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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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À Conversa com os Donna Maria

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A Miguel Majer, fundador e mentor dos Donna Maria, que assina desde sempre grande parte das letras e músicas, a produção musical e os arranjos, juntou-se Inês Vaz, acordeonista e pianista.

Nos últimos anos, começaram a trabalhar no quarto álbum dos Donna Maria, intitulado "PLASTICIDADES", lançado a 20 de setembro, que conta com mais de duas dezenas de músicos.

Fiquem a conhecê-los melhor, e ao novo trabalho, na entrevista que se segue:

 

 

 

 

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Quem são os Donna Maria?

Donna Maria é um projecto que nasceu em 2004 com a edição do primeiro trabalho "Tudo é para sempre", sendo "Plasticidades" o quarto disco. Eu (Miguel Majer) e a Inês Vaz somos actuamente os músicos e produtores do projecto mas que envolve um sem número de colaborações.

 

 

Como é que surgiu este projecto?

Surge em 2003 na sequência de uma banda de versões que se chamava XL Femme.

Eram integrantes a cantora Marisa Pinto, actualmente Marisa Liz, e o teclista Ricardo Santos, para além de eu próprio.

Na altura propus a ideia aos outros elementos. A ideia era simples: Uma fusão de pop, eletrónica e elementos de música tradicional portuguesa que, ao contrário do que acontece hoje, não era nada comum há 15 anos.

Foi um grande desafio e enorme aventura que acabou por dar certo. Artisticamente e também do ponto de vista da indústria pois o disco recebeu o galardão de "Disco de Ouro". Esse foi o ponto de partida.

 

 

Como descreveriam o vosso percurso musical, desde a formação, até ao presente?

Uma das coisas mais difícil é, definir musicalmente os Donna Maria. Não sei se é bom ou mau. Provavelmente não será nem uma coisa nem outra. Não sei responder.

Fomos alterando ao longo do tempo mas a matriz pode-se identificar ao longo de toda a nossa discografia. Existe um fio condutor no percurso, mesmo com as alterações na formação. Pelo menos é essa a ideia que nos chega através de quem nos ouve.

O nome PLASTICIDADES tem exatamente a ver com isso. Depois de tudo, não somos o que éramos mas viemos de onde partimos.

 

 

O Miguel e a Inês são os grandes responsáveis pela grande parte das letras e músicas. Em que/ quem se inspiram para as criar?

Eu acho que a criação tem sempre algo de autobiográfico, mesmo que seja o resultado da observação.

Mas nos Donna Maria e aqui falo como letrista, tenho o desafio de escrever para mulheres, pois são cantoras que vão interpretar as canções. O resultado é curioso pois é: o que pensa um homem de como as mulheres pensam?

Acredito que em muita coisa não seja tão diferente assim mas não deixa de ser um mundo feminino visto por um homem. Quanto às músicas, não existe uma fórmula definida. A mais comum é criar uma melodia que depois será trabalhada em parceria que normalmente é com a Inês Vaz, embora neste disco tenha parcerias com o Paulo Abreu Lima e com o músico e produtor brasileiro, Marcos Romera.

 

 

“Plasticidades” é o vosso mais recente trabalho, editado a 20 de setembro, numa altura em que celebram 15 anos de carreira. De que forma é que a vossa marca continua a estar presente, e o que traz de novo este álbum?

Nunca fomos um projecto que tinha como objectivo editar um disco de 2 em 2 anos. Muito pelo contrário. Nos últimos anos a distância entre os trabalhos aumentou ainda mais. Isso reflete a decisão de sermos mais independentes o que nos trouxe maior liberdade artística e com menos pressão. Essa decisão é uma enorme alteração em todo o processo.

Este disco será talvez, aquilo que habitualmente se denomina como "menos comercial" mas por outro lado é de uma honestidade e liberdade que não tem preço. Por tudo isso a ideia de "marca" está fora do nosso vocabulário quando falamos de criação artística.

Essa ideia já foi uma realidade mas faz tempo que deixou de ser. Essa perspectiva não deve ser utilizada por quem está diretamente envolvido no processo criativo. Existem editoras, managers ou agentes para pensar essa perspectiva.

 

 

 

 

 

O novo álbum contou com mais de duas dezenas de músicos e foi gravado ao longo dos últimos três anos. Como foi todo este processo de produção e gravação?

A resposta a esta questão daria um livro. Mas em jeito de resumo...

Donna Maria tornou-se um espaço de liberdade criativa que, apesar de ter uma direção, importa várias influências de outros músicos, letristas, compositores, arranjadores, cantores ou mesmo produtores.

Foi muito enriquecedora toda a experiência destes 3 anos de pura gestão de talento e criação. Nunca um disco dos Donna Maria teve, como este Plasticidades, mais de duas dezenas de participantes com um período de gravação tão largo.

É sem sombra de dúvida o trabalho mais amadurecido do projecto e também o mais arriscado. É bastante intuitivo e pouco "pensado".

 

 

A vozes já conhecidas, de outros trabalhos vossos, juntaram-se agora novas vozes, como Camille, Brienne Keller, Daniela Maia, as fadistas Nadine e Filipa Tavares, ou a cantora mexicana, Jacqueline Fernandez. Como surgiram estas colaborações?

A Daniela já tinha participado num concerto nosso e teve sempre por perto no processo apesar de morar no Porto. Conhecia-a através do MySpace em 2004 e desde aí sempre quis fazer alguma "coisa" com a Daniela. Só foi possível passados mais de 10 anos mas aconteceu, e o resultado foi muito bom.

A Camille e a Brienne são irmãs mas com vozes de características muito diferentes. Ambas foram agradáveis surpresas. A Nadine e a Filipa Tavares são fadistas que atuam no circuito lisboeta de casas de fado e foram indicadas por colegas músicos. Trouxeram muita autenticidade às canções.

Já com a Jacqueline Fernandez estava a jantar no Braço de Prata e ouvi ao longe uma voz que me chamou a atenção. Dirigi-me à sala do espetáculo e ouvi duas músicas. Fiquei de tal forma rendido que pensei: "temos que arranjar uma maneira de a encaixar no disco".

No dia seguinte e depois de falar com a Inês Vaz, contactei-a através do facebook e rapidamente combinámos tudo. Foi curioso o facto de ela dizer que desde que está em Portugal - pois a Jacqueline é uma mexicana a viver em Lisboa - só tinha sido convidada por uma vez para participar num disco de um artista e logo pelo José Mario Branco. Que melhor prenúncio poderia ter?

 

 

“Tua”, o single de apresentação, conta com a voz de Joana Amendoeira. Sobre o que nos fala esta música?

A letra é do Paulo Abreu Lima em parceria comigo. Fala de um amor vivido durante o Carnaval. Ideia do Paulo que adorámos.

 

 

Por onde vão andar os Donna Maria nos próximos meses?

Estamos a preparar o concerto de apresentação do novo disco.

 

 

Que objectivos gostariam de ver concretizados, a nível musical, num futuro próximo?

Não fazemos grandes planos. Queremos levar este disco onde fizer sentido pois só assim valerá a pena. Este desejo já envolve muito de muita gente.

 

 

De que forma é que o público vos poderá seguir ou acompanhar?

Facebook, Youtube e Instagram.

 

Muito obrigada!

 

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também a imagem e o vídeo.

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