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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Eram felizes, e não sabiam...

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Eram miúdos.

Brincavam na rua. 

Corriam pelos montes.

Aventuravam-se...

 

Caíam, e levantavam-se.

Mesmo com um joelho esfarrapado, ou um braço arranhado.

Não tinha importância.

 

Mergulhavam no tanque.

Tomavam banho à mangueirada.

Que importava?! Queriam era refrescar-se!

 

Madrugavam. Com o nascer do sol.

Acordavam ao som dos animais. 

Aqueles com quem conviviam, até irem parar ao prato. 

 

Alimentavam as galinhas.

Passeavam as cabrinhas.

Bebiam leite das vacas.

 

Corriam atrás das borboletas.

Fingiam caçar os pássaros.

Sonhavam ao ver os pirilampos.

E chegavam, ao fim do dia, cansados.

A olhar o céu estrelado, antes de fechar os olhos.

 

Ali, eram como uma grande família.

Uma família onde passavam os verões. As férias. Ou o ano inteiro.

Uma família com a qual cresceram.

Os pais, os tios, os avós, os vizinhos.

 

Os mimos.

A comida especial.

O aconchego.

 

Mas, um dia, quiseram partir.

Ou tiveram que partir.

E tudo mudou.

 

Os anos passaram.

Os avós, partiram. 

Os tios, partiram.

Os pais, partiram.

Alguns vizinhos, partiram.

 

Alguns miúdos, agora adultos, tentaram manter a ligação. A tradição. As memórias. 

Tentaram diminuir o efeito do tempo. Honrar a família.

E preservar aquele que será, sempre, o seu verdadeiro lar.

Onde podem reencontrar a felicidade, a paz, a tranquilidade.

A sua essência. As suas raízes. 

 

Outros, afastaram-se de vez.

Quebraram a ligação.

Abandonaram o passado, e não fazem ideia de lá voltar.

E, com esse abandono, com esse esquecimento, tudo o que lhe dizia respeito se foi degradando. aos poucos.

Tudo se foi perdendo.

 

No seu lugar, restam as lembranças de quem ainda por lá anda. As saudades de quem ainda por lá vai passando.

Quem sabe, um dia, a vida não volta àquelas casas, àquelas terras, àquelas gentes?

Quem sabe, os filhos pródigos não voltam, ao lugar onde eram felizes, e não sabiam, na esperança de agora, sabendo-o, voltar a ser...

 

 

Imagem de Nellya Brito

Este texto surgiu na sequência da imagem da Nellya. Mal a vi, vieram-me várias reflexões à mente.

A Nellya desafiou-me a escrever uma delas. E aqui está!

 

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