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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Fruta, peixe e pão fresquinho à porta!

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Quando eu era pequenina,

quando eu era pequenina... (ok, vamos lá deixar de cantorias)

Quando eu era pequenina, havia uma senhora que vinha vender fruta de porta em porta ou, melhor dizendo, parava em determinados sítios ao longo das ruas, apitava, e lá íam as pessoas espreitar o que trazia e comprar frutas e legumes.

Lembro-me de ir, muitas vezes, com a minha mãe. Parava no largo mesmo por trás da nossa casa, ficava perto e tinha produtos frescos, baratos e de qualidade. Mas, ao fim de muitos anos, deixou de aparecer.

 

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Mas a venda de produtos porta a porta não se ficou pela fruta. Começou a vir, entretanto, uma peixeira. Eu não sou muito apreciadora de peixe, mas não sei até que ponto o peixe chegaria às mãos de quem comprava, ainda fresquinho. No entanto, ao fim de algum tempo, foi para outra freguesia, e não voltou.

 

 

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E como nestas coisas de vendas ambulantes não pode faltar o alimento principal, também tivemos uma padeira, que veio fazer esta volta desde que eu era pequena, até a minha filha ter a mesma idade que eu tinha no início!

Entretanto, começou a fornecer para as grandes superfícies.

Agora quase toda a gente tem carro, e vai fazer todas as suas compras às grandes superfícies. Mesmo as pessoas mais idosas, aproveitam a boleia dos filhos e netos. Mas antigamente, havia apenas os mini mercados, que nem sempre ficavam perto de casa. E os preços nem sempre compensavam. 

Por isso, estas carrinhas que vinham vender este tipo de produtos à porta das pessoas tinham muita clientela, e davam imenso jeito.

Recentemente, aqui na zona onde moro, começou a vir novamente uma carrinha de venda de pão. Só prova que, apesar da modernização do comércio, ainda há tradições que se vão mantendo.

 

Quem disse que no Natal...

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...temos que jantar bacalhau cozido com batatas e couves?

Em casa do meu irmão, o Bacalhau foi à Mil Diabos! Já nós, em casa dos avós do meu marido, jantámos um delicioso Bacalhau com Natas!

 

...não ia chover?

Aqui em Mafra, desde a hora do almoço até ao meio da tarde, choveu e com força! Depois, voltámos a ter céu azul!

 

...tem que ser o Pai Natal a distribuir os presentes?

Aqui por casa, foi a Menina Natal que se encarregou disso!

 

...gostamos de ouvir música natalícia a toda a hora?

Gosto de algumas músicas, mas tudo o que é demais enjoa. E as rádios, nesta época, exageram!

 

...que só podemos abrir as prendas à meia noite, ou no dia seguinte, de manhã?

Aqui, abrimos as prendas ao final da tarde do dia 24, antes de irmos jantar ao Alentejo. E hoje, vai a minha filha abrir mais prendas em casa do pai.

 

...os milagres acontecem?

Não foi exactamente um milagre, mas mais uma boa surpresa. O meu marido ficou apenas de prevenção, mas passou a noite de Natal connosco. Por isso, o que seria uma noite em casa a três (eu, a Inês e a Tica), tornou-se num jantar de família fora de casa, com um bom jantar, lareira acesa, e animação.

E foi assim o nosso Natal de 2014, com muitas fugas à tradição, mas mantendo o mesmo espírito!

 

Mutiladas

 

“Nunca deixarei que façam o mesmo à minha filha”

“Não nos tiram só um bocado de pele, arrancam-nos a alma”

 

Maria, Ana, Inês, Alice (nomes fictícios)…mulheres iguais a tantas outras, mas a quem um dia lhes foi arrancado um pedaço dos seus corpos, das suas almas, dos seus sonhos, da sua alegria de viver. No seu lugar existe, desde então, uma vida de revolta, vergonha, dor, tristeza e pesadelo, que dificilmente irão ultrapassar…

A justiça? Essa é complicada! Os três casos de mutilação genital que, até hoje, chegaram aos tribunais portugueses, foram arquivados por prescrição, por falta de provas ou, simplesmente, porque a mutilação não foi considerada ofensa grave, nem qualificada como crime de natureza pública!

É duro e inaceitável que crianças, arrastadas por familiares (normalmente as mães ou avós) contra a sua vontade, imobilizadas por não sei quantas outras mulheres, mutiladas a sangue frio com tesouras, lâminas ou facas, sem quaisquer condições ou apoio médico, não se possam sentir, de alguma forma, justiçadas com a condenação destes monstros para quem, a cultura, a religião, a tradição e a “honra”, servem de justificação válida para este tipo de crime.

Grande parte das mutilações ocorre no país de origem, para onde levam as crianças, normalmente no período das férias.

Essas crianças, mutiladas em idades cada vez menores, para não chamar atenção das autoridades, tornaram-se mulheres mas, tanto física como psicologicamente, sentem-se menos mulheres. Menos mulheres porque sentem dores, porque têm vergonha do seu corpo, porque muitos homens se afastam e as rejeitam ao saberem o que lhes foi feito, porque não conseguem ter prazer durante as relações…

Mulheres que sofrem até hoje, e que recusam fazer as suas filhas passar pelo mesmo terror…E, só por isso, já são grandes mulheres!  

Pão por Deus versus Halloween

Será que a tradição ainda é o que era? Ou estaremos perante mais uma "americanização"?

Segundo o Bispo Auxiliar de Lisboa, grande parte da responsabilidade pela celebração "errada" desta festa é dos professores, tanto nas escolas, como nos jardins-de-infância, ao incentivarem a celebração do famoso Halloween que, diz ele, nada tem a ver com a nossa tradição e cultura.

 

  

 

Em Portugal, no dia 1 de Novembro, Dia de Todos-os-Santos, as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o Pão-por-Deus. Antigamente, as crianças recitavam versos e recebiam como oferenda: pão, broas, bolos, romãs, nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas.

Neste dia, as manhãs eram para as crianças e, à tarde, as pessoas abriam as suas casas para receber familiares e vizinhos, e confraternizar. Normalmente, eram as crianças mais pobres que participavam neste "peditório".

 

Hoje, os meninos batem de porta em porta, e recebem rebuçados, pastilhas, chupa-chupas, chocolates, broas, frutos secos e, por vezes, uma moedinha. Fazem-no, porque é tradição, mas não sabem explicar o que realmente se comemora.


De uma forma geral, é uma festa em honra de todos os santos e mártires, também conhecido pelo dia em que se repartia o pão pelos mais pobres.

 

 

Já o Halloween, celebra-se à noite, véspera do dia de todos os santos, por considerarem que era a noite sagrada.

 

As origens de um e de outro são, basicamente, semelhantes.

O que acontece é que, com o tempo, foram sendo adicionados elementos estranhos a esta comemoração, como os disfarces, e a alusão a bruxas, vampiros, fantasmas e outros.

 

E, de facto, este ano, vimos muitas crianças mascaradas a pedir o Pão-por-deus!

 

Se estamos a adoptar uma tradição e cultura americanizada? Talvez... Mas não será apenas nesta celebração!