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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Hibernação emocional

 

Não sei se estarei num elevado nível de insensibilidade, ou se me transformei, ao longo dos anos, numa pedra.

Mas, se tivesse de descrever a minha atitude ou comportamento, chamar-lhe-ia uma espécie de hibernação emocional.

Porquê?

Porque, perante situações adversas, o meu lado emocional entra numa espécie de dormência profunda, sem qualquer manifestação do que, normalmente, seria de esperar.

A quem está de fora, soa a total ausência de sentimento. A frieza.

No entanto, parece-me que é a minha mente a encetar uma estratégia de adaptação a períodos difíceis, a ausências imperativas.

No entanto, parece-me que começa a ser cada vez mais difícil sair, quando há essa possibilidade, desse estado de hibernação, como se já não soubesse como viver fora dele.

E por aí, costumam hibernar emocionalmente, ou sou a única?!

 

Publicado também em https://marta-omeucanto.blogspot.com/2026/01/hibernacao-emocional.html

 

Regenerar, adaptar e seguir em frente

(1 Foto, 1 Texto #113)

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As intempéries deixam a sua marca na natureza, de diversas formas.

E isso é visível até numa simples flor, talvez mais jovem, mais frágil, que perdeu parte das suas pétalas.

Da mesma forma, as situações menos boas pelas quais passamos ao longo da vida fazem-nos, muitas vezes, perder partes de nós mesmos, que um dia nos caracterizaram.

Não significa que tenhamos ficado incompletos.

Que não consigamos seguir em frente e continuar com a nossa vida.

Apenas há coisas que deixarão de existir em nós.

E passaremos a valer-nos de alternativas, ou não tivessemos nós a capacidade e o poder de nos adaptarmos.

E de regenerarmos, qualquer que seja a forma que encontrámos para tal.

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

"Missing You", na Netflix

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Mais uma adaptação de um livro de Harlan Coben, que chegou à Netflix no primeiro dia de 2025.

Já tinha, em tempos, lido o livro.

Então, ver a série foi como estar a recordar a história, e aquilo de que ainda me lembrava dela, com algumas incertezas quanto ao desenrolar da trama.

Acreditava saber "quem", mas já não me lembrava do "porquê".

Então, a cada episódio (e são apenas 5), ia-se fazendo um pouco mais de luz, até ao final.

 

Kat é uma detective inspectora cujo noivo a abandonou, sem qualquer justificação, há 11 anos.

Sem saber nada dele, ao longo de todo esse tempo, é com espanto que Kat se depara com um perfil do mesmo numa aplicação de encontros.

Ela envia, então, algumas mensagens mas, rapidamente, é bloqueada.

 

No entanto, Josh parece ter voltado para não lhe dar descanso já que um rapaz, Brendan, afirma que o mesmo é namorado da sua mãe, e que parece perigoso.

A verdade é que a mãe iria, supostamente, viajar com Josh. Mas não chegou a apanhar o avião. Não atende o telefone. E há movimentos suspeitos na sua conta bancária.

 

Kat vê-se, então, numa tripla missão: encontrar Josh e perceber porque a deixou, e quem é, de facto, a pessoa com quem esteve prestes a casar; investigar o desaparecimento de Rishi Magari e desmantelar a operação levada a cabo por Titus; e tentar perceber quem, afinal, matou o seu pai.

 

Isto porque aquele que ela sempre pensou ser o assassino, quanto mais não fosse por ele ter confessado o crime, afinal, não o é.

Alguém fez de tudo para que Kat não o soubesse.

Alguém em quem ela confia.

E alguém muito ligado a Kat sabe a verdade sobre o que, realmente, aconteceu. E sobre Josh.

Até quando conseguirão guardar o segredo?

 

 

 

À deriva...

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Por vezes, sem nos darmos conta, acordamos um dia e sentimo-nos à deriva.

À deriva num imenso mar, sem terra à vista.

À deriva num imenso deserto, ou numa extensa floresta, onde não vislumbramos um único abrigo.

O nosso porto seguro, que sempre ali esteve, não existe mais. Desapareceu.

E nós, ficamos sem referência. Sem orientação.

 

Damos aos braços, para nos mantermos à tona. Mas não sabemos para onde nadar...

Caminhamos, porque de nada adianta ficar no mesmo sítio. Mas não sabemos para onde ir...

Remamos, mas não vislumbramos nada além de água...

Está tudo ligado mas, ainda assim, é como se um dos interruptores se tivesse desligado. E uma parte de nós deixasse de funcionar.

 

É provável que, neste desafio de resiliência e sobrevivência, venhamos a encontrar um novo porto seguro. Diferente do anterior, mas igualmente seguro.

É provável que, com o tempo, nos venhamos a adaptar a esta nova forma de viver. À mudança. Às circunstâncias.

 

É expectável que o tempo volte a pôr-nos a funcionar em "modo manual" mas, até lá, é como se nos tivessem colocado em "piloto automático".

Vivemos, mas não por inteiro.

Sentimos, mas apenas pela metade.

E o que quer que digamos, ou façamos, parece sair forçado. 

Porque tem que ser. 

Mas sem a vontade e o entusiasmo de antes.

Sem a energia de outrora.

 

Sentimo-nos à deriva...

E talvez nos deixemos levar pela corrente, pela maré...

Talvez nos deixemos levar pelo vento...

Talvez nos deixemos guiar por pontos imaginários...

Só para chegar a algum sítio, algum lugar...

Para poder descansar. E recuperar forças. 

 

Até que consigamos discernir entre ficar, ou partir, para outras paragens.

Com energia renovada, e pelo próprio pé.

 

Deixar os outros confortáveis, deixa-nos confortáveis também?

Como Impedir as pessoas de te manipularem emocionalmente

 

Ao longo da vida, vamo-nos deparando com situações em que parece que destoamos, que não nos encaixamos. Ou as pessoas assim nos fazem crer.

Então, para que sejamos aceites, para que possamos "encaixar", moldamo-nos àquilo que é esperado de nós. Ou fazemos ainda mais, mudando a nossa forma de ser, para nos podermos integrar, e seguirmos o caminho que escolhemos.

No fundo, tentamos deixar os outros confortáveis com a nossa presença, para que não nos criem obstáculos, e tenhamos a vida um pouco mais facilitada ou, pelo menos, mais calma, sem levantar ondas, tentando passar o mais despercebidos possível.

 

Mas, até que ponto, agir de forma a que os outros, ao nosso redor, se sintam confortáveis com a nossa presença, faz-nos sentir mais confortáveis?

Será mesmo verdade que é conforto que nós sentimos? Lidamos bem com isso? Fazemo-lo sem esforço?

Sentimo-nos realmente bem com isso?

Ou será apenas uma ilusão? Um alívio por não termos que estar constantemente a lutar? Um atenuante? Uma pausa que nos deixa mais confortáveis, durante aquele período de tempo?

 

Será uma trégua temporária em relação aos outros, ou o início de uma luta interior entre aquilo que somos e pensamos, e aquilo que "somos obrigados a ser e pensar", enquanto não chegamos à meta?

 

Num dos episódios de The Good Doctor, Claire afirmava que, em toda a sua vida, tinha tentado deixar os outros confortáveis com a sua presença. E que, ainda agora, depois de se formar como médica, o continuava a fazer.

E às tantas, dizia ela para o colega "Mas tínhamos que o fazer, não tínhamos? Para chegar até aqui?"

 

Talvez...

Mas torna-se cansativo. 

E a verdade é que, como já percebemos, não conseguimos agradar a todos.

No fundo, é como se nos anulássemos. 

Deixamos de ser nós. E como é que, deixando de ser nós, isso nos fará sentir confortáveis?