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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Fazer a diferença


"Numa manhã de verão, andava um menino na praia a devolver ao mar as estrelas do mar, que as ondas insistiam em trazer de volta para a areia. E assim, com paciência, passou algum tempo até que um turista, que o tinha estado a observar, lhe perguntou porque fazia aquilo. É que a praia era tão grande que ele jamais conseguiria levar adiante, e com sucesso, a sua tarefa. Por isso, não faria diferença devolver meia dúzia delas. Mas o menino respondeu-lhe: talvez em relação à praia toda não faça, mas para aquelas que eu conseguir devolver fará uma grande diferença!"


Embora as pessoas estejam mais informadas e sensibilizadas para determinadas problemáticas, e demonstrem uma maior vontade de agir, fruto de uma evolução da sociedade em diferentes níveis, a verdade é que existem igualmente muitos cidadãos que preferem não agir, não interferir, ignorar, fechar os olhos e viver a sua vida preocupando-se apenas com o que, de forma directa, lhe diz respeito e afecta.

Vivemos numa sociedade muito centrada no "eu". Daí que, muitas vezes, aquelas pessoas que não compartilham desse princípio, fiquem com a sensação que sozinhos, pouco ou nada podem fazer face a uma determinada realidade.

Ainda assim, sendo a sua intenção tão nobre e tão valiosa, não devem deixar que, o facto de não haver mais pessoas a agir, as impeça de fazerem a sua parte.

Mesmo que não seja suficiente, pelo menos tentaram. Não perderam a esperança e lutaram por aquilo que acreditam e acham correcto.

Sozinhos, podemos não fazer muito, mas esse pouco pode fazer a diferença. E quem sabe se outras pessoas, ao nos verem tomar a iniciativa, não nos seguem o exemplo? Alguém tem que ser o primeiro! Se tivermos ajuda, melhor. Se não, pelo menos agimos de acordo com os nossos princípios e valores.

Por outro lado, somente quando "penetramos" e nos envolvemos nas realidades que nos rodeiam, podemos formar juízos de valor e emitir opiniões mais justas. Quem opta por ficar do lado de fora, nunca poderá falar com justiça e veracidade daquilo que não conhece.

Viagem ao mundo da Barbie

 

 

“Chamo-me Barbara Millicent Roberts, mais conhecida por Barbie, e nasci a 9 de Março de 1959. Filha de Ruth e Elliot Handler, vim ao mundo já adolescente e tenho, até hoje, sobrevivido com sucesso ao passar dos anos, juntamente com o meu namorado Ken, e toda a minha família e amigos, que fiz ao longo de todo este tempo.

Acompanhando sempre a época, tanto no vestuário como no corte de cabelo, sempre vivi no mundo da moda, sendo a primeira a ser maquilhada e a receber acessórios.

A minha influência, nos dias de hoje, é visível e marcante, ao ponto de existirem comparações e apelidarem de Barbie alguém que, como eu, é loira ou se veste de rosa. Digamos que criei um padrão de beleza, valorizando a preocupação com a estética, e não é raro muitas meninas e adolescentes se quererem parecer comigo.

Mas gostava, acima de tudo, que me vissem como uma mulher inteligente, amiga, companheira, meiga e politicamente correcta!”

 

Na verdade, cada vez que oiço uma pessoa apelidar alguém de Barbie, o primeiro pensamento que me ocorre é o da “típica loira, burra, e fútil”, que só pensa em moda e pouco mais!

Mas, depois de ter visto todos os DVD´s de desenhos animados da Barbie, percebi que ela pode ter uma influência muito mais importante e valiosa sobre as adolescentes e mulheres.

Em cada filme, há uma mensagem – uma moral da história, um pensamento, um ensinamento, que nos mostra que existem valores e sentimentos preciosos que nunca devem deixar de existir dentro de nós.

A importância da verdadeira amizade, do verdadeiro amor, da liberdade, do nosso próprio valor, da confiança, da coragem…

Lembro-me de uma conversa que me marcou neste último filme, e que dizia respeito ao que era necessário para se ser um princesa – “não é uma coroa que faz de ti uma princesa”. A escola pode, através de aulas de etiqueta, de boas maneiras, de dança e outras, estimular a confiança. Mas confiança sem carácter de nada vale. Muitas alunas aqui têm confiança, mas falta-lhes carácter! (e aqui não pude deixar de pensar que provavelmente é o que acontece com os políticos!) Tu tens carácter, mas falta-te confiança, dizia ela à Barbie.

Por isso, por muito disparatado que possam achar uma mulher de 32 anos adorar filmes da Barbie, é a mais pura verdade, e não tenho vergonha de o dizer.

Pode até ter, e tem, muita fantasia. Mas tem também um fundo de realidade e aposto que se virmos bem, existe um pouco de nós em alguma das suas diversas personagens, existe um pouco da nossa vida em alguma das suas histórias!

Algo de bom que delas podemos retirar, e transportar para o nosso mundo!

Quando os filhos têm vergonha dos pais

 

Depois de algumas horas fechados na sala de aula, chega finalmente a hora do recreio!

Os rapazes vão jogar à bola, enquanto as raparigas se juntam em grupinhos, a conversar ou a brincar com aquelas coisas que trouxeram de casa.

Observo com mais atenção, e descubro uma menina sentada num banquinho, afastada das outras crianças, a comer o seu lanche que a mãe, carinhosamente, lhe preparou.

Vejo no seu olhar, e na sua expressão, que está triste. Ela gostava de estar com as outras meninas. Mas as outras meninas não querem estar com ela.

Afinal, porque haveriam de a incluir naquele grupo de amizades? Quem é ela?

Ela é, apenas, a filha daquele homem que trabalha todos os dias para poder alimentar e dar o que pode à sua família, daquela mulher que, quando não está a trabalhar, fica em casa com os seus filhos, e vai levá-los e buscá-los à escola naquele velho Renault Clio que, provavelmente, não se importariam de trocar por outro mais novo, houvesse dinheiro para tal. Mas não há, e afinal de contas, é preferível ter aquele do que não ter nenhum.

Ela é, apenas, uma menina que não veste roupa de marcas famosas. Certamente, muitas das suas roupas nem novas são – foram dadas por outras pessoas a cujos filhos já não serviam. Embora os pais lhe possam comprar uma ou outra peça naquelas lojas mais baratinhas, ou numa qualquer feira.

Num meio onde vivem, em maioria, crianças filhas de pais ricos, com dinheiro, donos disto e daquilo, não é fácil ser pobre, não usar roupas de marca, andar num carro velho, e não ter brinquedos de última geração!

Aquela menina, é uma menina a quem os colegas põem de parte, por todos esses motivos Uma menina que todos os dias ouve os colegas chamarem-lhe as mais variadas coisas, que todos os dias é insultada e enxovalhada.

É uma menina triste e solitária, que só desejava ter amigas como qualquer outra criança, que só desejava brincar e ser aceite pelos colegas, que só desejava não ser discriminada pelas condições de vida que os pais lhe podem proporcionar…

Uma menina que, como qualquer ser humano, tem sentimentos…

E pergunto-me? Será a pobreza motivo para ter vergonha dos pais? Será uma justificação válida para tal?

Ou deve, pelo contrário, ser um motivo de orgulho para os filhos, saber que tudo o que têm, nem sempre muito, foi conseguido com muitos sacrifícios, esforço e dedicação dos seus pais, para que nunca lhes faltasse o essencial?

Não nos devemos sentir gratos quando, por exemplo, uma mãe abandonada pelo companheiro ainda grávida, cria a seu filho sozinha, trabalhando de sol a sol, muitas vezes passando fome para que não falte alimento ao filho, juntando todo o pouco dinheiro que conseguiu na sua vida para pagar os estudos ao filho e vê-lo formado em medicina?

É triste quando esse filho não reconhece tudo o que foi feito por ele, quando esse filho tem vergonha da própria mãe, quando finge não a conhecer e mente a todos sobre a sua família, quando esse filho só pensa no seu próprio bem-estar e comodidade, quando esse filho tem nojo da comida que a mãe, dentro das suas possibilidades, lhe pode pôr no prato, quando esse filho tem vergonha da casa pobre onde vive, não percebendo que ter um tecto para o acolher e abrigar, já é uma bênção.

Esse sim, é um bom motivo para se ter vergonha – não da pobreza material dos pais, mas da pobreza de valores morais de filhos!

Quando a decisão é nossa

Faz hoje nove anos que morreu a “Fofinha” - a minha gatinha!

Foi lá para casa pequerrucha, com apenas dois meses, e desde então muitas foram as aventuras que vivemos.

Desde pequena que se habituou a dormir comigo – o meu pai tirava-a de lá, e ela voltava!

Costumo dizer que, em termos de personalidade, era muito parecida comigo, meiguinha quando queria, e para quem queria, mas também “brava e feroz”, como me chamou a minha filha no outro dia!

O que ela mais adorava era estar ao meu colo, brincar com os meus cabelos e ocupar o meu lugar na cama quando eu me levantava para ir para a escola! Parecia uma autêntica criança, com a cabeça na almofada e toda tapada. Pelo menos podia estar à vontade, porque durante a noite, enroscava-se nas minhas pernas e, se eu por acaso a incomodasse, arranhava-me e ia embora, mas dali a pouco lá estava ela outra vez!

Dar-lhe banho, cabia ao meu pai, equipado a rigor e com luvas, porque ela detestava a água, e era uma autêntica guerra! Assim que terminava, era vê-la sair disparada com os pelos em pé, e lavar-se ela própria à sua vontade!

As vacinas eram outro martírio – até o próprio veterinário tinha medo de segurá-la!

Esteve comigo desde os meus nove anos, e eu adorava aquela gatinha selvagem, mas que trouxe alegria a todos lá em casa.

Até que um dia ela ficou doente, e no estado em que estava não havia nada que se pudesse fazer por ela.

A cada dia ela piorava, notava-se que já não era a mesma, estava debilitada, só se sentia bem deitada e, muitas vezes, nem assim. Era evidente que sofria, tinha dores, e nós apenas podíamos assistir, impotentes.

Foi nessa altura que o meu pai sugeriu que talvez o melhor fosse abatê-la, para lhe evitar mais sofrimento.

E eu, claro, fiquei revoltada com tal absurdo (porque para mim o era). Como é que o meu pai podia pensar em tal coisa? Em matar a minha gata que há tantos anos estava connosco? Será que ele não gostava dela tanto quanto eu? Será que não se sentia mal só de pensar em cometer tal crime?

Por muito que o meu pai me explicasse que era o melhor para a Fofinha, que ia acabar de vez com o sofrimento dela, que a morte era certa e não havia mais nada que pudéssemos fazer, e por isso mesmo mais valia antecipar-lhe o destino, eu simplesmente não conseguia compreender.

Infelizmente por um lado, mas felizmente por outro, uns dias mais tarde ela acabou mesmo por falecer. E acreditem ou não, foi um peso que me saiu de cima – o peso de ter que tomar aquela decisão que o meu pai esperava!

Sim, era apenas um animal. Mas para mim, seja qual for o ser vivo, racional ou irracional, não há distinção.

É um assunto bastante delicado e polémico, em que há vozes a favor e contra, em que há argumentos de peso para ambos os pratos da balança.

Não me cabe a mim julgar quem pende para um lado ou para o outro – só quem vive e passa por esse tipo de situações sabe o que sente e aquilo que a sua consciência lhe diz. Tenho a certeza que, qualquer que seja a decisão tomada, será sempre difícil. E mexe com muitos valores éticos e morais.

No caso da minha gata, talvez se ela falasse, fosse tudo muito mais simples. Poderia dizer-nos o que ela própria desejava.

É o que acontece com a eutanásia – em que o paciente pede voluntariamente para morrer. Mas, mesmo sendo aplicada só a pedido dos pacientes, há sempre aqueles que não têm capacidade para decidir, como crianças ou pessoas mentalmente incapazes. E nesses casos, quem decide por eles?

Em Portugal, esta prática, pela qual se abrevia a vida de um doente crónico e incurável, num estado de imenso sofrimento físico e psíquico, de forma controlada e assistida por um especialista, facultando uma morte sem sofrimento, é ilegal.

Pelo contrário, na Holanda, há já alguns anos que o parlamento aprovou a lei, e esta entrou em vigor.

Aí, parece que os médicos obedecem a regras rigorosas, e os processos são fiscalizados por comissões, compostas por um médico, um jurista e um especialista em ética, sendo que a eutanásia só pode ser realizada pelo médico que acompanhe de perto o estado de saúde do doente em questão, e sempre depois de ouvida uma segunda opinião de outro médico. No caso de menores, o consentimento é dado pelos pais. E para aqueles que não tenham expresso essa vontade, por escrito, quando chega o momento da verdade, quem decide por eles?

Continuo a preferir acreditar que os avanços da medicina vão permitir a todos aqueles que algum dia se encontrem nestas circunstâncias, viverem sem grande sofrimento até que a morte natural aconteça.

Mas se isso não for possível, espero nunca ter que vir a tomar essa assustadora decisão, entre a vida e a morte…