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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Dezanove Minutos, de Jodi Picoult

Dezanove Minutos

 

Confesso que o início do livro foi um pouco confuso, e não me entusiasmou muito.

Muita informação "solta", muitas personagens, diversos acontecimentos, e pouca ligação entre tudo.

Mas, depois, melhora. 

E faz-nos reflectir. Muito!

 

É uma história sobre relações. 

Relações amorosas. 

Relações entre pais e filhos.

Relações de amizade.

 

É uma história sobre a realidade.

Sobre impotência.

 

É uma história sobre amizades que se desfazem.

Sobre comparações e expectativas.

Sobre escolhas.

Sobre ausências.

Sobre autopreservação.

Sobre bullying, e humilhação.

Sobre relações abusivas.

 

E dezanove minutos, o tempo que Peter levou a libertar o que foi guardando ao longo de 17 anos.

O tempo que demorou a destruir a vida de tantas pessoas, quando a sua já estava em cacos há muito tempo.

O tempo necessário para abrir os olhos, a quem sempre preferiu fechá-los. 

O tempo necessário para, finalmente, fazer-se ouvir. Vingar-se. Fazer justiça. 

E pôr fim ao sofrimento.

 

No final, resta a lembrança.

Porque, como diz Alex "Uma coisa ainda existe desde que haja alguém para a lembrar".

As "sobrinhas" emprestadas que a minha filha me arranja!

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Há uns anos, uma amiga da minha filha perguntou-me se me podia tratar por tia.

Disse-lhe que, por mim, não havia problema, se ela se sentia à vontade assim.

 

Ontem, a minha filha perguntou-me se uma outra amiga poderia ir lá a casa almoçar com ela. Esta é recente, e ainda não a conheço pessoalmente mas, em conversa ao telemóvel com a minha filha, mandou-me uma mensagem "Olá tia Marta!".

E eu, depois, perguntei à minha filha "porquê tia?".

Responde-me ela: "Então não sabes que nós tratamos as mães das nossas amigas por tias?"

Eu: "Ai sim?"

Ela: "Sim! Por isso, és tia de todas as minhas amigas!"

Eu, ao fim de um momento: "Xii... Tenho tantas sobrinhas!" 

Get Even, na Netflix

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O que une quatro adolescentes que, à partida, não são amigas, nem aparentam ter qualquer afinidade entre elas?

Uma causa comum: acabar com as injustiças num mundo e, particularmente, numa escola, onde estas são a realidade, e a norma.

O grupo é então baptizado de DGM (Don’t Get Mad), já que o lema é “we don’t get mad, we get even”, ou seja, “nós não ficamos irritadas, nós vingamo-nos”.

 

E é isso que vão fazer, a todos aqueles que, de alguma forma, foram injustos, ou agiram de forma maldosa ou vergonhosa. Só que, logo no início, as coisas complicam-se, um adolescente e colega de escola morre, e o grupo é o principal suspeito.

 

Esta é uma série que foi buscar ideias a Control Z, Elite e até PLL, mas muito inferior a qualquer uma delas.

Valem os episódios curtos, de cerca de 25 minutos cada um, e um total de 10 episódios, que se acompanham bem mas que, em nenhum momento, nos tiram o fôlego, criam muito suspense, ou nos deixam boquiabertos com o final.

 

Esquecendo a parte do crime e da vingança, há outros conteúdos que se podem destacar e que, apesar de não muito aprofundados, contribuem com alguns pontos para a série.

 

Bree

É a minha personagem favorita. Filha de pais ausentes, com uma mãe que a abandonou e ao marido, e um pai que passa mais tempo a trabalhar do que em casa Bree tenta, à sua maneira, chamar a atenção do pai para a falta que a sua presença e o seu apoio fazem na sua vida.

Infelizmente, o pai parece não perceber o que está a acontecer, limitando-se a livrar a filha de problemas, e deixar-lhe dinheiro em cima da bancada, sem conseguir ter uma única conversa com ela.

Até porque, dada a ausência e falta de orientação, o pai não tem qualquer moral para condenar o que quer que seja e, a cada “pedido de socorro” atirado pela filha, ele ignora e cala-se.

 

Kitty

Kitty acha que tem que ser boa em tudo.

Mas veio para uma escola em que ser-se bom não significa conquistar aquilo que é merecido.

Outros valores (ou falta deles) falam mais alto.

Por receio que os pais fiquem decepcionados consigo, ao não ter sido escolhida para capitã da equipa de futebol, Kitty mente-lhes, até criar uma situação em que acabará por se tornar ela capitã.

Por culpa, após ter deixado a sua amiga numa noite de festa sozinha com um rapaz, por querer, ela própria, sair com outro, Kitty vai fazer de tudo para se vingar de quem fez mal à sua amiga.

Por necessidade de conseguir uma bolsa de estudos, Kitty quase não vive, dedicada que está aos estudos e aos treinos, mas o seu objectivo está cada vez longe de se concretizar.

 

Olívia

Olívia é a adolescente de classe média, que perdeu o pai há uns anos e vive com a mãe, que trabalha para poder pagar as contas e dar uma vida decente à filha.

As propinas da escola que frequenta são pagas pela avó, mas quem a transformou aos poucos na menina bonita e rica, foi Amber.

Ambas têm namorados. E ambas têm problemas com os quais não conseguem lidar.

Amber acha que o dinheiro compra tudo, até a amizade e o amor, e que quem vier a pertencer ao seu círculo restrito tem que ser como ela.

Olívia vai demorar a perceber que Amber é uma pessoa mesquinha, fútil, maldosa, e que não quer isso para si.

E é assim que se vai aproximando de Bree, Kitty e Margot.

 

Margot

É a nerd do grupo, com dificuldades em socializar e fazer amizades.

Prefere isolar-se no seu espaço até porque, das poucas vezes em que ousou achar que poderia ser diferente, acabou por ser traída e gozada.

Mas, a determinado momento, alguém lhe vai dar a força necessária para lutar contra os seus medos, e contra quem a quer rebaixar.

E o amor vai mesmo bater-lhe à porta.

 

 

"A Banca dos Beijos 2", na Netflix

A Banca dos Beijos 2”: Trailer português do filme da Netflix ...

 

O filme estreou na passada semana, e vimo-lo no domingo.

Na sequência do anterior, Elle e Noah são agora um casal de namorados que irá enfrentar a distância, e pôr à prova aquilo que realmente sentem um pelo outro.

Na teoria, mais um filme romântico para adolescentes, igual a tantos outros.

 

Na prática, são várias as reflexões que podemos fazer. E aprendizagens que podemos retirar.

 

Amizade

Quando os amigos iniciam relações com terceiras pessoas, a amizade ressente-se?

É possível manter as amizades, ou agora a prioridade é apenas o parceiro?

Os amigos serão para sempre amigos, se assim o entenderem e, havendo compreensão, é possível conjugar ambas as relações, sem que os amigos se sintam, de um momento para o outro, excluídos, e sem que os respetivos parceiros sintam que estão em segundo lugar, na lista de prioridades.

O segredo consiste em se ser honesto porque, quando assim não é, uma bola de neve de mal entendidos pode levar a que se estrague tanto a relação amorosa, como a de amizade.

 

É possível haver amizade entre pessoas de sexo oposto, sem segundas intenções, e a prova disso são Elle e Lee. Mas para quem está numa relação insegura, e à distância, por vezes surge a dúvida. E a dúvida fica ali a corroer, se não for esclarecida, e se a insegurança não der lugar à confiança.

 

Por muito que os amigos façam planos juntos, poderá haver situações que levam a que se tenha que alterar esses planos, adaptando-os a uma nova realidade. Isso não tem que ser encarado como uma traição à amizade. Se gostamos dos nossos amigos, e os queremos ver felizes, devemos apoiar algo que eles desejem e os faça felizes.

 

Amor

Por vezes, as nossas maiores inseguranças e receios acabam por se transformar na única coisa que conseguimos ver, e na qual queremos acreditar.

É impressionante como olhamos para as coisas e estamos tão cegos. Ou melhor, vemos aquilo que não existe, mas não conseguimos ver aquilo que é.

Ao interpretar aquilo que captámos, o nosso cérebro cria toda uma história que, apesar de não passar de imaginação, o reflexo da insegurança, é aquela que consideramos real e que, se não abrirmos, realmente, os olhos a tempo, poderá acabar por se tornar real.

Agora imaginem se, numa relação, as duas pessoas agirem assim? Não dará bom resultado.

Mais uma vez, o segredo é o diálogo. Se se começam a esconder inseguranças, a mostrar desconfianças, a fazer de conta que está tudo bem, ao mesmo tempo que se mostra que nada está bem, sem se falar abertamente, nem um nem outro saberão o que se passa na cabeça e no coração do parceiro, e poderá interpretar os sinais de forma errada.

 

É preciso muito cuidado, numa relação à distância, com o "espaço" que achamos que devemos dar ao parceiro, porque esse espaço depressa pode parecer, ao outro, um afastamento, um desinteresse, um esfriar da relação.

Por vezes, a boa intenção com que fazemos as coisas, de um lado, pode chegar ao outro com uma interpretação contrária, e negativa, sobretudo se exagerarmos. 

Por outro lado, se esse "espaço" é algo que fazemos de forma forçada, ou propositada, é porque estamos a ir contra aquilo que sentimos, e não nos fará bem. E se o parceiro nunca desejou ou pediu esse espaço, ainda pior.

 

Nem tudo o que parece é. Mas se há confiança na relação, não devemos guardar para nós os problemas pelos quais estamos a passar, só para não incomodar os outros.

 

Vida

Devemos fazer as coisas por nós, e não pelos outros.

Ainda que essas coisas possam incluir os outros.

É válido querer estar mais perto da pessoa que se ama, e planear a vida e o futuro tendo em conta essa vontade, mas não exclusivamente por conta da relação. E talvez seja melhor pensar duas vezes, se essa decisão será a melhor para a nossa vida, para os nossos planos pessoais e profissionais.

Se é o que realmente queremos, ou só nos estamos a desviar, sem querer, mas porque parece o mais acertado?

 

Devemos fazer as coisas por prazer, e não por obrigação, sempre que for possível.

Porque é esse prazer, esse sentir, essa descontração, que nos levará a mostrar o nosso melhor.

Ainda que não seja perfeito, que seja sentido com emoção, porque o resto surge por acréscimo.

Há momentos em que não se pode agir de forma metódica e mecânica.

Há momentos em que não podemos mostrar aos outros aquilo que achamos que eles esperam de nós, mas aquilo que realmente somos.

Até porque as mentiras não duram para sempre, e o nosso verdadeiro "eu" acabará por vir ao de cima.

 

 

 

Outer Banks, na Netflix

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Esta série é uma boa aposta para ver durante este verão.

A história passa-se numa ilha, em Outer Banks, onde há uma clara distinção entre ricos e pobres. Entre os que mandam, e os que obedecem. Entre quem faz daquele o seu destino de férias, e quem nasceu e vive ali desde sempre. Entre os poderosos, que tudo podem, e os que tentam sobreviver, como podem.

De um lado, os "Kooks". Do outro, os "Pogues". O que acontece quando os dois mundos se misturam?

John B, JJ e Pope são "pogues". Junta-se a este grupo, Kiara que, não sendo "pogue", prefere este lado, depois de ter experimentado a sua vida como "kook".

 

John B vive sozinho, depois de o seu pai ter, misteriosamente, desaparecido, enquanto investigava um tesouro perdido. Todos pensam que está morto e, não havendo um tutor, a CPCJ quer levá-lo para uma família de acolhimento, algo que ele fará tudo para evitar.

JJ vive com o pai, um alcoólico agressivo que não hesita em bater no filho, quando lhe der para isso. JJ quer fugir dessa vida miserável mas, pelo caminho, não se apercebe que se poderá estar a tornar igual ao pai. Poderão os amigos impedi-lo?

Pope é um jovem negro, que está a um passo de ganhar uma bolsa para a universidade. É o mais ponderado, sensato, inteligente, mas também o que mais tem que mostrar o seu valor, pela sua cor de pele. A determinada altura, irá revoltar-se e transformar-se noutra pessoa, pondo o seu futuro em risco.

Kiara é respeitada no mundo dos "kooks", algo pelo qual a mãe lutou durante mais de uma década, para conquistar. Mas, depois de uma traição da sua melhor amiga "kook", Kiara prefere conviver com os seus verdadeiros amigos, no outro lado. 

 

Juntos, após uma tempestade que atingiu a ilha, vão descobrir algo, num barco afundado durante a tempestade, algo que poderá ser a chave para o mistério do desaparecimento do pai de John B, e para encontrarem o ouro perdido.

Só que, ao que parece, há mais pessoas interessadas, e os perigos espreitam a cada esquina, com vários suspeitos a não hesitarem em perseguir os jovens, dispostos a tudo.

 

Sarah, filha de um dos homens mais respeitados, ricos e influentes da região, será uma peça fundamental na descoberta do mistério. Mas ela é uma "kook". Aquela que traiu, em tempos, Kiara. E não será fácil aceitá-la no grupo. Embora, no início, ela pareça uma jovem fútil, mimada e snob, depressa vai mostrar que não gosta de viver nessa redoma, e que poderão confiar nela.

 

À medida que a história se vai desenrolando, os cinco metem-se cada vez mais, em problemas. John B, cuja situação já não estava famosa, será acusado de vários crimes que não cometeu, até chegar a um ponto em que só lhe restará fugir, com a polícia inteira à sua procura.

Será que a verdade virá ao de cima a tempo de inocentá-lo, e devolver-lhe a liberdade?

Uma coisa é certa: agora, ele sabe o que aconteceu ao pai, e quem foi o responsável. Sabe onde está o tesouro, e quem o tem.

E, não tendo mais nada a perder, tudo fará para recuperar aquilo que é seu, custe o que custar, e o tempo que demorar.

 

A série mostra como os adolescentes podem viver esta etapa da sua vida de diferentes formas, os problemas que enfrentam, as dificuldades. Como, apesar do dinheiro, alguns deles podem enveredar por caminhos perigosos, e duvidosos.

E como, nem sempre, as famílias mais ricas são as mais honestas, e podem esconder segredos obscuros, que não convém virem ao de cima.