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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Jogos Cruéis", de Jodie Picoult

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"Quando menti, acreditaram em cada palavra. E quando contei a verdade ninguém me deu ouvidos."

 

Como é que uma verdade se transforma numa mentira, e uma mentira se transforma numa verdade que, um dia, voltará a ser mentira?

Simples. Ou talvez não...

Se contarmos uma verdade em que seja difícil acreditar, seja por que motivo for, tendem a pensar que mentimos.

No entanto, se aquilo que, até então, parecia inacreditável, voltar a ser contado, por outros, se calhar até é verdade.

E, ao ver que, finalmente, se acredita na verdade, se calhar, se se contar uma mentira como se fosse verdade, também será credível. E acaba por ser.

Até que se torna sistema e, como tal, desacredita-se.

Por isso, da próxima vez que alguém contar a verdade, ela voltará a ser encarada como mentira.

Confuso, não?

 

Mas é à base da verdade, e da mentira, que se faz esta história da Jodi Picoult, em que um homem, Jack, acusado de um crime sexual, que afirma não ter cometido, cumpre uma pena reduzida conseguida por acordo, e se vê, agora em liberdade, a ter que reconstruir a sua vida, com o estigma de abusador, que afirma não ser.

Sem ter ninguém à sua espera, nem sítio para onde ir, acaba por ficar em Salem Falls, onde é contratado por Addie, para trabalhar no seu restaurante.

 

E é em Salem Falls que a sua vida vai voltar a ficar virada de pernas para o ar, quando uma outra asolescente o acusar de a ter violado.

Com um crime semelhante no cadastro, uma condenação anterior, as coisas não lhe são favoráveis.

Ninguém ali o conhece, e não tem por que acreditar num estranho.

Nem mesmo Addie, que entretanto se apaixonou por Jack, acredita na sua inocência. Afinal, vendo bem, ela também não o conhece.

 

E se nem mesmo os seus amigos, colegas de trabalho, e a própria mãe, acreditaram nele, da primeira vez...

Aliás, a mãe de Jack, lidando diariamente com vítimas de agressões sexuais e violência doméstica, não acredita que uma mulher minta sobre algo assim. Logo, o seu filho, é culpado.

Já Addie, tem alguma dificuldade em pensar que alguém mentiria sobre algo tão traumático que ela própria, naquela idade, experienciou. 

 

Na noite em que Gilliann afirma ter sido violada, Jack tinha sido agredido, tinha discutido com Addie, e tinha estado a beber num bar.

Na hora do crime, ninguém pode afirmar que o viu, ou esteve com ele.

Jack não se lembra de nada.

Mas afirma, novamente, a sua inocência.

Chega mesmo a dizer que nunca esteve naquele sítio.

 

Só que, na verdade, ele esteve no local onde ocorreu a violação.

Ele teve contacto com a alegada vítima.

E há sémen no interior da coxa dela.

 

Restam poucas dúvidas sobre o que poderá ter acontecido, até porque as amigas de Gillian confirmam a história.

No entanto, estas adolescentes têm andado a fazer coisas estranhas.

Armadas em "bruxas de Salem Falls".

A querer experimentar os seus poderes para salvar. Mas também para destruir quem se atravesse no seu caminho, ou considerem que merece um castigo.

Essas coisas estranhas envolvem rituais, feitiços, amarrações e drogas.

Drogas que provocam alucinações.

 

Ainda que as provas sejam reais.

Inconclusivas, mas reais.

 

Sabemos que, da primeira vez, Catherine mentiu, acusando Jack de algo que ele não fez.

Será que Gillian está a fazer o mesmo?

Ou, desta vez, aconteceu mesmo?

 

Não direi que este é o melhor livro da autora porque, para mim, existem um ou dois melhores.

Mas é, sem dúvida, muito bom!

É um livro que mostra como uma pequena mentira pode causar danos irreparáveis da vida de alguém.

E como situações, que nunca deveriam acontecer, implicam consequências para quem sofre os abusos, que depois se reflectem no seu próprio comportamento, para com os outros.

É também uma história que mostra como seguir em frente, por mais difícil que seja.

Sobre perda, e superação. 

Sobre resiliência. E perdão.

Tive algum receio de que a autora fosse por caminhos que, para mim, deixariam de ter interesse. Mas, felizmente, isso não aconteceu.

 

Para quem tiver curiosidade, existe um filme, baseado nesta obra, estreado em novembro de 2011, e estrelado por James Van Der Beek , Sarah Carter e Amanda Michalka.

 

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