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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mãe espanca abusador da filha!

Imagem do Correio da Manhã

A primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Grande mãe!".

E grande filha, também!

Falava no outro dia a cartaforadobaralho, sobre o facto de não haver mais denúncias de abusos por a sexualidade  ser ainda um assunto tabu.

Pois aqui neste caso não houve tabus. Uma menina de sete anos, depois de abusada, pela segunda vez, por um vizinho de 18 anos, contou tudo à mãe.

A mãe, não descansou enquanto não encontrou o violador e, assim que o apanhou, agrediu-o violentamente!

Ao que parece, a menina e esse vizinho costumavam brincar com outras crianças na rua.

Esta segunda violação aconteceu, de acordo com o Correio da Manhã e O Saloio, no passado fim de semana, numa localidade bem perto de mim:

"Segundo informação que recebemos posteriormente, esta situação teve lugar na Enxara dos Cavaleiros, povoação da freguesia de Enxara do Bispo, no município de Mafra."

Feita a queixa às autoridades, o jovem foi identificado e detido pela Polícia Judiciária de Lisboa, e encontra-se em prisão preventiva.

Diz uma amiga minha que "hoje em dia, ninguém está livre".

E eu pergunto-me: sabendo que realidades destas podem acontecer a qualquer criança, como é que nós, enquanto pais, conseguimos gerir, por um lado, o incentivo à autonomia e, por outro, a insegurança que os rodeia?

 

 

 

Medo e baixa autoestima - os principais "combustíveis" da violência!

Resultado de imagem para violência doméstica

“Se alguém te agride, se alguém te humilha, se alguém te controla, se alguém te isola dos amigos, isso não é amor, é violência”, é a mensagem da mais recente campanha contra a violência no namoro.

Uma violência que não escolhe sexo, classe social ou formação. E que tanto pode ser física, como psicológica (muitas vezes, as palavras marcam mais que meia dúzia de nódoas negras).

Dizem os sábios que, por trás de uma pessoa que fere, há sempre uma pessoa ferida. E é provável que os agressores de hoje, tenham sido as vítimas de ontem. Ou tenham, pelo menos, crescido num ambiente de constante violência. E que as vítimas de hoje, sejam os agressores de amanhã.

Então, o que fazer para quebrar esse círculo?

Porque continuam a ser tão poucas as vítimas que denunciam esses crimes, e ainda tantas as que permanecem caladas?

Por várias razões: 

- porque gostam mais de quem as agride do que de si próprias, ficando cegas, surdas e mudas, inventando desculpas para se convencerem a si e aos outros, que foi uma coisa que aconteceu uma vez, e não voltará a acontecer! Assim, perdoam quem as agride porque foi uma questão de descontrolo, porque não havia intenção de o fazer. E, o que é pior, chegam a culpabilizar-se pela agressão de que foram vítimas, como se os agressores tivessem alguma razão para cometer tais actos!

- por medo de mais violência, de ver concretizadas as ameaças, do que lhes possa acontecer. Quantas vezes os agressores são detidos e saem logo em seguida? Quantas vezes se tentam vingar por terem sido denunciados? Quantas vezes o pior não acontece, sem que ninguém faça nada, apesar das várias acusações já apresentadas nos serviços competentes? As vítimas de violência doméstica não conseguem confiar em ninguém, não acreditam que as consigam proteger do que mais receiam. 

- por medo de serem julgadas, do que possam vir a dizer sobre elas, por vergonha...Por isso, sujeitam-se e acomodam-se sem reclamar. E é o pior que podem fazer, porque estão a dar ainda mais força aos agressores, que se acham no direito de repetir a violência, uma vez que foi permitida outras vezes.

Como tal, para um combate real e eficaz à violência doméstica, é preciso actuar em duas frentes.

É necessário, sem dúvida, uma legislação mais severa e adequada para estes casos mas, mais do que meras leis a enfeitar um Código Penal, é fundamental que as vítimas sintam que serão protegidas, que nada lhes acontecerá por denunciarem os agressores, que as queixas e denúncias não ficam numa gaveta ou no cesto dos casos a ver mais tarde. É fundamental que sejam tomadas todas as medidas, e que sejam cumpridas. É necessário que as denúncias sejam levadas a sério e que os receios das vítimas sejam tidos em conta.

Mas é, também, urgente actuar a nível psicológico, para que as vítimas tenham a coragem de reagir e agir, de conseguir dar a volta e lutar por si próprias, pela sua dignidade, pela sua saúde física e mental, pela sua vida!

E se orgulhem de terem vencido, em vez de se deixar vencer! 

Fez-se justiça na Índia

Índia: Justiça confirma pena de morte para autores de violação colectiva

O Tribunal Superior de Nova Déli confirmou a pena de morte para os quatro homens, condenados por violar e assassinar uma jovem estudante na capital indiana em 2012.

O tribunal corroborou a sentença, dada em Setembro por um tribunal do sul de Nova Déli, de que a violação mortal se enquadra na categoria de «caso extraordinário entre os extraordinários».

Só nestes casos a aplicação da pena de morte é aplicada aos condenados por crimes de especial virulência na Índia, onde após sete anos sem execuções a presidência do país suspendeu, em 2011, aquela prerrogativa.

Os quatro condenados tinham apelado à instância superior argumentando que tinham sido falsamente implicados na violação.

Um quinto envolvido no caso (suposto líder do grupo), ter-se-á suicidado, há um ano na prisão. O sexto, considerado pela polícia como o mais violento, era menor de idade e por isso foi condenado a três anos de prisão num instituto correccional.

A jovem vítima, uma estudante de fisioterapia de 23 anos, voltava para casa em Dezembro de 2012 com um amigo, após ver um filme num cinema de Nova Déli, e foi violada e torturada por seis homens dentro do autocarro. A jovem morreu 13 dias depois num hospital de Singapura, na sequência dos graves ferimentos sofridos.

A agressão à estudante provocou uma onda de grandes protestos na Índia, e levantou um profundo debate sobre a discriminação e violência contra as mulheres.

 

Não acontece só aos outros...

Cada vez que lia uma notícia sobre violência doméstica, o meu pensamento era sempre o mesmo: "Como é que uma pessoa se sujeita a isto?", "Porque é que não faz nada", ou ainda "Eu nunca iria permitir uma situação destas".

Como o nosso pensamento muda, quando estamos no meio da situação, como protagonista, e não apenas do lado de fora como mero espectador!

Desengane-se quem pensa que este é um problema típico de pessoas sem estudos e de classe baixa, que afecta apenas as mulheres. Cada vez mais, percebemos que é um crime que não escolhe sexo, classe social ou formação.

E pode acontecer mesmo aqueles que um dia disseram que nunca iriam admitir que tal lhes acontecesse.

Numa situação dessas, o que fazer? Apresentar queixa, afastar-se do agressor e pôr logo ali um ponto final ao nosso papel de vítima.

Mas, se é assim tão simples, porque é que muitas vezes não agimos para evitar que se repita? A explicação é simples - gostamos mais de quem nos agride do que de nós próprios!

Quando assim é, ficamos cegos, surdos e mudos! Inventamos mil e uma desculpas para nos convencer, a nós e aos outros, que foi uma coisa que aconteceu uma vez e não voltará a acontecer.

Perdoamos quem nos agride porque foi uma questão de descontrolo, porque não havia intenção de o fazer.

Pior, chegamos ao ponto de muitas vezes nos culpabilizarmos pela agressão de que fomos vítimas, como se o outro tivesse alguma razão para cometer tal acto!

Outras vezes, não agimos por medo - medo de mais violência, medo de ver concretizadas as ameaças, medo do que nos possa acontecer.

Afinal, sabemos bem como funciona a justiça, e o que acontece aos criminosos e agressores quando são acusados pelas vítimas. Quantas vezes são detidos e saem logo em seguida? Quantas vezes se tentam vingar por terem sido denunciados? Quantas vezes o pior não acontece, sem que ninguém faça nada, apesar das várias acusações já apresentadas nos serviços competentes?

A verdade é que as vítimas não conseguem confiar em ninguém, não acreditam que as consigam proteger do que mais receiam.

E algumas vezes também, por medo de serem julgadas. Por medo do que possam vir a dizer sobre elas, por vergonha...

Quando assim é, sujeitam-se e acomodam-se sem reclamar. É o pior que podemos fazer - quem faz uma vez faz duas, e quem faz duas faz três. Os agressores acham que têm esse direito, porque afinal nós permitimos que eles pensassem assim, e não param.

Em qualquer caso de violência doméstica, não falamos apenas de agressões físicas. Há agressões psicológicas que, muitas vezes, nos marcam mais que meia dúzia de nódoas negras.

Não condeno as vítimas que não conseguem sair desse pesadelo. Por outro lado, admiro todas aquelas que têm a coragem de agir e reagir.

Acima de tudo, são um exemplo de quem soube e conseguiu dar a volta e lutar por si próprio, pela sua dignidade, pela sua saúde física e mental, pela sua vida. São um exemplo de quem venceu em vez de se deixar vencer! E nada é mais compensador do que essa sensação!

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