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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Em que consistem as aulas de substituição?

 

Na quarta-feira foi dia de reunião escolar para avaliação do 2º período.

O tema principal, e quase exclusivo da reunião, foi a professora de Matemática e Ciências Naturais, e as aulas de substituição.

Isto porque esta professora, de quem nunca gostei desde o 5º ano (e ao que parece não sou a única), para além de faltar constantemente, e de não saber dar a matéria nem explicar aos alunos, nem tão pouco incentivá-los, decidiu ficar de baixa por um mês!

Para vir um professor substituto, que venha para dar seguimento ao trabalho e dar a matéria, há todo um processo burocrático que, como calculam, leva tempo - têm que ver se há algum professor disponível pertencente aos quadros, se não houver, a escola tem que recorrer a uma bolsa de professores e escolher o que lhe pareça mais adequado, contactá-lo e esperar que ele venha conhecer a escola. Este professor poderá aceitar ou não o cargo. Se não aceitar, a escola volta a recorrer à bolsa, e assim sucessivamente.

Em termos práticos,vão ficar vários dias sem aulas de matemática e ciências naturais.

Sabendo de antemão que os filhos não terão essas aulas, perguntaram, e bem, os pais ao director de turma, se os filhos poderiam ficar em casa, por exemplo, quando essas aulas coincidiam com o primeiro ou o último (ou único) tempo do horário?

A resposta é não! Porquê?

Porque era suposto terem aulas, e se não têm aulas da respectiva disciplina, podem vir a ter aulas de substituição. Nesse caso, se não estiverem presentes, têm falta!

Perguntam então os pais: "Mas garantem-nos que há sempre aulas de substituição?".

Responde o director de turma: "Não! A escola não tem muitos recursos, nem sempre haverá professor disponível para substituir a colega que falta. Mas, ainda assim, os alunos têm que estar presentes e esperar para ver se há ou não aula de substituição."

Mesmo quando confrontado com alguns pais, que explicaram que os filhos precisam de apoio ao estudo e que têm outros locais para os filhos frequentarem nesses tempos, o director de turma relembrou que os alunos podem faltar, se os pais assim entenderem, mas são os pais a assumir a responsabilidade, e os alunos têm falta.

Mas porquê tanta polémica com as aulas de substituição?

Exactamente porque é sempre uma incógnita saber se haverá ou não. 

Porque o professor que esteja disponível, nem sempre é da disciplina que os alunos iriam ter, logo, não poderá dar matéria daquela disciplina, porque não estará habilitado para tal.

Por isso mesmo, e porque nem sempre haverá uma planificação para ocupação desse tempo de aula, os alunos acabam por passar o tempo a brincar com o telemóvel, a colar cromos em cadernetas, a fazer desenhos ou outras actividades pouco produtivas ou educativas, ou simplesmente a olhar para o ar, à espera que o tempo passe.

Então, de que adianta haver essas aulas? É o sistema! É assim e é para cumprir, ainda que na maioria das vezes não funcione como deveria.

Mas há sempre o outro lado da questão. Quando confrontados com aulas em que os professores até estão interessados em ensinar ou fazer revisões, por exemplo, são os próprios alunos que reclamam, que não estão dispostos a ter uma aula de uma disciplina que nem sequer era a que iam ter naquela hora.

Eu continuo a não concordar com o sistema. 

Se for um furo entre aulas, aceito e compreendo que não faça sentido os alunos sairem da escola (embora no meu tempo isso acontecesse).

Nos restantes horários, e se os pais não têm com quem deixar os filhos, também é preferível estarem na escola. Ou se garantirem que terão sempre um professor disponível, e um planeamento adequado.

Senão, que sentido faz as crianças levantarem-se cedo para ir à escola e passarem lá várias horas sem aulas, mas sem poder ir para casa sob pena de falta? De que adianta ir à escola e não aprender nada, ou não ter uma actividade lúdica produtiva, se os pais até têm outras soluções mais benéficas para os filhos?

Que sentido faz o acto de ter que marcar presença se, na prática, ninguém está com vontade de ali estar, ou minimamente atento ao interessado no que o eventual professor de substituição propuser fazer?

Mas é assim...é o sistema que temos!