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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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Encontro com o Destino, de Lesley Pearse

Bertrand.pt - Encontro com o Destino

 

No início de 2020, li "Até Sempre, Meu Amor", da mesma autora, e ficou a vontade de ler uma continuação da história.

Queria ver o crescimento de Camellia, a descoberta da verdade, e como ela reagiria a tudo.

Queria ver a felicidade brindar a Ellie, para variar.

E, quem sabe, assistir a um pouco mais da nova Bonny, nas décadas seguintes.

 

Lesley Pearse fez a vontade a todos os leitores que partilhavam do mesmo desejo, e brindou-nos com tudo isto em "Encontro com o Destino", onde vamos reencontrar Ellie, Bonny e Edward, entre outras personagens presentes no início da história das duas amigas, mas também acompanhar o crescimento e as dificuldades que, também Camellia, terá que enfrentar durante longos anos.

 

Na verdade, tudo começa com a morte de Bonny, um aparente suicídio que irá desencadear todos os acontecimentos seguintes na vida de Camellia.

A determinado momento, poderemos até pensar que a história poderá estar a repetir-se, mas não.

Camellia tem a sua própria história e percurso, também com altos e baixos, mas será, maioritariamente, um percurso solitário, de descoberta da verdade sobre as suas origens, sobre a sua família, e sobre si mesma.

 

A nova Bonny, com a qual nos surpreendemos no final do livro anterior, durou pouco tempo. Talvez a morte inesperada de John tenha accionado o gatilho para a velha Bonny que, nos últimos anos, estaria longe de ser a mãe que outrora fora.

Quanto a Ellie, a felicidade continuou a passar longe dela. Apesar da fama alcançada com os seus filmes, e reconhecimento enquanto actriz, faltava-lhe o principal - aquela de quem tinha abdicado, pelo bem estar desta, e pelo seu próprio sonho.

O preço pago foi demasiado alto, e as repercussões não se fizeram esperar.

 

Com a morte de Bonny, Camellia descobre que John não era o seu verdadeiro pai e, através das cartas guardadas pela mãe, vai dar início a uma busca pela verdade, mal sabendo ela que, também Bonny, não era a sua mãe biológica.

 

Em "Encontro com o Destino", vamos acompanhar a vida de Camellia ao longo de 9 anos, desde os seus tempos como empregada numa padaria, às noites num clube londrino como acompanhante, como secretária num hotel de luxo, ou chef de restaurante, como ladra.

De menina gorda a mulher elegante. De inocente, a experiente.

Vamos acompanhar as amizades, as paixões, as relações destrutivas, o amor verdadeiro mas proibido.

E, claro está, a descoberta de toda a verdade sobre quem é, de onde vem, e quem é a sua família.

Haverá surpresas, alegrias, mas também momentos tristes.

 

Pessoalmente, não gostei da transformação que fizeram à personagem do Edward. Suponho que alguém teria que desempenhar aquele papel e, quem melhor que ele, para tal? Mas prefiro ficar-me com a imagem com que me despedi dele, no livro anterior.

 

Como quase todos os livros de Lesley Pearse, também este tem um número considerável de páginas - 736 - mas que é devorado num instante.

E fica assim fechada, definitivamente, esta história de mulheres tão diferentes entre si mas, no fundo, com desejos comuns - ser amadas, ser felizes, ser diferentes...

Poder-se-á dizer que este "Encontro com o Destino" é um "Até Sempre, Ellie!", "Até Sempre, Bonny!", "Até Sempre, Camellia!".

  

Desejos que se concretizam

 

Em Janeiro deste ano, escrevia eu, a propósito do romance "Até Sempre, Meu Amor", da Lesley Pearse:

"Gostaria de ver esta história continuada, à semelhança do que a autora fez anteriormente, com outras como a de Belle.

Queria ver o crescimento de Camellia, a descoberta da verdade, e como ela reagiria a tudo. Queria ver a felicidade brindar a Ellie, para variar.

E, quem sabe, assistir a um pouco mais da nova Bonny, nas décadas seguintes."

 

E eis que hoje, me deparo com esta novidade que é, nada mais nada menos, que "... a continuação da história de Ellie e Bonny, as inesquecíveis protagonistas de Até Sempre, Meu Amor."

"Até Sempre, Meu Amor", de Lesley Pearse

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Ellie e Bonny não poderiam ser mais diferentes, em todos os sentidos.

Ainda assim, viriam a ter muito mais em comum, do que pensavam.

Quis o destino que as duas se viessem a conhecer, e a trabalhar juntas, na concretização dos respectivos sonhos.

E nasceu uma amizade improvável, que foi sobrevivendo ao passar dos anos.

Seria mesmo amizade, aquilo que as unia?

 

A mim pareceu-me que ambas se juntaram pela semelhança das circunstâncias em que se encontravam, pelo sonho comum, pelo apoio e força que iam buscar uma à outra.

Com Bonny, sem dúvida, a pedir muito mais de Ellie, do que o contrário, e a falhar muitas vezes, quando Ellie precisava.

Poder-se-ia dizer, até, que Bonny prejudicava mais Ellie, do que ajudava.

Ainda assim, nenhuma se conseguia afastar da outra, nem romper a ligação.

 

Bonny era a menina mimada, caprichosa, aventureira, habituada a fazer tudo o que queria, à sua maneira, a manipular as pessoas consoante os seus interesses, até mesmo a utilizá-las para seu benefício, enquanto assim o entendesse, descartando-as quando já não precisasse delas.

Ellie, era bondosa, amiga, ingénua, divertida, confiava e tentava ver sempre o melhor nas pessoas. Era leal, e tinha tendência a pensar mais nos outros, que em si própria.

À medida que os anos vão passando, elas percebem que, à excepção de meia dúzia de pessoas, só podem contar mesmo uma com a outra, para o bem e para o mal. E estiveram lá, até ao fim.

Talvez também isto seja amizade.

 

O passado foi doloroso e complicado para ambas, mais para Ellie mas, ainda assim, não as definindo para sempre, conseguiu transformá-las nas mulheres em que se viriam a tornar.

Se tivesse que definir esta história, baseada na Ellie, em duas palavras, seria superação e abdicação.

Superação por tudo o que de mau lhe aconteceu, por tudo o que perdeu, e abdicação, por tudo o que teve que abrir mão, pelo desejo de concretizar o seu sonho.

Já quanto a Bonny, seria, acima de tudo, irresponsabilidade e maturidade. Foi incrível ver como a menina que faria tudo para ser bailarina, e ter na mão quem ela quisesse, sem olhar a meios para atingir os seus fins, se transforma numa mulher que em nada faz lembrar quem ela outrora foi.

 

"Até Sempre, Meu Amor" poderia ser uma história sobre uma despedida amorosa, ou sobre a separação de duas amigas. Mas não. Embora, no fundo, estes factores também estejam presentes, o segredo é bem mais poderoso.

É uma despedida de alguém muito especial que, para o bem de todos, nunca deverá saber a verdade sobre as suas origens.

Talvez não seja possível compreender, aceitar ou, mesmo, perdoar. Talvez seja mais fácil julgar, condenar, abominar aquela decisão final. 

Mas "Até Sempre, Meu Amor" é, ainda assim, uma história de amor. De amor a uma mãe. De amor a uma tia. De amor ao sonho. De amor à sua amiga. De amor a uma filha. E, sobretudo, de amor a si mesma. 

 

Gostaria de ver esta história continuada, à semelhança do que a autora fez anteriormente, com outras como a de Belle.

Queria ver o crescimento de Camellia, a descoberta da verdade, e como ela reagiria a tudo. Queria ver a felicidade brindar a Ellie, para variar.

E, quem sabe, assistir a um pouco mais da nova Bonny, nas décadas seguintes.

O Dia Em Que Te Perdi, de Lesley Pearse

Imagem relacionada

 

 

“O Dia Em Que Te Perdi “ refere-se a uma irmã que, de um momento para o outro, perde o seu irmão gêmeo, a única pessoa com quem podia contar na vida.

Mas poderia aplicar-se às várias perdas que ambos foram tendo nos últimos meses.

 

 

O dia em que perderam a mãe, enviada pelo pai para uma clínica especializada em pessoas com doenças mentais, após uma tentativa de suicídio que, felizmente, foi travada a tempo.

O dia em que perderam o pai, que os entregou em casa da avó para que se distraíssem e não pensassem tanto na mãe, enquanto ele cuidava da sua vida sem os filhos.

O dia em que perderam a sua casa, onde sempre tinham vivido e crescido.

E, finalmente, o dia em que Duncan desaparece.

Diz-se que os gêmeos pressentem tudo o que se passa ou acontece um com o outro, seja algo bom, ou mau.

Mas, será isso o suficiente para os ajudar?

 

 

Ainda assim, nem só de perdas é feita a história de Maisy e Duncan.

Existem pessoas que passaram a fazer parte das suas vidas, que os transformaram pela positiva, que lhes deram aquilo que nunca o pai nem a mãe, nem tão pouco a avó, conseguiram dar, e que cuidaram deles e os amaram como mais ninguém.

Apesar dos seus próprios problemas. Apesar de terem todos os motivos para estar de mal com a vida.

 

 

Esta nova história da Lesley Pearse, muito diferente de tudo o que a autora tem escrito até hoje, aborda o tema da pedofilia, misturada com sadismo.

A vida de aparências.

A educação rígida e desprovida de demonstração de sentimentos.

A excessiva protecção, associada a uma inexistente comunicação entre pais e filhos.

 

 

Quando Duncan desaparece, Maisy e Grace parecem ser as únicas verdadeiramente interessadas em procura-lo, e a não desistir de o encontrar, apesar de os meses irem avançando sem notícias. Apenas elas parecem conhecer verdadeiramente Duncan, a ponto de saber que ele não fugiria de livre vontade.

E serão elas a fazer o trabalho que a incompetente polícia não consegue levar a cabo.

Mas será isso o suficiente para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de Duncan, e salvá-lo, sem perderem, elas próprias, a vida?

Duas Mulheres, Dois Destinos, de Lesley Pearse

Foto de Marta E André Ferreira.

 

Como afirmei há alguns dias, estava com algum receio de ler este livro porque, mais uma vez, a temática da guerra estava presente.

Ainda assim, arrisquei. E não me arrependo.

A autora conseguiu, desta vez, deixar a guerra para segundo plano, e focar-se noutros aspectos da história.

 

Ruby e Verity são duas crianças totalmente desconhecidas uma da outra e que, por mero acaso, se encontram lado a lado a observar a mesma cena, dando início a uma conversa banal, mas que levará a uma futura amizade.

Ruby é filha de uma prostituta alcoólica, e só conhece a pobreza e o abandono. Verity, de boas famílias, vive com todo o conforto que o privilégio garante.

Mas a vida consegue pregar partidas e surpresas que ninguém esperaria e, um dia, no meio do azar, a sorte bate à porta de Ruby, afastando-a de um meio onde não teria futuro, e dando-lhe esperança numa vida melhor. Enquanto isso, o mundo de Verity desmorona, e ela terá que ser muito forte para o que aí vem, sobretudo depois de a sua melhor amiga lhe enviar a mensagem "Morreste para mim", pondo assim um ponto final numa amizade que se julgava ser para sempre.

 

Enquanto Ruby tem um bom emprego, uma mãe adoptiva que a ama, e até o namorado dos seus sonhos, Verity vai ter que arranjar forma de se sustentar, depois de perder a mãe, a tia, e não ter qualquer dinheiro para a ajudar. E terá ainda que se desprender das garras do homem que sempre julgou ser seu pai, e que a vai obrigar a passar pelas situações mais degradantes que se possam imaginar.

 

Que futuro estará reservado a estas duas adolescentes, que se vão tornando mulheres? Poderá a amizade entre as duas ser retomada? Conseguirá, do final, alguma sobreviver e ser feliz?

 

Sobre esta mesma temática, confesso que não foi dos livros mais cativantes que já li mas, ainda assim, recomendo!