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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Realeza", na Netflix

Realeza - Série 2025 - AdoroCinema 

 

Os membros da realeza são pessoas comuns.

A diferença é que, quando assumem o seu papel perante o seu povo, passam a carregar um peso, a viver de aparências, a esconder segredos e, em alguns casos, a ser consumidos pelo dever, abdicando da sua felicidade.

 

"Realeza" é uma comédia romântica. 

No entanto, não foi o romance o que mais me cativou.

Foi a forma como a relação familiar, entre a mãe e os seus três filhos, vai mudando, e melhorando, perante as dificuldades que enfrentam, e os segredos que se vão desvendando.

Na verdade, também todos eles mudam, individualmente. Crescem. 

 

Aviraaj, o "bon vivant" a quem o pai deixou o trono, recusa a coroa. De costas voltadas com o pai, em vida, não quer nada que venha dele, após a morte.

Parece um homem mimado e arrogante mas, na verdade, carrega muita coisa dentro dele, que terá de resolver. E adora os seus cavalos, com quem não mede esforços, em prol da sua saúde e bem estar.

 

Digvijay é o filho "ignorado". Ele próprio, a determinado momento, menciona sentir que um dos funcionários mais antigos da família é a sua única "família".

Adora cozinhar e, para provar que tem talento, e ser reconhecido pelo mesmo, e não pelo seu título, decide inscrever-se numa competição de culinária, como um homem comum.

 

Divyaranjini, mais conhecida por Jini, considera-se, também ela, ignorada por todos.

Talvez por ser mulher. Talvez porque os seus irmãos chamam mais a atenção. E têm outras responsabilidades.

Jini vai ter atitudes de menina mimada, fazer birras mas, no fundo, ela apenas não sabe como lidar com tudo aquilo que está a descobrir sobre si mesma.

 

Rani Padmaja, a mãe, agora viúva.

Viveu uma vida de mentira, pelo bem do reino. Mas não só.

Começa por parecer uma mulher fútil, à semelhança da restante família, mas depressa percebemos que, também ela, trava uma luta interna, que está longe de terminar.

Com o objectivo de manter o palácio na família, e afastar Sophia, uma plebeia, do seu filho Aviraaj, acaba por mexer num vespeiro do qual ela sairá, sem esperar, como a maior vítima.

É caso para dizer que, depois de tudo o que foi conquistado, no último episódio, tudo se desmorona, com um "sopro" do inimigo. 

 

 

E a forma como quiseram mostrar que devemos sempre seguir os nossos sonhos, arriscar naquilo que gostamos de fazer, mesmo que nos digam que nunca chegaremos a lado nenhum.

Mesmo que aqueles, que julgávamos estar do nosso lado, nos atraiçoem.

Ainda que nos queiram passar a perna, e colher os louros daquilo que construimos, afastando-nos dos nossos próprios projectos, como se nos tornássemos, de repente, pessoas incapazes e não desejadas.

Nunca devemos desistir. Nunca nos deveos dar por vencidos.

 

Destaco também a banda sonora, o guarda-roupa, e algumas das tradições que nos são dadas a conhecer.

 

Está confirmada uma segunda temporada, que espero que chegue brevemente, para saber como vai acabar esta história que, quando parecia que estava a terminar, nos troca as voltas, e está, provavelmente, apenas a começar!

 

"Uma Dupla Vencedora", na Netflix

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"Uma Dupla Vencedora" aborda a história da violência doméstica na Índia, e o facto de não ser levada a sério, nem os homens serem condenados por tal, porque são "assuntos de família", resolvidos dentro do lar. Coisas normais entre casais.

Numa cultura em que é normal um marido torturar ou abusar da sua mulher, em que ninguém se atreve a apresentar qualquer queixa e, simplesmente, fecha os olhos, é difícil ter a coragem de contrariar essa mentalidade, e ver o homem condenado pelos seus crimes.

 

A história começa com a morte de uma mulher, que deixa as suas duas filhas, gémeas, Saumya e Shailee entregues ao pai, a lidar com a perda.

Saumya desde logo se mostra mais frágil, e Shailee ressente-se pela atenção especial dada à irmã, criando-se uma animosidade e rivalidade entre ambas, desde a infância até à actualidade.

Criadas longe uma da outra, Saumya é mais tímida, recatada, e sofre de depressão. Já Shailee, é uma mulher exuberante, provocadora, desbocada, que está disposta a tirar tudo à irmã, incluindo o homem por quem ela se apaixonou.

 

No entanto, por questões de negócios e aparências, Dhruv, apesar de preferir Shailee, acaba por se casar com Saumya. E começa o pesadelo dela, a partir do momento em que o marido a agride constantemente.

Obviamente, Saumya não o denuncia, não faz queixa, e afirma sempre que está tudo bem, e que se amam.

Não só porque sabe que não adianta rebelar-se, mas também porque não quer perder Dhruv para a irmã.

Que faz questão de estar sempre no meio dos dois, e criar ainda mais instabilidade.

 

Vidya é uma agente que está em Devipur, filha de um juiz e de uma advogada, que sempre esteve, como ela mesma diz "entalada" entre a palavra da lei, e o espírito da lei.

E, aqui, ela vai ter que decidir qual deles vai seguir.

Empenhada em ajudar Saumya, ela tenta de todas as formas que esta denuncie o seu marido, sem sucesso.

Até ao dia em que Saumya sofre uma tentativa de homicídio, em público, à frente de toda a gente, e não há mais como negar.

 

Agora, Vidya, que também é advogada, faz questão de tomar conta do caso, e tentar condenar Dhruv por tudo o que fez, ainda que este alegue que as coisas não foram assim, e que a sua mulher está louca, e é instável, desde a morte da mãe, tomando muitos medicamentos para o seu problema psiquiátrico.

 

O pai do acusado, é um ministro. Tem influência, e bons contactos para safar o filho.

Mas o juíz é uma mulher, o que poderá não ajudar à sua defesa.

Será Dhruv, desta vez, condenado?

Conseguirá Vidya a justiça para Saumya, e para todas as mulheres, abrindo um precedente?

E Shailee, ficará do lado da irmã, ou de Dhruv?

 

Como se não bastasse o suspense até aí, garanto-vos que o melhor foi mesmo guardado para o final!

Vale a pena ver  (e ouvir, porque a banda sonora também foi bem escolhida)!

"O Mistério Indiano", de Ana Rita Tereso

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Comprei este livro a pedido da minha filha, após uma visita da autora à escola para falar sobre o mesmo, e sobre a sua aventura pela Índia.

Ana Rita Tereso, licenciada em Animação Turística decidiu, em 2016, apesar de parecer uma loucura, e de ter sido aconselhada a não o fazer, viajar sozinha para a Índia.

A viagem teve início a 27 de Outubro, e só chegou ao fim a 16 de Dezembro.

Durante esses quase dois meses, Ana Rita conheceu várias localidades, pessoas, costumes, e viveu várias experiências.

E, em vários momentos, a autora refere que a Índia lhe parece um mundo ou, mesmo, planeta à parte, tais as diferenças em relação àquilo a que estava habituada.

 

Então, e em que consiste este "mistério indiano"?

Ora bem, o verdadeiro mistério acredito que, só quem lá vai, o conseguirá desvendar, mas deixo aqui o que retirei da leitura deste livro, e da aventura da sua autora:

 

- os transportes mais usados para deslocações, seja entre pequenas localidades, cidades ou estados são autocarros e comboios, e os famosos riquexós

- os motoristas dos riquexós são péssimos em orientação, e conseguem deixar muitas vezes as pessoas nos sítios errados

- o trânsito é uma loucura

- a maior parte das pessoas anda de mota sem capacete, e podem ir até 3 pessoas numa mota

- há sempre alguém ao virar da esquina, a tentar convencer os turistas a fazer algo, para depois lhes cobrar (fotografias, pinturas) 

- a maior parte da comida é picante, e de base vegetariana

- a bebida que mais se bebe por lá é "chai"

- é extremamente difícil comprar lenços de papel

- os indianos estão, em algumas regiões, organizados, socialmente, por castas

- o calor que por lá se faz sentir é, muitas vezes, insuportável

- é frequente ver macacos à solta

- o comércio faz-se maioritariamente, nas ruas e, por isso, poucos frequentam os centros comerciais

- beijos e abraços, ou outro tipo de contacto físico entre sexos opostos não são gestos praticados, nem bem vistos, entre (e pelos) os indianos

- em muitas casas, não existe água quente, e as pessoas tomam banho com água fria

- existem casas em que as sanitas são no chão, e nem sempre há autoclismo ou papel higiénico

- é muito raro as mulheres trabalharem, conduzirem, terem o que quer que seja em seu nome, e ser independentes

- é uma vergonha para os pais não casarem os seus filhos

- nem todos os indianos falam inglês, ou o fazem fluentemente, pelo que nem sempre é possível uma boa comunicação

 

A autora arriscou, atreveu-se, e fez aquilo que seria impensável: andar sozinha pela Índia, aprender a confiar nas pessoas e afastar os receios do que pudesse acontecer a uma mulher sozinha, num país desconhecido, e com um enorme historial de todo o tipo de atrocidades, como violações.

Por entre hotéis, hostel's e casas de habitantes locais, em couchsurfing, a autora foi conhecendo um pouco de toda a Índia, do norte ao sul do país, e trouxe consigo muitos ensinamentos e, certamente, muitas memórias, que agora partilha neste diário de viagem.

Houvesse mais mulheres assim...

Indiana arrastou atacante pelos cabelos até à polícia

...e talvez a história de muitas mulheres na Índia fosse um pouco diferente. Ou não.

É certo que, no meio do azar, Pradnya Mandhare teve alguma sorte por o seu atacante se encontrar sozinho, e em estado de embriaguez, o que tornou a tarefa de o dominar mais fácil.

Mas, ainda assim, foi preciso coragem para agir, quando as pessoas à sua volta, que assistiam ao ataque, nada fizeram, e arrastar o seu atacante até à polícia sabendo que, na maioria das vezes, esta não só não coopera como ainda dificulta a vida a quem quer denunciar os ataques.

A estudante estava numa estação de comboios, a regressar a casa depois de um dia de aulas, quando tudo aconteceu. 

O mais chocante

 

 

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Quase três anos decorreram desde a morte da jovem de 23 anos (devido à gravidade dos ferimentos), violada por seis homens, dentro de um autocarro, em Nova Deli, na Índia.

Agora, o motorista do autocarro Mukesh Singh, que se encontra no corredor da morte faz, em entrevista para a BBC, chocantes declarações, sem revelar qualquer remorso.

Afirma Singh que “Quando uma rapariga está a ser violada, ela não deve resistir. Deve ficar caladinha e permitir a violação” e que “A vida dela não tinha qualquer valor”.

Para Singh, a mulher é a única responsável pela violação. E a tortura a que foi sujeita uma espécie de castigo.

No entanto, mais que as declarações deste assassino, e mais que essa cultura existente na Índia, que permite actos destes e os deixa passar, muitas vezes, impunes, sem nada ou pouco fazer, o que é mais chocante é que, em pleno século XXI, e em países ditos civilizados, com uma cultura e leis totalmente diferentes, o pensamento de certos homens para justificarem as violações e atrocidades que cometem contra as mulheres, seja precisamente o mesmo!