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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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À Conversa com Joana Alegre

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Poderia apresentá-la como Joana Alegre, filha de Manuel Alegre, deputada municipal independente na Câmara Municipal de Lisboa, mãe, mulher, artista, surfista.

Actualmente, concorrente do The Voice Portugal, na equipa do mentor Diogo Piçarra.

 

A Joana é tudo isto, e muito mais.

Uma mulher humilde, lutadora, apaixonada por tudo aquilo em que se envolve, com uma voz incrível, com um espírito livre e solto, ainda que com os pés sempre assentes na terra. Ou na prancha, quando surfa!

 

E, no entanto, é simplesmente, a Joana Alegre.

O resto, cabe a cada um de vós descobrir, através desta entrevista à Joana, a quem desde já agradeço por ter aceitado o meu convite, e pela disponibilidade para participar nesta rubrica! 

 

 

 

 

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Para quem não a conhece, quem é a Joana Alegre?

Sou uma jovem mulher, mãe, cantautora, amante do Mar, e activista das causas que me movem.

 

Em que momento da sua vida surgiu a paixão pela música?

A música esteve sempre la como uma forma de expressão, desde que me lembro de mim.

 

Nessa altura, essa paixão era, para si, apenas um hobbie, ou já sonhava em enveredar, a um nível mais profissional, pelo mundo da música?

A música foi sempre uma forma de ser eu própria e portanto houve sempre o conflito entre ser um estigma e um grande risco, ou o sonho de poder fazer acontecer como modo de vida e sustento.

 

Quais são as suas maiores referências, a nível musical?

Neste momento admiro muito e adoro ouvir, sobretudo, mulheres cantautoras ou bandas que tenham como lead singers grandes intérpretes, algumas dessas mulheres são produtoras também: Maggie Rogers, Florence Welch e os Florence and The Machine, Aurora, London Grammar, Imogen Heap.

 

 

 

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Sentiu que a sua vida e escolhas foram, em algum momento, e a diferentes níveis, condicionadas pelo facto de ser filha de Manuel Alegre?

Em alguns momentos de menos maturidade, e muita insegurança, sim.

 

Em termos profissionais e, de certa forma, pessoais, afirma que foi sempre seguindo um caminho, alicerçado nas expectativas que os outros tinham para si, em detrimento dos seus próprios sonhos. Em algum momento se sentiu incompleta, pouco realizada ou infeliz com essa decisão?

Sim, já antes de ser mãe comecei a sentir uma grande divisão de tempo entre o que me dava prazer e o que “tinha de ser”, e isso desgastou-me muito.

Ser mãe só veio fortalecer a vontade e consciência de que o melhor caminho é apostarmos tudo a fazer aquilo que nos faz felizes e onde somos melhores profissionais.

 

A Joana foi também praticante de bodyboard. Quando é que surgiu o interesse por esta modalidade?

Sempre fui muito ligada ao mar e, assim que pude, agarrei uma prancha, não pôde ser logo de surf, então foi bodyboard, fiz durante 3/4 anos e passei para o surf, assim que tive condições de ter uma prancha de surf.

 

Entretanto, começou também a experimentar o surf. O que sente nesses momentos em pleno mar, em que está apenas a Joana, a prancha e as ondas?

Ir ao mar é a minha terapia mais antiga, e tem também algo de liturgia, como culto de ser e estar só no ínfimo e precioso lugar que cada um ocupa no cosmos.

 

Com uma licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, a Joana é deputada municipal independente na Câmara Municipal de Lisboa. Quais são as principais questões cívicas que mais a preocupam, na actualidade?

Preocupa-me a crise habitacional e alguma obsessão em governar para atrair o investimento estrangeiro ou turismo dito "de qualidade".

Globalmente preocupa-me o avanço dos ódios e radicalismos e a perda de uma visão humanista pos-modernista, que pressupunha maior consciência do colectivo e de um caminho evolucional.

Vejo muita violência dentro das pessoas e pouca vontade política da parte dos governantes em atender à resolução dos problemas reais que revoltam as pessoas, com a agravante de haver por outro lado uma insistência suicidária em perpetuar as lógicas de lucro e consumo de um modelo de crescimento económico que ameaça a sustentabilidade do nosso planeta.

 

 

 

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Em determinado momento da sua vida, a Joana viveu em Nova Iorque, onde fez um estágio, nas Nações Unidas. Como foi essa experiência?

Foi muitíssimo enriquecedora e esclarecedora, na medida em que deu para perceber que tinha uma ideia muito romântica e idealista do que poderiam ser carreiras como a a carreira diplomática, mediação de conflitos, ou intervenção humanitária.

 

Na sua opinião, as carreiras política e musical podem caminhar paralelamente, sem se "atropelar" ou "anular" uma à outra?

Podem, desde que haja maturidade, foco na gestão do tempo, e muita definição interna.

 

E a maternidade, como é que foi vivida por entre a política, o desporto e os projectos musicais?

Ao início com alguma dificuldade de conciliar tudo, mas com força de vontade e ajuda de família e amigos, as rotinas foram-se adaptando!

 

Embora tenha dado prioridade à vida política, apostou, ainda assim, na formação musical. De que forma é que essa formação influenciou a sua forma de ouvir, sentir e fazer música?

Eu diria que aprofundou e melhorou bastante o entendimento de como tudo funciona, e ampliou os meus recursos e capacidade técnica.

Contudo, mantenho alguma mágoa de não ter tido a possibilidade financeira de fazer o curso superior na New School for Jazz and Contemporary Music em Nova Iorque, já depois de ter sido bem sucedida nas provas de admissão.

Sinto que apesar do esforço que fui fazendo ainda tenho uma formação incompleta.

 

 

 

 

Em 2015, colaborou com Mikkel Solnado no tema "E Agora?". Como surgiu essa colaboração?

Trabalhei com o Mikkel noutro projecto, que envolveu a coordenação de algumas vozes do coro gospel collective, para um evento em específico.

Acho que o Mikkel gostou da minha voz e da minha forma de trabalhar e quando surgiu o “E agora?” sentiu que eu seria a pessoa certa para aquele dueto.

 

 

 

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"Joan & The White Harts" foi o seu primeiro álbum, editado em 2016, com participações de Mikkel Solnado, Mimicat, Jota Erre e Gospell Collective. Foi a concretização de um sonho?

Foi a concretização de um sonho, cujo lançamento e promoção, infelizmente, viriam a ser mal geridos e por isso sinto que ficou escondido e com um acolhimento aquém do que merecia.

 

 

 

 

Em Outubro, foi exibida a sua participação nas provas cegas do The Voice Portugal. Para além dos elogios recebidos por parte dos mentores, ficou surpreendida com a forma como o público reagiu à sua prova?

Fiquei surpreendida e muito grata pois estou no The Voice, precisamente, para encurtar a distância com o grande público!

 

No decorrer do concurso, que estilo ou artista mais gostaria que lhe atribuíssem, e qual o que representaria o maior desafio?

Acho que já está a acontecer as pessoas identificarem-me com uma certa estética indie pop folk de inspiração celta.

Muitos comentários falam de uma Florence Welch portuguesa, da Aurora ou da Lana De Rey.

Eu quero ser apenas a Joana Alegre!

 

Independentemente do quão longe chegar no programa a Joana está, neste momento, decidida a dedicar-se a 100% à música?

Mantenho-me como deputada municipal independente.

 

Qual seria maior objectivo que gostaria de concretizar, a nível musical, no futuro?

Poder viver da minha música já seria o meu sonho concretizado.

 

 

 

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De que forma responderia a este desafio, e porquê?

Com toda a entrega pois não posso mais negar aquilo que sou.

 

Guitarra ou Ukelele? Os dois!

Praia ou Campo? Praia

Surf ou Bodyboard? Surf

Portugal ou Nova Iorque? Portugal

Banda ou Solo? Os dois!

 

 

Muito obrigada, Joana!

E que consiga chegar longe não só no The Voice Portugal, mas também na concretização dos seus sonhos, nomeadamente, naqueles que à música respeitam.

 

 

À Conversa com: We Find You

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We Find You é um projeto teve início em 2015, em Braga, com David Dias e Miguel Faria.

Depois de terem lançado os singles "To Be With You" e "London", os We Find You apresentaram, este ano, o tema "Lembra-me", com a participação de Bárbara Tinoco.

Fiquem a conhecer melhor a banda bracarense, e o seu trabalho, nesta entrevista que a mesma concedeu a este cantinho, e a quem desde já agradeço pela disponibilidade.

 

 

 

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Para quem não vos conhece, quem são os We Find You, e o que vos levou a juntar-se neste projeto?

Ora bem, os We Find You são uma banda da zona de Braga composta pelo David Dias (vocalista) e pelo Miguel Faria (guitarrista). Começamos a falar por facebook em 2015, e eventualmente avançamos para ensaios de alguns covers. Depois em 2016, iniciamos o lançamento dos nossos primeiros temas originais no Youtube, em versões acústicas.

 

Porquê a escolha deste nome para a banda?

O nome We Find You, que a tradução mais direta seria, nós encontramos-te, vem de um grande desejo de levar a música ao público. De partilharmos a música ao vivo, e contarmos a nossas histórias, de viagens, desamores, esperança. Inclusive, esta vontade já nos levou a criar iniciativas muito bonitas como o Garden Sessions, onde criamos eventos secretos para um número limitado de pessoas em que íamos tocar em jardins da casa de amigos/ouvintes.

 

Quais são as vossas principais influências, a nível musical?

Apesar de termos gostos diferentes no que toca a música, temos algumas referências em comum. Enumerando algumas delas: Radiohead, Coldplay, Ásgeir, Matt Corby e Patrick Watson.

 

 

 

 

 

Após "To Be With You" e "London" os We Find You surpreendem, este ano,  com um tema em português, "Lembra-me". Cantar na nossa língua foi uma decisão pensada, ou algo espontâneo?

Um pouco dos dois. A ideia de escrevermos um tema em português já tinha surgido há algum tempo, mas nunca teríamos imaginado lança-la como um single. Acho que Portugal está a passar um momento muito interessante de consumo em massa de música em português. O que é maravilhoso! E apesar de nos apresentarmos como uma banda de temas em inglês, não podíamos deixar passar esta oportunidade.

 

O single conta com a participação de Bárbara Tinoco. Como surgiu esta colaboração?

Inicialmente este tema não era um dueto, mas depois de algum amadurecimento da ideia chegamos à conclusão que deveria ser cantado com a ajuda de uma voz feminina. E após um jantar de Natal da nossa atual agência (Primeira Linha) conhecemos a Bárbara pessoalmente, e começamos a nossa amizade que eventualmente levou a esta parceria.

 

Ao longo de 2019, foram várias as cidades onde atuaram e mostraram a vossa música. Como tem sido essa experiência?

Tem sido muito gratificante, como já falamos em relação ao nosso nome, o objetivo sempre foi ir conhecer o público. Achamos que é uma das metas que queriamos alcançar, e é sempre com um sentimento de dever cumprido que temos pisado esses palcos, de norte a sul.

 

We Find You foi a banda escolhida para fazer, em Dezembro, tanto em Lisboa, como no Porto, a primeira parte dos concertos de Raul Midón. Quais são as vossas expectativas para esse momento?

Ficamos muito felizes ao receber essa notícia. Especialmente o Miguel que já era um grande fã do trabalho dele!

Aguardamos ansiosamente o momento de abrir o seu concerto, e quiçá conhecê-lo pessoalmente!

 

Para quando o primeiro álbum de originais da banda?

Um álbum ainda não, mas já temos um Ep em vista para 2020. E de resto só temos a dizer, NO COMMENT.

 

 

 

 

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Como se descreveriam através das seguintes palavras:

Rotina - Trabalho! Ensaios, aulas ou concertos, estamos sempre ocupados!

Palavras - São muito importantes para nós, porque é através delas, nas nossas letras, que chegamos às pessoas. E as nossas palavras, costumam ser de alento, de amor, de esperança, tentamos sempre passar uma mensagem positiva.

Cidade - Braga!

Inspiração - Inspiramo-nos em tudo o que nos rodeia, seja uma pessoa, uma história, algo que vemos num determinado momento...

Despertar - todos os dias temos de o fazer, porque há pessoas que nos "seguem" e querem saber de nós, portanto temos de despertar com ideias novas para as redes sociais, em ideias novas para os concertos, em música nova, em letras novas, como chegar a mais pessoas, e obviamente despertar para o nosso objetivo final que é ser uma referência na música.

Ritmo - É o que tentamos por em cada tema nosso, é o que torna tudo mais interessante e dinâmico. Inclusive, usamos nos nossos concertos, uma stomp box, para criar ambientes diferentes nos temas, porque como só somos dois, sentimos essa necessidade de tentar fazer com que as pessoas, possam sentir os temas de outra forma, até podem dançar.

Palco - é a nossa "casa" onde nós nos sentimos bem, é o resultado final do nosso trabalho. Já pisamos bastantes palcos dos quais nos orgulhamos, mas esperamos poder pisar em muitos mais e que são um objetivo para nós

Interação - Nos nossos concertos adoramos (e precisamos) que haja interação com quem nos está a ver, é muito importante sentir que as pessoas estão lá CONNOSCO e não só a ver-nos, são parte fundamental do concerto.

Partilha - É o que nos move quando tocamos, porque partilhamos as nossas letras, as nossas melodias, e tentamos passar da melhor forma a mensagem a quem nos ouve. E ficamos muito contentes por sentir que o público partilha, muitas vezes, dos mesmos sentimentos e ideias que nós.

Realidade - Temos os pés bem assentes na terra, e sabemos como é complicado viver da música e para a música, mas também somos conscientes das nossas capacidades e do que queremos transmitir às pessoas com as nossas canções.

 

De que forma é que o público vos poderá acompanhar?

Nós estamos presentes em várias plataformas digitais: Facebook, Instagram, Spotify, e Youtube. É só pesquisarem o nosso nome, We Find You.

 

 

Muito obrigada!

 

 

 

Nota: Esta entrevista teve o apoio de Primeira Linha - Music Booking Agency, que estabeleceu a ponte entre a banda convidada e este cantinho, e facultou as imagens.

À Conversa com os SARJA

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"O Tempo Aqueceu", e António Xavier, Sérgio Galante, Jorge Pires e Artur Ferreira decidiram apanhar o "Comboio" para uma nova aventura musical, trazendo na "Bagagem" uma frescura nova e uma paleta de sons única, só "Para Ti", resultante do encontro de gerações que caracteriza a sua formação.

Por entre "Névoa e Pó", e porque "A Ocasião" assim o pedia, surgiram os SARJA, cheios de "Vontades" de mostrar o seu jazz e melodias sólidas, influenciados por artistas como Tom Waits, Paulo de Carvalho, Jamie Cullum, Charles Aznavour, Sérgio Godinho ou Jorge Palma.

"À Tua Espera", mesmo que não sejas uma "Mulher Rica" está, desde 25 de outubro, o álbum de estreia deste quarteto.

CARRUAGENS é "O Retrato", ilustrado em 14 canções, de histórias de vida e estados de alma. "Sempre Andando", de música em música, assistimos ao desfile de encontros e desencontros, de amores sentidos, irrefletidos ou gastos.

Para já, "O Meu Povo" pode ficar com "O Prometido", o single de apresentação do álbum.

E porque, "Quando Estou Só", dá-me para isto, aqui fica a entrevista à banda!

 

 

 

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Para quem não vos conhece, quem são os SARJA?

Um pai, um filho e dois bons amigos que tanto partilham grandes afinidades em torno dos interesses musicais e literários, quanto um percurso atrevido de atenção a novas vivências musicais.

 

 

Quando e porque é que decidiram juntar-se neste projecto?

Quase sem querer…

António Xavier tem vindo a exibir oportunamente alguns dos seus temas e veio colecionando a boa recetividade junto dos que o vão ouvindo e que, em diversos contextos, chegam a partilhar da experiência de com ele tocar em conjunto.

Artur Ferreira, o filho, tem vivido, sob o mesmo teto, as aspirações de interpretação da conduta humana pelo autor e o questionamento da sua própria conduta. É um de três irmãos que, sensível, se muniu dos recursos da casa dum músico para se exprimir de uma forma inovadora sobre as ações musicais do pai, recriando-as na sua compreensão.

Jorge Pires, um músico com estrada, que se autodesafia em permanência, e que há muito desejava poder prestar-se a tocar temas a que se reporta como “Muito bons, pah!... Mas não são fáceis!...”.

Sérgio Galante, um guitarrista roqueiro na sua génese e muito melodioso que traz, assim como Artur e António, um percurso no jazz, o que atribui à banda um perfil parcialmente jazzístico no discurso harmónico e rítmico a fundar melodias simples. O Sérgio foi convidado a integrar a banda e tem vindo a imprimir muita força e atualidade ao projeto.

 

 

Como tem sido o vosso percurso, desde a formação, até ao momento da edição do primeiro álbum?

Um percurso essencialmente tranquilo. Depois da proposta de cada nova canção, vão nascendo arranjos coesos de forma comparticipada, sem imposições ou definições rigorosas. Digamos que as canções passam por um processo de seleção natural onde cada boa experiência se vai fixando na sua estrutura, acabando por consolidá-la e gerando uma identidade.

Fizemos alguns pequenos concertos e fomos testando a aceitação e a cumplicidade do público para com o nosso trabalho, ao mesmo tempo que entrávamos em estúdio com o intento de conceber uma obra que revestisse um desfile de canções.

 

 

 

 

 

A vossa formação é caracterizada por um encontro de diversas gerações. Em que sentido é que essa diversidade facilita ou dificulta o vosso trabalho em conjunto?

Os temas acontecem no prazer de cada um poder comunicá-los com o seu instrumento, a sua sabedoria e o seu universo de referências. Eles nascem precisamente da diversidade. E nunca estamos em desacordo…

 

 

“Carruagens” é o álbum de estreia. O que pode o público encontrar, ao entrar nesta “carruagem” dos SARJA?

Um desfile de catorze canções que abordam literariamente histórias de vida e jogos de personagens e lugares que preconizam a inquietude através de sentimentos tão delicados quanto profundos.

Muita energia, diversidade de estilos, mas apropriação, homogeneidade e coerência no discurso musical. Muito carinho e respeito pela obra. Muita comunicação. Uma enorme dedicação!

 

 

“O Prometido” é o single de apresentação. Existe algo que, enquanto banda, tenham prometido fazer, ou nunca fazer, a nível musical?

Nunca tocar sem prazer e honestidade…

 

 

Em alguns temas do álbum, contam com a participação de outros músicos. Como surgiram essas colaborações?

Fizemos convites a amigos (e dois familiares) que acompanharam com entusiasmo o nosso percurso… e de quem somos fãs.

 

 

Sobre o que nos falam, de uma forma geral, os temas que compõem este trabalho?

De amor. De amor profundo, sentido… terreno. Muitas vezes condoído.

De reflexão. De uma postura que atenta na conduta do ego e nas suas ações perante a rotina, o alheio ou o inesperado.

 

 

Se tivessem oportunidade de convidar uma das vossas referências musicais para partilhar o palco convosco, quem escolheriam?

Qualquer uma. Todas as mencionadas são, de alguma maneira, referência.

 

 

Após a edição do álbum, quais os próximos objectivos a concretizar, a nível musical?

Fazermo-nos ouvir.

Sermos generalizadamente apreciados e acarinhados.

Passarmos a nossa mensagem. Tocarmos muito para as pessoas…

Agradar e surpreender o nosso público.

 

 

De que forma é que o público vos pode seguir e acompanhar?

Nas publicações da Farol Música, Facebook, YouTube e Twitter... https://pt-pt.facebook.com/farolmusica/

Pelo nosso Facebook… https://www.facebook.com/SARJA-1606880739557164/?epa=SEARCH_BOX

Nas principais plataformas digitais.

Acima de tudo, sempre que puder, num palco que lhe seja acessível :)

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também as imagens.

 

À Conversa com Nelson Leal

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Nelson Leal. nasceu no lugar serrano de A-dos-Ferreiros, mas cedo foi arrancado das suas raízes e plantado nas terras estranhas e longínquas de Moçambique.
Para além do curso de Administração Naval, esteve também ligado ao jornalismo, tendo colaborado durante vários anos em vários periódicos regionais e insulares.
Actualmente oficial da Armada, na reforma, Nelson Leal é autor de "Moinho", "Crepúsculo de Sangue" e "O Reino dos Cegos", bem como "Rapto Sem Vilania", a sua última obra, editada em 2019.


Para ficarem a conhecer melhor o autor, aqui fica a entrevista:

 

 

 

 

 

 

Quem é o Nelson Leal?

Suponho que a biografia referida no livro seja suficiente. Atualmente estou reformado e sou presidente de uma IPSS a titulo voluntário, que me consome tempo, ralações e noites mal dormidas.

 

 

Como surgiu a sua paixão pela escrita?

Sempre tive uma musa dentro de mim que me atraía para estas coisas do espirito.

Lamentavelmente, apesar do barro disponível, este artesão nunca foi para além de toscos potes.

Andei pelos cartoons (colaborando nessa área em diversos semanários regionais), pratiquei pintura, cujos quadros amarelecem de teias no sótão da casa, fui articulista e coisa e tal.

Mas sempre, desde que me conheço, adorei ser artesão da palavra. Despretensioso, mas fiel e determinado…

 

 

O Nelson tirou o curso de Administração Naval. Em que ponto é que a escrita e a marinha se cruzam, ou se complementam?

A imensidão do mar, a solidão, o brilho pacato que das estrelas que floresciam na negritude do universo, quando ficava de “quarto” à ponte do navio,  tudo, tudo, convidava ao sonho.

E o sonho, quando se amansa na alma, acaba sempre por se sumir. Não quis que se sumisse e fui-o guardando nas palavras. Foi só isso…

 

 

Esteve também ligado ao jornalismo. Na sua opinião, o que de mais positivo e negativo tem constatado no que respeita à evolução do jornalismo, tanto no nosso país, como a nível mundial?

Às vezes apetece-me ser um Velho do Restelo, mas inspiro, conto até dez e amaino.

A evolução está a ser trepidante e o caldo cultural que a sustenta ferve, borbulha e, por vezes, escorre para fora do pote da humanidade.

É tudo muito rápido e as instituições não conseguem digerir convenientemente estas alterações, por vezes, cataclísmicas.

É o preço da modernidade. Uma moeda com duas faces. Uma, que nos pode salvar. Outra que nos pode matar. Portugal, um país aberto, não sendo uma ilha, será o que o mundo  fôr.

 

 

 

 

 

Depois de "Moinho" (2012), "Crepúsculo de Sangue" (2013) e "O Reino dos Cegos" (2014), chega, em 2019, "Rapto Sem Vilania". O que o levou a esperar 5 anos para lançar esta quarta obra?

Este hiato de 5 anos, decorre da minha opção pelo voluntariado, que me retira tempo para o sonho. E eu escrevo o que sonho.

 

 

Em que se inspirou para escrever este livro?

Inspirei-me nas coisas negras da vida. Nas contradições e nas injustiças sociais do mundo de hoje, de ontem e de sempre.

Refleti sobre a noção escorregadia da liberdade. Na contradição entre a liberdade individual e coletiva.

Se não era livre a Carla, deprimida pela angústia e entaipada pelos raptores, também já não o era, enquanto personagem de um mundo feérico e poderoso em que antes vivia. Afinal, o que é a liberdade?

 

 

A determinado momento, na história, Jacinta, filha de João Carlos e Carla, vai com o pai para Moçambique. Também o Nelson passou pela mesma experiência, na sua infância. Pode-se dizer que colocou, nesta história, um pouco da sua vida também?

Quando escrevemos, escrevemos também, sobre nós próprios, sobre o nosso pensar e sobre a nossa vida. Moçambique viu-me crescer. E quis que o livro crescesse com Moçambique.

 

 

 

 

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Porquê o nome “Rapto Sem Vilania”? Na sua opinião, um rapto pode, por vezes, ser um acto sem vilania?

O Alcindo foi, antes de tudo, uma vitima da sociedade. O rapto não passou de um grito de revolta. De uma tentativa  de fazer justiça pelas próprias mãos. O contexto, a mãe, o desprezo, a segregação, foram as causas. Quem seria o vilão? Ele, a vitima, ou o pai, o algoz?

 

 

Mais do que o rapto em si, foram abordadas outras questões com as quais nos deparamos no nosso dia-a-dia, como o poder, interesses financeiros e políticos, aparências, traição, vingança... Para si, quais são os maiores problemas com os quais a sociedade se depara na actualidade, e mais difíceis de combater?

Como dizia o poeta castelhano António Machado, “o caminho faz-se caminhando”.

Um mundo em rápida transformação, exige passos rápidos e permanentes. Não existe uma solução.

A sociedade muda com tal celeridade, que as soluções têm sempre um carater cada vez mais transitório.

Esse é o nosso drama. Os problemas ambientais são tão graves, que exigem alterações dramáticas no nosso comportamento, nos nossos hábitos de consumo e de mobilidade. De tal modo, que, para sobrevivermos, o mundo futuro (se sobrevivermos) terá que ser radicalmente diferente.

A economia não se faz sem consumidores. Ou seja, a pobreza é inimiga do desenvolvimento. Como conciliar esta verdade de Lapalice com a piramidização crescente do mundo financeiro, com a robotização do mundo económico, com o desemprego previsível e com o envelhecimento da população?

Ou se altera este estado de coisas, seja com maior regulação, seja com politicas globais de politicas fiscais e financeiras radicalmente diferentes, seja de que forma for, ou haverá um ponto de não retorno e depois… o futuro o dirá!

Dava para outro livro, a resposta a esta pergunta…

 

 

Que feedback tem recebido por parte dos leitores que já leram a história?

O meu feedback são estes olhos e a pouca massa cinzenta que se esconde por detrás da calva grisalha.

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.

À Conversa com Amélia da Silva

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Amélia da Silva tem 44 anos, é guineense, mãe e vive em Lisboa desde 2010.

A escritora é também atriz, com participações no teatro, cinema e ballet contemporâneo guineense.

Trabalha atualmente na restauração, e lamenta a falta de oportunidades decorrente da guerra em sua terra natal.

Para nos falar um pouco mais sobre si, e o romance que escreveu, aqui fica a entrevista:

 

 

 

 

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Quem é a Amélia da Silva, para além de autora?
Amélia da Silva sou eu, 44 anos, mãe e atriz.

 

Como surgiu a sua paixão pela escrita?

Através de exercícios de escrita que fazíamos nos ensaios teatrais.



O que a levou a escrever o romance “A vida é madrasta”?

Independentemente desta obra nascer através de exercícios de escrita, é também uma forma de falar de minha cultura, manjaco.

 

 

 

 

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Em que se inspirou para dar vida a esta história e personagens?

Os meus pais, sobretudo a minha mãe que não me viu a crescer, pois separamo-nos quando eu tinha quatro anos… No livro, ela morreu, tinha que ser para dar vida a mulher de Manél (madrasta de Toié).



A Amélia é guineense, mas vive em Lisboa desde 2010. Quais foram as maiores diferenças com as quais se deparou entre os dois países?

A grande diferença é que aqui o salário pode ser pouco, mas vivemos em paz.

 

 

 

 

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A personagem Toiê, protagonista da história, representa uma voz de resistência ao papel reservado às mulheres naquela época e cultura. Na sua opinião, que conquistas foram entretanto alcançadas através dessa luta e resistência, e o que é que ainda tem que ser mudado?

Hoje em dia, com as novas tecnologias e o mundo moderno, muitas coisas mudaram e vão sempre melhorar. Hoje em dia as mulheres querem estudar, não é como antigamente. Hoje em dia as mulheres querem ser independentes.

 


Através desta obra, ficamos a conhecer a cultura manjaca, etnia à qual pertence. Apesar de todas as restrições que a mesma implica, o que de melhor destaca desta cultura?

A cultura dos manjacos tem o espírito de competitividade no sentido positivo.



Para além da escrita, a Amélia trabalhou também como atriz de teatro e cinema estando, no entanto, actualmente, ligada à restauração. Foi uma opção sua, ou uma consequência da falta de oportunidades na área da representação?

Falta de oportunidade aqui em Portugal de trabalhar na nossa área… Eu não tenho costas largas, já me deram moradas falsas para ir a entrevistas de casting. Já fui a castings onde me perguntaram se eu tinha sangue angolano…

 

 

 

 

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Pegando no título do livro, diria que a vida foi “madrasta” para si?

Sim, para mim é. Depende de ponto de vista de cada um.

 


No dia 6 de outubro teve lugar a sessão de lançamento de “a vida é madrasta”. Correspondeu às suas expectativas?

Houve público de maioria guinéense, brasileiras e minha sogra e colega de trabalho que são portuguesas. Vendi 15 livros.

 


No futuro, pretende publicar outras obras da sua autoria?

Neste momento, estou a escrever uma historia alegre, intitulada “Histórias de nosso bairro”. Em “A vida é madrasta” não tive apoio de ninguém, nem patrocinios. Projeto de pobre é duvidoso, para realizar o meu sonho, gastei tudo o que eu tinha.

 

Muito obrigada, Amélia!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre este cantinho e a autora.

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