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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Será verdade?

 

Este verão, estava eu na paragem à espera do autocarro enquanto duas mulheres falavam de trabalho. Uma delas, portuguesa, trabalhava cá em Mafra mas mora noutra localidade, localidade essa onde a outra, brasileira, trabalha. Ambas exercem funções em instituições da Santa Casa da Misericórdia dedicadas à terceira idade.

A portuguesa, que trabalha cá, afirmava conhecer bem quem estava à frente da outra instituição, e da má reputação que a mesma tem.

A brasileira, explicava que, de acordo com as ordens da directora, nenhuma funcionária poderia conversar com os idosos, sob pena de levarem uma reprimenda.

A única actividade destes idosos, durante horas, era estar sentados em frente a uma televisão.

Contava também que, dado o número limite de camas que deveriam ter, todas os dias montavam uma cama a mais para uma senhora, e desmontavam quando aparecia lá alguém a fiscalizar.

Perguntava a mãe dessa brasileira, e bem, porque é que os filhos ou família desses idosos, sabendo disso, não tiram de lá os mesmos!

E foi aí que eu pedi licença para entrar na conversa. A verdade é que, muitas vezes, os familiares desses idosos não fazem ideia do que se passa na instiuição onde os deixaram.

As instituições "vendem" uma imagem para as famílias, que nem sempre corresponde ao que realmente acontece dentro de portas.

Por outro lado, esses idosos acham que não valerá a pena fazer queixa, porque irão pensar que só o fazem porque não querem lá estar, e por isso inventam mentiras.

E quem lá trabalha, e conhece a verdadeira realidade, nada faz sob pena de perder o emprego.

Se este caso concreto é verdadeiro ou não, não sei. Mas a ser verdade, é apenas um dos muitos casos de instituições que só pensam no dinheiro que podem arrecadar, e não no que realmente importa.

Porque, por vezes, mais que um comprimido para as dores, o que estes idosos precisam é de alguém que os alegre, que lhes dê uma palavra amiga, que os acarinhe. O que eles precisam é de sentir que ainda são gente, e não meras peças de mobiliário; que são queridos, e não um fardo. 

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