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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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"A Banca dos Beijos 2", na Netflix

A Banca dos Beijos 2”: Trailer português do filme da Netflix ...

 

O filme estreou na passada semana, e vimo-lo no domingo.

Na sequência do anterior, Elle e Noah são agora um casal de namorados que irá enfrentar a distância, e pôr à prova aquilo que realmente sentem um pelo outro.

Na teoria, mais um filme romântico para adolescentes, igual a tantos outros.

 

Na prática, são várias as reflexões que podemos fazer. E aprendizagens que podemos retirar.

 

Amizade

Quando os amigos iniciam relações com terceiras pessoas, a amizade ressente-se?

É possível manter as amizades, ou agora a prioridade é apenas o parceiro?

Os amigos serão para sempre amigos, se assim o entenderem e, havendo compreensão, é possível conjugar ambas as relações, sem que os amigos se sintam, de um momento para o outro, excluídos, e sem que os respetivos parceiros sintam que estão em segundo lugar, na lista de prioridades.

O segredo consiste em se ser honesto porque, quando assim não é, uma bola de neve de mal entendidos pode levar a que se estrague tanto a relação amorosa, como a de amizade.

 

É possível haver amizade entre pessoas de sexo oposto, sem segundas intenções, e a prova disso são Elle e Lee. Mas para quem está numa relação insegura, e à distância, por vezes surge a dúvida. E a dúvida fica ali a corroer, se não for esclarecida, e se a insegurança não der lugar à confiança.

 

Por muito que os amigos façam planos juntos, poderá haver situações que levam a que se tenha que alterar esses planos, adaptando-os a uma nova realidade. Isso não tem que ser encarado como uma traição à amizade. Se gostamos dos nossos amigos, e os queremos ver felizes, devemos apoiar algo que eles desejem e os faça felizes.

 

Amor

Por vezes, as nossas maiores inseguranças e receios acabam por se transformar na única coisa que conseguimos ver, e na qual queremos acreditar.

É impressionante como olhamos para as coisas e estamos tão cegos. Ou melhor, vemos aquilo que não existe, mas não conseguimos ver aquilo que é.

Ao interpretar aquilo que captámos, o nosso cérebro cria toda uma história que, apesar de não passar de imaginação, o reflexo da insegurança, é aquela que consideramos real e que, se não abrirmos, realmente, os olhos a tempo, poderá acabar por se tornar real.

Agora imaginem se, numa relação, as duas pessoas agirem assim? Não dará bom resultado.

Mais uma vez, o segredo é o diálogo. Se se começam a esconder inseguranças, a mostrar desconfianças, a fazer de conta que está tudo bem, ao mesmo tempo que se mostra que nada está bem, sem se falar abertamente, nem um nem outro saberão o que se passa na cabeça e no coração do parceiro, e poderá interpretar os sinais de forma errada.

 

É preciso muito cuidado, numa relação à distância, com o "espaço" que achamos que devemos dar ao parceiro, porque esse espaço depressa pode parecer, ao outro, um afastamento, um desinteresse, um esfriar da relação.

Por vezes, a boa intenção com que fazemos as coisas, de um lado, pode chegar ao outro com uma interpretação contrária, e negativa, sobretudo se exagerarmos. 

Por outro lado, se esse "espaço" é algo que fazemos de forma forçada, ou propositada, é porque estamos a ir contra aquilo que sentimos, e não nos fará bem. E se o parceiro nunca desejou ou pediu esse espaço, ainda pior.

 

Nem tudo o que parece é. Mas se há confiança na relação, não devemos guardar para nós os problemas pelos quais estamos a passar, só para não incomodar os outros.

 

Vida

Devemos fazer as coisas por nós, e não pelos outros.

Ainda que essas coisas possam incluir os outros.

É válido querer estar mais perto da pessoa que se ama, e planear a vida e o futuro tendo em conta essa vontade, mas não exclusivamente por conta da relação. E talvez seja melhor pensar duas vezes, se essa decisão será a melhor para a nossa vida, para os nossos planos pessoais e profissionais.

Se é o que realmente queremos, ou só nos estamos a desviar, sem querer, mas porque parece o mais acertado?

 

Devemos fazer as coisas por prazer, e não por obrigação, sempre que for possível.

Porque é esse prazer, esse sentir, essa descontração, que nos levará a mostrar o nosso melhor.

Ainda que não seja perfeito, que seja sentido com emoção, porque o resto surge por acréscimo.

Há momentos em que não se pode agir de forma metódica e mecânica.

Há momentos em que não podemos mostrar aos outros aquilo que achamos que eles esperam de nós, mas aquilo que realmente somos.

Até porque as mentiras não duram para sempre, e o nosso verdadeiro "eu" acabará por vir ao de cima.

 

 

 

Outer Banks, na Netflix

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Esta série é uma boa aposta para ver durante este verão.

A história passa-se numa ilha, em Outer Banks, onde há uma clara distinção entre ricos e pobres. Entre os que mandam, e os que obedecem. Entre quem faz daquele o seu destino de férias, e quem nasceu e vive ali desde sempre. Entre os poderosos, que tudo podem, e os que tentam sobreviver, como podem.

De um lado, os "Kooks". Do outro, os "Pogues". O que acontece quando os dois mundos se misturam?

John B, JJ e Pope são "pogues". Junta-se a este grupo, Kiara que, não sendo "pogue", prefere este lado, depois de ter experimentado a sua vida como "kook".

 

John B vive sozinho, depois de o seu pai ter, misteriosamente, desaparecido, enquanto investigava um tesouro perdido. Todos pensam que está morto e, não havendo um tutor, a CPCJ quer levá-lo para uma família de acolhimento, algo que ele fará tudo para evitar.

JJ vive com o pai, um alcoólico agressivo que não hesita em bater no filho, quando lhe der para isso. JJ quer fugir dessa vida miserável mas, pelo caminho, não se apercebe que se poderá estar a tornar igual ao pai. Poderão os amigos impedi-lo?

Pope é um jovem negro, que está a um passo de ganhar uma bolsa para a universidade. É o mais ponderado, sensato, inteligente, mas também o que mais tem que mostrar o seu valor, pela sua cor de pele. A determinada altura, irá revoltar-se e transformar-se noutra pessoa, pondo o seu futuro em risco.

Kiara é respeitada no mundo dos "kooks", algo pelo qual a mãe lutou durante mais de uma década, para conquistar. Mas, depois de uma traição da sua melhor amiga "kook", Kiara prefere conviver com os seus verdadeiros amigos, no outro lado. 

 

Juntos, após uma tempestade que atingiu a ilha, vão descobrir algo, num barco afundado durante a tempestade, algo que poderá ser a chave para o mistério do desaparecimento do pai de John B, e para encontrarem o ouro perdido.

Só que, ao que parece, há mais pessoas interessadas, e os perigos espreitam a cada esquina, com vários suspeitos a não hesitarem em perseguir os jovens, dispostos a tudo.

 

Sarah, filha de um dos homens mais respeitados, ricos e influentes da região, será uma peça fundamental na descoberta do mistério. Mas ela é uma "kook". Aquela que traiu, em tempos, Kiara. E não será fácil aceitá-la no grupo. Embora, no início, ela pareça uma jovem fútil, mimada e snob, depressa vai mostrar que não gosta de viver nessa redoma, e que poderão confiar nela.

 

À medida que a história se vai desenrolando, os cinco metem-se cada vez mais, em problemas. John B, cuja situação já não estava famosa, será acusado de vários crimes que não cometeu, até chegar a um ponto em que só lhe restará fugir, com a polícia inteira à sua procura.

Será que a verdade virá ao de cima a tempo de inocentá-lo, e devolver-lhe a liberdade?

Uma coisa é certa: agora, ele sabe o que aconteceu ao pai, e quem foi o responsável. Sabe onde está o tesouro, e quem o tem.

E, não tendo mais nada a perder, tudo fará para recuperar aquilo que é seu, custe o que custar, e o tempo que demorar.

 

A série mostra como os adolescentes podem viver esta etapa da sua vida de diferentes formas, os problemas que enfrentam, as dificuldades. Como, apesar do dinheiro, alguns deles podem enveredar por caminhos perigosos, e duvidosos.

E como, nem sempre, as famílias mais ricas são as mais honestas, e podem esconder segredos obscuros, que não convém virem ao de cima.

 

 

Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga

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Estava curiosa para ver este filme, sobre o Festival da Canção, onde Salvador Sobral iria fazer uma participação especial.

Sabia que era uma comédia, que não é o meu estilo favorito. Quando vi que o filme tinha uma duração de 2 horas e meia, assustei-me.

Mas fui-me deixando-me levar. E não dei por passar o tempo. Quando dei por isso, já estava a acabar.

 

Como comédia, é muito fraco, forçado e poucas cenas tem, que me façam rir.

Também não é propriamente uma história sobre o festival da canção que, aqui, serve apenas de fundo para uma comédia romântica.

Às tantas, aparece-nos no ecrã, sem qualquer propósito, que não seja dar destaque aos participantes do Festival da Canção, Jamala, Conchita, Netta, Alexander Rybac e John Lundvik.

Também Salvador Sobral tem direito a uma participação neste filme, mas ao seu estilo, com simplicidade, e beleza.

Demi Lovato interpreta a candidata favorita a representar a Islândia no Festival da canção mas, confesso, só soube que era ela quando vi o elenco! 

Gostei de algumas das músicas, e imaginei-as como candidatas ao festival, ou mesmo como hits das rádios. Melhores que muitas que por aí andam, ou que por lá já passaram.

 

Sobre a história:

Lars é um miúdo que cresce com um único sonho na vida: representar a Islândia no Festival da Canção, e pisar o grande palco. E, se possível ganhar. 

Nesse sonho, acompanha-o a sua amiga Sigrit, uma menina que adora cantar e que, à medida que cresce, se vai apaixonar por Lars.

Juntamente com Lars, vão formar a banda Fire Saga, que é totalmente descredibilizada e ridicularizada pelos islandeses.

Sigrit tem talento, mas falta-lhe cantar com alma e paixão. Todos acham que o caminho dela seria mais feliz se se afastasse de Lars. Mas ela fá-lo por ele, e para que ele possa realizar o seu sonho.

Já Lars, está tão focado da Eurovisão, que não vê mais nada à frente. Ele compõe, ele confecciona as roupas, ele escolhe os arranjos e os temas, ele imagina cenários, enfim, ele trata de tudo, e Sigrit segue-o nessa aventura.

Até ao dia em que tudo muda.

Sigrit é uma artista, no verdadeiro sentido da palavra. Lars é uma criança com mau perder, e que não sabe lidar com as contrariedades. Isso vai afastá-los, e deitar tudo a perder, com a mãozinha dos vilões da história, claro.

Portanto, como comédia romântica, não está mau de todo, embora não seja nada por aí além, como outras que já vimos.

 

Sendo assim, bem espremido, o que se pode tirar do filme?

Algo tão simples e tão importante, que devemos aplicar em tudo na vida:

- em qualquer relação, deve-se rumar no mesmo sentido, trocar opiniões, chegar a um consenso ou entendimento, ouvir os dois lados, para que as coisas resultem

- por vezes, estamos tão obcecados com um determinado objectivo pessoal, que arrastamos todos connosco sem, por um momento, pararmos para olhar se essas pessoas não terão, também elas, os seus próprios objectivos e sonhos, se não estamos a ser egoístas, se não estamos, em nome de uma obcessão, a arruinar algo muito melhor que, e que nos pode fazer mais felizes 

- por vezes, aquilo que realmente importa, está nas coisas mais simples

- é bom vencer, mas não é tudo na vida, e aquilo que para uns é uma derrota pode ser, para outros, um conjunto de pequenas vitórias muito melhores de saborear

- a melhor música, é aquela que se canta com o coração, com alma, com sentimento

 

E acho que esta música, uma verdadeira candidata a um próximo festival da canção, que já está na minha lista das favoritas, resume tudo o que acabei de mencionar.

 

 

Amigos Improváveis Famosos - balanço do primeiro mês

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Uma relação, ainda que nem sempre bem conseguida ou aproveitada, cria laços, cria memórias, e deixa marcas.

E isso passa cá para este lado.

Se, no início, estava reticente quanto a este novo formato, com famosos, agora, estou rendida.

Agora que o primeiro mês está a terminar, já dou por mim a emocionar-me com as despedidas, já dou por mim, apesar de expectante com a chegada dos novos participantes, a sentir a falta dos actuais.

Tal como no programa anterior.

 

Relativamente aos seniores, tenho que confessar que adorei conhecer o Dr. Fernando Póvoas. Um exemplo que muitos deveriam seguir, de humildade, simplicidade, simpatia e generosidade.

Calhou-lhe um jovem à altura - o Gonçalo.

 

Também gostei de ver a Io mostrar que nem sempre as primeiras impressões são aquelas que definem a pessoa, e que há muito mais para conhecer.

E para a Io, só poderia calhar alguém como a Carolina! Uma jovem segura, confiante, desafiadora (no bom sentido), com atitude, frontal mas, ao mesmo tempo, sensível, carinhosa, compreensiva, genuína.

 

Também o Nel Monteiro e a Júlia surpreenderam. Da simplicidade, à genuinidade, da brincadeira aos assuntos mais complicados, formaram, juntamente com o Bruno, o verdadeiro conceito de família.

 

As duplas que me parecem ter funcionado menos bem, foram a Manuela e a Diana, e a Graça e o Rafael, tendo falhado, a meu ver, um pouco mais o lado dos seniores, que o dos jovens.

Acredito que a Graça com a Beatriz, e a Manuela com a Mobaulath, vão resultar melhor.

 

Desta vez, e ao contrário da edição anterior em que, à partida, já tínhamos uma noção de quem seriam as possíveis escolhas dos seniores (apesar de algumas surpresas finais, nesta edição, está tudo em aberto.

 

E irá, provavelmente, ficar assim, dadas as circunstâncias.

Mas vou continuar a acompanhar, diariamente, até onde for transmitido porque, neste momento menos colorido e alegre da nossa vida, assistir aos Amigos Improváveis é uma boa forma de descomprimir.

 

 

"Até Sempre, Meu Amor", de Lesley Pearse

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Ellie e Bonny não poderiam ser mais diferentes, em todos os sentidos.

Ainda assim, viriam a ter muito mais em comum, do que pensavam.

Quis o destino que as duas se viessem a conhecer, e a trabalhar juntas, na concretização dos respectivos sonhos.

E nasceu uma amizade improvável, que foi sobrevivendo ao passar dos anos.

Seria mesmo amizade, aquilo que as unia?

 

A mim pareceu-me que ambas se juntaram pela semelhança das circunstâncias em que se encontravam, pelo sonho comum, pelo apoio e força que iam buscar uma à outra.

Com Bonny, sem dúvida, a pedir muito mais de Ellie, do que o contrário, e a falhar muitas vezes, quando Ellie precisava.

Poder-se-ia dizer, até, que Bonny prejudicava mais Ellie, do que ajudava.

Ainda assim, nenhuma se conseguia afastar da outra, nem romper a ligação.

 

Bonny era a menina mimada, caprichosa, aventureira, habituada a fazer tudo o que queria, à sua maneira, a manipular as pessoas consoante os seus interesses, até mesmo a utilizá-las para seu benefício, enquanto assim o entendesse, descartando-as quando já não precisasse delas.

Ellie, era bondosa, amiga, ingénua, divertida, confiava e tentava ver sempre o melhor nas pessoas. Era leal, e tinha tendência a pensar mais nos outros, que em si própria.

À medida que os anos vão passando, elas percebem que, à excepção de meia dúzia de pessoas, só podem contar mesmo uma com a outra, para o bem e para o mal. E estiveram lá, até ao fim.

Talvez também isto seja amizade.

 

O passado foi doloroso e complicado para ambas, mais para Ellie mas, ainda assim, não as definindo para sempre, conseguiu transformá-las nas mulheres em que se viriam a tornar.

Se tivesse que definir esta história, baseada na Ellie, em duas palavras, seria superação e abdicação.

Superação por tudo o que de mau lhe aconteceu, por tudo o que perdeu, e abdicação, por tudo o que teve que abrir mão, pelo desejo de concretizar o seu sonho.

Já quanto a Bonny, seria, acima de tudo, irresponsabilidade e maturidade. Foi incrível ver como a menina que faria tudo para ser bailarina, e ter na mão quem ela quisesse, sem olhar a meios para atingir os seus fins, se transforma numa mulher que em nada faz lembrar quem ela outrora foi.

 

"Até Sempre, Meu Amor" poderia ser uma história sobre uma despedida amorosa, ou sobre a separação de duas amigas. Mas não. Embora, no fundo, estes factores também estejam presentes, o segredo é bem mais poderoso.

É uma despedida de alguém muito especial que, para o bem de todos, nunca deverá saber a verdade sobre as suas origens.

Talvez não seja possível compreender, aceitar ou, mesmo, perdoar. Talvez seja mais fácil julgar, condenar, abominar aquela decisão final. 

Mas "Até Sempre, Meu Amor" é, ainda assim, uma história de amor. De amor a uma mãe. De amor a uma tia. De amor ao sonho. De amor à sua amiga. De amor a uma filha. E, sobretudo, de amor a si mesma. 

 

Gostaria de ver esta história continuada, à semelhança do que a autora fez anteriormente, com outras como a de Belle.

Queria ver o crescimento de Camellia, a descoberta da verdade, e como ela reagiria a tudo. Queria ver a felicidade brindar a Ellie, para variar.

E, quem sabe, assistir a um pouco mais da nova Bonny, nas décadas seguintes.