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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - a gulosa!

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"A sério?

Tu és gulosa?! 

Nunca te vejo comer bolos. Nunca te vejo comer doces nem gelados.

É sempre comida saudável!"

 

Sim, respondo eu! 

Pode não parecer, mas eu sou muito gulosa!

Se não costumo comer muitas coisas dessas que atrás referem é porque, se começasse, teria tendência a abusar.

 

No sábabo passado, deu-me para experimentar os doces que estavam à venda no hipermercado. Escolhi 3: de figo, de morango, e de maçã e canela. Três caixinhas pequenas, só mesmo para experimentar.

Diz o meu marido: "mas tu nem és de comer doces". Pois não, e eu já sabia qual era o destino que os esperava, mas queria mesmo experimentar!

Assim que cheguei a casa, peguei numa colher de sobremesa, e provei um bocadinho de cada. O de figo era doce demais e muito enjoativo. Foi logo recambiado para casa dos meus pais que, como o meu pai costuma dizer, a diabetes dele (não tem) pede coisas doces!

O de maçã e canela, e o de morango, eram muito bons. Não sei dizer de qual gostei mais. Ficaram lá por casa, para o meu marido e a minha filha experimentarem.

A minha filha não achou muita graça. O meu marido gostou, mas está numa de alimentação saudável. E eu, comi uns pãezinhos de leite, um com cada doce, fiz a vontade, matei o meu desejo, e chegou-me.

Escusado será dizer que, também estas duas caixas, foram parar ao frigorífico dos meus pais!

 

À Conversa com Mário Silva - APCOI

 

Já aqui falei algumas vezes sobre a obesidade infantil e os perigos para a saúde que daí advêm, mas nunca é demais relembrar que, no mundo, cerca de 155 milhões de crianças têm excesso de peso ou são obesas, dos quais 43 milhões em idade pré-escolar. São números alarmantes, para os quais contribui também o nosso país, que está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso ou obesas.

Para combater a obesidade infantil, nem sempre a intervenção dos pais, em casa, é suficiente. Os pais têm um papel fundamental, no sentido de educar para uma alimentação mais saudável e incutir aos filhos, desde cedo, a prática de bons hábitos alimentares dando, eles próprios, o exemplo.

 

Mas esta intervenção deve ser complementada pelas diversas entidades que lidam com as crianças, e que fazem parte do meio em que a mesma se desenvolve como, por exemplo, a escola que frequentam.

Para ajudar nesta missão nasceu, em Dezembro de 2010, a APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, uma organização sem fins lucrativos cujo objectivo passa por promover a saúde das crianças e combater o sedentarismo, a má nutrição, a obesidade infantil, e as doenças associadas, através da organização de diversas campanhas e eventos, alertando para a problemática da obesidade infantil em Portugal.

 

Tomei conhecimento desta associação através da nossa participação na última Corrida da Criança, no Estoril, que todos os anos reúne a família (miúdos e graúdos), para uma corrida solidária que, para além de ajudar as crianças abrangidas pela associação, visa também o combate ao sedentarismo e promoção da prática de exercício físico, num ambiente de festa e convívio.

Para nos falar um pouco mais sobre a APCOI, tenho hoje como convidado o seu Presidente e Fundador, Mário Silva, que gentilmente aceitou o convite para esta entrevista, e a quem desde já agradeço a disponibilidade.

 

 

 

Começo por perguntar, como nasceu a APCOI?

Um dia, depois do trabalho, algures durante o ano de 2009, estava na fila do supermercado. À minha frente estava um menino, que devia ter menos de 10 anos. Era claramente obeso e tentava convencer a mãe a comprar-lhe uma embalagem de um snack que prometia oferecer um cromo no seu interior, recorrendo a todos os argumentos possíveis. A mãe dizia-lhe que não ia fazer-lhe bem, que não podia comer aquelas guloseimas. Mas não resistiu à pressão do filho e comprou-lhe o snack. O produto tinha elevado teor de açúcar, gordura e sal, pelo que iria sem dúvida contribuir para agravar o estado de saúde já debilitado daquela criança. E quem seria um dos principais culpados? Eu. Na altura, trabalhava na agência de marketing infantil que tinha desenvolvido aquela promoção, tal como tantas outras que tinham como única finalidade aumentar as vendas destes produtos nocivos. Foi uma chamada de atenção que despertou para a dura realidade da obesidade infantil que é considerada atualmente a maior epidemia não contagiosa do mundo e em Portugal não é diferente, uma em cada três crianças tem excesso de peso! Depois de me deparar com esta realidade, foi impossível continuar a trabalhar para vender produtos que danificam a saúde das crianças... daí até fundar a APCOI foi apenas um pequeno passo.

 

Que projectos tem a APCOI, neste momento, a decorrer?

Este ano de 2016 vai ser muito marcante, porque é um ano de muitas surpresas. Continuamos a crescer com o projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» que já conseguiu melhorar os hábitos alimentares de mais de 200 mil alunos em todas as regiões do país e é atualmente considerada a maior iniciativa escolar gratuita de educação para a saúde a nível nacional. Para celebrar este sucesso, queremos levar a marca «Heróis da Fruta» para outros públicos, através de eventos especiais e até de edições limitadas de produtos em parceria com diversas entidades selecionadas. Vamos ter muitas novidades em breve, uma delas acabou de ser lançada e chama-se «Missão 1 Quilo de Ajuda». É a vertente mais solidária do nosso projeto escolar e consiste na oferta semanal de cabazes de fruta nas escolas para apoiar o reforço alimentar e a inclusão social dos alunos mais carenciados do país.

 

Em 2012 a associação inaugurou o 1º Centro de Prevenção da Obesidade Infantil em Portugal. A quem é que se destina este centro, e que actividades costuma desenvolver?

É o nosso centro de operações, onde trabalham os nossos especialistas em saúde infantil, cientistas e investigadores e a restante equipa que apoia cada um dos projetos da APCOI. Quando foi inaugurado em 2012, nasceu também com ele um projeto-piloto de acompanhamento de famílias com crianças com excesso de peso que ultrapassou todas as expectativas, tendo uma lista de espera de muitos meses, e por isso mesmo, já este ano, o modelo vai ser estendido a todo o país, através de uma parceria que nos permitirá dar esta resposta às famílias em 18 locais em todo o território nacional.

 

Considera que ainda há um longo caminho a percorrer na prevenção e combate à obesidade infantil?

Sim, é um trabalho contínuo. Utilizando a linguagem dos «Heróis da Fruta», a nossa missão nunca acaba, temos de continuar a espalhar a magia da saúde, todos os dias para que esta chegue ao maior número de crianças! Na verdade, a única forma de garantir que este problema de saúde pública está controlado é manter um elevado nível de prevenção, através da realização sistemática e consistente de programas de educação para a saúde, como no caso do projeto «Heróis da Fruta».

 

Esse caminho passa, essencialmente, por uma mudança de mentalidades?

Sem dúvida! Para lhe responder a esta pergunta, vou contar-lhe uma pequena história: Os primeiros «Heróis da Fruta» do mundo, a Sushi e o Yago, são dois irmãos que decidiram iniciar uma empolgante missão: devolver ao mundo o conhecimento sobre a alimentação saudável que a Madame Ganância fez desaparecer. Nos últimos anos, têm percorrido o país à procura de outras crianças que queiram aprender como se podem transformar em verdadeiros super heróis a defender a sua saúde e a saúde de todos à sua volta. Ao longo da sua aventura, os "Heróis da Fruta" vão saborear todos os dias alimentos saudáveis nas suas refeições, vencer desafios e jogos incríveis, receber prémios fantásticos e aprender a usar a magia da música para fazer chegar mais longe a sua missão: ensinar tudo isto aos adultos, mesmo àqueles que dizem já não ter idade para mudar os seus velhos hábitos.

 

Devido ao estilo de vida que a sociedade actual leva, existe hoje um maior número de crianças com excesso de peso ou obesas, em relação há uns anos ou até décadas atrás? Ou esse número já existia, mas só agora, devido a uma maior preocupação e um estudo mais aprofundado, é possível chegarmos a ele?

É um facto houve um aumento de excesso de peso na população, não só infantil, devido ao estilo de vida atual que se instalou na nossa sociedade nos últimos 30 anos. Aliás, sabemos hoje que nos últimos 33 anos, a taxa de obesidade infantil aumentou 47% em todo o mundo. Esta é a conclusão muito recente de uma das maiores revisões de todos os estudos sobre este problema em todo o mundo. No entanto, acho que também se tem vindo a falar mais de excesso de peso nos últimos anos, porque há uma maior preocupação da população em geral em relação a este assunto. Na minha opinião, o facto de a ainda primeira-dama dos EUA ter abraçado e defendido esta causa com todas as suas forças, colocou o mundo a olhar para este problema com maior frequência. Em Portugal, desde a criação da APCOI em 2010, todas as semanas se fala de obesidade e excesso de peso nos meios de comunicação social. Só para lhe dar um exemplo, desde o ínicio de janeiro já foram publicadas mais de 200 notícias em Portugal sobre a APCOI ou sobre os nossos projetos. Penso que é muito positivo falar-se do problema para acabar com mitos e preconceitos que contribuiem para o sofrimento de tantas crianças. É importante informar. Só com informação e conhecimento proveniente de fontes fidedignas é que conseguimos melhorar a vida e a saúde das crianças.

 

É um facto que, hoje em dia, existe uma maior preocupação por parte da sociedade em geral, das diversas entidades às quais estamos directa ou indirectamente ligados, e dos pais em particular, no que respeita à promoção de uma alimentação mais saudável e prática de exercício físico. No entanto, continuamos a ter números alarmantes de crianças com obesidade infantil. Como é que se explica essa contradição?

A taxa de obesidade infantil aumentou 47% em todo o mundo nos últimos 33 anos, mas apenas nos últimos 5 ou 6 anos se tem vindo a assistir a essa maior preocupação da população em geral em relação aos seus hábitos diários. No entanto, a realidade mostra-nos que será necessário algum tempo e uma boa dose de persistência para passarmos da consciência à prática para conseguirmos controlar este problema. Em 2009, por exemplo, antes de fundar a APCOI, procurei por uma instituição na qual pudesse fazer voluntariado com crianças na área da promoção de alimentação saudável e exercício físico e não existia nada assim em Portugal. As organizações ligadas à obesidade estavam sobretudo vocacionadas para o estudo científico do problema ou para o tratamento cirurgico e direccionados principalmente para a obesidade na fase adulta. A APCOI foi de facto a primeira associação sem fins lucrativos a dedicar-se totalmente à prevenção da obesidade infantil em portugal. Hoje chegam-nos muitos pais que nos dizem que já fazem uma alimentação saudável lá em casa e que os filhos praticam desporto e que realmente não percebem porque é que as crianças continuam a aumentar de peso. Quando em conjunto com os nossos especialistas analisam a alimentação diária da família, na maioria das vezes percebem quais os erros que estão a cometer e que estão a contribuir para o aumento de peso.

 

Considera que a correria em que as famílias vivem e a falta de tempo são argumentos válidos, ou são apenas uma desculpa para justificar os erros alimentares que se cometem regularmente, bem como o sedentarismo?

Num dia de semana habitual, trabalho cerca de 10 horas, tenho que cozinhar pelo menos duas refeições em casa e ainda ter tempo para as deslocações. Há três meses obrigo-me a praticar uma atividade física duas horas por semana. Agora chego a casa todos os dias exausto e não tenho crianças pequenas. Por isso, compreendo perfeitamente que não são apenas desculpas, é de facto o ritmo atual das famílias que lhes deixa muito pouco tempo livre e que as leva a procurar com frequência soluções rápidas e práticas para as tarefas diárias, nomeadamente para a alimentação. Realmente, não é possível ter tempo para tudo, mas por isso mesmo temos de dar prioridade ao mais importante. Em vez de ficarmos no sofá durante uma ou duas horas antes de ir para a cama, podemos perfeitamente ir dar uma caminhada a pé em família ou preparar as refeições do dia seguinte para que possamos ganhar tempo que nos permita praticar uma atividade física depois do trabalho ou para levar as crianças ao parque infantil depois da escola. A nossa força de vontade é capaz de superar todas as dificuldades, sobretudo se for a saúde das crianças que está em risco. Mas é claro que até os melhores pais do mundo por vezes precisam de ajuda para tornar a sua família mais saudável e a APCOI está cá para apoiá-los no que for preciso.

 

Em Outubro de 2015 arrancou a 5ª edição do projecto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável” desenhado especialmente para jardins-de-infância e escolas básicas do 1º ciclo. Como é que as escolas encaram este programa? Têm tido uma boa aderência por parte das mesmas?

Depois do sucesso das edições anteriores que envolveram no total 183.395 alunos, no ano letivo 2015/2016 participam no projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável», 52.832 alunos de 2.607 turmas, de 875 jardins de infância e escolas básicas do 1º ciclo de todos os distritos do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» é atualmente o maior programa gratuito de educação para a saúde de âmbito nacional, com uma das maiores taxas de sucesso de sempre em reeducação alimentar infantil em Portugal: está estatísticamente comprovado que a aplicação do modelo pedagógico dos «Heróis da Fruta» aumenta em pelo menos 42% o consumo de fruta diário das crianças que nele participam. Além do incentivo ao consumo de fruta nas quantidades recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» leva também às crianças lições importantes sobre alimentação saudável, higiene oral, atividade física, economia e poupança, respeito pelo ambiente e bem-estar emocional, que as ajudam a crescer saudáveis, ativas e felizes. As escolas adoram este projeto e pedem-nos todos os anos para visitarmos cada vez mais escolas, algo que só podemos concretizar graças aos nossos parceiros. Aliás, o apoio de empresas preocupadas com a saúde das crianças em Portugal como o Clube Pelicas da Associação Mutualista Montepio, Fábrica de Óculos do Cacém, Aquafresh, Fruut, Vitacress, Holmes Place, Jumbo, Maçãs de Alcobaça, Águas do Vimeiro, Konica Minolta e a Portugal Telecom, é fundamental para conseguirmos oferecer gratuitamente esta experiência mágica e tão necessária a cada vez mais crianças.

 

Podemos contar com uma nova edição da Corrida da Criança em 2016?

A Corrida da Criança é um projeto muito querido por todos os públicos: as crianças, as famílias, a nossa equipa, todos os voluntários e as empresas que com ele colaboram. Mas é uma ação de sensibilização que acontece apenas uma vez por ano. Sentimos que precisamos de dar prioridade às ações que cheguem ao maior número de pessoas e que tenham âmbito nacional. Por essas razões não teremos uma nova edição da Corrida da Criança em 2016, mas este projeto vai ter continuidade noutros formatos, já este ano vamos ter novidadades em várias cidades do país. Fiquem atentos!

 

Que tipo de ajuda mais precisa a APCOI neste momento, e de que forma pode, quem nos está a ler, contribuir?

O nosso maior desafio diariamente é a escassez de recursos financeiros. Por sermos uma organização não governamental, independente e totalmente financiada por empresas e particulares necessitamos de toda a ajuda possível. Quem nos está a ler poderá ajudar-nos de várias maneiras: tornando-se voluntário, contribuindo assim com o seu tempo livre para esta causa; tornando-se associado, apoiando o trabalho da APCOI com uma quota anual; ou ainda oferecendo um donativo pontual de qualquer valor que será canalizado diretamente para um dos nossos projetos. Neste momento, queremos expandir a entrega semanal dos cabazes de fruta da «Missão 1 Quilo de Ajuda» a mais crianças carenciadas, temos mais de 100 candidaturas e só conseguimos dar resposta a 10 escolas neste momento, pelo que precisamos de muitos apoios. Uma forma simples de contribuir para este projeto é fazer uma chamada para o número de telefone 760 450 060 (custo 0,60€ + IVA) que reverte na totalidade para a entrega de cabazes nas escolas, o nosso lema é: 1 telefonema solidário = 1 lanche saudável.

 

Mário, mais uma vez, muito obrigada por nos ter proporcionado esta “conversa”. Que a APCOI continue a lutar pela saúde das nossas crianças e a desenvolver o extraordinário trabalho como têm vindo a fazer até aqui!

 

Podem saber mais sobre a APCOI e os seus projectos em:

www.apcoi.pt

www.heroisdafruta.com

www.corridadacrianca.com

 

Mãe, a minha fruta?

 

Não é uma mudança radical, mas não deixa de ser um bom começo.

Desde há uns meses para cá que, todas as noites, dou uma peça de fruta à minha filha para ela comer depois do jantar. Já se tornou um hábito, a par com o sumo de fruta natural, ao qual ela ainda se tenta escapar por uma ou duas vezes.

Mas se, no início, era eu que lhe "impunha" a fruta, hoje em dia é ela que a pede!

Se eu não a levo logo com o jantar, ela acaba de comer e pergunta-me "Mãe, a minha fruta!"

Será que os pais se preocupam mesmo com a obesidade dos filhos?

 

Li num post do blog http://paranoias-de-mae.blogs.sapo.pt que, entre as 10 maiores preocupações dos pais em relação aos filhos, de acordo com um estudo efectuado pelo Hospital Pediátrico C.S. Mott, no Michigan, Estados Unidos, relativamente a 2015, a que ocupa o primeiro lugar, pelo segundo ano consecutivo, é a Obesidade Infantil!

 

Ora, a mim parece-me um pouco contraditório que, sendo esta a maior preocupação dos pais, exista uma taxa cada vez maior de obesidade infantil.

Parece-me contraditório que pais preocupados se deixem aliciar e vencer pela comida fast food, que ganha cada vez mais terreno.

Parece-me contraditório que, sendo essa a maior preocupação dos pais, se vejam cada vez mais crianças e jovens obesos, como aqueles que agora concorrem a programas como o Peso Pesado Teen.

Parece-me contraditório que, sendo a obesidade infantil a principal preocupação dos pais, seja preciso chegarem a um programa de televisão, para perceber que andaram anos a cometer erros; que seja preciso os filhos chegarem ao fundo do poço, para mudarem de atitude em relação aos seus hábitos alimentares.

 

Na minha opinião, pais realmente preocupados com a possibilidade de os seus filhos se tornarem crianças e jovens obesos, apostam na prevenção, apostam em bons hábitos alimentares desde cedo, apostam em actividades físicas que os façam ocupar a mente (e o estômago), gastar energias e queimar calorias, em vez de permitir que eles se sentem horas a fio, em frente a uma televisão, a comer sem parar, tentam conversar com os filhos e perceber as possíveis causas que possam estar a desencadear um apetite fora do normal. 

 

E, acima de tudo, pais preocupados com a obesidade infantil devem dar o exemplo! De nada adianta querer que os seus filhos se alimentem saudavelmente, se eles próprios não o fazem. De nada adianta querer que os seus filhos sejam activos, se eles próprios são sedentários. Os pais são sempre o melhor exemplo que os filhos podem ter, tanto para o bem como para o mal. 

 

A dificuldade em implementar (e manter) bons hábitos alimentares

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Não é fácil mudar qualquer um dos maus hábitos que o ser humano vai adquirindo ao longo da sua vida. Com os hábitos alimentares não é diferente. A vontade de mudar já é muito importante, mas é só o primeiro passo.

E não pode ser, de todo, uma vontade súbita, irreflectida e de curta duração. Desde que passou na televisão a reportagem "Somos o que comemos", que me deparo com várias pessoas nos supermercados a ler rótulos de variados produtos, a evitar comprar isto e aquilo porque só agora (a sério?!) descobriram que faz mal.

Mas, daqui a uns tempos, a reportagem esquece-se, a sabedoria adquirida apaga-se da memória e todos voltam à rotina habitual.

Muitas pessoas iniciam dietas milagrosas (nem por isso), muitas vezes mais prejudiciais do que benéficas, para logo desistirem. 

Outras, cumprem um plano alimentar à risca e conseguem perder o peso em excesso que tinham. Durante o acompanhamento pelo nutricionista, gabam aos quatro ventos como é saborosa a nova alimentação, o quão bem se adaptaram e o quão bem se sentem. Mas, deixados por sua conta e risco, voltam à alimentação de outrora. Voltam a ganhar peso, voltam a ter maus hábitos e a não querer saber da sua saúde.  

A questão é: o que leva as pessoas a não conseguirem uma mudança bem sucedida?

Em primeiro lugar, nem sempre têm a força de vontade necessária para levar avante a sua resolução. E ficam ainda com menos se as pessoas que as rodeiam não colaboram.

Em segundo lugar, a falta de tempo contribui para que muitas pessoas optem por algo mais rápido, mais prático e, nem sempre, saudável.

E, depois, há todo o meio onde a pessoa se move. Vejamos, por exemplo, crianças a quem os pais tentam educar para uma alimentação saudável.

Se for preciso, e apesar de já haver regulamentação no sentido da promoção de alimentos saudáveis e restrição dos nocivos nas escolas, compram chocolates, ou vão nos intervalos à pastelaria mais próxima comprar bolos, ou à hamburgueria da esquina.

Outras vezes, vão para casa dos avós que lhes compram umas bolachitas bem ao seu gosto, ou um bolinho. Se têm a sorte de lá almoçar, há sempre uma sobremesa à espera.

A minha filha é uma delas! Dias em que está com o pai, são dias para se "estragar". Dias em que está com os avós, são quase todos para comer uma coisa ou outra que não deve. 

Eu bem tento que ela se alimente bem. Mas, assim, torna-se complicado!

  

 

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