ou fichas, o estojo, a caderneta, o lanche,etc.

Só aí, já leva mais do que os 10% do seu peso recomendados. E isto porque vem a casa almoçar. 

Já uma criança que passe o dia na escola, o que acontece cada vez mais porque os pais estão a trabalhar e não têm possibilidades de ir buscar os filhos ao almoço e em determinados horários, tem que levar o material necessário para o dia inteiro.

Que outras facilidades a escola oferece? Poucas!

As aulas nem sempre são na mesma sala, o que os obriga a andarem com a mochila de um lado para o outro. Nos dias de educação física, acrescentamos mais um saco de desporto para o equipamento. Nos dias de chuva, um guarda-chuva. Muitas vezes, os casacos.

E quanto a pousarem as mochilas no intervalo, até o podiam fazer, mas os professores não o recomendam. Porquê? Porque pode haver quem esteja à espera dessa oportunidade para roubar!

Resultado: as crianças passam a maior parte do tempo com excesso de peso às costas, e sem condições para brincar à vontade nos intervalos!

Quanto às ditas recomendações, guardam-se na gaveta até ao início do próximo ano, embora saibamos que nada mudará!

 

 

 

Tomar ou não banho na escola...

 

...heis a questão!

 

O professor de educação física não impôs, mas aconselhou a fazê-lo.

E, de facto, as suas razões são válidas.

Ao tomar banho na escola, está a poupar água em casa (é uma forma de aprenderem desde cedo a poupar).

Evitam constipações, porque não saem suados do ginásio para a rua.

Habituam-se a despir e vestir à frente dos colegas, sem complexos nem vergonha, o que mais tarde pode vir a ser útil.

E há ainda a questão da higiene, uma vez que, ao não tomarem banho, vão suados e com mau cheiro para as aulas seguintes.

Concordo com tudo isto.

 

Mas...há sempre um mas!

 

O intervalo que têm para despir, tomar banho, vestir e ir para a sala da próxima aula é de 10 minutos. Pode até ser uma forma de se habituarem a despachar rapidamente, mas nem eu, com a minha maior rapidez, conseguiria fazê-lo em tão pouco tempo.

A não ser que, como o professor disse, seja só passar o corpo por água, sem molhar o cabelo. Mesmo assim, duvido. E, a assim ser, teriam que tomar um banho em condições em casa, pelo que em vez de poupar, estariam a gastar duplamente.

Esse intervalo pode ser maior, se o professor entender deixá-los sair mais cedo, mas não há garantias.

E, por último, além da mochila com todo o material que é necessário para as outras aulas, e do saco de desporto com o equipamento para a aula de educação física, teriam que acrescentar toalha, chinelos, gel de banho e roupa interior para trocar.

Por tudo isto, e apesar de ter comprado tudo para o efeito, achei melhor a minha filha este ano não se aventurar nos banhos no ginásio.

Na tropa mandam desenrascar, e é isso que ela vai fazer. Num dos dias é a última aula da tarde, por isso vai para casa e toma banho em casa. No outro, só tem uma hora de educação física, por isso não acredito que o professor a deixe sair cedo, e com tão pouco tempo, já me dou por feliz se conseguir trocar de roupa. E até nisso vamos ser práticas. Sempre que o tempo o permitir, vai já com o equipamento vestido (ou pelo menos parte dele) e assim só tem que se calçar.

 

 

A sério?

 

Em declarações à Renascença, Nuno Crato refere que pretende que "todos os alunos passem, mas que passem sabendo" e que "estas provas finais são um passo nesse sentido".


A sério? Pois eu lamento discordar do Sr. Ministro.


E não vou falar de todo o aparato que as mesmas envolveram, da aparente falta de organização e de meios, das contestações dos pais, nem do valor atribuído a estas provas. Já disse anteriormente que não concordo com o peso das provas na avaliação global. Aceito que haja uma introdução de provas e exames, para que os alunos se vão ambientando com uma situação que passará a ser mais frequente ao longo das suas vidas enquanto estudantes, que sirva como estudo meramente estatístico para avaliar os conhecimentos dos alunos e a eficácia dos métodos de ensino que estão a ser aplicados, mas não mais do que isso.


Quanto às afirmações do Sr. Ministro, simplesmente, parece-me contraditório afirmar que os alunos devem passar sabendo, quando na prática isso não acontece. Penso que ainda se aplica em muitas escolas a política de dificultar ou mesmo evitar os chumbos.


Segundo afirmações de alguns professores, pretende-se "Dificultar os chumbos para fabricar o sucesso. É este o objectivo das várias condições que têm de ser cumpridas para se poder reprovar um aluno no básico. Planos de recuperação, justificações escritas e uma legislação que determina claramente que a retenção só ocorre após a aplicação de uma avaliação extraordinária, são alguns dos pressupostos que têm de ser cumpridos. E, para chumbar um aluno duas vezes no mesmo ciclo de ensino, a escola tem de contar com o aval dos encarregados de educação."

 

Não é preciso ir muito longe: na turma da minha filha, existem pelo menos duas crianças que, pela lógica, já teriam ficado retidas num dos anos anteriores. No entanto, até agora, têm passado sempre, talvez devido aos planos de recuperação.

Por outro lado, uma das primas da minha filha chumbou no 2º ano e, no 4º, a professora perguntou aos pais se queriam que ela a passasse ou chumbasse, uma vez que não estava preparada para seguir em frente para o 2º ciclo. Os pais optaram por retê-la mais um ano.


Agora expliquem-me como é que uma criança que passa sempre, sem que esteja em condições para isso, sem que saiba o necessário para isso, chega depois ao 4º ano preparada para uma prova deste género. E porque é que, só na transicção do 1º para o 2º ciclo, há esta preocupação toda para que os alunos passem, sabendo, quando até aí passaram sem saber?


 


 

 

 


A (má) política dos exames

Estamos em épocas de exames, testes, provas e outras invenções que se lembraram de aplicar à educação ao longo dos anos.

Eu devo dizer que não gosto. Não sou a favor. Não acho justo. E não é por considerar que não devam ser feitos, mas por não concordar com o peso que lhes atribuem na avaliação final.

É certo que estes métodos de avaliação incluem matéria que, supostamente, foi dada ao longo do ano e, quem sabe durante o ano todo, também saberá no fim do ano.

Mas o ensino não é semelhante em todas as escolas. Até dentro da mesma escola, os professores podem ensinar de formas diferentes.

Por outro lado, sabemos que cada um de nós se deve habituar a lidar com a pressão, que pode aparecer em qualquer fase da nossa vida.

Mas também é sabido que, nestas ocasiões, o nervosismo, o stress e a pressão podem ter um efeito negativo. Por vezes, bloqueamos. Sabemos tudo, mas naquele momento parece que tudo se apaga.

E não é justo que um simples exame tenha o peso que tem, quando um aluno se esforçou durante meses a fio. Mais injusto é quererem aumentar ainda mais a percentagem, e o número de disciplinas sujeitas a exame.

Não acho bem...e tenho dito!

 

Quando somos o nosso maior inimigo...

Lembro-me de um comentário tão inofensivo e banal que, aos ouvidos de qualquer outra pessoa, poderia ter passado despercebido, como algo que entra por um lado e sai logo em seguida pelo outro. E acredito que não seria mais do que isso.

Mas naquele momento, foi como se se fizesse luz na minha cabeça, ou melhor dizendo, foi o que quase me levou a um caminho bem sombrio.
Tinha 14 anos na altura e, como dizia quem me conhecia, era uma rapariga bem constituída.

Não era magra, como uma das minhas amigas, mas também estava longe de ser gorda.

Naquele dia, estava eu com as minhas duas amigas a conversar, e surgiu aquela frase - de nós 3, eu era a mais "cheinha"!

É óbvio que não devo ter gostado muito dessa ideia. Penso mesmo que foi a partir daí que comecei a fazer a minha primeira dieta.

Fui cortando aqui e ali, deixando de comer isto e aquilo, e os resultados começavam a fazer-se sentir, deixando-me bastante animada.

Tive que apertar quase todas as minhas calças que, entretanto, ficaram largas demais para as minhas pernas, mas via isso como uma vitória!

Fui emagrecendo mais, e mais, e mais - mas para mim não era ainda o suficiente.

Olhava-me ao espelho e pensava - só mais um bocadinho e está bom. Só que por mais bocadinhos que emagrecesse, havia sempre algum que ainda faltava.

Mesmo quando todos à minha volta afirmavam que eu estava demasiado magra, que tinha um corpo bem feito e estava a estragar tudo, eu permanecia cega e surda. E assim passei dos meus 57,5kg para uns míseros 43,5kg.

É o comportamento típico de alguém que sofre de anorexia: uma percepção distorcida do próprio corpo que nos leva a achar que, por mais magros que estejamos, continuamos gordos. Há um medo intenso e irracional de ganhar peso, e enveredamos por rígidas dietas loucas e jejuns que nos levam a uma desnutrição grave e, até mesmo, ao envelhecimento prematuro. Muitas vezes aliamos também uma prática excessiva de actividade física.

Mesmo para pessoas que até se podem considerar inteligentes, tanto a opinião dos outros sobre si, como o estereótipo que lhes impõem, de que a magreza é fundamental para o sucesso social e económico, pode ser determinante para despoletar este tipo de comportamento.

Para quem não conhece o problema, é estranho como alguém "normal" pode considerar-se acima do peso, estando muito abaixo.

Felizmente, não me deu para provocar o vómito, nem tomar diuréticos ou usar laxantes. Nunca cheguei a ser internada nem medicada. Também nunca fiz terapia de grupo nem familiar - nessa altura não havia uma preocupação tão grande com este problema como de há uns anos para cá.

O meu pai tentou muitas vezes chamar-me à razão, alertar-me para o que estava a fazer com a minha saúde. De carne, já quase não havia sinais, a única coisa que se via era pele e osso.

De qualquer forma, pode-se dizer que, apesar de tudo, não fui um caso grave. Ao fim de algum tempo deve ter havido outra luz que voltou a iluminar o caminho certo, e tudo se recompôs.

Cada um nasce com características próprias, aceites de forma inquestionável, até ao dia em que nos lembramos, ou nos lembram, de fazer comparações com outros.
Penso que seja a partir daí que começam a surgir todos aqueles pequenos grandes "defeitos" que nos fazem sentir diferentes, e que queremos à força corrigir.
Não digo que não possamos melhorar algumas coisas que não nos fazem sentir bem, mas não por imposição, não pelos outros.

Claro que, com a maturidade, muita confiança no nosso valor, e a certeza de que não somos apenas um corpo; que não temos que ser de determinada forma para sermos aceites por esta ou aquela pessoa, conseguimos viver sem os fantasmas que muitas vezes nos impedem de sermos nós próprios, e de nos sentirmos bem, com tudo aquilo que nos torna únicos!

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