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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

1 Foto, 1 Texto #23

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Noite...

Noite serena, que traz o silêncio.

Noite tranquila, que traz o descanso.

Noite leve, que nos alivia o peso que carregamos durante o dia.

 

Noite...

Noite sombria, que ressuscita os fantasmas adormecidos.

Noite agitada, que nos emaranha em mil pensamentos.

Noite inquieta, que nos rouba o sono.

 

Noite...

Noite aconchegante, que nos embala.

Noite cálida, que nos aquece o coração.

Noite luminosa, que nos guia o caminho.

 

Noite...

Aquela que nos traz dúvidas.

Aquela que nos dá certezas.

A mesma que nos traz receios E que é capaz de os extinguir.

 

Noite...

Misteriosa.

Mística.

Mágica.

 

Noite...

Chega de repente, sem darmos por ela. 

Para uns, pequenina. Para outros, longa de mais.

Para alguns, o início. Para outros, o fim.

 

Noite...

Há noites que nos inspiram.

Há noites que nos fazem sonhar.

E que nos fazem acreditar.

 

Noite...

Há noites inesquecíveis.

E outras, que queremos apagar.

Para que não voltem a atormentar.

 

Noite...

Noite estrelada.

Noite aluada.

Noite nublada.

 

Noite...

Nunca sabemos o que esperar dela.

Nunca sabemos o que ela nos reserva.

Mas temos encontro marcado, todos os dias.

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1Texto 

Histórias Soltas #23: O sinal

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Dizem que más notícias, quanto mais tarde vierem, melhor.

Ela não sabia se era bem assim.

Na verdade, ela nem sequer sabia se eram más notícias, as que viriam.

 

Nunca se preocupou muito com isso.

Quando surgiu, há cerca de dois anos, acreditou que era mais um sinal, que estaria a nascer.

Mais um para a colecção.

Para se juntar aos outros que, constantemente, vão surgindo.

Ano após ano.

 

Nas estações mais frescas, com a quantidade de roupa que vestia, nem sequer se lembrava daquilo.

Só voltava a dar por isso, no verão.

Quando ficava exposto.

Quando começava a provocar prurido.

Mas logo o verão passava, e se esquecia novamente da sua existência.

 

Até que, chegada uma nova primavera, olhou para aquela mancha estranha com outros olhos.

Que raio seria aquilo?

Estava a dar-lhe uma comichão louca e, sem conseguir evitar coçar, já estava a fazer ferida.

Para evitar mais esse problema, andou a pôr umas pomadas, que ajudaram.

 

Marcou uma consulta de dermatologia.

Começou a lembrar-se de todos os escaldões que tinha apanhado há muitos anos. E das consequências que, agora, eles poderiam trazer.

Mais valia averiguar, e descartar o pior.

 

Como ainda faltava mais de um mês, tirou umas fotografias, e partilhou num grupo dessa área, para ver o que diziam.

A resposta que lhe deram foi de que, pelas fotografias, não parecia ter sinais de malignidade. Parecia ser só um nevus plano que irrita ao contacto com a roupa, e por isso o eritema, escamação e comichão.

No entanto, foi aconselhada a fazer uma consulta presencial com um dermatologista, que iria usar outros meios para um diagnóstico mais correto.

 

Restava, então, esperar pela consulta.

E tinha, finalmente, chegado o dia.

 

Mas foi adiada.

Mais um mês.

 

Pode ser um sinal, de que não é caso para preocupação.

Mais um verão, e umas férias, para aproveitar o sol e a praia.

A mancha está melhor.

Se calhar até faz bem.

 

Seja como for, não há nada a fazer, a não ser esperar pela nova data.

Boas ou más notícias, só então se saberão...