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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

À Conversa com: We Find You

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We Find You é um projeto teve início em 2015, em Braga, com David Dias e Miguel Faria.

Depois de terem lançado os singles "To Be With You" e "London", os We Find You apresentaram, este ano, o tema "Lembra-me", com a participação de Bárbara Tinoco.

Fiquem a conhecer melhor a banda bracarense, e o seu trabalho, nesta entrevista que a mesma concedeu a este cantinho, e a quem desde já agradeço pela disponibilidade.

 

 

 

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Para quem não vos conhece, quem são os We Find You, e o que vos levou a juntar-se neste projeto?

Ora bem, os We Find You são uma banda da zona de Braga composta pelo David Dias (vocalista) e pelo Miguel Faria (guitarrista). Começamos a falar por facebook em 2015, e eventualmente avançamos para ensaios de alguns covers. Depois em 2016, iniciamos o lançamento dos nossos primeiros temas originais no Youtube, em versões acústicas.

 

Porquê a escolha deste nome para a banda?

O nome We Find You, que a tradução mais direta seria, nós encontramos-te, vem de um grande desejo de levar a música ao público. De partilharmos a música ao vivo, e contarmos a nossas histórias, de viagens, desamores, esperança. Inclusive, esta vontade já nos levou a criar iniciativas muito bonitas como o Garden Sessions, onde criamos eventos secretos para um número limitado de pessoas em que íamos tocar em jardins da casa de amigos/ouvintes.

 

Quais são as vossas principais influências, a nível musical?

Apesar de termos gostos diferentes no que toca a música, temos algumas referências em comum. Enumerando algumas delas: Radiohead, Coldplay, Ásgeir, Matt Corby e Patrick Watson.

 

 

 

 

 

Após "To Be With You" e "London" os We Find You surpreendem, este ano,  com um tema em português, "Lembra-me". Cantar na nossa língua foi uma decisão pensada, ou algo espontâneo?

Um pouco dos dois. A ideia de escrevermos um tema em português já tinha surgido há algum tempo, mas nunca teríamos imaginado lança-la como um single. Acho que Portugal está a passar um momento muito interessante de consumo em massa de música em português. O que é maravilhoso! E apesar de nos apresentarmos como uma banda de temas em inglês, não podíamos deixar passar esta oportunidade.

 

O single conta com a participação de Bárbara Tinoco. Como surgiu esta colaboração?

Inicialmente este tema não era um dueto, mas depois de algum amadurecimento da ideia chegamos à conclusão que deveria ser cantado com a ajuda de uma voz feminina. E após um jantar de Natal da nossa atual agência (Primeira Linha) conhecemos a Bárbara pessoalmente, e começamos a nossa amizade que eventualmente levou a esta parceria.

 

Ao longo de 2019, foram várias as cidades onde atuaram e mostraram a vossa música. Como tem sido essa experiência?

Tem sido muito gratificante, como já falamos em relação ao nosso nome, o objetivo sempre foi ir conhecer o público. Achamos que é uma das metas que queriamos alcançar, e é sempre com um sentimento de dever cumprido que temos pisado esses palcos, de norte a sul.

 

We Find You foi a banda escolhida para fazer, em Dezembro, tanto em Lisboa, como no Porto, a primeira parte dos concertos de Raul Midón. Quais são as vossas expectativas para esse momento?

Ficamos muito felizes ao receber essa notícia. Especialmente o Miguel que já era um grande fã do trabalho dele!

Aguardamos ansiosamente o momento de abrir o seu concerto, e quiçá conhecê-lo pessoalmente!

 

Para quando o primeiro álbum de originais da banda?

Um álbum ainda não, mas já temos um Ep em vista para 2020. E de resto só temos a dizer, NO COMMENT.

 

 

 

 

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Como se descreveriam através das seguintes palavras:

Rotina - Trabalho! Ensaios, aulas ou concertos, estamos sempre ocupados!

Palavras - São muito importantes para nós, porque é através delas, nas nossas letras, que chegamos às pessoas. E as nossas palavras, costumam ser de alento, de amor, de esperança, tentamos sempre passar uma mensagem positiva.

Cidade - Braga!

Inspiração - Inspiramo-nos em tudo o que nos rodeia, seja uma pessoa, uma história, algo que vemos num determinado momento...

Despertar - todos os dias temos de o fazer, porque há pessoas que nos "seguem" e querem saber de nós, portanto temos de despertar com ideias novas para as redes sociais, em ideias novas para os concertos, em música nova, em letras novas, como chegar a mais pessoas, e obviamente despertar para o nosso objetivo final que é ser uma referência na música.

Ritmo - É o que tentamos por em cada tema nosso, é o que torna tudo mais interessante e dinâmico. Inclusive, usamos nos nossos concertos, uma stomp box, para criar ambientes diferentes nos temas, porque como só somos dois, sentimos essa necessidade de tentar fazer com que as pessoas, possam sentir os temas de outra forma, até podem dançar.

Palco - é a nossa "casa" onde nós nos sentimos bem, é o resultado final do nosso trabalho. Já pisamos bastantes palcos dos quais nos orgulhamos, mas esperamos poder pisar em muitos mais e que são um objetivo para nós

Interação - Nos nossos concertos adoramos (e precisamos) que haja interação com quem nos está a ver, é muito importante sentir que as pessoas estão lá CONNOSCO e não só a ver-nos, são parte fundamental do concerto.

Partilha - É o que nos move quando tocamos, porque partilhamos as nossas letras, as nossas melodias, e tentamos passar da melhor forma a mensagem a quem nos ouve. E ficamos muito contentes por sentir que o público partilha, muitas vezes, dos mesmos sentimentos e ideias que nós.

Realidade - Temos os pés bem assentes na terra, e sabemos como é complicado viver da música e para a música, mas também somos conscientes das nossas capacidades e do que queremos transmitir às pessoas com as nossas canções.

 

De que forma é que o público vos poderá acompanhar?

Nós estamos presentes em várias plataformas digitais: Facebook, Instagram, Spotify, e Youtube. É só pesquisarem o nosso nome, We Find You.

 

 

Muito obrigada!

 

 

 

Nota: Esta entrevista teve o apoio de Primeira Linha - Music Booking Agency, que estabeleceu a ponte entre a banda convidada e este cantinho, e facultou as imagens.

À Conversa com os SARJA

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"O Tempo Aqueceu", e António Xavier, Sérgio Galante, Jorge Pires e Artur Ferreira decidiram apanhar o "Comboio" para uma nova aventura musical, trazendo na "Bagagem" uma frescura nova e uma paleta de sons única, só "Para Ti", resultante do encontro de gerações que caracteriza a sua formação.

Por entre "Névoa e Pó", e porque "A Ocasião" assim o pedia, surgiram os SARJA, cheios de "Vontades" de mostrar o seu jazz e melodias sólidas, influenciados por artistas como Tom Waits, Paulo de Carvalho, Jamie Cullum, Charles Aznavour, Sérgio Godinho ou Jorge Palma.

"À Tua Espera", mesmo que não sejas uma "Mulher Rica" está, desde 25 de outubro, o álbum de estreia deste quarteto.

CARRUAGENS é "O Retrato", ilustrado em 14 canções, de histórias de vida e estados de alma. "Sempre Andando", de música em música, assistimos ao desfile de encontros e desencontros, de amores sentidos, irrefletidos ou gastos.

Para já, "O Meu Povo" pode ficar com "O Prometido", o single de apresentação do álbum.

E porque, "Quando Estou Só", dá-me para isto, aqui fica a entrevista à banda!

 

 

 

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Para quem não vos conhece, quem são os SARJA?

Um pai, um filho e dois bons amigos que tanto partilham grandes afinidades em torno dos interesses musicais e literários, quanto um percurso atrevido de atenção a novas vivências musicais.

 

 

Quando e porque é que decidiram juntar-se neste projecto?

Quase sem querer…

António Xavier tem vindo a exibir oportunamente alguns dos seus temas e veio colecionando a boa recetividade junto dos que o vão ouvindo e que, em diversos contextos, chegam a partilhar da experiência de com ele tocar em conjunto.

Artur Ferreira, o filho, tem vivido, sob o mesmo teto, as aspirações de interpretação da conduta humana pelo autor e o questionamento da sua própria conduta. É um de três irmãos que, sensível, se muniu dos recursos da casa dum músico para se exprimir de uma forma inovadora sobre as ações musicais do pai, recriando-as na sua compreensão.

Jorge Pires, um músico com estrada, que se autodesafia em permanência, e que há muito desejava poder prestar-se a tocar temas a que se reporta como “Muito bons, pah!... Mas não são fáceis!...”.

Sérgio Galante, um guitarrista roqueiro na sua génese e muito melodioso que traz, assim como Artur e António, um percurso no jazz, o que atribui à banda um perfil parcialmente jazzístico no discurso harmónico e rítmico a fundar melodias simples. O Sérgio foi convidado a integrar a banda e tem vindo a imprimir muita força e atualidade ao projeto.

 

 

Como tem sido o vosso percurso, desde a formação, até ao momento da edição do primeiro álbum?

Um percurso essencialmente tranquilo. Depois da proposta de cada nova canção, vão nascendo arranjos coesos de forma comparticipada, sem imposições ou definições rigorosas. Digamos que as canções passam por um processo de seleção natural onde cada boa experiência se vai fixando na sua estrutura, acabando por consolidá-la e gerando uma identidade.

Fizemos alguns pequenos concertos e fomos testando a aceitação e a cumplicidade do público para com o nosso trabalho, ao mesmo tempo que entrávamos em estúdio com o intento de conceber uma obra que revestisse um desfile de canções.

 

 

 

 

 

A vossa formação é caracterizada por um encontro de diversas gerações. Em que sentido é que essa diversidade facilita ou dificulta o vosso trabalho em conjunto?

Os temas acontecem no prazer de cada um poder comunicá-los com o seu instrumento, a sua sabedoria e o seu universo de referências. Eles nascem precisamente da diversidade. E nunca estamos em desacordo…

 

 

“Carruagens” é o álbum de estreia. O que pode o público encontrar, ao entrar nesta “carruagem” dos SARJA?

Um desfile de catorze canções que abordam literariamente histórias de vida e jogos de personagens e lugares que preconizam a inquietude através de sentimentos tão delicados quanto profundos.

Muita energia, diversidade de estilos, mas apropriação, homogeneidade e coerência no discurso musical. Muito carinho e respeito pela obra. Muita comunicação. Uma enorme dedicação!

 

 

“O Prometido” é o single de apresentação. Existe algo que, enquanto banda, tenham prometido fazer, ou nunca fazer, a nível musical?

Nunca tocar sem prazer e honestidade…

 

 

Em alguns temas do álbum, contam com a participação de outros músicos. Como surgiram essas colaborações?

Fizemos convites a amigos (e dois familiares) que acompanharam com entusiasmo o nosso percurso… e de quem somos fãs.

 

 

Sobre o que nos falam, de uma forma geral, os temas que compõem este trabalho?

De amor. De amor profundo, sentido… terreno. Muitas vezes condoído.

De reflexão. De uma postura que atenta na conduta do ego e nas suas ações perante a rotina, o alheio ou o inesperado.

 

 

Se tivessem oportunidade de convidar uma das vossas referências musicais para partilhar o palco convosco, quem escolheriam?

Qualquer uma. Todas as mencionadas são, de alguma maneira, referência.

 

 

Após a edição do álbum, quais os próximos objectivos a concretizar, a nível musical?

Fazermo-nos ouvir.

Sermos generalizadamente apreciados e acarinhados.

Passarmos a nossa mensagem. Tocarmos muito para as pessoas…

Agradar e surpreender o nosso público.

 

 

De que forma é que o público vos pode seguir e acompanhar?

Nas publicações da Farol Música, Facebook, YouTube e Twitter... https://pt-pt.facebook.com/farolmusica/

Pelo nosso Facebook… https://www.facebook.com/SARJA-1606880739557164/?epa=SEARCH_BOX

Nas principais plataformas digitais.

Acima de tudo, sempre que puder, num palco que lhe seja acessível :)

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também as imagens.

 

À Conversa com Nelson Leal

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Nelson Leal. nasceu no lugar serrano de A-dos-Ferreiros, mas cedo foi arrancado das suas raízes e plantado nas terras estranhas e longínquas de Moçambique.
Para além do curso de Administração Naval, esteve também ligado ao jornalismo, tendo colaborado durante vários anos em vários periódicos regionais e insulares.
Actualmente oficial da Armada, na reforma, Nelson Leal é autor de "Moinho", "Crepúsculo de Sangue" e "O Reino dos Cegos", bem como "Rapto Sem Vilania", a sua última obra, editada em 2019.


Para ficarem a conhecer melhor o autor, aqui fica a entrevista:

 

 

 

 

 

 

Quem é o Nelson Leal?

Suponho que a biografia referida no livro seja suficiente. Atualmente estou reformado e sou presidente de uma IPSS a titulo voluntário, que me consome tempo, ralações e noites mal dormidas.

 

 

Como surgiu a sua paixão pela escrita?

Sempre tive uma musa dentro de mim que me atraía para estas coisas do espirito.

Lamentavelmente, apesar do barro disponível, este artesão nunca foi para além de toscos potes.

Andei pelos cartoons (colaborando nessa área em diversos semanários regionais), pratiquei pintura, cujos quadros amarelecem de teias no sótão da casa, fui articulista e coisa e tal.

Mas sempre, desde que me conheço, adorei ser artesão da palavra. Despretensioso, mas fiel e determinado…

 

 

O Nelson tirou o curso de Administração Naval. Em que ponto é que a escrita e a marinha se cruzam, ou se complementam?

A imensidão do mar, a solidão, o brilho pacato que das estrelas que floresciam na negritude do universo, quando ficava de “quarto” à ponte do navio,  tudo, tudo, convidava ao sonho.

E o sonho, quando se amansa na alma, acaba sempre por se sumir. Não quis que se sumisse e fui-o guardando nas palavras. Foi só isso…

 

 

Esteve também ligado ao jornalismo. Na sua opinião, o que de mais positivo e negativo tem constatado no que respeita à evolução do jornalismo, tanto no nosso país, como a nível mundial?

Às vezes apetece-me ser um Velho do Restelo, mas inspiro, conto até dez e amaino.

A evolução está a ser trepidante e o caldo cultural que a sustenta ferve, borbulha e, por vezes, escorre para fora do pote da humanidade.

É tudo muito rápido e as instituições não conseguem digerir convenientemente estas alterações, por vezes, cataclísmicas.

É o preço da modernidade. Uma moeda com duas faces. Uma, que nos pode salvar. Outra que nos pode matar. Portugal, um país aberto, não sendo uma ilha, será o que o mundo  fôr.

 

 

 

 

 

Depois de "Moinho" (2012), "Crepúsculo de Sangue" (2013) e "O Reino dos Cegos" (2014), chega, em 2019, "Rapto Sem Vilania". O que o levou a esperar 5 anos para lançar esta quarta obra?

Este hiato de 5 anos, decorre da minha opção pelo voluntariado, que me retira tempo para o sonho. E eu escrevo o que sonho.

 

 

Em que se inspirou para escrever este livro?

Inspirei-me nas coisas negras da vida. Nas contradições e nas injustiças sociais do mundo de hoje, de ontem e de sempre.

Refleti sobre a noção escorregadia da liberdade. Na contradição entre a liberdade individual e coletiva.

Se não era livre a Carla, deprimida pela angústia e entaipada pelos raptores, também já não o era, enquanto personagem de um mundo feérico e poderoso em que antes vivia. Afinal, o que é a liberdade?

 

 

A determinado momento, na história, Jacinta, filha de João Carlos e Carla, vai com o pai para Moçambique. Também o Nelson passou pela mesma experiência, na sua infância. Pode-se dizer que colocou, nesta história, um pouco da sua vida também?

Quando escrevemos, escrevemos também, sobre nós próprios, sobre o nosso pensar e sobre a nossa vida. Moçambique viu-me crescer. E quis que o livro crescesse com Moçambique.

 

 

 

 

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Porquê o nome “Rapto Sem Vilania”? Na sua opinião, um rapto pode, por vezes, ser um acto sem vilania?

O Alcindo foi, antes de tudo, uma vitima da sociedade. O rapto não passou de um grito de revolta. De uma tentativa  de fazer justiça pelas próprias mãos. O contexto, a mãe, o desprezo, a segregação, foram as causas. Quem seria o vilão? Ele, a vitima, ou o pai, o algoz?

 

 

Mais do que o rapto em si, foram abordadas outras questões com as quais nos deparamos no nosso dia-a-dia, como o poder, interesses financeiros e políticos, aparências, traição, vingança... Para si, quais são os maiores problemas com os quais a sociedade se depara na actualidade, e mais difíceis de combater?

Como dizia o poeta castelhano António Machado, “o caminho faz-se caminhando”.

Um mundo em rápida transformação, exige passos rápidos e permanentes. Não existe uma solução.

A sociedade muda com tal celeridade, que as soluções têm sempre um carater cada vez mais transitório.

Esse é o nosso drama. Os problemas ambientais são tão graves, que exigem alterações dramáticas no nosso comportamento, nos nossos hábitos de consumo e de mobilidade. De tal modo, que, para sobrevivermos, o mundo futuro (se sobrevivermos) terá que ser radicalmente diferente.

A economia não se faz sem consumidores. Ou seja, a pobreza é inimiga do desenvolvimento. Como conciliar esta verdade de Lapalice com a piramidização crescente do mundo financeiro, com a robotização do mundo económico, com o desemprego previsível e com o envelhecimento da população?

Ou se altera este estado de coisas, seja com maior regulação, seja com politicas globais de politicas fiscais e financeiras radicalmente diferentes, seja de que forma for, ou haverá um ponto de não retorno e depois… o futuro o dirá!

Dava para outro livro, a resposta a esta pergunta…

 

 

Que feedback tem recebido por parte dos leitores que já leram a história?

O meu feedback são estes olhos e a pouca massa cinzenta que se esconde por detrás da calva grisalha.

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.

À Conversa com Amélia da Silva

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Amélia da Silva tem 44 anos, é guineense, mãe e vive em Lisboa desde 2010.

A escritora é também atriz, com participações no teatro, cinema e ballet contemporâneo guineense.

Trabalha atualmente na restauração, e lamenta a falta de oportunidades decorrente da guerra em sua terra natal.

Para nos falar um pouco mais sobre si, e o romance que escreveu, aqui fica a entrevista:

 

 

 

 

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Quem é a Amélia da Silva, para além de autora?
Amélia da Silva sou eu, 44 anos, mãe e atriz.

 

Como surgiu a sua paixão pela escrita?

Através de exercícios de escrita que fazíamos nos ensaios teatrais.



O que a levou a escrever o romance “A vida é madrasta”?

Independentemente desta obra nascer através de exercícios de escrita, é também uma forma de falar de minha cultura, manjaco.

 

 

 

 

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Em que se inspirou para dar vida a esta história e personagens?

Os meus pais, sobretudo a minha mãe que não me viu a crescer, pois separamo-nos quando eu tinha quatro anos… No livro, ela morreu, tinha que ser para dar vida a mulher de Manél (madrasta de Toié).



A Amélia é guineense, mas vive em Lisboa desde 2010. Quais foram as maiores diferenças com as quais se deparou entre os dois países?

A grande diferença é que aqui o salário pode ser pouco, mas vivemos em paz.

 

 

 

 

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A personagem Toiê, protagonista da história, representa uma voz de resistência ao papel reservado às mulheres naquela época e cultura. Na sua opinião, que conquistas foram entretanto alcançadas através dessa luta e resistência, e o que é que ainda tem que ser mudado?

Hoje em dia, com as novas tecnologias e o mundo moderno, muitas coisas mudaram e vão sempre melhorar. Hoje em dia as mulheres querem estudar, não é como antigamente. Hoje em dia as mulheres querem ser independentes.

 


Através desta obra, ficamos a conhecer a cultura manjaca, etnia à qual pertence. Apesar de todas as restrições que a mesma implica, o que de melhor destaca desta cultura?

A cultura dos manjacos tem o espírito de competitividade no sentido positivo.



Para além da escrita, a Amélia trabalhou também como atriz de teatro e cinema estando, no entanto, actualmente, ligada à restauração. Foi uma opção sua, ou uma consequência da falta de oportunidades na área da representação?

Falta de oportunidade aqui em Portugal de trabalhar na nossa área… Eu não tenho costas largas, já me deram moradas falsas para ir a entrevistas de casting. Já fui a castings onde me perguntaram se eu tinha sangue angolano…

 

 

 

 

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Pegando no título do livro, diria que a vida foi “madrasta” para si?

Sim, para mim é. Depende de ponto de vista de cada um.

 


No dia 6 de outubro teve lugar a sessão de lançamento de “a vida é madrasta”. Correspondeu às suas expectativas?

Houve público de maioria guinéense, brasileiras e minha sogra e colega de trabalho que são portuguesas. Vendi 15 livros.

 


No futuro, pretende publicar outras obras da sua autoria?

Neste momento, estou a escrever uma historia alegre, intitulada “Histórias de nosso bairro”. Em “A vida é madrasta” não tive apoio de ninguém, nem patrocinios. Projeto de pobre é duvidoso, para realizar o meu sonho, gastei tudo o que eu tinha.

 

Muito obrigada, Amélia!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre este cantinho e a autora.

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À Conversa com Pedro Forra/ Dinnit Divo

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Pedro Forra, mais conhecido pelo seu alter ego Dinnit Divo, nasceu e cresceu na cidade algarvia de Olhão.
 
Formou-se na escola de Artes, Música, Cinema e Tetro Guilherme Cossoul, em Lisboa e, aos 20 anos mudou-se para Londres em busca dos seus sonhos.
 
O seu primeiro single musical "Lúcifer" ficou 9 semanas, em primeiro lugar, no LGBTQ UK MusicChart
 
Agora, apresenta o seu primeiro romance "Evan Hassow".
 
Fiquem a conhê-lo melhor, nesta entrevista:
 
 
 
 
 
 
 
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Para quem não o conhece, quem é o Pedro Forra?
 
O Pedro Forra é um rapaz lutador e sonhador, que acredita que um dia irá deixar uma marca no mundo através da sua arte.
A desigualdade, o bullying, o racismo, as drogas, a política, os tabus e a discriminação são temas pelos quais me interesso muito, e pelos quais vale a pena lutar contra! 
 
 
 
O que o levou a criar o seu alter ego Dinnit Divo?
 
Lembro-me de ter 7 anos e fechar-me no quarto a ensaiar as minhas "tours mundiais" ao som das músicas das Spice Girls.
Elas foram, sem dúvida, a minha maior influência. Lembro-me de cortar roupa e fazer uma rotina de dança esgotante. Imaginava um enorme público enquanto eu estava no "palco".
Aquela pessoa em que eu me tornava, ali no meu quarto, era uma pessoa completamente diferente do que eu era no dia-a-dia e, com o passar dos anos, comecei a aperceber-me que eu tinha de tornar essa pessoa que viva no quarto, numa pessoa real e então decidi que Dinnit Divo iria ser o nome dela. 
 
 
 
Em que momento sentiu despertar em si o gosto pelas artes?
 
Tal como referi na resposta anterior, lembro-me de começar a ter esta enorme paixão pela arte aos 6/7 anos.
Para além da música, como já disse anteriormente, lembro-me de ver o Baywatch na televisão e como era em inglês, e eu não entendia, e ainda não conseguia ler suficientemente bem e rápido para acompanhar as legendas, no final do episódio fechava-me no quarto e escrevia guiões sobre aquilo a que tinha assistido. Depois decorava tudo e apresentava aos meus pais, sendo que também foi por essa altura que começou a paixão por ser ator e por toda a envolvência do cinema.
 
 
 
Cantor, ator, modelo e autor, qual destas atividades lhe dá mais prazer?
 
É uma escolha difícil.
Tudo me dá prazer, seja escrever livros, seja escrever as letras das minhas músicas (que brevemente irão sair), seja dirigir os vídeos que já realizei, escolher as roupas, fazer as perfomances. E o teatro..as luzes..Tudo está ligado entre si.
 
 
 
Aos 20 anos, mudou-se para Londres em busca dos seus sonhos. Que sonhos tinha, nessa altura, que chegou mesmo a concretizar, ou que ficaram por realizar?
 
Mudei-me para Londres com o grande objetivo de gravar um álbum!
O "Evan Hassow" já estava a ser escrito na altura mas claro que a chegada deste dia, em que apresento o livro, é um dos dias mais importante da minha vida. 
Estou a concretizar tudo o que desejei e ainda mais. 
 
 
 
 
 
 
 

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Quais foram as maiores diferenças, ou semelhanças, que encontrou entre Portugal e Inglaterra, a nível cultural e social?
 
A maior diferença que senti foi a aceitação. Em Londres sinto que não tenho que ser o Dinnit Divo só dentro do meu quarto, mas sim quando e eu onde quero.
Vestir-me como me sinto bem sem receio de ser abordado ou agredido na rua. Posso dizer que Londres fez com que o meu ego, confiança e sentimento de aceitação aumentassem drásticamente.
Hoje sei quem sou, e sou feliz com isso, e Londres teve e tem um papel de enorme importância na minha vida. 
 
 
 
Como artista que é, pretende mudar a forma como a sociedade se comporta em relação a determinados temas e problemas atuais. Na sua opinião, qual o maior flagelo da sociedade actual?
 
Existem tantos pontos que gostaria de mudar na nossa sociedade, mas neste preciso momento sinto que o maior problema é tudo o que está relacionado com o futuro do nosso planeta, o nosso ambiente, as alterações climáticas e todas as suas consequências, a poluição, etc.
Acho que se não nos preocuparmos com isto, então a vida deixa de fazer sentido, uma vez que este planeta é a nossa casa. 
 
 
 
De que forma é que a arte, nas suas diversas vertentes, pode ajudar a essa mudança?
 
A arte, nas suas diversas vertentes, influencia as pessoas e eu quero que a MINHA arte seja um exemplo para todos.
Acredito que ao ser reconhecido pelo que faço e pelo que quero fazer, posso usar isso de forma útil para um mundo melhor. 
 
 
 
 
 
 
 
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“Evan Hassow” é um romance que aborda a história de um amor homossexual entre dois jovens norte-americanos. O que o levou a escrever sobre este tema?
 
Decidi abordar este assunto porque estou farto de ver filmes com histórias românticas entre casais heterossexuais.
Pensei que, se na minha obra, o casal fosse gay, poderia ter mais impacto na sociedade e na comunidade LGBTQ.
Admito também que escrever sobre este assunto foi uma ajuda para me aceitar a mim mesmo como membro da comunidade. 
 
 
 
Considera que a discriminação, a exclusão e o preconceito são algo que nunca se irá conseguir abolir totalmente?
 
A sociedade está mais aberta, é verdade, e a tendência é vir a melhorar. Contudo, acho que ainda há um longo caminho a percorrer, seja em relação à comunidade LGBTQ, seja em relação ao racismo, à xenofobia e outros assuntos. 
 
 
 
Para além da homossexualidade, o romance aborda também um outro tema com o qual nos deparamos na atualidade - o tráfico de humanos para escravidão laboral. O que o levou a escrever sobre esta problemática?
 
Em meados de 2011, estava eu a viver em Santos, Lisboa, e costumava passear à noite, a ouvir música e beber um vinho (como parte do processo de inspiração) perto do porto que vai de Santos a Alcântara. Lembro-me de uma noite estar sentado a olhar para os barcos e despertou-me a atenção uma enorme quantidade de contentores que por lá estavam. Nessa altura, já tinha o esboço da história, mas pensei "e se dentro daqueles contentores estiver alguém?" e uma vez pesquisei mais sobre o assunto e foi assim que tudo surgiu. 
 
 
 
Na sua opinião, entre a “prisão” em que vivem os homossexuais, e a “prisão” em que vivem estes escravos, qual será a mais difícil de suportar?
 
Acredito que a prisão mais dificil é aquela que descrevo no livro, pois, no meu caso, mesmo sendo discriminado num meio pequeno, tive a opção de me mudar para um sítio em que sou aceite. 
No caso de Evan e de Mark, eles não tinham a opção de sair daquela herdade. 
 
 
 
Considera que a fuga de Mark e Evan foi uma decisão precipitada?
 
A decisão de abandonarem o Nebraska? Sim! Totalmente.
Acho que eles deveriam ter esperado um pouco mais para saberem se realmente o amor iria permanecer por mais tempo e aí sim tomar uma decisão mais ponderada.
Mas acredito que os anos 90, onde acontece esta história, fossem uma época em que o medo de ser homossexual falava mais alto do que as decisões acertadas. 
 
 
 
Na sua opinião, o que levará as pessoas, como Evan, a não desconfiar de determinadas ofertas de trabalho no mínimo, estranhas e algo suspeitas – necessidade, ingenuidade, desespero, ambição?
 
Acredito que o desespero e a necessidade são as maiores causas deste tipo de situações, sejam elas o tráfico humano, a venda de drogas ou a pornografia. 
 
 
 
 
 
 
 

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Para o Pedro, o amor consegue vencer qualquer obstáculo que se interponha no seu caminho?
 
Sim, sem dúvida. Acredito que, para além do nosso planeta, o amor é a coisa mais importante da vida! 
 
 
 
Numa futura obra, gostaria de voltar a apostar na temática da homossexualidade, ou prefere abordar outras temáticas?
 
Já estou a escrever a minha próxima obra, intitulada "Caravan 4F".
Trata-se de um grupo de amigos que decidem fazer uma roadtrip numa caravana e as drogas, o álcool, o sexo e as festas serão os temas abordados ao longo da obra.
 
 
 
Que mensagem gostaria de deixar aqui a todos aqueles que, pelos mais diversos motivos, são vítimas de discriminação e preconceito?
 
Não baixem os braços, há sempre alguem que vos ama pelo que vocês são. Aceitem-se e amem-se!
Uma vez que vocês são felizes, nada nem ninguém vos poderá deitar abaixo. Nós não somos diferentes, nós não somos um erro. 
 
 
 
 
Muito obrigada, Pedro! Pela entrevista e testemunho!
 
 
 
 
Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre este cantinho e o autor.
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